segunda-feira, 5 de junho de 2023

Café com Leite




Durante a República Velha (1889/1930), principalmente nas duas últimas décadas, prevaleceu uma estrutura de poder fruto de acordo entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para se revezarem na presidência. Foi o predomínio político dos cafeicultores de São Paulo e dos fazendeiros pecuaristas de Minas Gerais.

O Brasil nessa época, era um país majoritariamente agrícola, e o café era a principal fonte de renda do país. São Paulo era o maior produtor de café do Brasil, enquanto Minas Gerais se destacava pela produção de leite. As elites políticas desses estados perceberam que, juntas, poderiam exercer um grande poder político e garantir benefícios para suas regiões.

Por razões diversas (não por acordo de oligarquias) podemos estar nos dirigindo para um novo período da política do Café com Leite. Os Governadores de ambos os Estados estão consolidando-se como lideranças ao nível nacional.

É possível que tenhamos mais cedo do que se imagina, uma chapa Tarcísio/Zema para disputar a Presidência. Isso consistiria em uma dupla extremamente forte e competitiva. Ambos têm uma história de vida sem máculas (o que apesar de ser uma obrigação para qualquer cidadão, especialmente para o homem público, é uma raridade nos dias atuais)e são conhecidos (principalmente o Governador de São Paulo) como tocadores de obras e extraordinariamente criativos.

Se considerarmos que o Estado de São Paulo tem 22,16% de eleitores e Minas Gerais 10,41% (fonte: TSE 2022), esses dois Estados congregam aproximadamente um terço do eleitorado nacional. É um bom início para encarar uma eleição para Presidente.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

A guerra pelo poder




Quando paro para analisar os últimos episódios, com racionalidade e sem passionalismo, compreendo tudo. Colho da sabedoria popular o ditado que "No amor e na guerra todas as armas são válidas" ou "Podemos fazer o diabo na hora da eleição" (royalties para Dilma Rousseff). Não apenas no Brasil e nos últimos anos, esse é um fenômeno observado em todo o planeta e ao longo da história da humanidade.

Compreendo a decisão do Ministro Fachin, em 8 de março de 2021, ao considerar que a 13.ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula. Com a decisão, o ex-presidente Lula recuperou os direitos políticos e voltou a ser elegível.

Compreendo todas as interferências do STF na "invasão" de prerrogativas de outros Poderes, como a proibição do Executivo de nomear agentes públicos e proibir o Presidente da República de vetar parte de Leis aprovadas pelo Congresso (O instituto do veto está reconhecido desde Montesquieu no"Espírito das Leis" e como parte do arranjo constitucional de "freios e contrapesos"), conforme prevê a Constituição Cidadã de 1988 como abaixo:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
I - nomear e exonerar os Ministros de Estado;
II - exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal;
III - iniciar o processo legislativo, na forma e nos casos previstos nesta Constituição;
IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;
V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;

Compreendo o TSE proibir o Brasil Paralelo de veicular documentário sobre a facada em Jair Bolsonaro em um claro movimento de censura prévia, acatando a esdrúxula tese da "desordem informacional". Mais esdrúxula ainda a fala da Ministra Cármen Lúcia no seu voto em que "Não se pode permitir a volta de censura sobre qualquer argumento no Brasil. Este é um caso específico e que estamos na iminência de ter o segundo turno das eleições".

Compreendo o Ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral, proibir que o presidente Bolsonaro use em sua propaganda à reeleição imagens (suas próprias imagens!) do discurso que proferiu na Organização das Nações Unidas, bem como a ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinar que a campanha do presidente Bolsonaro suspenda, no horário eleitoral gratuito, a veiculação de uma propaganda que resgata declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendendo o aborto.

Compreendo que o Ministro Alexandre de Morais negue requerimento da campanha de Bolsonaro para investigar suposta fraude em inserções de rádio e ao contrário pediu que se investigue possível crime eleitoral por parte da campanha do mandatário.

Compreendo a limitação de acessos imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dificultando a análise dos códigos-fonte, fazendo com que as aferições fossem “estatísticas”. Isso teria levado “à não compreensão da sequência de execução de cada parte do sistema, bem como do funcionamento do sistema como um todo”, conforme documento do Ministério da Defesa.

Compreendo a proibição pelo TSE de acesso da equipe das Forças Armadas aos Códigos compilados que foram utilizados para a apuração, seja nas urnas, seja no sistema central (mainframe).

Compreendo a reunião do Ministro Fachin com mais de 70 Embaixadores de países do mundo inteiro fazendo um apelo para que os Chefes de Estado reconheçam de forma imediata o ganhador das eleições.

Compreendo a multa que foi imposta pelo ministro Alexandre de Moraes ao PL, de 22 milhões de reais, após o partido pedir a verificação extraordinária do resultado do segundo turno das eleições.

Compreendo muito bem a campanha incansável, cruel, diuturna, impiedosa e muitas vezes injusta da quase totalidade da grande mídia (televisão, rádio, jornal, portais e blogs na Internet) contra o Presidente Bolsonaro. Afinal o bolso, como dizia Delfim Netto, é a parte mais sensível do corpo humano. Seja por orientação da direção dos veículos de comunicação, seja pelo sentimento de preservação em defesa dos seus empregos, jornalistas, radialistas, influenciadores digitais, colunistas de uma maneira geral estavam defendendo seus empregos. Veja o que aconteceu com a Rede Globo e seu quadro funcional de setembro do ano passado até agora, para citar apenas um exemplo. A palavra menos traumática que me vem à mente é "carnificina".

