segunda-feira, 13 de maio de 2019

A vaga do STF de Moro




O Presidente Bolsonaro afirmou ontem que "a próxima vaga do STF é de Sérgio Moro". A afirmativa permite duas leituras:

1 - o Governo tem sofrido quedas constantes na avaliação de seu desempenho, e sabe-se que o Ministro Moro é inegàvelmente o mais popular e admirado da equipe. Com essa afirmativa tenta-se estancar essa queda.

2 - o Ministro tem sido vítima de muita má vontade do Congresso (para dizer o mínimo) com relação aos seus pleitos legislativos. Afirmar que ele será Ministro do Supremo pode ser uma tentativa de fortalecê-lo para aprovar o Pacote Anticrime. O Congresso "se pela" de medo do STF.

Mas a banda podre do Congresso não brinca em serviço: consta que já há uma movimentação para ampliar a PEC da bengala, aquela que moveu a idade mínima de aposentadoria dos funcionários públicos de 70 para 75 anos. Agora para ampliar para 80 anos, o que inviabilizaria neste mandato, a nomeaçao por Bolsonaro de qualquer Ministro de qualquer Tribunal Superior.

Esse é o Brasil velho de guerra...

Os Bolsonaros e o PT




O senador Flavio Bolsonaro afirmou que a investigação é 'ilegal' e utilizada para atacar o seu pai. Na mesma linha de ataque às apurações do MP-RJ, o Presidente afirmou que "seu filho é vítima de uma acusação política e maldosa e que seu ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também pode ser alvo do mesmo tipo de denúncia."

É surpreendente a semelhança das desculpas usadas por ambos com o que o PT usa para justificar a inocência de Lula - "vítima de perseguição política". Da mesma maneira que este já foi julgado e condenado e está sendo investigado em sete outros processos, aquele deve ser investigado até o esclarecimento total de sua relação com o famoso Queiroz!

terça-feira, 7 de maio de 2019

De tuiteiro impertinente.




Não compreendo porque a dita grande mídia brasileira dá tanto destaque à opinião desse Olavo de Carvalho. Não posso julgá-lo como filósofo. Não conheço (nem tenho interesse em) sua obra. O que posso assegurar é que como "tuiteiro" ele é apenas um pornográfico impertinente!

Para mim, a opinião desse senhor não guarda nenhuma importância. Mesmo o apoio que lhe dá o vereador Carlos Bolsonaro, carece de relevância. É apenas a opinião de 1 entre 57931 vereadores brasileiros, não fosse ele filho do Presidente da República.

O que é grave, muito grave, é um eventual endosso do Presidente às exdrúxulas, mal educadas e inconsequentes opiniões dele a respeito de membros do governo, especialmente militares de carreiras ilibadas e inquestionáveis serviços prestados ao país.

Urge que se comece a valorar racionalmente a importância de cada indivíduo nesses episódios. Deixe-se o filósofo autoexilado vomitar seus impropérios através das democráticas redes sociais sem supervalorizá-los, deseje-se que o Vereador invista mais tempo no legislar e fiscalizar o Governo da cidade do Rio de Janeiro e que o Presidente expenda sua energia e seu capital político em tentar solucionar os grandes desafios nacionais. O resto é trabalhar contra o país!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Bolsonaro nos Estados Unidos?




Em 19 de abril de 2019 escrevi o texto "Bolsonaro e o Museu" (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/04/bolsonaro-e-o-museu.html), quando fiz uma análise da desistência do Museu Americano de História Natural de sediar a homenagem que faria a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos ao Presidente Bolsonaro. Depois disso o Governo Brasileiro anunciou o cancelamento da ida do Presidente aos Estados Unidos.

Hoje o porta-voz da Presidência anunciou que Bolsonaro deve ir aos Estados Unidos ainda em maio, mas agora para a cidade de Dallas no Texas. Apesar do prefeito de Dallas, Mike Rawlings, ser do Partido Democrata, o estado do Texas é dirigido por um Governador republicano, o Juiz da Suprema Corte do Texas, Greg Abbott.

"O Texas é o segundo maior estado dos Estados Unidos e o maior entre os 48 dos Estados Unidos Contíguos Continentais. Com seus 695 621,06 km², é maior do que os territórios da Alemanha e da Polônia juntas. O Texas também é o segundo estado mais populoso do país; com aproximadamente 25 milhões de habitantes e com uma população crescendo rapidamente devido à imigração, possui mais habitantes do que qualquer outro estado norte-americano com exceção da Califórnia."

O porta-voz afirmou que "Nós já recebemos vários convites de outros Estados ao nosso presidente para que ele, em lá chegando, possa ser homenageado adequadamente. O nosso presidente está a decidir, mas provavelmente será no Texas, entre os dias 14 a 16".

Apesar de em alguns momentos ter discordado da Deputada Janaina Paschoal, endosso 100% sua afirmação de que "vou fazer um comentário meio estranho sobre essa história toda em torno de NY: deveríamos aproveitar esse fato e pensar até que ponto esses tantos eventos importam. É evento demais, honraria demais, frescura demais. Vai soar estranho, mas não vejo sentido em nada disso."

sábado, 4 de maio de 2019

"Vingadores: Ultimato"




Algo que muito me incomoda é o não compreender o mundo. Facetas da vida que para mim não fazem sentido e são adotadas/festejadas pela maioria. Fica a desconfiança de que há alguma coisa errada comigo.

Pois bem: estando em Curitiba resolvi assistir ao surpreendente filme "Vingadores: Ultimato" (Avengers: Endgame). Uma sala extremamente confortável no Shopping Barigui, projeção em 3D com direito a óculos especial, som, imagem e temperatura perfeitos. Enfim, a ecologia do ambiente contribuía para o sucesso absoluto da minha escolha. Ledo engano. O filme tem a duração de três horas e dez minutos. Ao final da primeira meia hora "agarrei no sono". Sono ferrado! Acordei minutos depois e voltei a concentrar minha atenção no enredo da película (talvez aí esteja a chave para compreender o não entusiasmo pelo filme: o cidadão que ainda usa a expressão "enredo da película"...). Definitivamente não era do meu agrado. Impossível permanecer duas horas a mais na sala, apesar do conforto. Pedindo licença aos vizinhos de poltrona, saí discretamente (até aonde pode ser discreta uma saida de uma sala de projeção em meio ao espetáculo) e fui tomar meu sagrado chopp.

