quinta-feira, 26 de setembro de 2024

A dignidade da pessoa humana


O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quarta-feira (25), que, por questões religiosas, testemunhas de Jeová têm o direito de recusar tratamentos médicos que envolvam transfusão de sangue. O placar foi unânime. Para os ministros, o direito à recusa de transfusão de sangue por convicção religiosa, tem fundamento nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e a da liberdade de religião. Bravo!!

O STF ao julgar a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal, não pode violar a dignidade da pessoa humana ao potencialmente incentivar o uso de substâncias prejudiciais à saúde e ao bem-estar social?

O direito à vida é um aspecto central da dignidade da pessoa humana. O aborto além do que já está estabelecido em Lei, não agride essa dignidade?

As audiências de custódia, onde juízes têm facilitado a soltura de criminosos violentos, comprometem a segurança pública e os direitos das vítimas, também ferindo o princípio da dignidade da pessoa humana.

Em 2019, o STF decidiu contra a prisão após condenação em segunda instância, permitindo que réus condenados em tribunais regionais possam aguardar em liberdade até que o processo tenha um trânsito em julgado. Isso permite que criminosos condenados permaneçam livres durante anos, impactando negativamente as vítimas e a sociedade em geral.

Oro ao Criador que as decisões judiciais, em todos os momentos, zelem por não contrariar o princípio da dignidade da pessoa humana. Amém!

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

"Nesse mato tem coelho"


A expressão "Nesse mato tem coelho" é um dito popular que se refere a uma situação que pode parecer simples, mas que esconde complicações ou surpresas. A origem do provérbio pode ser atribuída à vida rural, onde a presença de coelhos em um mato ou na floresta indicava a possibilidade de encontrar algo valioso ou interessante, mas também sugeria a necessidade de estar atento e preparado para imprevistos.

O coelho, muitas vezes associado à fertilidade e à astúcia, representa tanto a riqueza (no sentido de uma caça valiosa) quanto os desafios que podem surgir ao tentar capturá-lo. Dessa forma, a expressão pode ser utilizada em diversos contextos, como em situações onde há mais do que aparenta à primeira vista, seja em negócios, relacionamentos ou em investigações de qualquer natureza.

Em um sentido mais amplo, "nesse mato tem coelho" nos alerta para a importância de olhar além da superfície, sugerindo que, em muitas circunstâncias, é preciso ter precauções e estar ciente das complexidades que podem estar ocultas em uma situação aparentemente simples. Assim, o dito popular traz uma mensagem de alerta sobre a necessidade de vigilância e discernimento nas diversas situações da vida cotidiana.

Para os simples mortais, semiletrados, temos profunda dificuldade de compreender o que move uma autoridade a tomar determinada decisão. Muita vez, ao esperar uma certa direção, somos surpreendidos. E é aí que o ditado popular explode na nossa mente: "nesse mato tem coelho!".

"Moraes nega acesso da CGU às provas no caso das joias de Bolsonaro"

https://www.aliadosbrasiloficial.com.br/noticia/moraes-nega-acesso-da-cgu-as-provas-no-caso-das-joias-de-bolsonaro

domingo, 22 de setembro de 2024

O Julgamento dos Termos "Mãe" e "Pai" pelo STF


O Brasil vive tempos em que debates jurídicos se misturam com profundas questões culturais e sociais. Um exemplo emblemático disso é o recente julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute se o uso dos termos "mãe" e "pai" na Declaração de Nascido Vivo (DNV), emitida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), fere os direitos de pessoas trans. A proposta de substituir essas palavras por termos neutros, como "parturiente" e "responsável legal", traz à tona uma questão fundamental: até onde podemos forçar mudanças na linguagem e nas instituições em nome da inclusão, sem comprometer a própria natureza das coisas?

Desde o início da civilização, o papel da mãe e do pai está intimamente ligado à biologia e à estrutura familiar. A mãe, biologicamente, é quem gera o filho, enquanto o pai, tradicionalmente, é aquele que, ao lado da mãe, assume a responsabilidade pelo cuidado e sustento do filho. Esses papéis são tão antigos quanto a própria humanidade e estão enraizados na biologia e nas necessidades naturais da espécie.

A tentativa de substituir os termos "mãe" e "pai" por palavras mais neutras, como "parturiente" (referindo-se a quem deu à luz) e "responsável legal", em nome da inclusão de identidades de gênero diversas, é, na prática, uma distorção de conceitos naturais que sustentam a sociedade humana. A biologia não é uma questão de escolha ou identidade subjetiva; ela é uma realidade objetiva, e as palavras que usamos para descrevê-la refletem essa objetividade.

Ao alterar os termos “mãe” e “pai”, corre-se o risco de diluir significados fundamentais. Esses termos não são meras construções sociais, mas representações de realidades biológicas e familiares. Redefini-los para incluir exceções, embora bem-intencionado do ponto de vista inclusivo, acaba desrespeitando a esmagadora maioria das pessoas que se identificam e vivem dentro desses papéis tradicionais.

A maternidade é mais do que um simples processo fisiológico; é também uma relação emocional, psicológica e cultural. Substituir o termo "mãe" por "parturiente" desumaniza a experiência da mulher que carrega, nutre e dá à luz um filho. Da mesma forma, descrever o "pai" como "responsável legal" reduz a paternidade a uma questão meramente burocrática, ignorando o papel fundamental de criação, proteção e transmissão de valores que os pais desempenham.

É necessário reconhecer a realidade das pessoas trans e suas necessidades específicas em termos legais e sociais. A inclusão é uma meta louvável e essencial para uma sociedade mais justa. No entanto, inclusão não pode significar a destruição de conceitos fundamentais que regem a estrutura social e biológica da humanidade.

Ao tentar resolver um problema de linguagem, estamos criando novos problemas: a confusão e a desconstrução de valores e princípios que, por séculos, nortearam a humanidade. A busca por termos neutros que apaguem as diferenças naturais entre mãe e pai é uma tentativa de neutralizar uma verdade inegável: existem diferenças biológicas e de papéis que não podem ser apagadas pela linguagem.

Modificar os termos "mãe" e "pai" na Declaração de Nascido Vivo parece ser um movimento inofensivo, mas representa uma ponta de um iceberg muito mais profundo. Se começarmos a tratar a realidade biológica como algo que pode ser moldado por convenções sociais e políticas, corremos o risco de romper com a própria natureza da verdade. O que virá a seguir? A negação de outras realidades biológicas em nome de um ideal de igualdade que não corresponde aos fatos?

A lei natural das coisas não é uma construção social a ser desconstruída. É um fundamento inegociável da vida humana. Ao distorcer conceitos básicos como "mãe" e "pai", entramos em um terreno perigoso, onde a verdade é maleável e os significados, fluídos. O resultado dessa desnaturalização é uma sociedade confusa, onde as palavras perdem seu poder de expressar realidades concretas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

O Período Medíocre da Nossa História


Infelizmente, é inegável que o Brasil atravessa um momento de mediocridade em diversas áreas. Esta não é uma visão saudosista, mas sim uma comparação entre o passado glorioso e o presente. Vejamos:

Música: O Brasil já teve um dos mais ricos cenários musicais do mundo, com nomes como Tom Jobim, Elis Regina, João Gilberto, Cármen Miranda, Roberto Carlos e Chico Buarque. Esses artistas foram referências internacionais, criando um legado musical admirado mundialmente. Hoje, nos encontramos em um cenário onde nomes como Anitta, Pabllo Vittar, Ludmilla, Emicida e outros artistas de pop e funk ocupam o mainstream, marcando uma significativa mudança nos padrões da música brasileira.

