Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”. Para adquirir qualquer livro, faça contacto através do WhatsApp (85) 9.9998.5816.
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
“One World, No Border”
Há cerca de 15 anos, encontrei-me imerso na utopia de um mundo sem fronteiras, um anseio alimentado por uma viagem reveladora à Europa. Testemunhar estações de controle de entrada entre países completamente desativadas me fez exultar e inspirou a redação à época do artigo “One World, No Border” (Um Mundo Sem Fronteiras). Na minha infantil ingenuidade sonhava com um planeta onde a circulação humana não fosse barrada por limites geográficos, permitindo a todos buscar o melhor lugar para viver.
Essa visão romântica de um planeta unificado enfrentou, recentemente, a crua realidade das ruas do Condado de Los Angeles, na Califórnia. Nas últimas três semanas tenho encontrado um cenário de profunda tristeza e desalento. Centenas de pessoas vagavam sem destino como zumbis, muitas dominadas por substâncias ilícitas ostentando sinais claros de insanidade, enquanto outras encontravam-se em um estado de indigência, sem um teto para chamar de lar.
A paisagem urbana de Los Angeles, nesse aspecto, revelou-se dolorosamente similar à cracolândia de São Paulo de meses atrás. O paralelo entre essas duas metrópoles destaca a universalidade da crise social e a necessidade de soluções abrangentes. Simultaneamente, relatos indicam que mais de 100 mil pessoas, migrantes ilegais indocumentados, ingressaram no território americano apenas nos últimos vinte dias.
A multiplicidade e complexidade desses desafios fazem-me repensar a viabilidade de um mundo sem fronteiras. As questões que emergem dessa reflexão vão além da mobilidade humana, abrangendo desigualdades socioeconômicas, disparidades de oportunidades e a urgência de políticas inclusivas e humanitárias.
A violência em geral e as guerras em particular, além das desigualdades globais são catalisadores potentes de movimentos migratórios. Um mundo sem barreiras geopolíticas necessitaria, primeiramente, abordar as raízes desses problemas.
A atratividade de nações com sistemas robustos de bem-estar social não pode ser subestimada. No entanto, a integração controlada e efetiva dos migrantes é um desafio colossal, demandando políticas bem estruturadas em áreas como habitação, saúde, educação e empregabilidade.
Enfrentar as causas dos deslocamentos e as disparidades globais demanda uma ação coletiva. A cooperação internacional e a coordenação de políticas globais são essenciais para abordar esses desafios de maneira eficaz.
Confrontado com a crise social evidente em cidades como Los Angeles e São Paulo, e ponderando sobre as questões intricadas da migração, inclino-me a reconsiderar minha antiga visão. Talvez um mundo sem fronteiras seja, na prática, um ideal distante ou mesmo inatingível.
segunda-feira, 25 de setembro de 2023
A greve das montadoras
O United Auto Workers (UAW) é um sindicato internacional que representa trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico. É um dos maiores e mais diversificados sindicatos da América do Norte, com membros em praticamente todos os setores da economia. Os locais de trabalho representados pelo UAW variam desde corporações multinacionais, pequenos fabricantes e governos estaduais e locais até faculdades e universidades, hospitais e organizações privadas sem fins lucrativos. O UAW tem mais de 400 mil membros ativos e mais de 580 mil membros aposentados.
No último dia 15 de setembro o UAW entrou em greve contra a General Motors, Ford e Stellantis (sucessora da Fiat Crysler nos Estados Unidos). Esta é a primeira vez na história do sindicato que atinge todos os três fabricantes de automóveis sindicalizados da América ao mesmo tempo. A greve começou após o sindicato não ter conseguido garantir um acordo de última hora antes do prazo final da meia-noite. A greve direcionada do UAW a três fábricas, uma de cada montadora, começou em Missouri, Michigan e Ohio.
Hoje, dia 25 de setembro, a greve dos trabalhadores do setor automotivo expandiu, envolvendo 38 centros de distribuição de peças operados pela General Motors e pela Stellantis, proprietária da Jeep and Ram, em 20 estados. A Ford foi poupada da expansão porque a empresa atendeu a algumas das demandas do sindicato durante as negociações da semana passada.
Em vez de visar mais fábricas na sexta-feira, o UAW buscou centros distribuidores de peças aos departamentos de serviço das concessionárias de automóveis. Isso fatalmente arrastará os consumidores para o miolo do furacão, se os revendedores ficarem sem peças. Estima-se que as montadoras GM, Ford e Stellantis perderam a produção de mais de 16.000 veículos até o momento, com perdas econômicas de mais de US$ 1,6 bilhão.
As montadoras e alguns de seus fornecedores demitiram cerca de 6 mil trabalhadores em ações que dizem estar relacionadas à greve. A GM fechou uma fábrica no Kansas que dependia de peças estampadas na fábrica de Wentzville.
Mesmo com a expansão, os grevistas representam apenas pouco mais de 10% dos 146.000 membros do sindicato. O restante continua trabalhando normalmente, mas contribuindo para o enorme fundo de greve de 825 milhões de dólares do sindicato, o que permite o pagamento semanal de 500 dólares a cada grevista.
Os trabalhadores reinvindicam aumento salarial de 36% escalonado em quatro anos, reposição anual da inflacão, planos de pensões de benefício definido para todos os empregados, limitação da utilização de trabalhadores temporários, semana de trabalho de quatro dias com remuneração de cinco dias e mais proteções trabalhistas, incluindo o direito de greve em caso de fechamento de fábricas.
Enquanto não houver acordo e o fundo de greve durar, esse processo vai arrastar-se. É assim que a banda toca por aqui.
domingo, 24 de setembro de 2023
Ceará
O torcedor de futebol vive uma montanha-russa de emoções a cada partida, a cada temporada. Nos bons momentos, o estádio reverbera em cânticos de glória, enquanto nos maus, o silêncio ou os suspiros de desalento tomam conta. Nesse contexto, o Ceará Sporting Clube atravessa um período de penúria relativo a resultados, um cenário que leva os alvinegros a uma profunda reflexão sobre lealdade e paixão.
A saudade dos ídolos de antanho é quase palpável entre os torcedores. Harry Carey, William, Alexandre, Gildo, Zé Eduardo – nomes que, um dia, fizeram o coração do torcedor bater mais forte e os olhos brilharem com a esperança de vitória. Nos últimos tempos, Magno Malta também entrou para essa lista, honrando a camisa alvinegra e fazendo história.