Como explicar o cidadão não gostar de um filme cujo orçamento foi de US$356,000,000.00 (trezentos e cinquenta e seis milhões de dólares)? Refazendo a pergunta: como conseguiram gastar US$356,000,000.00 naquilo? Reconheço humildemente que há algo errado comigo. Estou buscando agora qual cinema está exibindo o filme "CINE HOLLIÚDY 2 - A CHIBATA SIDERAL". TODOS AO CINEMA!


****************************************************************

Atualizado em 04/05/2019 às 08:47h

"Vingadores: Ultimato já é o quinto filme mais lucrativo da história" - http://blogs.opovo.com.br/

****************************************************************

Atualizado em 07/05/2019 às 17:36h, da Revista Veja

‘Vingadores: Ultimato’: a 2ª maior bilheteria da história; veja números: Longa da Marvel demorou apenas onze dias para arrecadar 2 bilhões de dólares; agora, mira 'Avatar', o primeiro da lista.

Vingadores: Ultimato continua batendo recordes. O novo filme da Marvel se tornou o longa de segunda maior bilheteria da história (sem correção pela inflação), ao chegar à arrecadação de 2,188 bilhões de dólares no último fim de semana. Foi a produção que mais rápido ultrapassou a marca de 2 bilhões de dólares, em apenas onze dias em cartaz. As informações são do site Box Office Mojo.

Agora, Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e companhia só têm à frente Avatar (2009), filme de James Cameron que soma bilheteria de 2,788 bilhões de dólares. Em terceiro lugar na lista aparece Titanic (1997), também de Cameron, com arrecadação de 2,187 bilhões de dólares. Completando o ranking de longas que ultrapassaram a marca estão Star Wars: O Despertar da Força (2015), com 2,068 bilhões de dólares, e Vingadores: Guerra Infinita (2018), com 2,048 bilhões de dólares.

domingo, 28 de abril de 2019

A prisão política e a teoria da conspiração




Imagino que os seguidores do PT, deliberadamente focam os ataques e o ódio na figura emblemática do ex juiz Sérgio Moro. Quero crer que para minimizar os julgamentos em segunda (TRF4) e terceira instâncias (STJ), confirmando a condenação do ex-presidente Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Essa condenação não é desimportante. Ao contrário, os julgamentos pelo TRF4 (três desembargadores) e STJ (quatro ministros), apenas confirmam o acerto da decisão de Moro. Principalmente esta última, que ficou muito próxima da dosimetria da pena imposta pelo juiz de primeira instância.

Creditar à teoria da conspiração as condenações de Lula (CIA, Estados Unidos, elite brasileira etc.) é, por má-fé ou ignorância, comprometer todo o sistema judiciário brasileiro. Afirmar que Lula é um preso político pode ficar bem como slogan, mas não dialoga com a realidade.

Além da condenação no caso do triplex de Guarujá, o ex- presidente ainda responde na justiça por mais sete ações penais e duas denúncias, conforme o Portal GauchaZH:

1 - Reformas no sítio de Atibaia, já sentenciado em primeira instância a doze anos de prisão, também em Curitiba pela 13.ª Vara Federal

2 - Influência em favor da Odebrecht (Operação Janus) - denúncia,aceita pelo juiz Vallisney Souza Oliveira, o ex-presidente teria usado a influência no BNDES e em outros órgãos para favorecer a Odebrecht em contratos e obras de engenharia em Angola. Em troca, a empreiteira teria pago propina de cerca de R$ 30 milhões.

3 - Compra de caças (Zelotes 1) - Lula se tornou réu pela quarta vez em dezembro de 2016. No âmbito da Zelotes, é acusado pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mais uma vez, a denúncia foi oferecida pela Procuradoria da República no Distrito Federal e aceita pelo juiz Vallisney.

4 - MP em favor de montadoras (Zelotes 2) - O juiz Vallisney aceitou, em setembro de 2017, denúncia do MPF e colocou o ex-presidente novamente no banco dos réus. O petista passou a responder pelo crime de corrupção passiva por, supostamente, ter participado da "venda" da medida provisória 471, de 2009.

5 - Propina para sede do Instituto Lula (Lava-Jato) - Em dezembro de 2016, Moro aceitou a quinta denúncia contra Lula e terceira no âmbito da Lava-Jato. O ex-presidente é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht.

6 - "Quadrilhão do PT" - Em 8 de março último, o ministro do STF Edson Fachin enviou para a Justiça Federal de Brasília a denúncia contra os ex-presidentes Lula e Dilma por formar organização criminosa. Segundo a ação, Lula e Dilma estariam envolvidos em um esquema que coletou propinas de R$ 1,48 bilhão entre 2002 e 2016. Entre os denunciados que passam a responder na 1ª instância, estão ainda os ex-ministros Palocci (Fazenda e Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda) Edinho Silva (Comunicação) e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

7 - Lavagem de dinheiro - O petista virou réu por lavagem de dinheiro pela Lava-Jato de São Paulo. Supostamente, Lula teria recebido R$ 1 milhão do grupo ARG para favorecer a empresa brasileira em negociações com o presidente da Guiné Equatorial.

Além das ações penais acima, Lula ainda é alvo de duas denúncias:

1 - Nomeação ministerial - O ex-presidente é investigado pela nomeação como ministro no segundo governo de Dilma Rousseff. A suspeita é de que ele teria sido indicado para o cargo para ganhar imunidade em meio ao risco de prisão.

2 - Propina em doação eleitoral - Lula, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e os ex-ministros Antônio Palocci e Paulo Bernardo foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Eles teriam supostamente recebido propina da Odebrecht na forma de doação de campanha.

Venhamos e convenhamos: é um pouco muito para levarmos a sério a ideia da prisão política e da teoria da conspiração.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Intrigas Palacianas




São incontáveis os registros na história, de intrigas no seio daqueles que dividem o poder ou revoluteiam em torno dele. Nos anos 1600, por exemplo, no reinado de Luis XIII na corte francesa, o Cardeal Richelieu foi pivô de deslealdades e traições pela sua forte influência junto ao Rei. Se por um lado tinha a antipatia da Rainha Ana de Áustria (muito bem retratada no clássico de Alexandre Dumas,"Os três mosqueteiros"), era protegido da Rainha Mãe num primeiro momento e em seguida do próprio Rei, chegando a ser Primeiro Ministro da Monarquia Parlamentarista francesa.

