Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”. Para adquirir qualquer livro, faça contacto através do WhatsApp (85) 9.9998.5816.
terça-feira, 28 de abril de 2026
A Mamãe Ursa
Externar apreensão tem sido cada vez mais comum para muitos brasileiros ao observar o cenário político. Apesar de todos os escândalos acumulados durante os governos de Lula e do PT (Mensalão, Petrolão, Cop30, INSS, Banco Master e tantos outros), ainda existe uma parcela significativa de eleitores dispostos a votar novamente em Lula em 2026. Pesquisas recentes mostram essa intenção de voto oscilando na casa dos 35% a 40%, o que causa espanto em quem acompanha os fatos com atenção.
Um amigo, tentando explicar o fenômeno, recorreu aos números da educação brasileira: cerca de 10 milhões de analfabetos adultos (portanto, eleitores) e uma estimativa de mais 30 milhões de analfabetos funcionais. O analfabeto funcional, como se sabe, é aquele indivíduo que, embora saiba ler e escrever de forma rudimentar, falta-lhe competência para compreender, interpretar, analisar e utilizar textos de modo adequado na resolução de problemas reais da vida cotidiana.
Refutei parcialmente esse argumento. Não porque negue a gravidade do analfabetismo no Brasil, real e preocupante, mas porque a explicação não cobre toda a realidade. Conheço pessoas próximas, inteligentes, cultas e com boa formação, que não se encaixam no perfil de analfabetos funcionais. Mesmo assim, elas defendem com unhas e dentes os governos de esquerda, mesmo diante de evidências claras de corrupção e má gestão.
Essas pessoas incorporam, de forma quase instintiva, a alma da mamãe ursa (animais têm alma? A metáfora, ao menos, é poderosa), aquela figura do reino animal conhecida por lutar até a morte na defesa de seus filhotes. No caso delas, o “filhote” a ser protegido a qualquer custo parece ser a narrativa e os governos da esquerda, independentemente dos escândalos, das contradições ou dos resultados concretos.
Isso levanta uma questão que merece reflexão sincera: qual a explicação real para esse comportamento? Por que inteligência, cultura e acesso à informação não são suficientes para romper certa lealdade tribal ou emocional? O que faz pessoas racionais, em outros aspectos da vida, ativarem um modo de defesa cega semelhante ao instinto maternal mais feroz quando o assunto é política e ideologia?
Não se trata apenas de falta de informação ou de analfabetismo funcional. Parece haver algo mais profundo: uma identificação emocional forte, um senso de pertencimento identitário ou uma visão de mundo tão arraigada que transforma qualquer crítica em ameaça existencial ao “filhote” que se criou ou adotou.
Deixo aqui o ponto para reflexão: qual a explicação para que tantos, mesmo os mais capacitados intelectualmente, defendam com tamanha obstinação governos e projetos políticos marcados por sucessivos escândalos? Seria apego ideológico? Medo do desconhecido? Lealdade partidária acima da razão? Ou algo ainda mais primal, como o instinto de proteção que a natureza programou na mamãe ursa?
Registre nos comentários a sua opinião.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Gilmar Mendes: o homem mais poderoso do Brasil
Existe um homem no Brasil que não foi eleito por ninguém. Que não pode ser demitido por presidente algum. Que julga – e que ao julgar, governa como nenhum outro.
Essa é a história de como Gilmar Ferreira Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal há mais de duas décadas, acumulou mais poder do que qualquer presidente, deputado ou senador na história recente da República brasileira.
Roteiro: Rodrigo da Silva / rodrigocedasilva
Apresentação: Nicole Blank / nicoleblank_
domingo, 12 de abril de 2026
Expulsou, agora implora!
“Os inteligentes aprendem com seus próprios erros; os sábios aprendem com os erros dos outros.”
O debate sobre tributação de altas rendas e seus efeitos na economia é antigo e recorrente em diversas partes do mundo. Nos Estados Unidos, um episódio envolvendo a governadora de Nova York, Kathy Hochul (da ala mais à esquerda do Partido Democrata), reacendeu essa discussão ao evidenciar como discurso político, comportamento econômico e mobilidade de contribuintes podem estar interligados.
Em 2022, durante o período eleitoral, Hochul adotou um tom grosseiro ao se dirigir a determinados grupos, mormente pessoas de alta renda e críticos de sua agenda política. Em um discurso que ganhou ampla repercussão, afirmou que aqueles insatisfeitos poderiam deixar o estado, mencionando a Flórida como destino (“É só pegar um ônibus e ir para a Flórida, onde é o lugar de vocês, ok? Saiam da cidade! Saiam da cidade!”).