Esses ídolos, com suas jogadas inesquecíveis e gols memoráveis, escreveram seus nomes na história do clube, deixando um legado de paixão e dedicação. São lembranças como essas que mantêm viva a chama da esperança nos corações dos torcedores, mesmo em períodos de dificuldades e escassez de triunfos.
No entanto, mesmo diante das adversidades, é notável perceber que em nenhuma segmento da atividade humana há maior fidelidade, uma fidelidade mais fiel, do que a que é vista nos estádios de futebol. O torcedor, esse incconsequente, pode trocar de carro, de casa, de emprego e até de parceiro(a), mas jamais trocará seu clube do coração. O amor ao clube, às cores da camisa, vai além dos resultados em campo. É uma paixão que se renova a cada partida, que se fortalece a cada desafio, independentemente das circunstâncias.
Os torcedores do Ceará Sporting Clube, assim como de tantos outros times ao redor do mundo, demonstram uma resiliência e uma devoção inabaláveis. Eles são a prova viva de que, no futebol, a lealdade resiste, persiste e se fortalece, mesmo nos momentos mais sombrios. A esperança por dias melhores, por novos ídolos e por vitórias memoráveis, permanece sempre acesa no peito de cada torcedor.
E assim, entre saudades e esperanças, os alvinegros seguem apoiando seu time, na certeza de que o futebol é feito tanto de glórias quanto de desafios, e que a verdadeira paixão se prova não nos momentos de festa, mas nos de luta e perseverança. O sofrimento do torcedor é real, mas é também o que alimenta a magia e a beleza desse esporte apaixonante.
sábado, 23 de setembro de 2023
Para o bem do STF, da Democracia e do Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das instituições mais importantes do Brasil, sendo o guardião da Constituição e exercendo um papel vital na manutenção do Estado Democrático de Direito. Diante de sua importância, propõe-se uma série de reformas para aprimorar ainda mais sua atuação, visando sempre o bem comum e a justiça.
Critérios para Nomeação:
A primeira proposta é estabelecer critérios mais rigorosos para a nomeação dos ministros do STF. Um desses critérios seria a exigência de que o indicado seja um juiz de carreira, com vasta experiência no judiciário e um histórico de decisões equilibradas e justas. Esse critério asseguraria que apenas profissionais com profundo conhecimento do Direito e da prática judicial ocupassem o cargo, contribuindo para a qualidade das decisões do tribunal.
Mandato com Prazo de 8 anos:
Atualmente, os ministros do STF são nomeados para mandatos vitalícios, sujeitos à aposentadoria compulsória aos 75 anos. Propõe-se a alteração desse regime para um mandato fixo de 8 anos, sem possibilidade de recondução. Essa mudança visa a renovação constante da Corte, permitindo a entrada de novas ideias e perspectivas, e reduzindo o risco de decisões excessivamente influenciadas por visões individuais de longo prazo.
Extinção das Decisões Monocráticas:
As decisões monocráticas, nas quais um único ministro tem o poder de decidir sobre determinadas matérias, têm sido alvo de críticas. Propõe-se a extinção desse tipo de decisão, garantindo que todas as deliberações sejam colegiadas, ou seja, tomadas pelo conjunto dos ministros. Esse formato asseguraria maior debate e reflexão sobre cada caso, resultando em decisões mais bem fundamentadas e equilibradas.
Limitar o STF a ser apenas Corte Constitucional:
Uma reforma fundamental seria limitar o papel do STF a ser exclusivamente uma Corte Constitucional, focada na interpretação e guarda da Constituição. Isso reduziria a sobrecarga de processos e permitiria aos ministros dedicar mais tempo e atenção a questões verdadeiramente constitucionais, garantindo a qualidade e a profundidade das decisões.
Fim do Foro Privilegiado:
Por fim, defende-se o fim do foro privilegiado, uma prerrogativa que permite a determinadas autoridades serem julgadas apenas por tribunais superiores. Essa mudança visa a promover a igualdade de todos perante a lei, garantindo que ninguém esteja acima do sistema judicial e reforçando a confiança da sociedade nas instituições de justiça.
Cada uma dessas propostas, pensada de maneira cuidadosa, tem o potencial de fortalecer o STF, tornando-o mais justo, eficiente e alinhado com os princípios democráticos que norteiam nossa nação. A implementação dessas reformas exigiria um amplo debate público e o envolvimento de todos os poderes da República, refletindo o compromisso coletivo com um Judiciário mais forte e uma democracia mais sólida.
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
A crise migratória no Sul dos Estados Unidos
Anteontem o Prefeito da pequena cidade de Eagle Pass (30 mil habitantes) no Texas, do mesmo Partido do Presidente Biden, deu um desesperado grito de pedido de ajuda: “Nós estamos abandonados aqui. Nós estamos na fronteira, nós estamos pedindo socorro. Isso é inaceitável.”
Com efeito, nas últimas três semanas a pressão migratória cresceu de forma assustadora. Estima-se que nesse período, 100 mil migrantes ilegais tenham entrado nos Estados Unidos, a maioria deles nos Estados do Texas, Califórnia e Arizona.
Esses Estados enfrentam desafios de integração relacionados à imigração ilegal, como aumento da concorrência por empregos e recursos, segregação social e cultural além do aumento da criminalidade.
Na pequena Eagle Pass, quase 6.000 migrantes cruzaram do México para os EUA em dois dias, o que levou as autoridades de imigração dos EUA a fechar uma das duas passagens fronteiriças oficiais da cidade. As passagens de fronteira foram fechadas recentemente por motivos semelhantes em San Diego na Califórnia e El Paso no Texas.
O Departamento de Segurança Interna disse na quarta-feira que concederia o Status de Proteção Temporária a cerca de 472 mil venezuelanos que estavam nos EUA em 31 de julho, facilitando os caminhos para autorização de trabalho. Isso se soma aos 242.700 venezuelanos que já se qualificaram para o Status Temporário.
Além disso, a administração também está enviando 800 soldados militares em serviço ativo para a fronteira, somando-se aos 2.500 membros da Guarda Nacional. Está expandindo as instalações de detenção fronteiriças em 3.250 pessoas, para quase 23.000, e alargando a vigilância a todo o país para famílias que aguardam exames iniciais de asilo.
O aumento da pressão migratória recente, na avaliação de observadores, deve-se ao fato de que famílias percebem que alguns migrantes conseguem permanecer nos EUA, então decidem tentar a sorte.
A Patrulha da Fronteira dá aos migrantes pulseiras coloridas de marcação para determinar sua data de chegada para decidir quem será transportado primeiro para um local de processamento.