No início dos anos 1900, pontificou na corte Russa do Czar Nicolau II e sua esposa, Alexandra Feodorovna, a polêmica figura do monge Rasputin. A forte influência que o monge exercia sobre o Czar e principalmente sobre a Czarina, atrairam para si o ódio da quase unanimidade da Corte e seus nobres. Sua forte presença no palácio terminou provocando seu assassinato pouco antes da queda da Rússia Czarista.

Onde há poder sempre existirão ciúmes, intrigas, deslealdades, traições etc. É inerente à raça humana. Desde que se formou o novo governo brasileiro, numa eleição inusitada e por isso mesmo sem espaço delimitado anteriormente para a acomodação dos diversos grupos de interesse, temos acompanhado a movimentação autofágica dos seus componentes. E o que é mais reprovável, essa movimentação tem acontecido de forma pública, através das redes sociais, exibindo a cisânia entre partes.

De todos os desencontros acontecidos no coração do Governo, o mais lamentável é a troca de "amabilidades" entre o Vereador Carlos Bolsonaro e o Vice-Presidente General Mourão. Aquele protege-se sob o manto da filiação para destilar grosserias sobre o General. Este, por sua vez, parece-me propositadamente assume posições conflitantes com as que defende o Presidente. É uma pena! No momento em que o país atravessa talvez sua maior crise em todos os tempos, fruto da irresponsabilidade fiscal e desonestidade de Governos recentes, essa composição vitoriosa de centro direita não está conseguindo refrear suas vaidades e ambições pessoais. E sofre o país.

Talvez Jair Bolsonaro devesse utilizar sua autoridade de pai com o "garoto" e de Presidente com o seu Vice. E dizer a ambos: ¿Por qué no te callas?

domingo, 21 de abril de 2019

O melhor detergente




sigilo - substantivo masculino

- o que permanece escondido da vista ou do conhecimento; segredo.

- coisa ou fato que não se pode revelar ou divulgar; segredo.


Tenho ouvido de membros do governo que a oposição confunde a população distribuindo fake news relativas à Reforma da Previdência. Se verdade que decretaram sigilo sobre relatórios que embasam a reforma, o Governo faz um movimento contrário ao desejável. Ajuda à oposição.

Decretar sigilo, salvo melhor juízo, é reconhecer que há algo a esconder do cidadão brasileiro. É negar o argumento de que a Nova Previdência faz justiça àqueles que hoje ganham menos e pagam mais. É invalidar a assertiva de que o projeto age contra os privilégios.

Como bem disse Louis Brandeis (1856-1941), Juiz da Suprema Corte Americana: “A luz do Sol é o melhor detergente”. O Governo deve à sociedade uma explicação razoável, se é que ela existe.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Bolsonaro e o Museu.


Bill de Blasio: prefeito de Nova York agradeceu museu por não sediar evento no qual Bolsonaro será homenageado


"O conselho diretor dos museus americanos é responsável por aprovar a missão do museu, recrutar, dar suporte e avaliar o presidente e membros diretores. Além disso, os conselheiros orientam na gestão e também protegem a integridade financeira do museu. No caso do Museu Americano de História Natural, o conselho é formado por pessoas da sociedade civil, advogados, filantropos, empresários, diplomatas etc. Também fazem parte do conselho o prefeito de Nova York e outros membros da administração da cidade, como o chanceler do departamento de educação e o comissário da cultura."
(Do website ArteRef.Com - referência em arte contemporânea")


Não nos motiva neste texto o desejo de analizar se o Presidente Jair Bolsonaro "é um homem perigoso. Seu racismo evidente, sua homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta", como dito pelo Prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio.

Sequer motiva-nos avaliar se o Presidente é merecedor da escolha pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, como “Personalidade do Ano”.

O importante aqui é tentar compreender porque o Museu Americano de História Natural (AMNH) em Nova York, que tem entre suas diversas fontes de financiamento o aluguel de suas dependências para eventos estranhos à sua atividade fim, resolveu não mais sediar o evento de gala no dia 14 de maio, quando será homenageado o Presidente Bolsonaro.

A política interna americana vive um momento de muita tensão, com o país absolutamente dividido. De um lado o Partido Republicano, o Presidente Donald Trump (que não chega a ser um republicano de raiz) e seus seguidores, e de outro o Partido Democrata que detém desde a última eleição legislativa a maioria na Câmara e grande parte da sociedade daquele país. É óbvio que o alvo é a eleição presidencial de 2020.

Apesar de o Presidente Trump desde que assumiu a presidência se ver enredado com investigações de promotores em várias frentes, inclusive sobre sua campanha, sua conduta como presidente, seus negócios, sua instituição de caridade e sua universidade, a economia americana encontra-se num dos seus melhores momentos (o índice de desemprego é o menor nos últimos 19 anos, para citar apenas um dado). Isso não tem desencorajado as lideranças democratas que contam com cerca de 20 possíveis candidatos a Presidente. Alguns já em campanha, outros apenas fazendo prospecção. Do lado republicano não há quem acredite que algum membro consiga ameaçar a candidatura Trump à reeleição.

E o que tem isso a ver com a desistência do Museu de sediar a homenagem ao Presidente Bolsonaro? Tudo! Como pudemos acompanhar pela grande mídia nacional, há uma verdadeira "lua de mel" entre Trump e Bolsonaro. A viagem deste último aos Estados Unidos estreitou ainda mais o relacionamento entre ambos, não sem grande crítica de parte substancial da mídia e de segmentos da sociedade brasileira.

Ora, o Prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, é uma das principais lideranças democratas nos Estados Unidos. Está entre aqueles 20 possíveis candidatos a Presidente. E aqui vale aquela regrinha que aprendí na escola como processo mnemônico, para decorar multiplicação entre números positivos e negativos: "o amigo do meu inimigo é meu inimigo".

Sem dúvida o Prefeito Blasio utilizou sua condição de membro do Conselho do Museu para negociar a desistência de sediar a homenagem ao Presidente brasileiro. Mesquinho? Talvez. Mas faz parte do luta política. Ainda mais quando está em jogo a posição do homem mais poderoso do planeta, com todas as implicações geopolíticas, econômicas etc. Nesse tabuleiro de xadrez o Brasil não é uma rainha, sequer um bispo. Não passa de um peão.