Após sua vitória, observou-se um movimento de migração de contribuintes de alta renda para estados como Flórida e Texas, conhecidos por menor carga tributária estadual. Embora esse fenômeno tenha múltiplas causas, incluindo custo de vida, clima e oportunidades econômicas, neste caso a política fiscal é apontada como o fator determinante na decisão.
Em 2026, o discurso da governadora passou a refletir uma preocupação diferente. Diante de sinais de erosão na base tributária, Hochul fez declarações reconhecendo a importância dos contribuintes de alta renda para o financiamento de políticas públicas. Em um tom mais conciliador, chegou a sugerir iniciativas para incentivar o retorno desses indivíduos, mencionando explicitamente regiões como Palm Beach, na Flórida, onde muitos nova-iorquinos passaram a residir.
Esse contraste entre os dois momentos evidencia um ponto central no debate econômico: a sensibilidade da arrecadação à mobilidade de contribuintes de alta renda. Em sistemas onde há liberdade de deslocamento, como entre estados norte-americanos, mudanças na política fiscal podem gerar respostas rápidas por parte desse grupo.
Historicamente, esse não é um fenômeno isolado. Um dos exemplos mais citados ocorre no Reino Unido, nas décadas de 1960 e 1970, quando alíquotas de imposto de renda chegaram a níveis extremamente elevados, atingindo até 83% sobre rendimentos e, em alguns casos, até 98% sobre rendas de investimentos. Nesse período, diversos indivíduos de alta renda deixaram o país, fenômeno que ficou conhecido como “tax exile”. Entre os casos mais famosos está o da banda The Rolling Stones, que se mudou para a França em resposta à elevada carga tributária.
Os efeitos dessas políticas foram amplamente debatidos. Em alguns casos, houve perda de arrecadação devido à saída de contribuintes, além de mudanças no comportamento econômico. Posteriormente, nas décadas seguintes, o Reino Unido promoveu reformas fiscais, especialmente durante o governo de Margaret Thatcher, reduzindo alíquotas e buscando reequilibrar o sistema.
O caso de Nova York, portanto, insere-se em um contexto mais amplo e histórico, no qual governos precisam equilibrar objetivos sociais, como financiamento de programas públicos, com a necessidade de manter uma base tributária estável e competitiva. Não se trata apenas de uma questão ideológica, mas também de gestão econômica e de incentivos.
Bom dia, Paraguai!
O debate sobre tributação de altas rendas e seus efeitos na economia é antigo e recorrente em diversas partes do mundo. Nos Estados Unidos, um episódio envolvendo a governadora de Nova York, Kathy Hochul (da ala mais à esquerda do Partido Democrata), reacendeu essa discussão ao evidenciar como discurso político, comportamento econômico e mobilidade de contribuintes podem estar interligados.
Em 2022, durante o período eleitoral, Hochul adotou um tom grosseiro ao se dirigir a determinados grupos, mormente pessoas de alta renda e críticos de sua agenda política. Em um discurso que ganhou ampla repercussão, afirmou que aqueles insatisfeitos poderiam deixar o estado, mencionando a Flórida como destino (“É só pegar um ônibus e ir para a Flórida, onde é o lugar de vocês, ok? Saiam da cidade! Saiam da cidade!”).
Após sua vitória, observou-se um movimento de migração de contribuintes de alta renda para estados como Flórida e Texas, conhecidos por menor carga tributária estadual. Embora esse fenômeno tenha múltiplas causas, incluindo custo de vida, clima e oportunidades econômicas, neste caso a política fiscal é apontada como o fator determinante na decisão.
Em 2026, o discurso da governadora passou a refletir uma preocupação diferente. Diante de sinais de erosão na base tributária, Hochul fez declarações reconhecendo a importância dos contribuintes de alta renda para o financiamento de políticas públicas. Em um tom mais conciliador, chegou a sugerir iniciativas para incentivar o retorno desses indivíduos, mencionando explicitamente regiões como Palm Beach, na Flórida, onde muitos nova-iorquinos passaram a residir.
Esse contraste entre os dois momentos evidencia um ponto central no debate econômico: a sensibilidade da arrecadação à mobilidade de contribuintes de alta renda. Em sistemas onde há liberdade de deslocamento, como entre estados norte-americanos, mudanças na política fiscal podem gerar respostas rápidas por parte desse grupo.