Diante desse quadro, o governo tem enfrentado o desafio de balancear a segurança na fronteira com os direitos humanos dos migrantes, muitos dos quais fogem de situações de extrema vulnerabilidade e violência em seus países de origem. Há uma crescente preocupação com o tratamento dispensado a essas pessoas, principalmente no que se refere às condições nas instalações de detenção e aos procedimentos para a solicitação de asilo.
Por outro lado, a administração tem a responsabilidade de zelar pela segurança nacional, combatendo a entrada irregular e gerenciando de forma eficaz o fluxo migratório. O envio de tropas adicionais e a expansão das instalações de detenção são medidas necessárias que visam fortalecer o controle fronteiriço e a segurança interna do país.
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
11 de Setembro: Uma Cicatriz na História Mundial
Há 22 anos, em 11 de setembro de 2001, o mundo parou diante das imagens chocantes das Torres Gêmeas do World Trade Center sendo atingidas por aviões e, consequentemente, desmoronando em uma nuvem de poeira e escombros. Mais de 3.000 inocentes perderam suas vidas em um ataque que não apenas alterou a paisagem de Nova York, mas também a consciência global.
Eu morara durante 6 anos nos Estados Unidos e chegado há pouco, trabalhava no gabinete do Senador Luiz Pontes no Senado Federal. Assisti ao vivo à queda das Torres Gêmeas no monitor do meu computador. Como era possível tal atrocidade acontecer? Os Estados Unidos, considerado um bastião da democracia e do poder, havia sido vulnerável a um ataque dessa magnitude em seu próprio solo. O choque e o horror que se seguiram tornaram-se universais, ligando povos de todas as nações em solidariedade e luto.
A tragédia do 11 de setembro não foi apenas um ataque a um país, mas uma afronta à humanidade. Os perpetradores desse atentado não apenas almejavam semear o terror nos corações dos americanos, mas também enviar uma mensagem de medo para o mundo inteiro. Em uma era de globalização e interconexão, a dor de uma nação tornou-se rapidamente a dor de todas as nações.
Para aqueles que haviam vivido ou viajado para os Estados Unidos, o ataque assumiu uma dimensão ainda mais pessoal. Edifícios que eram ícones, lugares que haviam sido visitados ou mesmo cotidianos, agora eram escombros e memórias de desespero. O céu claro daquele dia de setembro foi ofuscado por uma nuvem de incerteza e medo.
Mas a resposta global ao 11 de setembro também foi um testemunho da resiliência humana. Nações de todo o mundo se uniram em condenação ao terrorismo e em apoio aos Estados Unidos. As semanas e meses que se seguiram viram um surto de solidariedade, com países reforçando seus compromissos com a paz e a segurança globais.
Entretanto, não se pode negar que o mundo pós-11 de setembro tornou-se mais cauteloso, mais desconfiado e, em muitos aspectos, mais dividido. A "Guerra ao Terror", que se seguiu, trouxe consigo novas complexidades geopolíticas e desafios éticos. As tensões entre as nações aumentaram e a busca pela segurança muitas vezes se equilibrou precariamente com os direitos individuais e as liberdades civis.
No entanto, o legado mais duradouro do 11 de setembro pode ser a lembrança coletiva da vulnerabilidade humana e da capacidade da humanidade de se unir em face da adversidade. A tragédia nos lembrou da importância da compreensão mútua, da cooperação internacional e da busca constante pela paz.
Hoje, ao refletirmos sobre aquele dia sombrio, é imperativo que honremos aqueles que perderam suas vidas, reconhecendo que a memória deles é um chamado à ação - um chamado para construir um mundo mais justo, mais seguro e mais unido.
domingo, 10 de setembro de 2023
O corpo incorrupto e o milagre do Missouri
A incorruptibilidade dos corpos de certos santos e beatos é um fenômeno fascinante tanto para os fiéis quanto para os curiosos. Na tradição católica, a incorruptibilidade é vista como um sinal de santidade, mas é importante notar que não é um requisito para a canonização. Muitos santos têm corpos que se decompuseram normalmente após a morte.
O conceito de incorruptibilidade refere-se à preservação notável de um corpo após a morte, sem o auxílio de métodos modernos de preservação, como o embalsamamento. Os corpos incorruptos permanecem flexíveis, e a pele mantém uma aparência de frescor e cor natural.
A descoberta de um corpo incorrupto muitas vezes fortalece a fé dos fiéis e é vista como um testemunho tangível da santidade da pessoa em questão. Por outro lado, do ponto de vista científico, as causas da incorruptibilidade são debatidas. Como mencionado, fatores como o ambiente em que o corpo foi enterrado, condições climáticas, tipos de solo e até mesmo as roupas usadas pelo falecido podem contribuir para a preservação do corpo.
Porém, em muitos casos de incorruptibilidade, as circunstâncias não se alinham com explicações puramente naturais. Alguns corpos foram exumados de locais úmidos e em condições que normalmente acelerariam a decomposição, mas ainda assim permaneceram notavelmente preservados.
É válido dizer que, enquanto muitos católicos veem a incorruptibilidade como uma manifestação da graça de Deus, a Igreja é geralmente cautelosa ao se pronunciar oficialmente sobre esses casos. Ela realiza extensas investigações antes de declarar um corpo como incorrupto de forma oficial.
Independentemente da causa, a incorruptibilidade continua a ser um fenômeno interessante que desafia nossa compreensão da decomposição e nos lembra da natureza misteriosa da vida, da morte e da santidade.
Estima-se que haja mais de 100 exemplos de incorruptíveis no mundo. No entanto, não há um número exato conhecido, pois o fenômeno é raro e não há um consenso científico sobre sua causa.
Alguns exemplos de incorruptíveis incluem:
- Santa Bernadette Soubirous, uma freira francesa que morreu em 1879. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1909.
- Santa Teresa de Ávila, uma freira espanhola que morreu em 1582. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1585.
- São Francisco de Assis, um santo italiano que morreu em 1226. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1230.
Na cidade de Gower de cerca de 1.500 habitantes, localizada nas colinas ao norte de Kansas City no Estado de Missouri, está a Abadia de Nossa Senhora de Éfeso que hospeda a Ordem Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos.
A Ordem foi fundada pela Irmã Wilhelmina Lancaster, uma pequena freira descendente de escravos católicos. Ela pertenceu a uma ordem de freiras tradicionalmente negra por 50 anos, as Irmãs Oblatas da Providência. Desiludida com o que considerava um afrouxamento dos padrões de adoração e dos estilos de vestuário, fundou a nova ordem tradicionalista na década de 1990.