*******************************************************



Atualizado em 16/05/2019 às 09:21h



Nova York, Nova York (CNN) O prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, entrou para a primária presidencial democrata de 2020 nesta manhã, estabelecendo-se como o melhor candidato em uma corrida de 23 pessoas para desafiar o presidente Donald Trump.

Em um vídeo postado online, de Blasio delineou uma série de políticas que ele defendeu na cidade, incluindo um salário mínimo de US $ 15, garantia de assistência médica e licença médica paga. Ele também mirou diretamente em Trump, chamando o presidente de "valentão" e dizendo que ele estava melhor equipado para derrotá-lo em 2020.

"Sou nova-iorquino, conheço Trump como um valentão há muito tempo. Isso não é novidade para mim ou para qualquer outra pessoa aqui. E sei como enfrentá-lo", afirmou De Blasio. "Não recue diante de um valentão - confronte-o."

Ele acrescentou: "Donald Trump deve ser parado - eu já o derrotei antes e farei isso de novo. Sou Bill de Blasio e estou concorrendo à presidência porque é hora de colocarmos os trabalhadores em primeiro lugar".

A entrada de De Blasio na corrida, que foi noticiada pela primeira vez pela NBC News, eleva o número total de candidatos para 23 quase nove meses antes dos primeiros votos serem lançados.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Agiotagem ou roubo legalizado?




Ocasionalmente, navegando pela Internet, deparei-me com um artigo de 13/03/2015 do dr. Onilton Sérgio Mattedi - Advogado – OAB/MG 148.627. Transcrevo parte abaixo:

Atualmente, tanto doutrina quanto jurisprudência, aplicam a taxa de juros prevista pelo parágrafo 1.º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, qual seja 1% (um por cento) ao mês. Qualquer taxa cobrada acima disso pode configurar o crime de usura, ou agiotagem.

No âmbito criminal, a agiotagem é considerada um crime contra a economia popular, nos termos da alínea “a” do artigo 4.º da lei 1.521/51, que prevê pena de detenção de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos para aquele que “cobrar juros, comissões ou descontos percentuais, sobre dívidas em dinheiro superiores à taxa permitida por lei.”




Imagine que você tenha uma moto e a venda. Com o dinheiro disponível, empreste-o ao seu vizinho a uma taxa de juro mensal de 5%. Você poderá ser preso por isso. Ou ainda, tendo guardado aquele suado dinheirinho na poupança, saque-o para trocar um cheque do seu colega de trabalho e estabeleça também 5% ao mês de juro. Não faça isso. Você estará cometendo um crime.

Como podemos compreender que as operadoras de cartão de crédito, sem nenhuma exceção para confirmar a regra, possam cobrar encargos que variam de 11 a 17 por cento ao mês? Mais incompreensível ainda é que o Congresso Nacional acompanhe inerte às queixas dos brasileiros, que clamam por providências desde a promulgação da Constituição de 1988.

O constituinte de 88, em momento de rara lucidez, estabeleceu no artigo 192 § 3.º da Constituição Federal o limite máximo de juros reais, à taxa de 12% ao ano. No entanto, entendeu o Supremo Tribunal Federal, em uma decisão em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade muito contestada, ser a aplicabilidade do mencionado dispositivo dependente de edição de lei complementar. Porém, antes do surgimento da necessária Lei Complementar o Art. 192 da Constituição foi reformado pela Emenda a Constituição n° 40 que revogou seu parágrafo terceiro que dispunha sobre a limitação as taxas de juros.

Ah, Brasil!....

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Nazismo: esquerda ou direita?




Classificar Nazismo como movimento de esquerda é uma grande bobagem. É verdade que o Terceiro Reich, tendo Hitler como seu chefe supremo, ascendeu ao poder nas asas do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O registro histórico de que o partido de Hitler fazia oposição ao capitalismo ultraliberal não é determinante, uma vez que era também oposição ferrenha ao governo socialista que havia assumido na União Soviética depois da revolução de 1917. Mais que isso, o viés estatizante do Nazismo, traço marcante dos movimentos de esquerda, naquele caso só valia para os que não eram alemães "puros". Então, por si só esses argumentos não corroboram a tese.

Mas essa não é a questão. O que me surpreende é constatar quanto de energia e discussões estéreis estabeleceu-se depois dessa afirmação exdrúxula do Presidente na sua visita a Israel. Algo que começou a acontecer na década de 20 do século passado provocar todo esse barulho, é insano. No momento em que temos em torno de treze milhões de desempregados, mais de cinquenta mil mortes violentas em 2018, acima de onze milhões de analfabetos etc, estarmos discutindo se o Nazismo é de direita ou de esquerda... Ora, meu pai diria: "vão chupar cu de passarin!"

sexta-feira, 29 de março de 2019

Semana sinistra!




Esta semana, definitivamente, não foi generosa com o Partido dos Trabalhadores. Foram violentamente atingidas duas das mais representativas figuras do seu comando.

Fernando Pimentel vira réu por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Fernando Pimentel virou réu por lavagem de dinheiro e tráfico de influência em uma das quatro denúncias contra o petista no âmbito da Operação Acrônimo.
O ex-governador de Minas Gerais e ex-ministro de Dilma Rousseff é acusado, entre outras coisas, de não declarar recursos usados na campanha de 2014

--------------------------------------------------------

Haddad é condenado por impulsionar “Fake News” contra Bolsonaro na campanha
O petista Fernando Haddad, candidato a presidente derrotado nas eleições de 2018, terá que pagar R$ 176,5 mil em multa por promover uma campanha negativa contra Bolsonaro na campanha eleitoral. A decisão, de Edson Fachin do TSE, deixa claro que impulsionar conteúdo negativo sobre o candidato adversário é ilegal.

*************************************************************

Deve ter alguma coisa errada com essa última notícia. Às vésperas do segundo turno da eleição de 2018, a grande mídia deu ampla divulgação à denúncia do então candidato Haddad (veja abaixo) de uma suposta organização criminosa a serviço do candidato do PSL, divulgando fake news online. Mesmo concluída a eleição, vários preeminentes membros do Partido derrotado vieram a público para dizer que o Presidente era ilegítimo por ter sido eleito por fake news. E agora, como ficamos?

