Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”. Para adquirir qualquer livro, faça contacto através do WhatsApp (85) 9.9998.5816.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Joguei a toalha.
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Cansei. Cansei de gastar horas, dias, anos inteiros lendo, escrevendo, denunciando e tentando entender como um país consegue olhar para o espelho e não se envergonhar do que vê.
Passei grande parte dos últimos quatro anos e, na verdade, de quase duas décadas, acompanhando os escândalos que se empilharam como lixo tóxico nos governos do PT. Do Mensalão, lá no primeiro mandato de Lula, até os casos mais recentes envolvendo o BancoMaster e o INSS, nos quais até familiares do presidente são investigados. Escândalos que não são “opinião”. São fatos. Processos. Condenações. Delações. Desvios. Nomeações. Esquemas. A lista é longa demais para caber em qualquer artigo decente.
E mesmo assim… quase 53,8 milhões de pessoas decidiram, mais uma vez, suavizar tudo isso. Minimizar. Passar pano. Fazer cara de paisagem. Olhar para o lado e fingir que a sujeira não existe ou, pior, que “não era bem assim”.
É inaceitável.
É inexplicável.
É imperdoável.
Como é possível que, depois de tudo o que já se viu, se ouviu e se provou, ainda haja tanta gente disposta a reescrever a história em tempo real? Como alguém consegue olhar para o mesmo país, os mesmos números, os mesmos processos e chegar à conclusão de que “vai dar certo dessa vez”?
Eu não consigo mais. Já estou no meu último quarto de vida, com a graça de Deus. E resolvi que não vou mais gastar o pouco tempo que me resta tentando convencer quem prefere não ver. Vou dedicar esse tempo aos meus filhos e netos. Àqueles que ainda vão ter de viver neste país que tantos insistiram em entregar de volta às mesmas mãos.
O resultado dessa eleição não me trouxe apenas decepção. Trouxe desesperança. Uma desesperança densa, pesada, que se instala no peito e não sai.
O que eu vi que quase 54 milhões de pessoas não viram? Ou, pior: o que quase 54 milhões viram que eu não consegui enxergar? Não sei. E, sinceramente, já não tenho mais energia para tentar descobrir.
Joguei a toalha.
Não por fraqueza. Por cansaço. Por respeito ao pouco tempo que ainda me resta, independente do resultado do segundo turno.
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