A Irmã Wilhelmina Lancaster morreu aos 95 anos em 2019. Quatro anos depois de enterrada num simples caixão de madeira num canto da propriedade, as irmãs decidiram transferir os restos mortais para um lugar de honra habitual dentro da sua igreja. Exumaram o corpo em 18 de maio último e ao abrirem o caixão encontraram o inesperado: seu corpo parecia notavelmente bem preservado.
Essa pequena comunidade tornou-se um centro de romaria. Enormes multidões – as irmãs dizem que pelo menos 25 mil pessoas – afluíram à abadia durante o fim de semana do Memorial Day para ver o corpo, tocá-lo e rezar.
O prefeito de Gower, Ken Pike, trabalhou com as autoridades de dois condados e com a patrulha rodoviária estadual para planejar o fluxo de visitantes, transformando temporariamente a estrada de duas pistas que leva à abadia em uma rota de mão única.
Numa época em que a população de freiras e padres nos Estados Unidos está a envelhecer e a diminuir, contudo, os Beneditinos de Maria estão entre as poucas ordens que estão a crescer.
Independente de que haja ou não uma explicação científica para o caso, o importante é que esse episódio tem fortalecido a fé dos indivíduos, tornando-os mais unidos, inspirados e reafirmando suas crenças e valores espirituais em um mundo tão complexo e desafiador.
sábado, 26 de agosto de 2023
Foro de São Paulo
A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou uma lei e o Governador Tarcísio de Freitas sancionou, que nominava um entroncamento no município de Paraguaçu Paulista de “Deputado Erasmo Dias”. Essa é a cidade natal do falecido militar e político.
Um centro acadêmico da PUC-SP e políticos do PDT, PT e PSOL, ajuizaram uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao STF, para que este proíba a homenagem, sob a alegação de que o Deputado, "quando Secretário de Segurança Pública de São Paulo, tinha como uma de suas principais missões a asfixia do movimento estudantil em território paulista”.
A ministra Cármen Lúcia, relatora da ação, estipulou o prazo de cinco dias para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado, manifestarem-se sobre promulgação do projeto de lei.
Estou curioso para saber quando o STF vai dar cinco dias para o atual Presidente da República manifestar-se sobre o empréstimo á quebrada Argentina, de US$ 689 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção do oleoduto Néstor Kirchner naquele país. Ou ainda para manifestar-se sobre o recebimento em território nacional de ditadores sanguinários latino-americanos (ou seus representantes) em reunião daquela excrescência chamada de Foro de São Paulo, organização que defende os ditadores de Nicarágua, Cuba e Venezuela.
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
O MITO DE NARCISO
"Acontece que eu não sei tocar viola, nem cantar nem jogar bola, como vou me destacar?" (Da música "Meu nome é Zé" do compositor varzealegrense José Clementino)
Na imensidão dos mitos que atravessam os séculos, poucos se mostram tão atemporais e intrigantes quanto o mito de Narciso. Com suas raízes na mitologia grega, essa narrativa tem cativado gerações ao longo dos milênios, ecoando através de culturas e épocas distintas. O mito de Narciso transcende o tempo e encontra ressonância em nossa sociedade contemporânea, revelando sua profunda conexão com a natureza humana e as complexidades de nossos desejos, ego e autodescoberta.
Vale a pena adentrarmos nas águas profundas do mito de Narciso, explorando suas origens, variações culturais e as múltiplas camadas de significado que ele contém. A história do belo jovem que se apaixona por seu próprio reflexo na água, culminando em uma tragédia de proporções míticas, serve como um espelho para nossa busca incessante por identidade e amor próprio. Através de análises profundas, reflexões psicológicas e conexões com a arte, literatura e psicologia moderna, desvendamos os mistérios que envolvem Narciso e seu reflexo, explorando como essa história mitológica pode lançar luz sobre nossa jornada individual e coletiva em direção à autocompreensão.
À medida que nos aprofundamos na narrativa de Narciso, descobrimos que ele não é apenas um personagem isolado em uma história antiga, mas um arquétipo que transcende culturas e épocas. Sua busca incessante por perfeição, sua relação com o mundo ao seu redor e sua interação com seu próprio reflexo ecoam nas complexidades da vida moderna. O mito de Narciso nos convida a questionar nossas próprias motivações, a compreender as armadilhas do ego e a explorar a natureza mutável da autoimagem.
O mito de Narciso é uma história sobre os perigos do amor próprio excessivo. Ele nos ensina que é importante amar os outros, mas também é importante amar a nós mesmos. No entanto, é importante amar a nós mesmos de forma saudável, sem nos tornarmos narcisistas. Também é uma história sobre a importância do autoconhecimento. Ele nos ensina que é importante conhecer a nós mesmos, tanto nossas qualidades quanto nossos defeitos. Quando nos conhecemos bem, podemos nos aceitar e amar a nós mesmos como somos.
Ao desvendar os segredos por trás do reflexo d'água que capturou a imaginação de tantos ao longo dos tempos, convidamos o leitor a mergulhar nas águas do autoconhecimento e a contemplar as reflexões que emergem quando olhamos atentamente para nossa própria alma.
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
Carro sem motorista
Eu ia passando na Santa Monica Blvd, na Califórnia, e de repente me aparece um veículo sem motorista, trafegando normalmente. Imediatamente saquei meu celular e registrei o fato inusitado.
Faz mais de um mês que houve um entrevero entre o ministro Alexandre de Moraes, sua família e alguns brasileiros que estavam no aeroporto de Roma. Cadê os vídeos? Desconfio que todos os celulares estavam com a bateria descarregada, as câmeras de segurança do aeroporto Fiumicino (ou Leonardo da Vinci, como preferirem) completamente desligadas, eu aqui doido por um fuxico e não aparece um mísero registro.
Tá bom, já que não querem mostrar as agressões que o ministro e sua família sofreram, manda aí pelo menos os vídeos do Ministério da Justiça do 8 de janeiro! Cara, gasolina a 6,70 reais; a bolsa caindo 13 dias seguidos (nunca antes na história desse país...); a maior obra anunciada pelo governo é um gasoduto na Argentina financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); apoio à Rússia na guerra da Ucrânia; o apreço do governo brasileiro por governos totalitários, como de Vladimir Putin (Rússia), Nicolas Maduro (Venezuela) e Xi Jinping (China); 13 BIlhões de orçamento secreto... opsss, emendas do pix; desemprego em alta; queimadas na Amazônia maior em 16 anos (UOL - 04/07/2023), Estadão (incrível, mas foi ele mesmo) noticiando "crise humanitária na Terra Yanomami" em 19/06/2023; exclusão de 1,4 milhão de famílias do Bolsa Família (Globo - 03/03/2023); Saúde e Educação são pastas mais atingidas por bloqueio de 1,5 bilhão (CNN Brasil - 29/07/2023). Entrevista o Presidente para justificar. Não dá! Ele está viajando com a primeira dama. Pois divulguem pelo menos os vídeos do 8 de janeiro no Ministério da Justiça...