=============================================================

Na sua edição desta quinta-feira (18 out 2018), o jornal Folha de S. Paulo revela que empresários têm bancado a compra de distribuição de mensagens de fake news contra o PT por Whatsapp, em uma prática que se chama pacote de disparos em massa de mensagens, e estariam preparando uma operação para a próxima semana, antes do segundo turno.

O Globo, em 18 de outubro de 2018, traz em manchete:
Haddad acusa Bolsonaro de criar 'organização criminosa' para espalhar fake news. O candidato do PT,Fernando Haddad , acusou o seu adversário, Jair Bolsonaro(PSL), de ter criado uma organização criminosa para distribuir mensagens falsas de WhatsApp contra o PT.

quinta-feira, 28 de março de 2019

A articulação e a velha política.




Vamos ser honestos! Você pode até não concordar com nada que esse Paulo Guedes defende, mas há de reconhecer que o cara é preparado, sabe do que está falando, defende com convicção e é extremamente didático na explanação dos seus projetos. Vale a pena assistir à participação dele, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Cá para nós: "tá" me dando uma preguiça danada essa discussão interminável da falta de articulação política do Governo. Já está absolutamente claro que o Governo não está disposto a estabelecer uma "articulação" como desejável pelo Parlamento. Enquanto isso, as Reformas prometidas na campanha eleitoral encontram-se paralisadas no Congresso. Por que os Deputados não tramitam as Mensagens? Rejeitem, se desejarem. Excluam pontos com os quais não concordam. Reescrevam, através de um substitutivo, mas votem!

Revisitando o que escrevi ontem: "Para despertar o espírito público e o ardor cívico dos congressistas, distribuam os cargos (não qualquer um, mas "aquele que fura poço" ) e liberem os recursos das emendas. Para a grande mídia, todos os brasileiros sabemos do que precisa. E aí o mundo terá paz novamente..."


Atualizado em 11/04/2019

terça-feira, 26 de março de 2019

A paz voltará a reinar...




Não por coincidência, os editorias de hoje dos três maiores (e quase únicos) jornais de circulação nacional, pintam horrores sobre os 85 dias do Governo Bolsonaro. A Folha diz que "inquietante é perceber a indigência das ideias da trupe bolsonarista para substituir os métodos e vícios do presidencialismo nacional". O Estadão, num editorial arrasador intitulado “Procura-se um presidente”, afirma: "Parece acreditar que, simbolizando a redenção do Brasil depois do flagelo lulopetista, todas as suas vontades serão convertidas em lei pelo Congresso, sem necessidade de negociação. Incorre, assim, numa arrogância sem limites." O jornal da família Marinho, agressivamente estabelece que "Não se tem notícia de um presidente como Jair Bolsonaro, que tenha demorado tanto tempo para descer do palanque. Vitorioso numa campanha em que se valeu muito das redes sociais, território adequado a mensagens curtas, quase sempre agressivas, e de pouca reflexão, o presidente demonstra dificuldades em mudar o tom e passar a governar, o que implica, numa democracia, negociar". Aproveita, ao desancar o Presidente, para diminuir a influência das redes sociais, para quem elas são "território adequado a mensagens curtas, quase sempre agressivas, e de pouca reflexão".

Paralelo a essas manifestações diárias da grande mídia, cada dia mais agressivas e devastadoras, o nosso querido Congresso Nacional, sempre comprometido com os interesses do povo e com os destinos da nação, paralisa a tramitação das Mensagens enviadas pelo Executivo, reclamando da falta de articulação política do Governo. Até o inesquecível Presidente FHC, o herói da reeleição, prestimosamente oferece um ensinamento ao afirmar que "Presidente que não entende a força do Congresso, pode cair".

Ouso avaliar que mais cedo ou mais tarde o Governo vai ter que fazer concessões, seja à grande mídia, seja aos parlamentares. Tudo muito simples de resolver. Basta inspirar-se nos últimos vinte anos, quando os governos aprovavam tudo o que queriam no Congresso e nos veículos de comunicação o país era um paraíso em terra. Aliás, falando-se em inspiração, quero crer que uma profunda inspiração de saudade deve estar atacando os atores desse momento. Para despertar o espírito público e o ardor cívico dos congressistas, distribuam os cargos (não qualquer um, mas "aquele que fura poço" ) e liberem os recursos das emendas. Para a grande mídia, todos os brasileiros sabemos do que precisa. E aí o mundo terá paz novamente...


Gasto de governo Bolsonaro com publicidade é menos de 1% de Lula, Dilma e FHC juntos.

*************************************************************



Essa equipe do MEC no Governo Bolsonaro remete-me à memória um jogo a que assisti quando criança em Várzea Alegre. Jogavam as seleções do Bacpari e Vara da Prensa. O resultado foi de 6 X 6. Pois bem: as defesas das duas seleções batiam tanta cabeça quanto esses educadores do Ministério...

segunda-feira, 25 de março de 2019

Benditas Redes Sociais!




Não sei se tem consistência a análise, mas estive meditando: acho que as redes sociais contribuiram para diminuir a violência física entre as pessoas públicas.

Há longo tempo, um Senador matou um colega dentro do plenário do Senado, Brizola encontrou David Nasser em aeroporto e aplicou-lhe um bofete (o que gerou o magistral artigo na Revista O Cruzeiro - "O coice da mula").

Aqui mesmo no Ceará, em tempos idos, um Deputado Estadual atirou em colega na tribuna (felizmente não houve morte).

De lá para cá foram milhares de agressões físicas, tentativas de homicídio, execuções etc.

Nos dias atuais, vão à rede social de preferência e xingam o desafeto de vagabundo, moleque, ladrão, corrupto etc, e o recado está dado.

É verdade que vez em quando velhos métodos voltam. Veja-se o assassinato da Vereadora Marielle, a tentativa de homicídio no candidato Bolsonaro, para citar apenas dois exemplos recentes.

Usemos mais as redes sociais, este é o apelo...😂😂🤣🤣

**************************************************************************

Duelos de gigantes nas redes sociais:

Olavo de Carvalho X General Mourão
Sergio Moro X Rodrigo Maia
Ciro Gomes X Gleise Hofmann
Deltan Dallagnol X Gilmar Mende
s Gilmar Mendes X Jorge Kajuru
Joice Hasselmann X Kim Kataguiri
Silas Malafaia X Olavo de Carvalho
Rodrigo Maia X Jair Bolsonaro

Se não trouxesse tanto disperdício de energia em prejuízo da Nação, eu diria que isso está ficando divertido.🤣😂

sexta-feira, 22 de março de 2019

O grande dragão do Oriente acordou!