Futebol: A Seleção Brasileira, conhecida como canarinha, já foi a maior referência no futebol mundial, com cinco títulos de Copa do Mundo. Figuras lendárias como Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Reinaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Ronaldo marcaram época. Estamos em 5º lugar, em 8 jogos com apenas 10 pontos nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Atualmente, a seleção parece não causar o mesmo temor nos adversários. Com desempenhos medianos, estamos lutando para manter a relevância, entregando nossa sorte a jogadores como Bruno Guimarães, Gérson, João Gomes, Lucas Paquetá, Estêvão, Luiz Henrique, Pedro, Lucas e que tais.

Política: O Brasil já contou com líderes políticos notáveis, como Ruy Barbosa, Juscelino Kubitschek, Ulysses Guimarães, Carlos Lacerda e Tancredo Neves, que deixaram legados significativos para o país. Hoje, convivemos com nomes como Lula, Zé Dirceu, Gleisi Hoffmann, Michel Temer, Sérgio Cabral, Aécio Neves, Dilma Rousseff, Rodrigo Pacheco, muitos dos quais foram envolvidos em escândalos de corrupção e má gestão, o que tem contribuído para o desgaste da classe política.

Intelectuais: O Brasil sempre foi um celeiro de grandes intelectuais, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Clarice Lispector, Machado de Assis, Jorge Amado, entre muitos outros, que ajudaram a moldar o pensamento nacional. No entanto, a recente escolha de Míriam Leitão como "Intelectual do Ano" pelo Troféu Juca Pato de 2024 é surpreendente, para dizer o mínimo.

Deus salve o Brasil!

Uma caldeirada em Manaus e uma cadeirada em São Paulo


Um amigo telefona-me perguntando o que eu acho de "cadeirada". Como eu entendi "caldeirada", lembrei de um casamento em Manaus para o qual havia sido convidado. Naquela festa comemorativa das bodas, foi servida uma caldeirada de tartaruga, digna de "comer rezando" como gosta de dizer meu primo e "mestre dos mestres do violão do Brasil e do mundo", Nonato Luiz.

Corrige-me o amigo ao telefone: estou falando de "cadeirada". Com relação ao termo, lembro episódio histórico envolvendo o uso de cadeiras como arma ocorrido durante uma sessão no Parlamento da Coreia do Sul em 2004. Também outro incidente famoso que ocorreu em 1856 nos Estados Unidos, quando o senador Charles Sumner foi brutalmente atacado pelo congressista Preston Brooks. Embora o ataque tenha sido com uma bengala, não apenas esse instrumento foi utilizado, podendo ter havido o uso de cadeiras no imbróglio.

Embora não haja registros específicos de cadeiras sendo usadas como armas, o Senado Romano era conhecido por suas discussões acaloradas, e em alguns casos, os debates chegaram ao ponto de violência física. Os senadores sentavam-se em bancos e cadeiras durante as sessões, e embora não haja uma descrição direta de cadeiras sendo utilizadas como armas, objetos disponíveis no ambiente poderiam ser facilmente convertidos em instrumentos de agressão.

Em algumas peças de Shakespeare, brigas envolvendo o uso de móveis como armas são retratadas, refletindo a violência cotidiana da época. Embora não seja um evento histórico literal, isso sugere que o uso de cadeiras ou outros objetos de mobiliário em briga, não era uma ideia fora do comum.

Ah, ia esquecendo! No debate de candidatos à prefeitura de São Paulo acontecido na TV Cultura, houve uma sessão de cadeirada. Bem ao estilo da política brasileira dos últimos tempos. É a cultura do "nós contra eles".

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

"O que têm a ver Bolsonaro, Chico Buarque e Pablo Marçal?"


A canção "Sob Medida", composta por Chico Buarque em 1979, traz uma mensagem que ecoa no atual cenário da eleição para prefeito de São Paulo. Nos versos "Meu amigo, se ajeite comigo, e dê graças a Deus", a música remete a situações de aproximação e aliança, algo que pode ser comparado ao relacionamento oscilante entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o candidato Pablo Marçal.

São Paulo, maior centro econômico do Brasil, representa um alvo estratégico para qualquer segmento político. Com um PIB que equivale a cerca de 10% da economia nacional, a cidade, além de vital para o país, possui o terceiro maior orçamento público do Brasil, sendo a principal capital política e econômica. Nesse contexto, vencer a eleição paulistana é essencial para consolidar qualquer força política.

Com Pablo Marçal despontando para um possível segundo turno, talvez contra Guilherme Boulos, a disputa em São Paulo se intensifica. A música "Sob Medida" reflete a necessidade de alianças e de reconfigurações estratégicas, uma lembrança oportuna para Bolsonaro.

Independente da momentânea inelegibilidade de Bolsonaro, o ex-Presidente e seus seguidores sonham com seu retorno ao poder. Entregar São Paulo ao deputado psolista Guilherme Boulos, é colocar na mão do "inimigo" uma arma mortal. "Se ajeite comigo", pode ser o conselho político mais oportuno para o momento.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O Primeiro Grande Erro de Pablo Marçal


Pablo Marçal vinha conduzindo sua campanha para Prefeito de São Paulo com grande habilidade, saindo de intenções de voto de um dígito e rapidamente se destacando entre nomes tradicionais da política brasileira. Seu crescimento nas pesquisas demonstrava uma estratégia eficaz, com uma forte conexão com o eleitorado conservador.

Um dos acertos iniciais de Marçal foi sua decisão estratégica de evitar uma "briga" direta com Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao recuar, ele demonstrou maturidade política ao não se confrontar com uma figura popular e influente dentro da base de direita. Essa escolha permitiu que sua campanha focasse em questões mais amplas, ao invés de se envolver em disputas internas no campo conservador.

Entretanto, em 7 de setembro, durante um evento na Avenida Paulista, um ato promovido por seus apoiadores e quem sabe com o suporte de sua equipe, marcou um ponto de inflexão em sua trajetória. A bandeira com os dizeres "Bolsonaro parou. Marçal começou. Pablo Marçal presidente do Brasil" foi percebida como um ataque direto à liderança de Jair Bolsonaro. Marçal, com sua juventude e ambição, subestimou o peso simbólico de Bolsonaro entre os eleitores da direita. Bolsonaro, apesar de fora do cargo, permanece uma figura inigualável em termos de carisma e capacidade de mobilização, algo que Marçal ainda não possui.

A tentativa de se posicionar como o sucessor imediato de Bolsonaro foi vista como precipitada. Ao buscar se diferenciar tão fortemente de Bolsonaro, Marçal arriscou alienar os eleitores mais leais ao ex-presidente, minando seu próprio crescimento político. No calor da campanha, essa atitude ambiciosa acabou se tornando um erro estratégico.

Marçal, com menos idade e experiência, talvez tenha se deixado levar pela rápida ascensão nas pesquisas. Contudo, em política, a paciência e a construção de alianças sólidas são essenciais para o sucesso a longo prazo. Ao avançar de forma tão abrupta, ele corre o risco de cair em um dos muitos abismos que marcam o caminho político.