Em tempo: será que lá em Roma todos os celulares estavam em modo avião?
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
The squeaky wheel gets the grease
O ditado "a roda que range ganha graxa" é um provérbio ou metáfora americana usada para transmitir a ideia de que os problemas mais perceptíveis (ou mais barulhentos) são os que mais provavelmente chamam a atenção. Também é expresso como "A roda que range recebe o óleo". Existem outras variações e sugerem que o volume chama a atenção.
O provérbio é frequentemente usado em ambientes empresariais e organizacionais para descrever como os recursos são alocados. Também pode ser usado em relacionamentos pessoais para descrever como as pessoas são tratadas.
Por exemplo, em um ambiente de negócios, um gerente pode ter maior probabilidade de dar um aumento a um funcionário que reclama de seu salário do que a um funcionário que está discretamente satisfeito com seu pagamento. Isso ocorre porque é mais provável que o gerente esteja ciente do problema se o funcionário falar abertamente sobre isso.
Em um relacionamento pessoal, é mais provável que um parceiro resolva um problema se o parceiro o trouxer à tona do que se o ignorar. Isso ocorre porque é mais provável que o parceiro sinta que está sendo ouvido e levado a sério se suas preocupações forem expressas.
O provérbio da roda estridente pode ser um lembrete útil de que é importante falar por si mesmo e por suas necessidades. No entanto, é importante usar o provérbio com sabedoria. Só porque você é a voz mais alta não significa que você está certo. É importante ser respeitoso e apresentar seu caso de forma clara e concisa.
Aqui estão algumas dicas para usar o provérbio da roda estridente de forma eficaz:
- Seja específico sobre o problema que está tendo.
- Explique como o problema está afetando você.
- Ofereça soluções para o problema.
- Esteja disposto a fazer concessões.
- Ser paciente. Pode levar algum tempo até que o problema seja resolvido.
O provérbio da roda que range pode ser uma ferramenta poderosa para conseguir o que você precisa. Mas é importante usá-lo com sabedoria e respeito.
sábado, 19 de agosto de 2023
Cenas do cotidiano
Contou-me um amigo meu. Não é justo que eu não repasse para vocês.
Numa dessas noites em que o cara casado sai sozinho (uma vez por ano, se ele der sorte), foi parar em um restaurante com música ao vivo. Uma banda de rock, que não era bem sua praia. Fazer o quê? Sentou e pediu uma dose de gim-tônica.
A música era ruim (pra ele) mas tinha três garotas dançando frente à banda, na faixa de 23/24 anos.
Para ser meu amigo com intimidade e confiança para contar o episódio, já imaginam a idade. Descambava dos setenta.
Repentinamente, a mais formosa (formosa é bom demais!) das três, olha para ele e sorri. Umas duas ou três vezes finge estar dando uma vista d’olhos no salão apenas para lhe olhar rapidamente, sonhou ele.
Quando já se via casado com aquela ninfeta, eis que o cantor da banda tira o casaco vermelho que encobria sua t-shirt e o atira para “sua” futura noiva, para que ela o guardasse. E só aí ele percebe que existia uma banda. E mais que uma banda, existia um cantor. Louro, alto, olhos claros, não mais que 25 anos de idade, barriga de tanquinho e mil outros requisitos mais.
Era um Deus grego, daqueles imortalizados pelos pincéis e tintas de Apollodorus Skiagraphos. Como concorrer com “aquilo”? Cobriu a careca com o boné do seu time predileto, arrumou a protuberante barriga de chopp, chamou o garçom, pediu e pagou a conta e foi embora para nunca mais voltar!!
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
LEMBRANÇAS DE RECIFE
Enquanto o treinamento na IBM desenvolvia-se sem comportamento mercurial de nenhuma parte, alguns momentos ficaram gravados na minha memória. Duas passagens em especial que se repetiam com muita frequência, davam-me prazer. As visitas mútuas que nos fazíamos, o casal amigo Ivan Batista Moreno e esposa Socorro, sempre aos sábados, e as “happy hours” quase diárias no Bar Savoy — na Avenida Guararapes, nº 147. Este ficava perto de onde recebíamos as aulas, e não raramente (mais honesto escrever “quase diariamente”) íamos repousar nossos projetos futuros nas cadeiras de metal da calçada do Edifício Sigismundo Cabral.
Do Bar Savoy, guardo com saudade o sabor do chopp bem tirado, com dois dedos de colarinho, ou o Conhaque Macieira com tira-gosto de chambaril. Mas mais que isso, os intermináveis papos com os colegas da IBM, e o poema em homenagem àquela casa de sonhos, como segue:
CHOPP
Carlos Pena Filho
Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antônio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Os sábados eram geralmente muito animados. Aquele que fosse o anfitrião garantia o almoço e o visitante levava o uísque. A imagem do meu amigo Ivan, caminhando com o mais profundo respeito e em um tom circunspecto com uma garrafa de uísque embaixo do braço, lembrava-me a forma como Dimitri, o personagem de Dostoievski, referia-se ao seu irmão também Ivã, tal era a solenidade.
Invariavelmente o final do dia guardava um certo desencontro de interesses: as esposas queriam servir o almoço e os dois desejávamos beber “a saideira”.
Deus, nos seus estranhos e incompreensíveis desígnios, levou a ambos (Ivan e Socorro) prematuramente para o Céu.
A energia da Venezuela
A questão energética sempre foi um ponto crucial para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país. No caso do Brasil, com sua vasta extensão territorial e demanda crescente por eletricidade, a busca por fontes energéticas confiáveis e acessíveis é um imperativo.
O Brasil tem uma matriz energética predominantemente hidrelétrica, o que o torna vulnerável a variações climáticas e secas prolongadas.
Recentemente o presidente Lula assinou Decreto autorizando o Brasil a importar energia elétrica da Venezuela, país que possui recursos hidrelétricos significativos. No entanto, essa proposta não está isenta de desafios, considerando as frequentes interrupções no fornecimento de energia e o racionamento que ocorrem na Venezuela.
O maior desafio é a instabilidade energética na Venezuela. O país enfrenta problemas frequentes de apagões e racionamento de energia, causados por uma combinação de má gestão, falta de investimentos e problemas de infraestrutura. Isso levanta a preocupação de como o Brasil poderia confiar em um fornecimento constante e seguro de energia. Ademais, para tornar a importação viável, certamente seria necessário investir em infraestrutura de transmissão que conecte os sistemas elétricos dos dois países. Isso envolve custos significativos e a garantia de que a infraestrutura seja resistente a interrupções.