Tudo descrito acima e "otras cositas más" eu posso compreender. Apenas algo me fere a alma, angustia meu coração, causa-me insônia, provoca-me pesadelos. Por que o Exército Brasileiro enganou os acampados dizendo-lhes que "tomassem os ônibus que lhes levariam para casa"? Sabe-se que ali estavam famílias inteiras, idosos, crianças, "terroristas de toda espécie". Por que mandá-los entrar em ônibus que circulariam pela Capital Federal durante horas e depois os empilhariam em um verdadeiro campo de concentração? Parte dos quais nem sequer foi á manifestação na Praça dos Três Poderes. Ah! Exército de Caxias, como eu te admirava! Como confiava em ti! Deus te conceda o sacramento da Reconciliação, principalmente a reconciliação com o povo brasileiro.

Macron e a China




As declarações do presidente francês em sua recente visita à China, bem como sua “corte ao presidente chinês Xi Jinping”, provocaram indignação imediata em Washington e em grande parte do mundo ocidental.

A França está entre os principais “players” da União Europeia e ao defender que a região deveria evitar ser arrastada pelos Estados Unidos para uma disputa com a China, faz uma sinalização clara de fraqueza e fragmentação na Europa e a China usa isso a seu favor.

A exemplo de um certo presidente sul-americano, Macron tem muito a se preocupar com o seu próprio país. Criar polêmica na geopolítica do planeta é o que menos a França necessita no momento.

O país encontra-se diante de 17 dias contínuos de monumentais manifestações contra o Governo e sua atitude de ignorar o Parlamento, irritando os cidadãos franceses por usar poderes legislativos especiais para promover o aumento da idade de aposentadoria do contribuinte francês.

A par disso, uma pesquisa divulgada no início deste mês pelo canal francês de negócios BFM TV, mostrou que se houvesse uma eleição hoje entre Macron e sua arqui-adversária Marine Le Pen, o presidente perderia.

O índice de popularidade de Macron piorou (desmelhorou😂🤣) após as reformas previdenciárias. No final de março, quase 70% dos entrevistados desaprovavam o presidente, contra 61% no início do ano.

Enquanto isso, em um certo país situado abaixo da linha do equador, seu presidente aderiu à narrativa anti-ocidental e já saiu apregoando que “quer sair do dólar, que Taiwan é parte da China e que a guerra da Ucrânia é o que a Russia quer que seja.”

O Piauí, Dilma e os taxistas de Lisboa




A temperatura em Lisboa neste 8 de abril, às 10:35h, girava em torno dos 15 graus Celsius. Amena para os demais, muita fria para quem nasceu em Várzea Alegre.

Depois dos procedimentos junto à alfândega e imigração, procurar o táxi pré-agendado com o website “Booking.com”.

Devidamente acomodados no acento traseiro do Mercedes preto e verde, fomos provocados pelo motorista, um português típico (cabeça e bigode grandes):

- Brasileiros?

Quando confirmamos a origem e negamos ser do Rio ou São Paulo, ele começou a discorrer sobre a excelência do futebol brasileiro, citando nominalmente Ronaldo, Ronaldinho e Reinaldo.

Perguntei sobre a política em Portugal e ele me disse da coalizão no poder, formada pelo Partido Socialista e PSD. (Portugal é uma República Parlamentarista). Mas existia um partido recém-criado- o Chega - que já aparecia com 15% de preferência dos portugueses. Discorreu rapidamente sobre os 41 anos da Ditadura salazarista e sobre a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. Muito superficialmente e nada que já não soubéssemos.

De repente ele me pergunta se existe um Estado no Brasil por nome de Piaui. Nunca ouvira falar. Explico-lhe que é um Estado pequeno, pobre, situado no nordeste brasileiro.

- Ontem conduzi o Governador de lá e mais três pessoas (não esclareceu se dois casais ou se um casal com dois filhos) para o Hotel Ritz.

Curiosamente pesquisei no Google o custo do hotel. Four Seasons Hotel Ritz Lisboa, diária mais modesta de 1.174 Euros.

Mas deixemos que fale o motorista português: “Felizmente ele não fez como a Dilma que quando vinha cá estar, também hóspede do Ritz, interditava a rua do hotel. Os taxistas odiavam”.

Lula, na montagem do seu governo e em um movimento sábio, afastou a ex-Presidente Dilma para longe, concedendo-lhe generosa sinecura. Se posso dar um conselho à ex-Presidente, se ainda pretende ser candidata a algum cargo eletivo que dependa do voto dos motoristas de táxi de Lisboa, procure aproximar-se deles.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

"Waste of time"




Nos Estados Unidos usa-se uma expressão corriqueira "waste of time" que significa "perda de tempo' ou "desperdício de tempo". Atividade que não vale a pena fazer. Gastar tempo fazendo algo que apenas desperdiça o tempo gasto com isso.

Nos últimos anos, tenho sido presença muito constante nas redes sociais, mormente Facebook, o que tem ocupado grande parte do meu dia. Não diria que foi um desperdício de tempo. Ali pude estabelecer fronteiras para meus pensamentos, cultivar valores, fincar opiniões e receber retornos, alguns importantes para consolidar conceitos.

No entanto, esse envolvimento com as redes veio em prejuízo de alguns outros projetos, entre os quais aquele que me é muito caro - a continuidade do meu livro autobiográfico "... E a vida aconteceu". O primeiro volume ou Fase 1 como preferi nominar, foi impresso ao final de 2017 e distribuído com parentes e amigos ao longo de 2018. Eu devia recomeçar a escrever a saga da minha vida, e de fato o fiz, no início de 2019. Cheguei a escrever oito ou dez páginas da Fase 2 e parei por absoluta falta de tempo. O tempo estava sendo totalmente desperdiçado (ou não) com as benditas redes sociais.