Em resumo, o erro de Marçal não foi apenas uma questão de mensagem, mas também de timing. Ao tentar capitalizar rapidamente em cima do legado de Bolsonaro, ele negligenciou a importância de amadurecer sua própria liderança. O futuro ainda reserva muitas oportunidades para Marçal, mas ele precisará ajustar sua estratégia com mais cautela, reconhecendo que o caminho para o topo exige uma construção cuidadosa e gradual.

sábado, 7 de setembro de 2024

O envolvimento sexual do Ministro e da Ministra


O relacionamento entre a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, e o ministro da Justiça, Bernardo Cabral, durante o governo de Fernando Collor de Mello foi um dos acontecimentos mais comentados da época. Zélia, à frente do polêmico Plano Collor, e Bernardo Cabral, responsável por questões jurídicas, acabaram chamando atenção não apenas por suas posições no governo, mas também por seu envolvimento pessoal.

A mídia destacou o romance como um dos assuntos mais discutidos fora do ambiente político, o que gerou curiosidade e especulação. Embora o relacionamento tenha sido relativamente breve, a combinação de suas funções de alto nível no governo, em meio ao caos econômico, fez com que o namoro fosse intensamente coberto pela imprensa brasileira.

Zélia e Cabral enfrentaram críticas e atenção devido ao fato de ocuparem cargos tão influentes, além de estarem diretamente envolvidos nas políticas de um governo conturbado.

Em tempo: esse rumoroso romance no primeiro escalão do Governo Collor, foi consensual.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

A Petrobras e o pirulito


Creio que concordamos todos que se um indivíduo rouba um pirulito e um outro rouba bilhões da Petrobras, ambos são ladrões. O que pode, eventualmente, diferenciá-los é a dosimetria da pena.

Por ter sido minha formação acadêmica na área de Exatas, teimo em raciocinar de forma cartesiana, sempre buscando a lógica. Mas na vida real, nem sempre as coisas comportam-se como se lógicas fossem.

Dito isto, e apenas por amor ao debate, comprove-se que alguém desviou presentes de joias que não eram suas e outro, confessa ter desviado 11 contêineres recheados de presentes, inclusive também joias. Não é razoável que se estabeleça que o segundo seja apenado com uma punição pelo menos 11 vezes maior que o primeiro?

Claro que nada disso aconteceu. É apenas um simbolismo para tentar explicar o raciocínio cartesiano.

Imagine-se uma outra situação em que um colegiado é formado por 11 membros (novamente o número 11) todos com o mesmo poder de decisão e influência. Imagine-se ainda que um destes membros assuma o protagonismo do colegiado, inclusive atropelando algumas regras. Ora, 10 é um número inteiro, racional e maior do que o número 1. Assim como o 6 também é maior que 5. Se a maioria é conivente/cúmplice do protagonista ou omissos/mornos com relação às suas ações, eles também são responsáveis pelo eventual "atropelamento" de alguma regra.

Da Bíblia, (livro sagrado do Cristianismo) colhe-se: Apocalipse 3:15-16 (NVI): "Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca."

Do livro sagrado do Islamismo, o Alcorão, tem-se: Surata 4:85 (An-Nisa): "Quem intercede por uma boa causa terá uma parte dela, e quem intercede por uma má causa terá uma parte da mesma. Deus observa todas as coisas."

No Bhagavad Gita, escritos que derivaram dos Vedas, os textos sagrados mais antigos do Hinduísmo, encontramos: Bhagavad Gita 3.8: "Cumpre teus deveres prescritos, pois agir é superior à inação. Mesmo a manutenção do corpo não seria possível sem atividade."

No Sutta Pitaka, um dos cestos do Tripitaka, que é o cânone sagrado do Budismo, refere-se à omissão como segue: Sutta Pitaka, Samyutta Nikaya 1.1: "Quem vê o sofrimento e não age é comparado a alguém que vê fogo, mas não tenta apagá-lo. A verdadeira compaixão é o esforço de extinguir o sofrimento dos seres."

Minha mãe ameaçava as pessoas más com a Caldeira 18 que ela dizia ser a mais quente do inferno (não tenho a menor ideia de onde ela tirou isso), e pelo que se vê nos livros sagrados de todas as religiões, acho que os maus e omissos (mornos) estão destinados a um longo estágio na Caldeira 18.

domingo, 25 de agosto de 2024

Donald Trump X Kamala Harris


A eleição de 2024 nos EUA está prestes a ser um momento decisivo na história americana, refletindo as profundas divisões e visões conflitantes para o futuro do país. Com Kamala Harris assumindo como candidata democrata após a retirada de Joe Biden, a dinâmica da corrida mudou significativamente. Harris, como a primeira mulher negra a ser indicada presidencial de um grande partido, traz uma perspectiva única para a campanha, apelando a uma ampla coalizão de eleitores, incluindo minorias, mulheres e gerações mais jovens.

Por outro lado, Donald Trump continua sendo uma figura dominante no Partido Republicano, apesar de enfrentar vários desafios legais. Sua influência contínua destaca a profunda lealdade que ele comanda dentro de sua base, que continua sendo uma força poderosa na política americana. A campanha de Trump provavelmente se concentrará em temas de nacionalismo econômico, lei e ordem, e uma rejeição ao que ele percebe como o alcance excessivo do governo, particularmente em resposta à pandemia de COVID-19 e políticas subsequentes.

A eleição está ocorrendo em um cenário de ambiente político polarizado, onde os eleitores estão profundamente divididos em questões-chave. A economia provavelmente será um foco central, com debates sobre política tributária, criação de empregos e desigualdade econômica em primeiro plano. A saúde continua sendo uma questão controversa, com os democratas defendendo acesso expandido e os republicanos pressionando por soluções baseadas no mercado.

A mudança climática é outra questão crítica, com os democratas enfatizando a necessidade de ação agressiva para reduzir as emissões de carbono e transição para energia renovável. Em contraste, os republicanos podem priorizar a independência energética e as implicações econômicas das políticas climáticas, defendendo uma abordagem mais gradual.

A política de imigração continua sendo um ponto crítico, com diferenças gritantes entre os partidos em questões como segurança de fronteira, políticas de asilo e caminhos para a cidadania para imigrantes sem documentos. Esta questão tem implicações significativas não apenas para a política interna, mas também para as relações dos Estados Unidos com seus vizinhos, particularmente na América Latina.

A política externa também desempenhará um papel significativo na eleição, enquanto os EUA lutam com sua posição no cenário global. O resultado da eleição pode determinar o futuro das alianças dos EUA, sua abordagem a desafios globais como proliferação nuclear e terrorismo, e sua postura em relação a grandes potências como China e Rússia.

A eleição de 2024 provavelmente influenciará não apenas a direção dos Estados Unidos nos próximos anos, mas também seus relacionamentos e posição no mundo. Os riscos são imensos, e o resultado refletirá os valores e prioridades do eleitorado americano em um momento de profunda mudança e incerteza.

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Pronto para conviver com uma Inteligência Artificial que supere a inteligência humana?


Estamos diante de um desafio: alguns especialistas, pesquisadores e desenvolvedores acreditam que estamos perto de alcançar o que se convencionou chamar de Inteligência Artificial Geral (AGI sigla em inglês), considerada de “nível humano” e o passo seguinte seria o desenvolvimento da "Superinteligencia", ou ASI, "capaz de superar a inteligência humana, tomar as próprias decisões e executar tarefas que nem os humanos são capazes de fazer."