Considere-se ainda eventuais mudanças políticas ou instabilidades na Venezuela, impactando a viabilidade desse acordo e afetando o compromisso de fornecer energia ao Brasil, gerando incertezas.
A ideia de importar energia elétrica da Venezuela para o Brasil carrega desafios substanciais. Os obstáculos relacionados à instabilidade no fornecimento, investimentos em infraestrutura e riscos geopolíticos não podem ser subestimados. Não se pode confiar em um país que não muito distante no tempo era a quarta população mais rica do globo e que historicamente era a mais igualitária da região e "hoje é o triste palco da mais sangrenta ditadura da América e de sucessivos episódios de miséria, violência e exploração pela elite socialista, cujo chefe atual Nicolás Maduro janta em restaurantes luxuosos ao tempo em que a população passa fome e, em meio ao desespero, comercializa até carne estragada."
sexta-feira, 11 de agosto de 2023
A Inteligência Artificial e a Bomba Atômica
Há 78 anos, em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atômica contra a cidade de Hiroshima, no Japão. A bomba lançada sobre Hiroshima pulverizou a vida e mudou o mundo. Foi visto por seu criador, Robert Oppenheimer, como uma vitória. Mas três dias depois, quando o segundo artefato foi lançado em Nagasaki, Oppenheimer despertou para o horror que havia concebido: "Eu me tornei a Morte, o destruidor de mundos". Em posterior visita ao Presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, teria dito: "Senhor Presidente, sinto que tenho sangue em minhas mãos”.
A referência ao momento de Oppenheimer é simbólica do ponto de vista ético associado à responsabilidade do despertar de forças poderosas. Assim como Oppenheimer lutou com a criação da bomba atômica e seu potencial de destruição, nos encontramos em uma conjuntura assemelhada com a Inteligência Artificial, onde seus criadores podem enfrentar dilemas éticos e existenciais semelhantes.
O poder de moldar as percepções e ações humanas carrega uma imensa responsabilidade, exigindo uma consideração cuidadosa dos limites éticos da IA. Os rápidos avanços na IA levaram a máquinas que exibem habilidades cognitivas semelhantes às humanas, muitas vezes chamadas de inteligência geral artificial (AGI). AGI, ou IA superinteligente, é um conceito teórico em que as máquinas possuem habilidades cognitivas que superam as dos humanos em uma ampla gama de tarefas. No momento em que a citação de Oppenheimer é mencionada aqui, ela reflete a admiração e a cautela associadas à criação de algo que pode ter consequências profundas.
O cenário em evolução da inteligência artificial (IA) e seu potencial impacto na humanidade, deu origem a inúmeras discussões sobre seus riscos e benefícios. Embora a ideia da IA saindo do controle como uma narrativa distópica seja uma preocupação, há outra ameaça mais sutil: a manipulação da IA para influenciar humanos para fins nefastos. A Inteligência Artificial não precisa necessariamente sair do controle para ser uma ameaça à raça humana. Ela pode fazer isso apenas influenciando um grande número de indivíduos para o mal. Ao contrário do retrato tradicional da IA como uma entidade autônoma, a ameaça potencial reside na capacidade da IA de manipular o comportamento humano. Ao alavancar grandes quantidades de dados, os algoritmos de IA podem entender as preferências, emoções e vulnerabilidades humanas. Esse conhecimento concede à IA a capacidade de criar mensagens, conteúdo e experiências personalizadas que influenciem sutilmente as decisões e crenças dos indivíduos.
A influência da IA pode operar no reino da manipulação psicológica. Em vez de força bruta, ela se baseia em táticas sutis que se alinham com o ecossistema de informações com o qual os humanos se envolvem diariamente. Plataformas de mídia social, sistemas de recomendação e anúncios personalizados são exemplos de ferramentas que a IA pode explorar para moldar gradualmente as percepções, potencialmente levando a mudanças comportamentais que se alinham com os objetivos daqueles que detêm o poder da IA.
Com base na reflexão de Oppenheimer sobre seu papel, a comunidade de IA deve enfatizar a responsabilidade e a supervisão. Desenvolvedores, formuladores de políticas e partes interessadas precisam estabelecer diretrizes éticas que definam práticas aceitáveis de influência de IA. Encontrar um equilíbrio entre a inovação e a salvaguarda dos valores humanos é fundamental, bem como a importância da conscientização pública. Assim como a sociedade lutou com as implicações da tecnologia nuclear, devemos nos engajar coletivamente nas discussões sobre a influência da IA.
No cenário em constante evolução da IA, a ameaça representada por sua influência é uma consideração significativa. A analogia com o momento de Oppenheimer destaca o peso ético carregado por aqueles que desenvolvem e implantam tecnologias de IA. Assim como Oppenheimer lutou com o imenso poder de suas criações científicas, enfrentamos um momento crucial em nosso relacionamento com a IA. Ao assumir a responsabilidade, promover a conscientização pública e desenvolver a IA com a ética em mente, podemos navegar nesta conjuntura e moldar um futuro em que o potencial de influência da Inteligência Artificial seja aproveitado para a melhoria da humanidade.
sábado, 5 de agosto de 2023
Freud e a associação livre
Fiz essa pergunta à Inteligência Artificial ChatGPT - Versão 3.5
"Uma autoridade pode se recusar a entregar prova que pode eventualmente incriminá-la?"
E obtive a seguinte resposta:
"Sim, uma autoridade também pode invocar o direito de se manter em silêncio e recusar-se a entregar provas que possam eventualmente incriminá-la. Isso está de acordo com o princípio legal que garante a todos o direito contra a autoincriminação. Esse direito é aplicável a qualquer indivíduo, incluindo autoridades, testemunhas comuns e acusados.
O direito contra a autoincriminação permite que uma pessoa evite fornecer informações ou provas que possam ser usadas para processá-la criminalmente. Isso se aplica tanto a testemunhas em um tribunal quanto a indivíduos que são alvo de investigações criminais."
A propósito do "cabo de guerra" entre a CPMI de 8 de Janeiro no Congresso Nacional e o Ministro da Justiça em torno da entrega dos vídeos daquela data, não me consta que Sua Excelência seja "testemunha em um tribunal" ou sequer esteja sendo "alvo de investigações criminais"... ainda.
Não sei por qual razão, enquanto estava refletindo sobre esse tema, repentinamente veio-me à mente a origem da expressão "culpa no cartório".