Chegou o momento de resgatar o caminho a ser seguido. Diminuir ao máximo a presença nas redes e dedicar tempo, memória e pesquisa a minha nova tarefa: "... E a vida aconteceu" Fase 2. Que Deus me conceda luz para que eu me mantenha fiel aos fatos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

A precundia dominical.




Frequentemente muitos sentem o que se convencionou chamar de "depressão dominical" ou "melancolia dominical". Esse sentimento de tristeza, desesperança ou insatisfação geralmente acomete-nos aos domingos finais de tarde, início da noite. Ao conversar com amigos profissionais da área de saúde, encontrei que esse fenômeno, apesar de real, não há presença oficial na comunidade médica.

O quadro que se repete semana a semana é bem característico: o indivíduo acorda bem-disposto, tudo transcorre normalmente durante a manhã, mas a medida que o sol se despede no ocaso, surge aquela sensação de amargor e contrariedade que termina por assenhorar-se da alma.

Na maioria das vezes esse fenômeno pode ter sua origem em pensamentos sobre a semana seguinte, seja porque o paciente não gosta do seu trabalho ou pelo vazio da ociosidade sem metas. Como encontrar motivação para fazer o que você não deseja, estar onde você não quer estar ou mesmo saber que na manhã seguinte nada desafiador ou motivador lhe espera?

Para minorar a frequência ou a profundidade dessa depressão dominical, talvez uma boa medida seria tentar mudar de empresa empregadora ou mesmo de trabalho na mesma empresa. Aos aposentados, encontrar novos desafios, seja buscar um trabalho "part time", dividir suas experiências com os mais jovens mesmo que não remuneradas ou até um “hobby” prazeroso. O importante é ocupar-se com algo que desafie e excite, trazendo-lhe motivação para enfrentar o seu domingo.

Parabenizo o Ministro Gilmar Mendes por não sofrer desse sentimento negativo. Que nos sirva de exemplo. Sua Excelência divulgou às 22:40h do último domingo sua decisão de excluir do teto de gastos os valores adicionais ao "bolsa família". Para isso, deve ter trabalhado pelo menos durante a tarde e início da noite do domingo. Certamente não teve tempo para sentir a precundia dominical.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Únicos na diversidade, iguais em nível espiritual




Tenho adotado como política no trato com minhas redes sociais, liberdade de expressão para todos aqueles que as visitam e decidem fazer qualquer comentário. Democracia plena. Isso tem resultado na manutenção de um grande número de "associados", de tal sorte que só bloqueio alguém (elimino da rede) quando sou alvo de ofensas de ordem pessoal. Apesar de muito cedo ter feito cadastro na maioria delas desde as finadas Orkut e MySpace, até as mais recentes Signal e Truth Social, em apenas cinco ocasiões tive o desprazer de ter que afastar o indivíduo.

Tenho recebido mensagens as mais diversas nas ditas redes, não raro questionando minhas posições políticas e criticando meus textos dedicados à contemporaneidade brasileira e em alguns casos até de outros países. Neles desnudo minha alma, sem ter a pretensão de convencer ou converter ninguém. Escrevo muito mais para consumo próprio e para ocupar meu ócio com criatividade. Apesar dessas frequentes críticas, entendo que quem expõe suas posições de forma pública deve estar preparado para receber objeções e eventualmente refutá-las. Não o faço com frequência porque em regra não me interessam as opiniões diversas que me são concedidas. Pensando assim é que não me recordo de ter visitado páginas alheias (à exclusão das do meu irmão Paulo Viana) para admoestar determinada opinião ou pensamento.

Respeito a diversidade porque sei que em nível espiritual somos todos iguais, mantidas as diferenças conforme nossa percepção, experiência ou opinião. E por isso mesmo somos únicos. Únicos na diversidade e nos valores absorvidos no exercício do viver.

Em tempo: nunca marquei ninguém para ler meus textos no Linkedin ou Facebook. No primeiro, tenho acima de 12.200 contactos e neste último tenho mais de 4900 membros na minha página, dos quais mais de 800 me seguem, por que incomodar os outros, marcando-os?

domingo, 13 de novembro de 2022

O pintor e o sapateiro


“Ne sutor ultra crepidam judicaret” é uma expressão latina que significa literalmente "Não deve o sapateiro julgar além da sandália".

Não se sabe se história real ou lenda, mas há o registro de que na antiguidade, o famoso pintor grego Apeles pintava os seus quadros e habitualmente expunha-os ao público, ficando escondido para ouvir as diversas opiniões. Um belo dia, expôs a pintura de uma mulher. Do seu esconderijo ouviu o comentário da costureira do local:

- Linda imagem, mãos maravilhosas, quase perfeita. Faria apenas um pequeno reparo na roupa: "o botão de cima está muito perto do queixo, com dois botões seria muito melhor."

Apeles ouviu e registrou.

Ao passar um cabeleireiro, admirou e elogiou a obra, não sem fazer a observação de que "O alfinete do lado esquerdo do penteado deveria estar um pouco mais para trás, isso deixaria o retrato perfeito."

Apeles anotou a observação do profissional.

Por último, chega o sapateiro que ficou deslumbrado com a beleza do retrato. E comentou:

- Para tornar-se perfeita apenas precisa colocar fivelas nos sapatos.

O pintor recolheu o seu quadro, levou-o para o atelier e atendeu às observações dos três profissionais. Uma vez concluído o retoque, voltou a expor o quadro no mesmo lugar. Escondido, como de hábito, ouviu o comentário da costureira: "Agora está perfeito!". Em seguida, o cabeleireiro passando surpreendeu-se com o quadro reformado e exclamou: "Sem mais reparos. Impecável!" Finalmente, o sapateiro ao passar e encontrar o retrato, olhou-o longamente e exclamou: "Os sapatos ficaram ótimos com a mudança, mas o vestido…".