A pergunta que se coloca é se os humanos estamos realmente preparados para a ideia de viver em um mundo onde a Inteligência Artificial (IA) supera a inteligência humana. Embora a IA tenha um potencial extraordinário para impulsionar o avanço tecnológico e solucionar problemas complexos, ela também levanta preocupações éticas, sociais e existenciais que não podem ser ignoradas.

É essencial que o desenvolvimento e a aplicação da IA sejam orientados por princípios éticos sólidos e que estejam em consonância com os valores humanos. Isso inclui a prevenção de usos indevidos, além de garantir que as práticas de IA sejam justas, transparentes e responsáveis.

A criação de normas e regulamentos internacionais é crucial para evitar potenciais consequências negativas e assegurar que os benefícios da IA sejam distribuídos de forma que favoreça toda a humanidade.

Em vez de encarar a IA como uma substituição para o ser humano, pode ser mais eficaz buscar uma parceria, onde a IA potencializa as habilidades humanas e ajuda a enfrentar desafios que atualmente estão fora do nosso alcance.

Para impedir o agravamento das desigualdades interpessoais, intersetoriais e interregionais, é importante que os frutos da IA sejam compartilhados de maneira justa e acessível.

É necessário um planejamento cuidadoso e uma reflexão profunda para reduzir os riscos de a IA ultrapassar o controle humano. Isso inclui a criação de protocolos de segurança e medidas de contingência. Não seria absurdo temer o desenvolvimento desse tipo de tecnologia que tenha autonomia total para tomar decisões contrárias à segurança da raça humana.

Embora a possibilidade de a IA superar a inteligência humana seja tanto fascinante quanto preocupante, a preparação responsável, o planejamento ético, o estabelecimento de protocolos de segurança e medidas de contingência já citados e o trabalho conjunto são fundamentais para lidar com esse futuro de maneira equilibrada e segura.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

A desvirginada gritante


Reportagem divulgada pela Folha de S.Paulo nesta 3ª feira (13.ago.2024) expõe o juiz instrutor Airton Vieira, principal assessor do Ministro Alexandre de Moraes do STF (Supremo Tribunal Federal), "planejando uma estratégia a fim de não tornar públicos os pedidos extraoficiais do ministro. Eles consistiam na elaboração de relatórios no inquérito das fake news contra bolsonaristas em 2022".

A divulgação surpreendeu o mundo político e o segmento jurídico brasileiro. Porque a coisa soou como um escândalo, os colegas, amigos e admiradores do Ministro, apressaram-se em divulgar afirmações em sua defesa na imprensa e nas diversas redes sociais.

"O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta-feira (14) que as acusações contra o ministro Alexandre de Moraes sobre uso de formas não oficiais para solicitação de informações não podem ser relacionadas com os métodos da Operação Lava Jato. Segundo o ministro, comparações são tentativas desesperadas de desacreditar o STF".

O Ministro Flávio Dino afirmou que o 'crime' do colega é cumprir 'seu dever' e disse não ver violação da ordem jurídica.

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que comparar a atuação do Ministro à de integrantes da operação Lava Jato é de “uma infelicidade e de uma irresponsabilidade enorme”.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias — o Bessias, divulgou: "O ministro Alexandre de Moraes sempre se destacou por seu compromisso com a justiça e a democracia. Do mesmo modo, tem atuado com absoluta integridade no exercício de suas atribuições na Suprema Corte. Suas decisões contaram com a fundamentação e regularidade próprias de uma conduta honesta, ética e colaborativa que merece nossa admiração e apoio".

No X (Twitter), o Senador Humberto Costa postou: "É absolutamente desprovida de base essa acusação de atos 'fora do rito' praticados pela Justiça Eleitoral. O ministro Alexandre de Moraes, como qualquer juiz eleitoral, tinha poder de polícia para conduzir investigações, sem rito específico, como estabelece a própria lei".

O Presidente do STF, Ministro Barroso, afirmou que não viu nas mensagens publicadas pelo Jornal Folha de São Paulo, em uma primeira análise, nenhuma "ilegalidade gritante".

No meu semi-analfabetismo, eu raciocinava que uma ação era legal ou ilegal. Ponto. Comparava com a constatação popular de que uma mulher seria virgem ou desvirginada. Não existiria meio-termo. Mas agora acho que entendi: a mulher pode perder a virgindade gritando, ou apenas gemendo ou ainda silente. Será que há alguma correlação?

EM CISMAR, SOZINHO, À NOITE


“[...] ele cismou com isso aí.
// [...] ele cismou.
Quando ele cisma, é uma tragédia."

(AÍRTON VIEIRA, desembargador, juiz instrutor, assessor do ministro ALEXANDRE DE MORAES / STF)

***

Por essas coincidências que só (re)afirmam a crendice, o dia 13 -- e, mais ainda, 13 de agosto --, para um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal brasileiro), passa a ser um dia infeliz. Um dia, como qualificavam os latinos, “nigro notanda lapillo”, ou seja, um dia que deve ser marcado com uma pedra preta.

Mas a vida é como os registros contábeis escriturados com as chamadas partidas dobradas: se há um lançamento no débito, há que haver outro no crédito. Desse modo, a uma coisa ruim corresponde uma boa: para algumas pessoas, para diversas pessoas, para muitas pessoas, o 13 de agosto de 2024 será um dia feliz, ou, como diziam os latinos, um dia “albo notanda lapillo”, que deve ser marcado com uma pedra branca. O enorme escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac (1799—1850) utiliza esta segunda expressão no original latino em “Modesta Mignon”, romance que completa em 2024 exatos 180 anos de publicação e é parte das “Cenas da Vida Privada” da monumental “A Comédia Humana”, constituída de mais de 90 livros.

Mas, tornando ao 13 de agosto, diz a antiga sabedoria popular que desgraça pouca é bobagem e que, às vezes, além da queda vem o coice -- vale dizer, o 13 de agosto apenas abriu as portas do inferno astral que, ao que tudo indica, se reserva para um ministro da Alta Corte Constitucional do Brasil.

A primeira de várias, senão muitas, reportagens que, em série, foi publicada no 13 de agosto pelo jornal paulista “Folha de S. Paulo” já foi suficiente, ela sozinha, para levar o próprio jornal e um grandíssimo número de outros veículos de Imprensa, entidades, políticos e as denominadas mídias sociais digitais a avaliarem como “fora do rito”, ilegais, criminosos etc. etc. os atos, atitudes, manifestações e ordens ou determinações do ministro Alexandre de Moraes e o cumprimento das ordens, comentários dos assessores que materializavam as ordens, enfim, os feitos e desfeitos e até os (documentos) refeitos por esses subordinados, pois senão o ministro poderia ele mesmo produzir os textos e/ou documentos (claro que isso dificilmente ocorreria, haja vista a decantada estrutura de recursos humanos e logísticos que se diz terem os senhores ministros e mais a relação de subordinação e dependências dos subordinados).

Evidentemente, para “compensar” as investidas dos muuuuitos que querem a cabeça do ministro, está comparecendo um razoável número de pessoas físicas e jurídicas que afirmam a inocência do togado e a regularidade de seus atos -- incluindo os dos assessores também, é claro.