«Laissez donc la Chine dormir, car lorsque la Chine s'éveillera le monde entier tremblera.» Napoléon Bonaparte


Mais de dois séculos atrás (1816), Napoleão Bonaparte em momento de profunda premonição, afirmou: "Deixe a China dormir, porque quando a China acordar o mundo inteiro vai tremer". Muito tempo depois (1973), o escritor francês Alain Peyrefitte tomou de empréstimo a frase do Imperador para escrever o livro "Quando a China despertar o mundo tremerá". Na obra, o autor defende a tese de que os chineses acabariam inevitavelmente por dominar o planeta, dada a supremacia da sua população diante do mundo.

Desde 2011 a China tornou-se a segunda maior economia global, ultrapassando o Japão, que na década de 1960 começou a ostentar essa posição. "A China é grande por ser numerosa, profetizava Peyrefitte e demonstram os economistas. Essa grandeza é ao mesmo tempo, a fraqueza do gigante asiático. É uma economia poderosa, mas os seus habitantes são pobres. Portanto, se a China já acordou, o que falta saber é o que acontecerá quando os chineses acordarem. Nesse dia, a China tremerá."

No seu informe anual de 2018, o FMI diz que a China poderá ser a maior economia do mundo em 2030. Também no final do ano passado, o time de economistas do HSBC Holdings em estudo que reúne 75 nações, não apenas prevê que a China deve se tornar a maior economia do mundo até 2030, como que a Índia deve ultrapassar o Japão na terceira colocação. Em dezembro de 2018, o Centre for Economics and Business Research, acreditado organismo inglês de consultoria econômica com sede em Londres, escreveu que "a economia chinesa deve ultrapassar a americana em 2032".

População

China: 1.40 billion India: 1.34 billion USA: 0.33 billion Brasil: 0.21 billion

PIB 2018.

China: $13.4 trillion India: $2.6 trillion USA: $20.5 trillion Brasil: $1.8 trillion

Exportação 2016.

China: $2060 billion India: $257 billion USA: $1450 billion Brasil: $0.182 billion

PIB per capita 2017.

China: $9630 India: $2020 USA: $59531 Brasil: $9821

Crescimento do PIB 2018.

China: 6.6% India: 7.3% USA: 2.9% Brasil: 1.1%

O quadro acima retrata bem a situação relativa das principais economias do mundo, comparadas ao Brasil. Como se vê, a economia chinesa já "morde o calcanhar" da americana, considerado o seu crescimento anual. As exportações chinesas ultrapassam em muito as dos Estados Unidos. O calcanhar de aquiles do grande dragão do Oriente é o PIB Per Capita do país, ainda menor que o brasileiro. A par do crescimento econômico, a China precisa fazer um esforço hercúleo para melhorar a participação da sua população na riqueza nacional. O que não será uma tarefa fácil, considerada sua população de um bilhão e quatrocentos milhões de viventes.

Há portanto, razoável consenso em torno da movimentação da economia mundial e que o século XXI será chinês. Quem viver verá?

segunda-feira, 18 de março de 2019

Paulo Guedes, curto e grosso!




O discurso do Ministro Paulo Guedes no "Brazil Day in Washington" na Câmara Americana de Comércio não podia ser mais honesto e cristalino. Você pode até discordar do caminho a ser trilhado pelo Brasil no desenho feito pelo Ministro, mas jamais poderá negar que ele foi absolutamente brilhante e pragmático ao falar para a elite empresarial americana nesta tarde.

"O presidente ama a América, eu amo a América. Adoro Coca-Cola, Jeans, a Disneylândia. Agora nós estamos dançando com os chineses. Os chineses dançam bem. Número um parceiro comercial. Eu digo ao Presidente: ame os Estados Unidos, mas deixe-me fazer comércio com aqueles que forem mais lucrativos para nós. A gente vê vocês (EUA) negociando com os chineses há décadas. Por que não nós?”

Música para os ouvidos dos investidores americanos, foi sua reafirmação dos princípios liberais que o Ministro tão transparentemente tem defendido. Estado mínimo, descentralização das receitas públicas, reforma da previdência, reforma tributária com a diminuição de número de impostos, privatização de estatais, etc. E a franqueza peculiar do Ministro: o país está aberto aos investimentos estrangeiros. Se os americanos não se credenciarem, os chineses (que já são o maior parceiro comercial do Brasil) estão "dançando e dançando bem" conosco.

É cedo ainda para avaliar o resultado da viagem da comitiva brasileira ao país do Norte, até porque ela nem sequer foi concluída. Uma coisa, no entanto, é certa: o recado do Ministro Paulo Guedes foi dado e muito bem-dado. Os Estados Unidos são parceiros preferenciais para o comércio bilateral com o Brasil. Mas se "você não quiser comprar nossa soja, minério de ferro, petróleo bruto, açúcar, carne, temos quem queira!"

sábado, 16 de março de 2019

Seria a morte da Lava-Jato?


Suprema Corte dos Estados Unidos


Quando o Ministro da Suprema Corte dos EUA, Anthony Kennedy, anunciou sua aposentadoria em 27 de junho de 2018, o Presidente Trump ganhou uma chance de alterar por anos —talvez décadas— o equilíbrio daquela Corte. "Embora alinhado com mais frequência aos quatro juízes da ala conservadora da corte, nos últimos anos ele tem servido, não raras vezes, como o fiel da balança."

O colegiado da Suprema Corte americana é formado por nove Ministros que não têm "prazo de validade". Diferentemente do Brasil, onde os ministros do Supremo Tribunal Federal forçosamente se aposentam aos 75 anos (popularmente conhecida como expulsória), o cargo nos EUA pode ser vitalício.

Frequentemente os julgamentos nos Estados Unidos na mais Alta Corte terminam num 5 X 4. Ao contrário da configuração anterior com Anthony Kennedy, que apesar de conservador era um moderado e não raro alinhava-se ao grupo tido como progressista, sobretudo em questões de direitos civis, liberdade dos cidadãos gays e pena de morte, com a posse do seu substituto, o ultraconservador Brett Kavanaugh não há mais surpresas. O placar será sempre 5 X 4 para os conservadores.