Ouvindo o comentário do sapateiro, o pintor Apeles sai furioso do seu esconderijo e grita: "Não passes além dos sapatos!"

Passei grande parte da minha vida profissional trabalhando na área de Tecnologia da Informação, que no meu tempo era Processamento de Dados. Analista de Sistemas da IBM; Professor (concursado) de Ciência da Computação na Universidade Federal do Ceará; Sócio Administrador e responsável pela operação de duas empresas da área (Processa e Digital); Presidente de Empresa Pública Estadual de Processamento de Dados. Ainda hoje, apesar de aposentado, costumo mexer um pouco com essas novas tecnologias, ainda que a minha expertise em programação seja limitada à linguagem mais simples - HTML - que adquiri de forma autodidata.

Nas últimas semanas tenho encontrado nas redes sociais um vendaval de comentários, artigos, posts, "palpites" sobre o sistema de processamento de apurações de eleições adotado no Brasil. Mesmo com esse longo histórico profissional, ando longe de ser capaz de oferecer uma opinião. Seja por estar afastado dessa atividade há já algum tempo, seja por desconhecimento do sistema.

O que me surpreende é que analfabetos e não estou falando de desconhecedores da Tecnologia da Informação apenas, falo de analfabetos funcionais, tenham a ousadia de "palpitar" sobre o assunto, tangidos de um lado e outro pela ideologia. Juro que a exemplo do pintor Apeles, diante de tanto despautério, sinto ânsia de sair do meu esconderijo aqui no Cocó e gritar a plenos pulmões: "Não passes além dos sapatos!".

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Onde erramos?




Qualquer que seja o resultado do pleito presidencial de 2022, todos nós já perdemos, o Brasil já perdeu. Tínhamos um razoavelmente largo cardápio de candidatos e resolvemos mandar ao segundo turno o atual Presidente, Sr. Jair Bolsonaro, um tosco, um incontinente verbal. Seu linguajar não guarda harmonia com o alto cargo que ocupa. Como Chefe de Estado, muita vez não atende à liturgia e majestade do cargo, sendo feito de simbolismos no comportamento. Conduz ainda alguns episódios mal explicados, tais como seu relacionamento com o Queiroz e os cheques depositados na conta-corrente de sua esposa; a mudança das chefias da Polícia Federal para "não esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha"; a negligência, ou melhor dizendo, a má vontade no trato das coisas da pandemia; o insistente modelo de administrar gerando crises dentro e fora do Governo, especialmente entre Poderes da República e eventualmente "otras cositas más".

Como explicar que 50% (talvez um pouco mais, talvez um pouco menos) dos 215 239 074 (População brasileira projetada às 17:00:06 de 25/10/2022), ou melhor dizendo dos exatos 156.454.011 eleitores aptos a votar em 2022, venham a escolher a pior opção que lhes foi oferecida no menu de candidatos? Esta não é apenas a minha opinião. Veja abaixo:

"Nos 13 anos em que gerenciou o Brasil, o Partido dos Trabalhadores (juntamente com seus associados) foi responsável pelos maiores desmandos (ou "mal feitos" como preferem alguns) já noticiados em um membro da comunidade ocidental. Nas palavras do Ministro Fux, Presidente do Supremo Tribunal Federal, "decisões sobre casos de corrupção foram anuladas na Lava Jato, mas dinheiro desviado era real" (https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2022/06/10/ministro-fux-diz-que-decisoes-sobre-casos-de-corrupcao-foram-anuladas-na-lava-jato-mas-dinheiro-desviado-era-real.ghtml); O ex-Presidente Fernando Henrique Cardos afirmou que "nunca se roubou tanto neste país" (https://g1.globo.com/politica/noticia/2015/07/fernando-henrique-diz-que-nunca-antes-se-roubou-tanto-neste-pais.html). No dizer do Filósofo brasileiro Professor de Harvard e Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República nos Governos Lula e Dilma, Roberto Mangabeira Unger, "Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional" (https://www.sedep.com.br/artigos/afirmo-que-o-governo-lula-e-o-mais-corrupto-de-nossa-historia-nacional/). "O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) aponta uma sucessão de ilícitos e propinas, que chegam a R$ 333,59 milhões" (https://exame.com/brasil/delacao-de-palocci-relata-propinas-de-r-333-milhoes-ao-pt/). "O empresário Marcelo Odebrecht confirmou ontem o acerto de propinas ao PT em favor de Luiz Inácio Lula da Silva, relacionados a financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)" (https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/10/08/interna_politica,1090974/odebrecht-confirma-propinas-para-o-pt.shtml). "As seis empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Operação Lava Jato que pagaram, direta e indiretamente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são suspeitas de terem dado um prejuízo de R$ 20 bilhões para a Petrobras, entre 2004 e 2014" (https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/09/21/interna_politica,806340/lava-jato-estima-que-prejuizo-com-empreiteiras-foi-de-r-20-bilhoes.shtml)".

Como chegamos a permitir esse intensíssimo ativismo judicial, indivíduos não eleitos que fazem leis em vez de interpretá-las e segui-las? O sistema de direito romano ou civil limita estritamente o papel dos juízes na interpretação do texto. Juízes fazendo leis é antidemocrático. As leis devem ser feitas pelo poder legislativo. Nos últimos tempos juízes estão usurpando seu próprio papel em uma democracia, fazendo com que seja agredida a história do nosso sistema legal, um produto de juízes famintos de poder ultrapassando seus limites.