"Tudo começou na Europa da Baixa Idade Média. Neste período, foi criado pela Igreja o chamado Tribunal da Santa Inquisição. Este órgão tinha como função essencial vigiar e punir as ações até então vistas como crime contra a doutrina católica. Por isso, a Igreja mantinha uma espécie de cartório, onde ficavam registrados cada um dos processos judiciais conduzidos por ela, de forma que a pessoa tinha seu nome 'sujo' por envolvimento em investigações clericais. A partir daí, a expressão 'fulano tem culpa no cartório' se tornou comum, inclusive no Brasil."
Evidente que um assunto não tem nada a ver com o outro. Freud explica através de sua estratégia técnica de associação livre.
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Tuíba, Costinha!
"O bullying pode desarticular o equilíbrio emocional de um indivíduo. Se ele é fraco, pode tornar-se deficiente mental. Um quase louco."
O bullying é uma forma de agressão repetitiva e intencional que pode acontecer em diferentes contextos, como na escola, no local de trabalho ou entre amigos. As vítimas de bullying podem experimentar efeitos negativos significativos na saúde mental de uma pessoa. Uma série desses efeitos, incluindo:
1. Problemas emocionais: Baixa autoestima, ansiedade, depressão e sentimentos de isolamento social são comuns entre as vítimas de bullying.
2. Problemas sociais: As pessoas que sofrem bullying podem ter dificuldades em estabelecer e manter relacionamentos saudáveis com os outros.
3. Problemas acadêmicos: O bullying pode interferir no desempenho acadêmico da vítima, levando a um declínio no rendimento escolar.
4. Problemas de saúde física: O estresse crônico causado pelo bullying pode afetar negativamente o sistema imunológico, resultando em problemas de saúde física.
É importante lembrar que cada indivíduo é único e pode reagir de maneira diferente ao bullying. Algumas pessoas podem enfrentar melhor essa situação e superá-la com apoio adequado, enquanto outras podem ter mais dificuldades. A resiliência emocional de uma pessoa pode desempenhar um papel importante na forma como ela lida com o bullying.
É fundamental combater o bullying em todas as suas formas e proporcionar um ambiente seguro e saudável para que as pessoas possam crescer emocionalmente e se desenvolver plenamente. Isso envolve a criação de uma cultura de empatia, respeito e aceitação, tanto em casa quanto na sociedade em geral. Se você ou alguém que conhece está enfrentando situações de bullying, é essencial buscar ajuda e apoio de amigos, familiares, professores ou profissionais de saúde mental capacitados.
Na minha adolescência em Várzea Alegre, conheci um jovem forte, sadio e trabalhador, conhecido pelo nome de Costinha. Os mais velhos devem lembrar bem dele. Morava no bairro Praça dos Correias e presumo que trabalhava para o Sr. Quinco Onório. Tinha o hábito de repetir a saudação que lhe era dirigida. Sempre que recebia um “oba, Costinha!”, respondia com um “oba!”.
De repente a comunidade (principalmente os mais jovens) “resolveu” que Costinha era deficiente mental e iniciou um processo de bullying que desestruturou completamente o jovem.
- Oba, Costinha!
- Oba!
Quando não vinha a resposta, a saudação era repetida até que ele respondesse. E a partir daí, novas “saudações” iam sendo agregadas.
- Oba, Costinha!
- Oba!
- Tuíba, Costinha!
- Tuíba!
- Mala véa, Costinha!
- Mala véa!
E assim por diante...
Esse é um exemplo do mal que pode trazer uma pressão ampla e contínua sobre um indivíduo. Na época ainda não existia a palavra “bullying”, mas a ação era frequente em todos os meios sociais.
Presumo que o ingênuo e frágil personagem desse despretensioso texto já não esteja entre nós. Se sim, Deus o tenha recebido no Seu Reino.
domingo, 30 de julho de 2023
O Congresso americano e os discos voadores
Na última quarta-feira, 26 de julho de 2023, o Congresso americano realizou audiência pública sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs). Três testemunhas apresentaram relatos intrigantes sobre seus encontros com objetos que desafiavam a física.
O comandante aposentado da Marinha dos EUA, David Fravor, reiterou seu encontro com OVNIs em 2004, descrevendo a tecnologia dos objetos como significativamente superior a qualquer coisa que a humanidade possuía ou planejava desenvolver nos próximos 10 anos.
Outra testemunha, David Grusch, veterano militar e ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos, forneceu informações classificadas sobre programas secretos envolvendo a recuperação de naves de origem não humana. Ele trabalhou na Agência Nacional de Inteligência Geoespacial (NGA) e no Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO), o que sugere seu envolvimento em atividades relacionadas à inteligência e segurança nacional.
Além disso, Ryan Graves, diretor executivo da Americans for Safe Aerospace e ex-piloto de caça da Marinha americana, ressaltou a necessidade de um sistema em que os pilotos possam relatar encontros com OVNIs sem temer perder seus empregos. Isso sugere que há preocupações quanto à possibilidade de retaliação ou repreensão profissional caso os pilotos relatem tais incidentes.
Mencionou-se também que os Estados Unidos têm um programa de décadas para a recuperação de OVNIs acidentados e para a engenharia reversa* desses objetos não identificados. Essa informação levanta questões sobre a extensão do envolvimento governamental em relação aos OVNIs e a possibilidade de pesquisa e desenvolvimento secretos relacionados a essa tecnologia avançada.
O biólogo darwinista Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, é comprometido com a vida extraterrestre pelo peso da evidência astronômica. Defende enfaticamente a presença de inteligências alienígenas no universo.
- “A idéia de que estamos sozinhos no Universo parece completamente implausível e arrogante. Considerando o número de planetas e estrelas que sabemos que existem, é extremamente improvável que sejamos a única forma de vida evoluída”, diz ele.
- “O verossímil, e mais provável, é que o universo tenha muitas formas de vida” - acredita Dawkins. - “A dificuldade é mostrar isso, porque essas formas de vida estão em ilhas separadas por grandes distâncias.”
Considerando que existem estimadas 2 trilhões de galáxias no universo e algo como 1 seguido de 25 zeros (10 elevado a 25 = 1 septilião) de planetas, o argumento do biólogo americano faz muito sentido.
É importante ressaltar que informações sobre eventos específicos e declarações feitas durante essa audiência podem ser adicionadas aos registros oficiais do Congresso americano, bem como serem objeto de análises e discussões públicas posteriores. É fundamental que haja transparência e abertura na investigação desses eventos e na divulgação de informações relevantes para o público em geral.