Já dei aulas de Jornalismo em Universidade pública -- disciplinas “Assessoria de Imprensa” e “Entrevista, Pesquisa e Reportagem”. Tanto pelo mister desse magistério quanto pelos “mistérios” do ofício de (bem) informar, posso assegurar que vem coisa no mínimo “mais pesada” nos próximos dias em desfavor do ministro. As reações, notas, palavras em seu favor logo após a primeira reportagem são apressadas, mas de todo modo natural, próprias do calor do momento. O também jurista Aulus Gellius, que viveu no segundo século depois de Cristo, escreveu em suas “Noites Áticas” que “a verdade é filha do tempo” (“Veritas temporis filia”).

Ora, diz e repete a Imprensa que o material que recebeu, de modo lícito, ocupa mais de 6 (seis) gigabytes de memória. São mensagens por escrito e por áudio, além de arquivos de imagens e de vídeos, tudo trocado via WhatsApp, este aplicativo multiplataforma que, neste ano em que debuta (completa 15 anos), já fez muito bem aos seus criadores e alguns males para muitos de seus confiados usuários... O material nas mãos dos jornalistas da “Folha de S. Paulo” diz respeito a apenas 10 (dez) meses, os cinco últimos de 2022 e os cinco primeiros do ano seguinte, portanto, de agosto de 2022, após ter iniciada a campanha eleitoral e durante toda ela, até maio de 2023, já no novo Governo eleito e empossado.

Mas, sobretudo para o ministro e para os que correram em sua defesa, cabe perguntar: Alguém acha que os jornalistas e o jornal publicariam o pior desses seis gigabytes logo no primeiro dia? Claro que não! Isso não é da lógica humana nem muito menos do ofício jornalístico. A conta-gotas, homeopaticamente, vão-se depositando palavras, imagens e sons (áudios das conversas) no papel do jornal, no e-mundo digital e tal e tal. Aí, feitas as primeiras publicações, jornal e jornalistas esperam as reações, sobretudo as que tentam negar ou justificar os atos do ministro e seus assessores. Avaliadas, pesadas e ponderadas essas reações, o jornal e seus jornalistas produzem e lançam mais algumas “bombas”, isto é, um conjunto de informações que, estas sim, reforçam a publicação anterior e até agravam a situação dos personagens das matérias, as quais, para piorar ainda mais, fragilizam e/ou invalidam as defesas adredemente feitas. É tortura chinesa (dizem), em que pingos d’água caem por horas ou dias sobre a testa ou na moleira de indivíduos amarrados. Ou pode ser a “gota tártara”, tortura inventada pelos russos, onde a pessoa nua sofre pelo menos 40 horas com um fio d’água -- geladíssima!... -- lhe infernizando o corpo e a mente.

Dá para imaginar o que ainda vem por aí? Serão noites insones e dias trombones...

Tentemos ver o que pode vir. Os próprios grupos de comunicação – Folha, Globo... -- reafirmam nas matérias que, repita-se, “são mais de 6 gigabytes” de gravações, arquivos, o que seja.

Para você ter uma ideia, vamos falar um pouco sobre o que é a capacidade de armazenamento de informações ou processamentos de dados em um computador, “tablet”, celular, “pen-drive” etc. Assim como o quilograma é para massa (peso), o litro para capacidade (líquidos e gases), o metro para comprimento, o “byte” (baite) é a medida para a capacidade de armazenamento de dados. O byte é formado por uma unidade menor, chamada “bit”.

A palavra “byte” é originada do inglês “bite” (mordida). A palavra “bit” é formada pela união das duas primeiras letras de “binary” com a última de “digit” -- é “binary digit” (dígito binário) porque, como se sabe, as informações no computador são representadas por dois algarismos, o 0 [zero] e o 1 [um]. São necessários oito “bits” para formar um “byte” e cada letra ou caractere que você está vendo aqui corresponde a um “byte”. Assim, como se fora o “Bolero” de Ravel e seu crescendo musical progressivo, a capacidade de armazenamento de dados também vai crescendo: da menor unidade, o “bit”, vai-se ao “byte”; deste ao “kilobyte” (ou mil “bytes”), ao “megabyte” (mil “kilobytes”), chega-se ao “gigabyte” (mil “megabytes”) e, também mil vezes mais, o “terabyte” – e já existem o “petabyte”, o “exabyte”, o “zettabyte” e o “yottabyte”, este por enquanto o de maior capacidade, equivalente 1 (um) quatrilhão de “megabytes” ou um trilhão de “gigabytes”.

Vamos voltar aos “mais de seis ‘gigabytes’” de mensagens e outros arquivos em só dez meses de conversas e trocas de postagens entre o ministro e seus subordinados, em um grupo de WhatsApp denominado “Inquéritos”. A Ciência (da Computação) diz que CADA “GIGABYTE” corresponde a 6,5 milhões de páginas de documentos. Por escrito: 1 “gigabyte” armazena SEIS MILHÕES E QUINHENTAS MIL páginas cheinhas de letras e/ou imagens. Como são “MAIS DE SEIS ‘GIGABYTES’”, a multiplicação é simples: 6,5 milhões X 6 “gigabytes” = 39 (TRINTA E NOVE) MILHÕES DE PÁGINAS. E ainda tem o sobejo, o resto, pois são “MAIS” de seis “gigabytes”. Ou seja: o jornal “Folha de S. Paulo” e seus dois jornalistas estão com, potencialmente, QUARENTA MILHÕES DE PÁGINAS de documentos (e seus conteúdos) para serem vazados sob forma de reportagens, todo dia, sem falar nas reações e outras repercussões e o que de fatos novos podem ocorrer, em razão da publicação em série. Por exemplo: a vida, a profissão, o passado, as amizades sensíveis, as sentenças que prolatou (para quem foi juiz de Direito), os textos que publicou, os lugares que visitou, pessoas que ofendeu ou fisicamente maltratou, eventuais movimentações financeiras, os bens (patrimônio) que acumulou, os vícios a que se entregou, e uma lista (grande) de “otras cositas más” poderão -- e serão -- pesquisadas, investigadas, na surdina, em segredo, com discrição... e, localizado algo jornalisticamente interessante, une-se ao material e reúne-se o conjunto de evidências, provas etc. para sustentar a fidedignidade e profissionalismo do trabalho da Imprensa e a incolumidade dos profissionais envolvidos, em especial a liberdade, a honra e o patrimônio.

Volte-se a repetir: ainda que também contenha imagens estáticas, imagens em movimento (vídeos), documentos, áudios, além das mensagens escritas, seis “gigabytes” é muita coisa. Evidentemente, esses dados foram recebidos já há algum tempo. Tempo suficiente para leitura, corte e costura dos dados, pesquisas, entrevistas, reuniões com o setor Jurídico e a Alta Direção do jornal, sopesamento das consequências (inclusive econômicas) para o veículo de Imprensa...

É claro que os seis “gigabytes” de informações não foram recebido dia 12 ou dia 10 ou neste mês de agosto... Uma montanha -- na verdade, uma cordilheira -- de dados desses não se formou nem foi escalada agora; não com a hipersensibilidade de que essas informações potencial e explicitamente se revestem, com as implicações e implicâncias políticas, jurídicas, profissionais e até humanas que ela suscita e já está suscitando.

*

Falta explicar a razão do título -- “EM CISMAR, SOZINHO, À NOITE”.