Por que nossa sociedade, apesar da queda percentual de quase 30% nos últimos seis anos, continua matando seus filhos? 47 mil brasileiros morreram de morte violenta no ano de 2021. Isso é uma tragédia maior do que uma guerra, mais dolorosa do que a soma de todos os mortos por atos terroristas no mundo nos últimos três anos. O que fazer para parar a violência? Existem exemplos de sucesso no mundo, como Nova Iorque nos anos 1980 com a política inspirada no conceito de "segurança pública tolerância zero da teoria das Janelas Quebradas, um texto publicado em 1982 pelo cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminalista George L.Kelling, na revista Atlantic Monthly." Ou um pouco mais tarde, na década de 90, a cidade de Medellín, que de metrópole mais violenta do mundo, em 2013 foi eleita a cidade do ano. Altos investimentos em inteligência, em equipamento e treinamento da polícia e forte presença de serviços do poder público nas comunidades mais pobres.

Por último, mas não menos importante, como não se preocupar com a escalada da crise moral enfraquecendo valores sociais e familiares? Relativizar os escândalos de corrupção, de desvio de dinheiro público, aceitar como normal a presença cada dia mais constante e ousada de cenas de sexualidade na sua mais ampla abordagem em horários inadequados através da televisão, contribuem para a decadência e destruição da tessitura social.

Todos os assuntos aqui abordados, bem como alguns eventualmente esquecidos, devem ser objeto de profunda reflexão dos brasileiros. É chegado o momento de decidirmos que país queremos deixar para nossos filhos e netos.

Que Deus tenha piedade do Brasil!

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

A eleição em meio à crise




No próximo dia 8 de novembro, nos Estados Unidos estarão acontecendo "The midterm elections" - as eleições intercalares ou eleições de meio de mandato. São as eleições gerais realizadas ao final do segundo ano do mandato de quatro anos do presidente. Neste ano, tais eleições são particularmente importantes porque o Partido Democrata detém, além da Presidência da República, também o controle das duas casas legislativas - o Senado e a Câmara Federal (Senate and House of Representatives).

Nessa eleição, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 34 (de 100 - 2 por Estado) cadeiras no Senado, como acontece a cada 2 anos (o mandato de Deputado Federal é de 2 anos enquanto o de Senador é de 6 anos. A cada 2 anos, renovam-se todas as vagas da Câmara e um 1/3 das vagas do Senado). O Partido do Presidente no cargo tende a perder terreno durante as eleições de meio de mandato: desde a Segunda Guerra Mundial, o Partido do Presidente perdeu uma média de 26 cadeiras na Câmara e uma média de 4 cadeiras no Senado.

Porque ainda na reeleição de Barak Obama cadastrei meu endereço de e-mail na base de dados democrata, recebo com frequência mensagens da assessoria das lideranças desse Partido. Invariavelmente pedindo doações para as mais variadas causas. Como parte dessa campanha, recebi ontem e-mail do Partido Democrata assinado pelo Presidente Joe Biden. Além do pedido de doação, chamou-me a atenção a frase seguinte:

"What’s happening in the country today is not normal. MAGA (Make America Great Again) Republicans represent an extremism that threatens the very foundations of our republic."

Numa tradução muito fiel, isso significa - "O que está acontecendo no país hoje não é normal. MAGA (Faça a América Grande Novamente) dos republicanos representa um extremismo que ameaça os próprios fundamentos de nossa república."

Se você pensa que o jogo do poder é muito selvagem no Brasil, você precisa acompanhar uma eleição presidencial nessa que é considerada a maior democracia do mundo. No momento o DOJ (Departamento de Justiça dos EUA) pressiona o "juiz neutro" Raymond Dearie para encerrar o processo de revisão dos documentos apreendidos em Mar-a-Lago (resort em Palm Beach - FL, de propriedade de Donald Trump e onde ele estabeleceu seu quartel-general). O ex-Presidente é acusado pelo FBI de ter encontrado documentos secretos em busca e apreensão em Mar-a-Lago. Em compensação, o Partido Republicano vem insistindo junto ao Departamento de Justiça para aprofundar a investigação de sua denúncia contra o Presidente Biden e seu filho Hunter Biden, por corrupção e tráfico de influência junto ao Governo da Ucrânia, quando o primeiro era Vice-Presidente.

Na publicidade paga na TV e através dos diversos canais de comunicação, os Republicanos têm acusado o Governo Biden de ter estabelecido um "Plano de Desastre". Uma saída atabalhoada do Afeganistão permitindo a morte de tropas americanas; uma crise de energia desastrosa; inflação descontrolada e a maior dos últimos 40 anos (alimentos, gasolina e muito mais); os salários reais caindo; grande escassez de carvão, papel, carros, chips de computador, eletrônicos e muito mais e a falta de capacidade para "dissuadir" a Rússia da guerra da Ucrânia. Os Democratas defendem-se afirmando que o Presidente Biden está fazendo o que é possível, diante da imprevisível devastadora pandemia, da guerra na Europa oriental, etc. Esse é um resumo do que tenho ouvido do motorista do aplicativo Lyft, do indiano que faz minhas loterias (mega millions e power ball), do garçon do restaurante, da psicóloga canadense que mora há mais de 20 anos nos Estados Unidos, do médico nativo judeu, etc.