A exemplo dos irmãos do Norte, o Supremo Tribunal Federal do Brasil tem frequentemente enfrentado resultados de 6 X 5, prevalecendo o chamado grupo garantista, vencidos os ditos consequencialistas ou punitivistas. Ainda recentemente, num socialmente polarizado julgamento, o STF decidiu (mais uma vez por 6 X 5) que a Justiça Eleitoral deve julgar crimes associados a caixa 2. O resultado impôs uma derrota à força-tarefa da Lava-Jato que ostensivamente defendeu a posição contrária.

Fim dos tempos? Morte da Lava-Jato? Abertura total para mais "malfeitos" da classe política? Não creio. A sociedade brasileira já não mais aceita passivamente os desvios de comportamento tão amplamento descobertos e divulgados nos últimos tempos. Acredito que o Tribunal Superior Eleitoral procurará equipar-se para bem desempenhar a sua tarefa. O próprio Ministério Público Federal saberá conduzir da melhor forma as suas obrigações.

Nesse "cabo-de-guerra" entre parte do STF e a força-tarefa da Lava-Jato, move-se o tabuleiro de xadrez. Quando o pleno do STF decidiu, em julho de 2018, pela proibição da condução coercitiva de réus e investigados para depoimento, os Procuradores passaram a solicitar no processo (sendo frequentemente autorizados pelo Juízo) a prisão temporária (prazo de duração de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco).

Ora, cabe institucionalmente ao Ministério Público Federal, entre outras funções, "requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais".

"O Ministério Público, diante dos elementos contidos no inquérito policial, ou mediante outras peças informativas, verificando a existência de fato que, em tese, caracteriza crime e indícios de autoria, forma sua convicção, denominada opinio delicti, iniciando a ação penal pública com o oferecimento da peça inicial, definida no artigo 24 do Código de Processo Penal como denúncia." Portanto nada impede que, concluido o inquérito policial e no oferecimento da exordial acusatória, o Ministério Público não "veja" o crime de Caixa 2, mas apenas os seus conexos tais como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas etc.

E assim caminha a República Federativa do Brasil...

************************************************************************************************************

Artigo do juiz federal Francisco Codevilla, da 15ª Vara Federal em Brasília (Do site O Antagonista em 18/03/2019)

O STF decidiu, no dia 14/03/2019, por maioria de votos (6 x 5), que os crimes conexos ao de caixa 2 eleitoral devem ser julgados, também, pela Justiça Eleitoral.

​O fundamento, em linhas gerais, está no art. 109, IV, da Constituição Federal, segundo o qual, compete à Justiça Federal processar e julgar “os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral”. Além disso, o art. 78, IV, do Código de Processo Penal, determina que no concurso entre jurisdições comum e especial, prevalecerá a especial, no caso, a Eleitoral sobre a Justiça Federal.

​Consequentemente, crimes como lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, entre outros, quando conexos ao crime de caixa 2 eleitoral, deverão ser julgados pela Justiça Eleitoral.

​Em sentido contrário ao que fora decidido pelo STF, argumenta-se que a competência da Justiça Federal também está prevista na Constituição Federal e, portanto, uma não poderia sobrepor-se à outra, devendo ser resguardada a competência de cada uma delas. Nesse caso, a Justiça Eleitoral julgaria apenas o crime de caixa 2 e a Federal os demais. Além disso, há um argumento de ordem prática, o de que a Justiça Eleitoral não estaria apta para o processamento de crimes tão complexos.

​De imediato, inúmeras foram as críticas desferidas ao julgamento em questão. A principal delas e mais contundente revela o receio de que a Operação Lava Jato, que tramita basicamente na Justiça Federal de primeira instância, seja esvaziada.

​Contudo, apesar do recente julgamento do STF, creio que a competência da Justiça Federal ainda pode ser preservada, se examinarmos de perto os fatos.

​O que se denomina crime de caixa 2 eleitoral, previsto no art. 350, do Código Eleitoral, nada mais é do que um crime de falsidade ideológica (“Omitir, em documento público ou particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais: Pena – reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular”).

Na prática, o crime ocorre quando um candidato deixa de declarar oficialmente valores doados para o financiamento da sua campanha eleitoral, utilizando-se de uma contabilidade paralela. Porém, para a caracterização desse crime, o dinheiro doado não pode ter qualquer relação com favores no âmbito da Administração Pública, passados ou futuros. Se tiver, o crime será outro, como veremos a seguir

​O que tem sido evidenciado nos casos trazidos à Justiça Federal, na sua grande maioria, é que o crime verdadeiramente praticado não é o de caixa 2, mas o de corrupção passiva (art. 317, do Código Penal: “Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa”.

​Nesse contexto, em troca de favores no âmbito da Administração Pública, empresários e empresas contribuem para o financiamento das campanhas eleitorais. Importante registrar que o crime de corrupção passiva estará consumado com a simples solicitação da vantagem financeira. A entrega efetiva do dinheiro é considerada um pós fato impunível, ou seja, uma consequência natural do crime e, portanto, irrelevante para a sua consumação.

​Sendo assim, a suposta vinculação com o pleito eleitoral não é suficiente para caracterizar o crime de caixa 2 eleitoral. Na verdade, é apenas um subterfúgio para escapar de uma pena maior e deslocar o processo para um ramo da Justiça não devidamente aparelhado, com possíveis implicações negativas, como a prescrição e a absolvição por falta de provas.

​Além disso, o ato de tentar fazer crer que o dinheiro é apenas para financiamento de campanha eleitoral, quando de fato não for, poderá ser considerado dissimulação de ativo e caracterizar outro crime: lavagem de dinheiro.

​Portanto, evidenciado que não se trata de crime de caixa 2, mas de corrupção passiva com possível lavagem de dinheiro, a competência será da Justiça Federal, e não da Justiça Eleitoral.