Há 181 anos, precisamente no mês de julho de 1843, o advogado, cientista e escritor Antônio Gonçalves Dias, meu conterrâneo de Caxias (MA), escreveu o poema que é quase um segundo hino nacional, a “Canção do Exílio”. Não há quem não lhe saibam os versos iniciais: “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o sabiá”. Seis versos depois destes, está a linha inicial da terceira estrofe: “Em cismar, sozinho, à noite”. (Este mesmo verso retorna na estrofe seguinte da “Canção”).

O principal assessor do ministro Alexandre de Moraes, também juiz e desembargador, na boquirrotice das conversas e mensagens via WhatsApp, disse que o ministro estava “esses [aqueles] dias sem sessão”; assim, estava “com tempo para ficar procurando”. Ele fazia isso inclusive à noite, em casa, já que estava em recesso (de férias) do trabalho. Assim, haja enviar mensagens, arquivos para a assessoria, com instruções de fazer -- e fazer logo, e fazer bem feito. Ou, como falou o assessor: ”Quem mandou isso aí, exatamente agora, foi o ministro e mandou dizendo: Vocês querem que eu faça o laudo? Ele tá assim, ele cismou com isso aí.”

Isso mesmo: “[...] ele cismou com isso aí. // [...] ele cismou. Quando ele cisma, é uma tragédia."

A palavra “cisma” é bissexual, assume dois gêneros. Como substantivo masculino, denomina a separação de um grupo de pessoas de uma coletividade. Também significa desacordo, dissidência de opiniões.

Como palavra feminina, “cisma” é velha conhecida nossa e ela se torna talvez o único (para utilizar a terminologia do assessor ministerial) “mínimo múltiplo comum” com o Sr. Alexandre de Moraes, que sabe ficar cismado que nem gente comum. Desde o tempo das aulas de Matemática do Ensino Fundamental (ou foi do Médio?) que eu não mais tinha ouvido falar em Mínimo Múltiplo Comum (ou MMC) e Máximo Divisor Comum (ou MDC). Como já disse: “cisma” não é só coisa de gente de toga, não.

Cisma -- está no “Houaiss” -- é mania; produto da fantasia, da utopia. Em sua rica semântica, cisma é teima, é capricho, é ideia fixa, é hostilidade um tanto gratuita.

Desde que foi registrada a primeira vez em Língua Portuguesa, há 631 anos (1393), a palavra “cisma” não imaginava que estaria, em suas flexões verbais, três vezes na boca de gente importante para qualificar (!) gente mais importante ainda...

Isso é o que dá cismar sozinho e à noite.

Serve para fazer grandes versos.

Serve para dizer coisas pequenas...

EDMILSON SANCHES
PALESTRAS – CURSOS - CONSULTORIA
Administração (Pública e Empresarial) - Biografias - Comunicação - Desenvolvimento - História – Literatura
CONTATO: edmilsonsanches@uol.com.br
www.edmilson-sanches.webnode.page

domingo, 11 de agosto de 2024

Olimpíada


A análise da participação do Brasil nas Olimpíadas de Paris revela uma realidade que exige reflexão profunda e ações concretas. O desempenho do Brasil, quando comparado a potências esportivas como os Estados Unidos, destaca a necessidade de reavaliarmos nosso planejamento e investimento no esporte de alto rendimento. Os Estados Unidos, com apenas 1,5 vezes mais habitantes que o Brasil, conquistaram 6,3 vezes mais medalhas no total e 13,3 vezes mais medalhas de ouro. Essa disparidade não é apenas numérica, mas também estrutural, refletindo diferenças profundas em políticas esportivas, apoio governamental, infraestrutura, e desenvolvimento de talentos.

Em relação à nossa própria história recente, o desempenho em Paris foi inferior ao de Tóquio 2021, com menos da metade de medalhas de ouro e uma medalha a menos no total. Essa regressão é preocupante e sugere que o país não apenas falhou em avançar, mas também em manter o nível de competitividade que havia sido atingido.

Para aqueles que consideram desigual a comparação com os Estados Unidos, é importante lembrar que a verdadeira ambição esportiva deve mirar no alto. Comparar-nos com nações que conquistaram apenas uma medalha de bronze, como Peru, Cabo Verde, Catar, Singapura e Eslováquia, é uma estratégia de autoengano. Essas nações, com populações e recursos significativamente menores, podem celebrar cada medalha como um feito extraordinário, mas o Brasil, com sua dimensão continental e recursos disponíveis, não pode se contentar com resultados tão modestos.

Esse "fiasco", como alguns podem considerar, deve ser um chamado à ação. Não podemos continuar a subestimar o impacto do esporte no desenvolvimento social e na projeção internacional do Brasil. É necessário um compromisso sério, com políticas públicas que incentivem a prática esportiva desde a base, passando por escolas, clubes, forças armadas e comunidades, até chegar ao alto rendimento. Além disso, o apoio a treinadores, atletas e a melhoria das infraestruturas esportivas são imperativos.

A falta de continuidade nos investimentos e de visão de longo prazo são entraves que precisam ser superados. O esporte deve ser visto como uma prioridade nacional, não apenas como uma ferramenta de lazer ou entretenimento, mas como uma plataforma para o desenvolvimento humano, social e econômico do país. Ações isoladas ou de curto prazo não serão suficientes; é preciso um esforço coordenado, envolvendo governo, iniciativa privada e sociedade civil.

Em suma, a participação do Brasil nas Olimpíadas de Paris não deve ser esquecida como um simples fracasso, mas como um ponto de inflexão. Se o país quer se destacar no cenário esportivo mundial, é necessário que essa reflexão se transforme em um planejamento robusto e em um compromisso real com o esporte em todas as suas dimensões. O futuro do esporte brasileiro depende das decisões que tomarmos agora.

Por último, mas não menos importante, um palpite: apesar de a próxima Olimpîada estar programada para Los Angeles em 2028, em pleno território americano, é possível que a China tome definitivamente a hegemonia esportiva no mundo.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

"Aproveita enquanto Brás é tesoureiro"


A expressão "Aproveita enquanto Brás é tesoureiro" possui três possíveis origens, cada uma com contextos históricos e culturais distintos. Vamos explorar essas três versões em detalhes:

Versão 1: Origem em Portugal, Século XVIII

A primeira versão remonta à primeira metade do século XVIII, em Portugal, especificamente em Póvoa de Varzim. Nessa versão, os sobrinhos e afilhados de um pároco local, conhecidos por serem inescrupulosos e pródigos, aproveitavam-se da influência do tio ou padrinho para convencer o tesoureiro da freguesia, Antônio Brás, a pagar por seus gastos excessivos. Brás usava de artimanhas contábeis para justificar essas despesas aos órgãos estatais. Assim, a expressão "Aproveita enquanto Brás é tesoureiro" surgiu como um conselho para aproveitar enquanto Brás estava no cargo e podia manipular as contas para beneficiar os parentes do pároco.

Versão 2: José Brás, Fundador do Bairro do Brás em São Paulo

A segunda versão identifica Brás com o fundador do bairro do Brás em São Paulo, o português José Brás. Proprietário de uma chácara na região, José Brás construiu a Igreja do Bom Jesus de Matosinhos e foi designado como responsável pela arrecadação e guarda dos impostos e taxas devidos ao erário. Seus familiares, conhecidos por serem perdulários e ambiciosos, aproveitavam-se de sua posição de poder para obter benefícios. A expressão "Aproveita enquanto Brás é tesoureiro" era usada entre seus parentes para indicar que deveriam tirar proveito da situação enquanto José Brás estava no controle dos recursos.