É muito provável que os Republicanos recuperem o controle pelo menos da House nessa eleição de novembro. E o gigante do norte continuará um país profundamente dividido (veja "The midterm elections", publicado em 7 de novembro de 2018 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/11/the-midterm-elections.html)

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Lula e a Caucaia




Nesta semana o ex-Presidente Lula, discursando em Minas Gerais pela sua campanha e para fortalecer a campanha do seu candidato a Governador, Alexandre Kalil, saudou o candidato mineiro como "futuro Governador do Rio de Janeiro". Estão sendo muito frequentes os lapsos de memória, gafes ou deslizes como preferem alguns, do candidato do PT (leia o artigo "Uma facada para Lula" - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/search?q=uma+facada). Várias são as justificativas para essas "escorregadelas" e uma delas - a "água" que Lula tem bebido nos comícios, encontros, etc - remeteu-me a um evento também de campanha política.

O ano era 2002 e o pleito tinha como candidatos, Lúcio Alcântara para Governador, Tasso e Patrícia Sabóia para as duas vagas ao Senado da República. O coordenador geral da campanha era o Senador Luiz Pontes, com quem eu trabalhava. Na programação de eventos estava previsto um grande comício na cidade de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, área não muito favorável à nossa chapa. Tínhamos um forte aliado no município, o Prefeito Domingos Pontes, empresário e político com grande presença local.

No dia do comício, agendado para começar às 19 horas, fui chamado por Luiz Pontes e recebi a seguinte determinação:

- Nilo, você tem que ir para Caucaia agora. Estão montando o palanque e ultimando os preparativos para o comício. O Tasso pediu para você "colar" em Domingão e não deixar ele beber nada. Consta que ele anda bebendo muito e causando vexame.

Assim ordenado, assim cumprido. Fui direto encontrar-me com o Prefeito no meio da tarde, fomos supervisionar o pessoal que estava coordenando a parte de transporte para trazer os eleitores, acompanhar a montagem do palanque, determinar locais onde deviam ser colocadas bandeirolas com as fotos dos candidatos, etc. A cada momento, meu querido amigo Domingão me incitava dizendo que "estava muito quente e que podíamos ir tomar uma cerveja". Eu desconversava argumentando que ainda tínhamos tarefas a cumprir e logo que concluíssemos iríamos "matar a sede".

Por volta de 18 horas o Prefeito me avisou ir em casa tomar um banho e que eu o esperasse na praça do evento, acompanhando os últimos trabalhos, que ele logo estaria de volta. E assim aconteceu. Na hora agendada para o início do comício, chega meu querido amigo Domingos Pontes (Domingão, que Deus lhe tenha concedido um bom lugar no Seu Reino!) completamente embriagado. Em pouco mais de uma hora, o alcaide conseguiu a proeza de embriagar-se de uma forma irremediável.

Esperamos a chegada da comitiva para definir a ordem dos oradores. Ficou determinado que o Prefeito falaria em primeiro lugar e então Patrícia, Tasso e o Dr. Lúcio.

Imaginem a cena no palanque, Tasso e dona Renata, Lúcio e dona Beatriz, Patrícia e outras senhoras. Domingão inicia seu discurso dizendo que os adversários o acusavam de cachaceiro e ele não era cachaceiro. Cachaceiro era dono de alambique e ele era apenas consumidor. "E eu quero que meus adversários vão tomar no fiiiuuuu!", completando a frase com um longo assovio. Foi o suficiente para Tasso Jereissati olhar para mim num misto de reprovação e questionamento. Entendi como "que diabo você veio fazer aqui?".

Quero concluir esta lembrança, perguntando-me: será que Lula está bebendo a "água" de Domingão?

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

"Cesta de deploráveis" e a Ku Klux Klan




Na eleição para Presidente dos Estados Unidos em 2016, a candidata Democrata Hillary Clinton, estava em média 10 pontos percentuais à frente do seu principal oponente, o candidato Republicano Donald Trump.

Em discurso proferido em um evento de arrecadação de fundos para a campanha (reuniões comuns nos embates políticos americanos) em 9 de setembro daquele ano, Hillary disse o seguinte:

"...você poderia colocar metade dos apoiadores de Trump no que eu chamo de cesta de deploráveis. Certo? Eles são racistas, sexistas, homofóbicos, xenófobos, islamofóbicos – você escolhe."

A repercussão foi imediata e a reação por parte da equipe de Trump, avassaladora:

- "Enquanto minha oponente os calunia como deploráveis e irredimíveis, eu os chamo de patriotas americanos trabalhadores que amam seu país" (Donald Trump em discurso no dia seguinte em Des Moines, Iowa. Durante o resto da eleição, Trump continuamente convidou "americanos deploráveis" ao palco, para não deixar esquecer a "derrapada" da candidata Democrata).
- O candidato a vice-Presidente de Trump, Mike Pence, declarou em uma reunião no Capitólio: "Para Hillary Clinton expressar tanto desdém por milhões de americanos é mais uma razão que a desqualifica para servir no mais alto cargo".
- A principal coordenadora de campanha de Trump, Kellyanne Conway, divulgou uma declaração no Twitter, afirmando: "Um dia depois de prometer ser aspiracional e inspiradora, Hillary insulta milhões de americanos".

A própria Hillary admitiu em seu livro de 2017 "What Happened" que esse episódio foi um dos fatores para sua derrota.

Naquela oportunidade, assim como no Brasil de hoje, havia uma grande preocupação da sociedade americana com o profundo esgarçamento do tecido social do país (ver meu artigo "O desafio de unir uma nação dividida" - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2020/02/o-artigo-ii-secao-3-da-constituicao-dos.html). No segundo debate presidencial em outubro de 2016, o moderador do debate, Anderson Cooper, perguntou a Hillary: "Como você pode unir um país se você descartou dezenas de milhões de americanos?" Hillary respondeu à pergunta de Cooper dizendo: "Meu argumento não é com seus apoiadores, é com ele e com a campanha odiosa e divisiva que ele fez".