​A forma mais fácil de não enxergar a realidade é ressaltar as aparências. Só parece caixa 2, mas é corrupção passiva com lavagem de dinheiro. É muito mais grave do que parece ser!

quarta-feira, 13 de março de 2019

Este texto é dedicado aos queridos amigos dos grupos "volta Dilma" e "Lula livre"




Tenho lido nas redes sociais e eventualmente recebido mensagens por aplicativos de comunicação, de pessoas que clamam por eleições gerais imediatas. Foi assim no caso mal explicado do Queiroz, na inoportuna divulgação pelo Presidente do vídeo carná/pornô e desde ontem pela divulgação dos suspeitos pelo assassinato da Vereadora Marielle. O histórico da proximidade de filhos do Presidente com membros de milícias cariocas, o relacionamento íntimo de Fabrício Queiroz com a família presidencial e por último a foto do Presidente com um dos presos suspeitos do assasinato da Vereadora, bem como o fato de um deles morar no mesmo condomínio de Bolsonaro no Rio de Janeiro, há excitado em profundidade os perdedores da última eleição.

Concordo que existem coincidências demais para que simplesmente sejam ignoradas. O Brasil precisa definitivamente trilhar o caminho da transparência dos seus dirigentes, seja no trato da coisa pública, seja na condução de suas vidas privadas. No momento em que o indivíduo, por livre decisão, decide exercer uma função pública por delegação do voto popular ou por nomeação prevista em lei, entendo deve submeter-se ao permanente vigiar da sociedade à qual serve.

Parte substantiva dos brasileiros clamou e continua declarando que a Presidente Dilma foi cassada num atropelo da constituição, sem crime de responsabilidade cometido. Ora, a Presidente teve o pedido de impeachment. em documento protocolado na Câmara Federal pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal. Cumprindo o rito constitucional, o documento foi acatado pela Presidência da Câmara, que deu sequência ao pedido. A partir daí todas as etapas foram cumpridas, culminando com o julgamento pelo pleno do Senado, sob a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal.

As vozes que se levantam pedindo eleições gerais com o afastamento do Presidente, são as mesmas que defendem que houve um golpe no afastamento da Presidente Dilma. Suprema incoerência. Se querem afastar o Presidente recém-eleito, que se cumpra o rito processual. Estabeleçam um crime de responsabilidade, protocolizem um pedido de impeachment junto à Câmara Federal, façam-no aceito, julguem no pleno do Senado sob a presidência do Chefe do Poder Judiciário. Aos que defendem eleições gerais imediatas, remeto-me ao afastamento da Presidente Dilma (bom dia, Presidente Michel Temer) e lembro que no caso do afastamento do titular do cargo, deve assumir o Vice-Presidente e nunca a convocação de novas eleições. Afinal, não vivemos numa República Parlamentarista. E respondo com um altissonante "Bora, Mourão!"

segunda-feira, 11 de março de 2019

Amadorismo inexplicável




Depois dos profundos e continuados escândalos (mensalão, petrolão etc.), do desastre na área econômica (mais de doze milhões de desempregados, incontrolável deficit público, queda mortal no PIB etc.), estimava-se que demoraria um tempo para que o PT recuperasse a credibilidade e almejasse disputar novamente a Presidência da República.

Confesso que já não estou tão certo disso. O governo conservador que substituiu o desastrado período descrito acima, tem cometido tantos erros e tão primários que temo a provocação de uma amnésia coletiva na eleição de 2022. É bem verdade que há programas desenhados em base sólida. Na economia, a coesão e determinação da equipe apontam para um caminho de recuperação e crescimento. No combate ao crime organizado e à corrupção, com o evidente propósito de diminuição da violência e estancamento de desvio de recursos públicos, já há uma relação de medidas adotadas pelo ministro Moro. Algumas que independem de legislação congressual em andamento e outras já enviadas para avaliação e votação pelo Parlamento.

O problema é que para aprovar as necessárias reformas para a implementação desses programas, o Governo precisará empenhar todo o seu capital político junto ao Congresso Nacional. Não são medidas de fácil tramitação e algumas exigirão sacrifício da sociedade brasileira.

Ora, é próprio do ser humano a defesa dos seus interesses e a briga pela manutenção dos privilégios. "Farinha pouca, meu pirão primeiro" retrata bem nosso comportamento. Para vencer as resistências que virão, o Governo sabe que tem que encaminhar a votação dessas medidas o mais rápido possível, aproveitando a "lua de mel" que geralmente se estabelece em início de mandato presidencial.

Infelizmente o Governo Bolsonaro tem desperdiçado parte desse capital político advindo do período da lua de mel citada, com questões menores, construindo de forma desnecessária adversários nos mais diversos segmentos sociais. É de um amadorismo surpreendentemente inexplicável.


******************************************************************************************************


Atualizado em 16/03/2019 às 9:22h

"Uma história nova e quase inacreditável surge todo dia a seu respeito. E com a vantagem de que não precisa ser inventada, porque ele próprio a fornece. São gafes atrás de gafes, típicas de quem nunca administrou nem uma quitanda e, pelo visto, também não aprendeu a fazer política.

Vai da briga gratuita com os muçulmanos à sua ideia de ter prévio acesso às perguntas do Enem. Da admiração por torturadores e sucessivos insultos aos gays, negros e mulheres ao bate-boca com cantores de rádio. Do chocante xixigate à incômoda vizinhança com bandidos. E, agora, a história de que, em pleno Palácio do Alvorada, ele dorme com um revólver na cabeceira. Se bem que, neste caso, qual é o problema? Getulio Vargas também dormia."

Ruy Castro
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues.


******************************************************************************************************


Atualizado em 19/07/2019 às 11:03h

"Um desastre com perda total"

“A decisão do presidente Jair Bolsonaro de indicar seu filho Eduardo para a embaixada brasileira em Washington é um desastre com perda total".

“Uma das tarefas mais difíceis desta vida, por alguma razão ainda não explicada pela ciência, é aprender uma de suas regras mais fáceis. A regra é a seguinte: certas coisas não se fazem. Não têm nada a ver com o fato de serem permitidas ou não por lei. Também podem não ser, em si mesmas, boas ou más, certas ou erradas. São, apenas, coisas que não se fazem. Por quê? Porque não se fazem, só por isso — não por uma pessoa dotada de coeficientes médios de decência, consideração pelos outros e boa educação (…).

Uma das coisas mais evidentes no bloco daquilo que ‘não se faz’ é nomear seu filho como embaixador do Brasil nos Estados Unidos — se você, justamente, é o presidente do Brasil. Quem, com um mínimo de bom-senso, pode ter alguma dúvida a respeito de uma coisa dessas?”

Roberto Guzzo
José Roberto Guzzo, mais conhecido como J.R. Guzzo, é um conceituado jornalista brasileiro.