Versão 3: Brás Cubas, Personagem de Machado de Assis

A terceira versão é literária, vinculada ao personagem Brás Cubas, do romance "Memórias Póstumas de Brás Cubas" (1881) de Machado de Assis. No romance, Brás Cubas narra suas memórias de maneira cínica e crítica, aproveitando as oportunidades enquanto tinha poder e recursos. A expressão "Aproveita enquanto Brás é tesoureiro" reflete a atitude do personagem em tirar o máximo proveito de sua posição, muitas vezes de forma moralmente questionável.

Essas três versões ilustram como uma mesma expressão pode ter múltiplas origens, refletindo diferentes contextos históricos e culturais. Se por um lado a versão portuguesa retrata a esperteza contábil em uma paróquia, a versão paulistana reflete a dinâmica de poder e influência de um líder comunitário. Já a versão literária enfatiza o uso cínico e oportunista das posições de poder.

Cada versão da origem da expressão oferece uma rica perspectiva sobre como frases e ditados populares podem emergir e se consolidar no imaginário coletivo, adaptando-se a diferentes épocas e circunstâncias.

A expressão "Aproveita enquanto Brás é tesoureiro" encapsula a ideia de aproveitar oportunidades enquanto elas estão disponíveis. Seja na Póvoa de Varzim do século XVIII, no bairro do Brás em São Paulo ou na obra de Machado de Assis, a essência do ditado permanece a mesma: o tirar proveito das circunstâncias favoráveis enquanto se pode, ainda que utilizando de estratégias desonestas, eticamente e socialmente reprováveis.

Em tempo: o que provocou a lembrança do ditado popular título deste artigo e a necessidade da pesquisa, foi a divulgação da notícia abaixo:

"Estatais federais têm rombo de R$ 2,9 bi no 1º semestre de 2024.

Há uma piora de R$ 9,4 bilhões na comparação com o mesmo período em 2022, segundo dados do Banco Central"

https://www.poder360.com.br/poder-economia/estatais-federais-tem-rombo-de-r-29-bi-no-1o-semestre-de-2024/

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Kamala Harris e a eleição americana


Em novembro de 2018, escrevi: "Ouso dizer que nos próximos anos, no berço da democracia mais liberal do mundo, deverá nascer um forte Partido Socialista (talvez a recriação do Socialist Party of America, que cessou atividades na década de 70), ou quem sabe sejam eles os hegemônicos dentro do Partido Democrata." (Em "Socialismo à americana" de 5 de novembro de 2018 — https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/11/socialismo-americana.html).

Devo afirmar, ainda que docemente constrangido, que minha previsão de 2018 é notavelmente perspicaz. A dinâmica política nos EUA tem evoluído de maneira que confirma muitas de minhas observações.

A renúncia de Biden abriu um cenário onde os democratas podem escolher entre uma competição interna ou apoiar Kamala Harris diretamente. Isso pode levantar entre os eleitores uma questão de legitimidade por não ter participado das primárias, mas pelo quadro que se desenhou nos últimos dias, a Sra. Harris está virtualmente consagrada como candidata, ainda que a convenção só acontecerá em agosto (de 19 a 22 de agosto).

A Sra. Harris tem uma forte ligação com a ala progressista do Partido Democrata, juntamente com figuras como Bernie Sanders. Sua posição como uma política progressista da Califórnia pode ser um desafio em estados "pêndulo", sendo essenciais para vencer eleições gerais nos EUA. Para equilibrar a chapa e atrair eleitores moderados e independentes, Harris provavelmente escolherá um vice-presidente que represente a ala moderada do Partido Democrata. Essa escolha pode ajudar a amenizar as preocupações de eleitores centristas e conservadores.

Deverá haver um ajustamento do seu discurso para ser mais palatável aos conservadores e eleitores moderados. Ela precisará unir as várias facções no Partido Democrata. A escolha de um parceiro de chapa moderado pode ajudar a mitigar divisões internas. Mesmo assim, não poderá fugir muito de suas posições progressistas expostas ao longo de seus mandatos, visto que lá não será proibido que Donald Trump e sua equipe de campanha explorem posturas radicais defendidas anteriormente pela virtual candidata.

Vai ser interessante ver como Kamala Harris, se confirmada candidata na convenção de agosto, equilibrará seu discurso moderado com as demandas de movimentos como Black Lives Matter e grupos como os Democratic Socialists of America (DSA), que navegam com cada vez mais influência no Partido Democrata.

Embora um novo Socialist Party of America não tenha sido formalmente estabelecido, a influência da ala progressista no Partido Democrata continua a crescer. A capacidade de Kamala Harris em navegar nessas águas complexas determinará o futuro não apenas de sua carreira política, mas também da direção do Partido Democrata e da nação americana como um todo.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

A tentativa de assassinato contra Trump*


O ex-presidente Donald Trump foi conduzido para fora do palco, protegido por agentes do Serviço Secreto, com o rosto ensanguentado depois que uma bala perfurou sua orelha durante um comício de campanha em Butler, Pensilvânia, em 13 de julho.

O ataque marcou o primeiro tiroteio contra um presidente ou candidato presidencial dos EUA desde que o presidente Ronald Reagan sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1981.

Tiros foram disparados contra o ex-presidente Donald Trump durante uma manifestação da plateia. Levando a mão à orelha, ele rapidamente agacha-se protegendo-se no seu pódio. Toda a multidão atrás dele reage com a mesma rapidez, também caindo em um agachamento atrás do palco. Neste momento, pelo menos sete agentes do Serviço Secreto protegem o ex-presidente, caindo em cima dele para cobrir seu corpo de novos tiros.

Por quase um minuto inteiro, o ex-presidente Trump permanece exposto no palco, com o corpo coberto por agentes do Serviço Secreto. Neste ponto, o ex-presidente Trump começa a se levantar lentamente, ainda coberto por agentes. Sua camisa e cabelo estão desgrenhados, e uma corrente de sangue corre pelo lado direito do seu rosto. Ao se levantar, o ex-presidente ergue o punho para a multidão e grita: “Lutem, lutem, lutem!”.

O ex-presidente Donald Trump, cuja orelha direita foi perfurada por uma das balas, é levado para fora do palco por agentes do Serviço Secreto dos EUA e escoltado para um veículo próximo.

O porta-voz do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, divulgou um comunicado dizendo que o suspeito disparou vários tiros de uma posição elevada fora do local do comício. Os agentes do Serviço Secreto "neutralizaram o atirador", que já estava morto. O comunicado diz ainda que um espectador morreu e dois espectadores ficaram gravemente feridos.

Kevin Rojek, agente especial encarregado do escritório de campo do FBI em Pittsburgh, concedeu uma entrevista coletiva chamando o tiroteio de tentativa de homicídio. Ele também diz que os investigadores trabalham para identificar a motivação da tentativa de homicídio.

Registro com tristeza e indignação a cobertura da grande imprensa brasileira e mais que isso, centenas de comentários que só a sociopatia ou psicopatia podem justificar a vileza, ignomínia e canalhice de duvidarem da tentativa de assassinato de Trump.