Nesse ponto, transporto-me para o Brasil de hoje e sua campanha presidencial. Assim como no gigante do Norte, nosso país também se encontra irremediavelmente dividido. E como a candidata Hillary de 2016, o candidato Lula de 2022 fez uma declaração extremamente desastrada, para dizer o mínimo. Em comício na cidade de Nova Iguaçu, na noite de quinta-feira (8 de setembro), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro fez dos atos do 7 de Setembro uma “festa pessoal” e comparou os eventos com uma “reunião da Ku Klux Klan”.

“...fez da festa do nosso país uma festa pessoal. Aliás, Dilma, eu não sei se você viu na televisão. Foi uma coisa muito engraçada, que no ato do Bolsonaro parecia uma reunião da Ku Klux Klan. Só faltou o capuz, porque não tinha negro, não tinha pardo, não tinha pobre, não tinha trabalhador”.

A exemplo de Hillary Clinton, o candidato Lula também tentou tangenciar o episódio, explicando de forma semelhante. Aquela disse que "Meu argumento não é com seus apoiadores, é com ele e a campanha..."; este tentou consertar, direcionando a afirmação ao palanque de Bolsonaro, não aos milhões de brasileiros no ato de 7 de setembro, como segue:

- "O palanque aqui de Copacabana, pela fotografia que eu vi, e eu só vi na televisão, era supremacia branca no palanque. Eu até comparei que parecia um pouco a Ku Klux Klan. Só faltou o ‘capucho’, só faltou a máscara. Porque era isso o palanque. É o palanque de uma elite, que tinha um cidadão vestido de Louro José, que era o artista principal da festa, ele pulava, ele gritava, ele animava, ele aplaudia". Sintomático o número de vezes que o ex-Presidente cita a palavra "palanque", numa tentativa exdrúxula e inverossímil de redirecionar seu alvo.

Não é a primeira vez que Lula dá munição aos adversários que gritam em uníssono: "Deixem o Lula falar!"

A Curva ABC




Normalmente quando publico algo, envio a meia dúzia de amigos que considero suficientemente íntimos com liberdade para criticar/corrigir, além de expor seus pontos de vista sobre o objeto. São indivíduos cultos, bem informados, estudiosos e sem compromisso ideológico.

Recentemente publiquei um artigo intitulado "O 'Senso de proporção' ou Bolsonaro é um tosco!" (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2022/08/o-senso-de-proporcao-ou-bolsonaro-e-um.html). Recebi em retorno ao envio para aqueles amigos, uma observação que me fez refletir e remeteu-me aos tempos em que eu era Analista de Sistemas de Computação. Um dos citados amigos lembrou-me que o conteúdo aproximava-se muito da teoria da Curva ABC. Lembrei de quando eu era gerente do Centro de Processamento de Dados de uma rede de supermercados com 14 lojas e um depósito de distribuição. Era a maior rede do Estado e a empresa necessitava de algo que gerenciasse seu estoque, especialmente no seu depósito central.

O desenvolvimento do software de controle de estoque e de identificação do ponto de ordem de compra foi, para mim, um dos momentos mais desafiadores e gratificantes da minha coexistência com essas máquinas maravilhosas denominadas de computadores e com seus mágicos programadores. O controle sobre a movimentação de produtos, sobre as preferências dos clientes e a escolha matemática de quanto e em que momento fazer pedidos de reposição, era algo que me fascinava.

Para desenvolver esse software, utilizei a teoria da Curva ABC que anteriormente havia tido boa familiarização quando ainda trabalhava na IBM. A análise ABC, também conhecida como análise de Pareto, é um método usado para categorizar algo de acordo com sua importância ou valor em um determinado contexto. Essa prática é normalmente usada em tecnologia da informação e desenvolvimento de negócios para tornar eficientes recursos em áreas como compras, gerenciamento de estoque, negociação com fornecedores etc.

Ao receber o comentário desse meu amigo intelectual respeitável sobre meu despretensioso artigo, pensei: por que não? Por que não poderíamos nós utilizarmos o Teorema de Pareto para escolhermos nosso candidato a Presidente do Brasil? Em um exercício de abstração do verdadeiro objetivo da teoria do economista italiano Vilfredo Pareto ("onde ele percebeu que 80% das consequências acontecem devido a 20% das causas"), poderíamos por exemplo estabelecer "pesos" para os"malfeitos" de cada candidato, principalmente em um eventual segundo turno da eleição. Evidente que não seria fácil quantificar, por exemplo, afirmações como "...a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher" ou "Cadê as 'mulher de grelo duro' lá do nosso partido?"; "...prefiro filho morto em acidente a um homossexual" ou "Pelotas é polo exportador de viados". Mas há algo que é facilmente quantificável: "rachadinhas versus mensalão"; "queiroz versus palocci"; "imóveis versus Odebrecht", ainda que a "apuração" feita pela Folha de São Paulo haja envolvido pessoas que eram apenas agregados (e já não são há muito tempo) durante longos 30 anos e tenha estabelecido uma controvérsia sobre o significado de "moeda corrente nacional" enquanto o escândalo da Petrobrás é bem mais concentrado no tempo, nos agentes, em disparadamente maior volume e não há dúvida de que foi em "dinheiro em espécie".

Anteriormente já externei a opinião de que quem rouba um milhão é tão culpado quanto quem rouba um trilhão (com 't' de tapioca para usar uma expressão muito ao gosto de um candidato a Presidente, amigo de infância de Lula da Silva e recém eleito seu desafeto predileto). O que diferencia a gravidade do crime é a dosimetria da pena.

No caso em espécie, cabe a máxima popular "na falta do melhor, escolha o menos ruim" e não deixe, por omissão, que os mais "espertos" escolham por você. Reafirmo que é essencial que os brasileiros usemos o "senso de proporção" para nossas escolhas em 2022.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Acusaram o golpe!