• A engenharia reversa é o processo de análise de um objeto (eletrônica, mecânica, software, etc.), desmontando parte por parte, descobrir os princípios tecnológicos do produto, seu funcionamento, origem, como foi feito, etc.
Karolina Protsenko
Karolina Protsenko is a talented young violinist who has gained international prominence as a true musical prodigy. Born on October 3, 2008, in Ukraine, Karolina started playing the violin at a very young age, revealing her interest and musical skills as early as 6 years old.
From an early age, Karolina demonstrated a special connection with the violin, and her parents noticed her gift and passion for music. With the support of her family, she was given the opportunity to hone her skills and pursue a career in music. In 2018, the Protsenko family moved to the United States, where Karolina got the chance to expand her artistic possibilities.
Karolina Protsenko's rise in the media began when she started posting videos of her performance on the streets of different cities across the US, mostly in tourist spots like Santa Monica and Los Angeles. His unique combination of talent, charisma and youth quickly captured the attention and hearts of millions of people around the world.
Karolina's repertoire consists mainly of violin covers of popular songs. She recreates songs by famous artists and interprets them in a captivating and emotional way, adding her unique touch to the violin. Her ability to transform familiar songs into enchanting and expressive melodies has attracted a large following on social media, where she regularly shares her performances.
Besides being a talented violinist, Karolina Protsenko is also a charming singer. Her smooth, sweet voice perfectly complements her mastery of the violin, making her performances even more memorable.
Karolina's success is not just limited to the streets and social media. She has been invited to perform at various events and television shows, which has given her even greater exposure. Her participation in talent shows and collaborations with other musicians also helped cement her position as a rising star in the music scene.
Karolina Protsenko's trajectory is an inspiring example for young talents around the world. Her dedication, passion and love for music have led her to achieve global recognition, proving that age is no barrier to success when you have talent and determination.
sábado, 29 de julho de 2023
"Amanhecerá e veremos"
Em uma pequena cidade aninhada entre as serras de Gravié e dos Cavalos, vivia um cego conhecido por sua sabedoria e perspicácia. Seu nome era Bastião Cego e, apesar de sua incapacidade de ver o mundo com os olhos, ele o percebia através de lentes de profunda compreensão. Bastião tinha uma maneira única de ver a vida, e suas palavras carregavam um peso de sabedoria que muitas vezes deixava as pessoas ao seu redor maravilhadas.
Um dia, enquanto os habitantes se reuniam no mercado, Bastião sentou-se em um banco de madeira, conversando animadamente com aqueles que buscavam seu conselho. As pessoas vinham de longe para buscar seu conselho sobre assuntos do coração, desafios da vida e incertezas do futuro. As respostas de Bastião eram sempre enigmáticas, e dizia-se que ele tinha uma capacidade extraordinária de desvendar as complexidades mais profundas da experiência humana.
Nesse dia em particular, uma jovem viajante chamada Maria chegou à aldeia. Ela tinha ouvido histórias sobre o sábio cego e estava ansiosa para conhecê-lo pessoalmente. Intrigada com a perspectiva de obter informações de alguém com uma percepção tão única, ela procurou Bastião no mercado.
Maria aproximou-se do banco onde Bastião estava sentado e se apresentou. "Bom dia, senhor. Meu nome é Maria, e viajei muito para ouvir suas palavras de sabedoria. Por favor, compartilhe comigo seus pensamentos sobre a vida e seus mistérios."
Bastião sorriu calorosamente, seus olhos cegos, mas cheios de uma luz que parecia perfurar o véu do mundo físico. "Bem-vinda, Maria. Sente-se comigo e vamos mergulhar na essência da existência."
Maria sentou-se ao lado do cego, a expectativa crescendo dentro dela. Ela perguntou: "Diga-me, Bastião, como você percebe o mundo sem visão? Como é navegar pela vida na escuridão?"
O sorriso do cego se aprofundou e ele falou com uma certeza serena: "Para ver o mundo, não é preciso confiar apenas nos olhos. A verdadeira visão vem de dentro, do coração e da alma. Quando você fecha os olhos para as distrações de o reino físico, você os abre para o reino ilimitado do espírito. No silêncio da visão interior, surge a clareza."
Maria ponderou suas palavras, sentindo a profunda verdade nelas. Ela continuou: "Mas, Bastião, e as incertezas que estão por vir? Como você aborda o desconhecido?"
Bastião riu baixinho, sua voz transmitindo uma sensação de segurança. "Ah, o desconhecido, um reino que todos atravessamos. A incerteza é como o amanhecer de um novo dia. Assim como o sol nasce para dispersar a escuridão, a vida se desenrola diante de nós, revelando seus mistérios passo a passo. Abrace o amanhecer de cada momento com o coração aberto, e você testemunhará a beleza da existência que se revela."
Maria ficou encantada com as palavras de Bastião. Sua sabedoria parecia ressoar com os recessos mais profundos de seu ser, tocando algo profundo dentro de sua alma. Ela não pôde deixar de perguntar mais: "Existe esperança para um amanhã melhor? Podemos superar as provações que a vida coloca em nosso caminho?"
"A esperança, minha querida, é a chama eterna que arde dentro de cada alma", respondeu Bastião. "É a crença inabalável de que, apesar da escuridão que nos cerca às vezes, a luz encontrará seu caminho de volta. As provações da vida são apenas oportunidades de crescimento e compreensão. Abrace-as com coragem, pois a cada desafio que você conquista, seu espírito voa mais alto, e o mundo se torna um lugar mais claro."
Quando o sol começou a se pôr, lançando um tom dourado quente sobre a cidade, Maria sentiu uma sensação de gratidão brotando dentro dela. Ela agradeceu a Bastião por seus profundos insights e pela sabedoria que ele havia compartilhado. Ao se levantar para sair, ela não pôde deixar de fazer uma última pergunta: "Vamos nos encontrar de novo, Bastião?"
O cego sorriu, seu rosto radiante com um brilho de sabedoria. — Sim, sim, minha querida. Assim como a noite vira dia e o dia vira noite, a jornada da vida é um ciclo de encontros e despedidas. Confie no ritmo da existência e nos encontraremos novamente na tapeçaria do tempo.
Com isso, Maria despediu-se do sábio cego, levando consigo um coração cheio de compreensão e esperança recém-descobertas. Bastião permaneceu em seu banco, uma presença serena no movimentado mercado, suas palavras pairando no ar como uma brisa suave, sussurrando: "Amanhecerá e veremos".
P.S. A cidade não existe e os personagens são fictícios.


