Historicamente, esse não é um fenômeno isolado. Um dos exemplos mais citados ocorre no Reino Unido, nas décadas de 1960 e 1970, quando alíquotas de imposto de renda chegaram a níveis extremamente elevados, atingindo até 83% sobre rendimentos e, em alguns casos, até 98% sobre rendas de investimentos. Nesse período, diversos indivíduos de alta renda deixaram o país, fenômeno que ficou conhecido como “tax exile”. Entre os casos mais famosos está o da banda The Rolling Stones, que se mudou para a França em resposta à elevada carga tributária.
Os efeitos dessas políticas foram amplamente debatidos. Em alguns casos, houve perda de arrecadação devido à saída de contribuintes, além de mudanças no comportamento econômico. Posteriormente, nas décadas seguintes, o Reino Unido promoveu reformas fiscais, especialmente durante o governo de Margaret Thatcher, reduzindo alíquotas e buscando reequilibrar o sistema.
O caso de Nova York, portanto, insere-se em um contexto mais amplo e histórico, no qual governos precisam equilibrar objetivos sociais, como financiamento de programas públicos, com a necessidade de manter uma base tributária estável e competitiva. Não se trata apenas de uma questão ideológica, mas também de gestão econômica e de incentivos.
Bom dia, Paraguai!
sexta-feira, 3 de abril de 2026
O “aviãozinho” e os 50,6% de rejeição
Para quem viu o presidente Lula brincando de aviãozinho em uma solenidade oficial na sede da Latam, em São Carlos (SP), no dia 25 de março, a cena causou mais do que simples constrangimento. Em meio a ministros, assessores e executivos, Lula recebeu uma maquete de aeronave, empolgou-se, correu pelo espaço simulando voo e até “pousou” o avião no chão, enquanto os presentes gargalhavam. O vídeo viralizou rapidamente nas redes sociais.
Muita gente desconfia que ele esteja começando um processo de demência. Aos 80 anos, à frente de um país com graves desafios econômicos, de segurança e institucionais, transformar uma agenda oficial em brincadeira infantil levanta questionamentos inevitáveis sobre sua capacidade cognitiva plena para exercer o cargo.
Nas redes sociais, os comentários foram diretos e sem filtro. Já vi frases do tipo: “Sidrônio, os caba tão dizendo que o véi parece que tá caducando!” Esse tipo de reação popular reflete um sentimento crescente de desconforto com o comportamento do presidente.
E os números não ajudam a acalmar esse cenário. Uma nova pesquisa Atlas Intel/Arko Advice, divulgada no início de abril de 2026, revela que Lula lidera o ranking de rejeição política com 50,6%. Ele é seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 24%, e por Jair Bolsonaro, com 16,3%. A pesquisa, realizada entre 16 e 23 de março com mais de 4 mil entrevistados, mostra que metade do eleitorado rejeita o atual mandatário de forma clara.
Essa alta rejeição tem impacto direto na governabilidade. Com mais da metade dos brasileiros dizendo “de jeito nenhum” votar em Lula, o governo enfrenta dificuldade crescente para aprovar pautas no Congresso, manter apoio popular e implementar reformas. A base aliada tende a ficar mais frágil, pois deputados e senadores calculam o custo eleitoral de se associar a um presidente tão rejeitado. Medidas impopulares, como aumentos de impostos ou ajustes fiscais, podem gerar ainda mais resistência nas ruas e no Parlamento.
Do outro lado, a alta resistência ao nome de Lula pode moldar as alianças da oposição de forma estratégica. Partidos de centro-direita e de direita terão mais incentivos para se unir ou, pelo menos, coordenar ações contra o governo, explorando o desgaste do petista como principal ativo eleitoral. A oposição pode se fortalecer ao destacar não apenas erros de gestão, mas também o contraste entre a imagem de um presidente “desconectado” (como no episódio do aviãozinho) e a necessidade de liderança firme para o país.
A pesquisa ainda mostra que, embora Lula mantenha um núcleo duro de apoio, a rejeição majoritária sinaliza que seu capital político está se esgotando. Momentos como o da Latam não são meros “vacilos” ou “descontração”: eles alimentam o sentimento de que o presidente já não transmite a seriedade e a lucidez que o cargo exige.
O Brasil vive um momento delicado. Uma rejeição acima de 50% combinada com dúvidas públicas sobre a capacidade cognitiva do chefe do Executivo não é algo que se resolve com memes ou minimizações. É um alerta sobre a saúde da democracia e da governabilidade no país.
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