* Sintetização de reportagem do The Epoch Times, de autoria dos jornalistas Eva Fu, Frank Fang e Joseph Lord.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

A Federal no encalço de Bolsonaro


A recente apuração da Polícia Federal (PF), que corrigiu o valor dos bens que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus auxiliares teriam tentado desviar, de R$ 25.298.083,73 para R$ 6.826.151,66, levanta sérias dúvidas sobre a precisão e a competência do órgão em questão. É fundamental questionar a credibilidade dessa apuração, dada a discrepância significativa entre os valores inicialmente informados e a correção posterior.

Primeiramente, é inconcebível que um "erro material na conclusão" resulte em uma diferença tão expressiva de quase 20 milhões de reais. Tal falha sugere uma falta de rigor e atenção aos detalhes, elementos que são essenciais em investigações de alta relevância como esta. A confiança pública na Polícia Federal é essencial para a manutenção do estado de direito, e erros desse calibre comprometem a integridade das investigações e a credibilidade da instituição.

Em um cenário político tão polarizado, é crucial que as investigações sejam conduzidas de forma transparente e isenta. A população merece respostas claras e precisas, não justificativas vagas sobre erros materiais. A inconsistência nos números também desvia a atenção do público e da mídia da questão mais importante: a veracidade das acusações.

Em suma, a justificativa da PF para a alteração dos valores é insatisfatória e preocupante. É imperativo que haja uma revisão independente dessa apuração para garantir que todas as informações sejam verificadas com precisão. A transparência e a exatidão são pilares fundamentais para a justiça, e a população brasileira merece nada menos que isso.

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Do Twitter de Jair Bolsonaro:

Aguardemos muitas outras correções. A última será aquela dizendo que todas as joias "desviadas" estão na CEF, Acervo ou PF, inclusive as armas de fogo.

Aguarda-se a PF se posicionar no caso Adélio: "quem foi o mandante?"

Uma dica: o delegado encarregado do inquérito é o atual Diretor de Inteligência.

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Wajngarten, sobre relatório da Polícia Federal: ‘Obra de ficção de 5ª categoria’

O advogado de Bolsonaro também criticou o programa Jornal Nacional, da Globo, que não leu a íntegra de sua nota sobre o caso das joias

O advogado de Jair Bolsonaro, ex-presidente, Fabio Wajngarten, caracterizou o relatório da Polícia Federal (PF) como “uma obra de ficção de 5ª categoria”. Em uma nota enviada ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta segunda-feira, 8, ele adicionou: “Para não chamar de mentiroso ou perseguição política rasteiras”.

Wajngarten também criticou o Jornal Nacional por não ter lido a íntegra de seu comunicado. “Como sempre não foi lida integralmente pela Globo Lixo”, afirmou, no Twitter/X.

No decorrer do programa, a repórter Renata Vasconcellos limitou-se a informar que Wajngarten rotulou o relatório como uma “obra de ficção”.

O caso das joias de Bolsonaro e o caso da conta de luz


Um texto de Mario Sabino

Os jornalistas estão entretidos com as joias que Bolsonaro teria tentado surrupiar. Mas é outro escândalo que deveria estar nas manchetes

A Polícia Federal primeiramente disse que elas valeriam, no total, R$ 25 milhões. Horas depois da divulgação dessa cifra, veio uma correção: na verdade, elas valeriam R$ 6,8 milhões. A Polícia Federal, como se vê, está cada vez mais científica, e a diferença pouca fala muito da qualidade da investigação.

Em matéria de escândalo, porém, há um incomensuravelmente maior. Ele é que não deveria sair das manchetes, mas que vai ficar por isso mesmo, porque ficou combinado que o único vilão que existe na nossa pitoresca democracia é Jair Bolsonaro.

O jornalista Daniel Weterman publicou que “executivos da Âmbar Energia, empresa do Grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, foram recebidos 17 vezes no Ministério de Minas e Energia fora da agenda oficial antes da edição da medida provisória que beneficiou um negócio da companhia na área de energia elétrica e repassou o custo para todos os consumidores brasileiros. O ministério e a Âmbar afirmam que não trataram da medida provisória nas conversas, mas não informam o conteúdo dos encontros”.

A derradeira reunião foi entre o presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ocorreu apenas uma semana antes do texto da medida provisória, um presentão do governo Lula para Joesley e Wesley, sair do ministério para a Casa Civil.

Dez dias após desse encontro, o grupo J&F comprou a Âmbar — que, dois dias depois, seria agraciada com a assinatura da MP. A medida provisória socorreu o caixa da Amazonas Energia para ela poder pagar as termelétricas da Âmbar que são suas fornecedoras. E de quem o grupo J&F comprou a Âmbar? Da Eletrobras. O governo vendeu a empresa para os irmãos Batista e pagou pela sua compra.

Quer dizer, não foi o governo que pagou. Fomos nós. Porque o dinheiro que irá para a empresa dos irmãos Batista, após fazer pit stop no caixa da Amazonas Energia, sairá da conta de luz de todos os brasileiros durante quinze anos. Repetindo: quinze anos. Especialistas no setor calculam que o custo total para os consumidores poderá chegar a R$ 30 bilhões.

Pode voltar a ler sobre o caso das joias de Bolsonaro. O último a sair, apague a luz.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

O problema não é Bolsonaro


Finalmente o "Sistema" conseguiu o indiciamento de Jair Bolsonaro em um dos inúmeros processos que tramitam no STF. Trata-se da suposta venda de joias que o ex-Presidente teria recebido quando no exercício da Presidência e que a acusação entende que deveriam ter sido incorporadas ao patrimônio público. Mas no campo político importa menos qual o processo. Poderia até ser a ridícula acusação de importunar a baleia. Para o brasileiro comum que não é ingênuo ou desinformado, está muito clara qual é a intenção.

A defesa de Bolsonaro defende que os processos que estão no Supremo Tribunal Federal devem ser enviados para a primeira instância, uma vez que ele não é mais detentor de foro privilegiado (foro por prerrogativa de função). Essa tese, inclusive, já teve manifestação favorável da Procuradoria Geral da República, mas eles estranhamente continuam no STF.

Feito o primeiro indiciamento (outros virão, certamente) urge divulgar insistentemente na mídia "domesticada" para tornar a ideia vulgarizada e aceita, ou pelo menos ignorada pelo cidadão comum. Há que haver uma narrativa "embalada" em um processo judicial mais ou menos digerível e paciência para alcançar o objetivo final: a prisão de Bolsonaro!

Já o tornaram inelegível, mas descobriram que isto não foi suficiente. Quanto mais o perseguem, mais ele se move no país e arrasta multidões. E se de repente devolvem-lhe a elegibilidade, como já aconteceu com um ex e atual presidente que estava preso e inelegível? Tem que prender, para dificultar ainda mais uma eventual volta sua. E se deixá-lo livre para ir a um palanque, por exemplo, de sua mulher Michelle? Ou do Governador Tarcísio? Ou quem sabe, de ambos? É uma temeridade!

Sabe minha opinião? Não tem jeito! O problema não é Bolsonaro. O cidadão comum, o brasileiro mais humilde, repentinamente descobriu-se interessado em política. Foi retirado o véu que encobria o dito "Sistema" e exposto quanto mal ele pode fazer à sociedade brasileira, que tipo de "manipulação das leis e procedimentos legais como instrumento de combate e intimidação a um oponente, desrespeitando os procedimentos legais e os direitos do indivíduo". Definitivamente, não tem mais jeito. Mais cedo ou mais tarde, tudo isso vai ruir.