"Na peça central do livro, 'intelectuais e classe dirigente no Brasil (1920-1945)', o sociólogo Sergio Miceli examina as estratégias de sobrevivência de vários escritores consagrados. Especialmente delicado é o problema da cooptação de intelectuais pelo Estado Novo. Quando o trabalho foi publicado pela primeira vez, em 1979, o poeta Carlos Drummond de Andrade acusou o golpe. Drummond, ocupou cargo de confiança no Ministério da Educação no governo Vargas."

Pesquei da Tribuna da Bahia: "...esta breve manifestação poderia ser substituído por outras expressões da nossa rica linguagem coloquial, como 'passou recibo', 'mordeu a isca' ou 'vestiu a carapuça' (De Inaldo da Paixão)."

Pois bem: ontem o Brasil comemorou nas ruas 200 anos de independência. Desde sempre, o Dia da Independência é comemorado com um grande desfile das Forças Armadas, coordenado pelo seu Comandante em Chefe, o Presidente da República.

O bi-centenário da Independência foi uma festa popular jamais vista. Milhões de pessoas foram às ruas em todo o território nacional, trajando as cores do país e portando a nossa bandeira. Como estamos às vésperas de uma eleição para escolha do Presidente da República, quadriênio 2023 a 2026, é natural que esse processo estivesse presente. E inquestionavelmente, porque convocado pelo Presidente, o evento está sendo analisado como uma expressiva vitória e uma definitiva reafirmação da grande liderança de Bolsonaro.

De fato o dia 7 de setembro de 2022, pelo seu gigantismo, configurou uma humilhação para a oposição. Comentários de políticos e seus porta-vozes da mídia sobre a celebração desse feriado nacional, percorrem desde a piada mais infame até análises sérias, passando por opiniões de um primarismo risível, de uma desonestidade intelectual deplorável.

“Ao invés de discutir os problemas do Brasil, tentar falar para o povo brasileiro como ele vai resolver o problema da educação, da saúde, do desemprego, do arrocho do salário mínimo, ele tenta falar de campanha política e tenta me atacar”, disse Lula.

“Apropriação indébita do Bicentenário da Independência do Brasil por Bolsonaro. Ele roubou do povo a comemoração para fazer sua campanha. Apequenou o 7 de setembro”, disse pelo Twitter a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.

O ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT), um dos coordenadores da campanha de Lula, afirmou: “O jeito pequeno, miúdo mesmo, de tratar os 200 anos da Independência do Brasil, tirando proveito para campanha eleitoral, de forma criminosa e ilegal, mostrou um presidente despreparado para o cargo."

Da jornalista Maria Cristina Fernandes, do Valor Econômico: “No dia em que o ‘imbrochável’ transforma o bicentenário da independência numa ode à vergonha nacional, nunca é demais relembrar Simone de Beauvoir: ‘Ninguém é mais arrogante, violento, agressivo e desdenhoso contra as mulheres, que um homem inseguro de sua própria virilidade'”.

Do jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo: “Momento Zorra Total no comício da Esplanada. Bolsonaro beija a primeira-dama e inicia um coro para si mesmo: ‘Imbrochável! Imbrochável! Imbrochável!’.”

Da jornalista Vera Magalhães: "Mensagem do presidente da República do Brasil no Bicentenário da Independência: 'Imbrochável, imbrochável, imbrochável'. E isso vai para os livros de História. Que vergonha."

De Andréia Sadi de O Globo: "Já deu Auxílio, aprovou Pec Kamikaze...Não tem fato novo na reta final. Ele precisava de uma demonstração de apoio popular..."

Gerson Camarotti destaca que uma "apropriação eleitoral" do Bicentenário da Independência está tendo reflexo em todas as campanhas dos Presidenciáveis.

Valdo Cruz afirmou que "...a fala de Bolsonaro manteve o tom preconceituoso e conservador, tentando passar a imagem de que a eleição é uma guerra do bem contra o mal."

"É um vexame internacional", analisa Octavio Guedes. "Será que não tinha nada para falar, em 200 anos de Independência, que exaltar seu próprio pênis. É algo muito grotesco. Não é um discurso normal. É grotesco".

Miriam Leitão disse sentir “tristeza no peito” após assistir ao “espetáculo deplorável” encenado por Jair Bolsonaro ao longo do feriado da Independência. "A Constituição do Brasil não se preparou para um presidente tão desrespeitoso da lei e de seu papel".

“E o país não precisa se preocupar – se é que muita gente com isso se preocupou – com a irrigação sanguínea do pênis de Bolsonaro. Ela está plenamente normal e satisfatória, ele assegurou”, disse William Waack.


Finalmente, a verdade é que a oposição política e a mídia amestrada acusaram o golpe. Eu prefiro ficar com a expressão de uma apresentadora da própria Rede Globo, em ocasião diversa: "O choro é livre!".

domingo, 4 de setembro de 2022

A ressaca do almoço do sábado!




Ao acordar da "siesta" neste sábado, fruto de umas cervejas a mais no Restaurante "O Paulinho da Maraponga" (agora sob a competente administração do conterrâneo "O Bom Bibi"), confesso que a intenção era escrever sobre o desastrado, insano, ilegítimo e violento Governo de Daniel Ortega na Nicarágua. Afinal, não é comum ter-se um Governo no continente americano que para reeleger-se (quarto mandato consecutivo de cinco anos, com sua esposa como vice), prendeu sete potenciais adversários para que não disputassem a eleição. Mais grave ainda, após assumir a chefia do Executivo do país, impediu a impressão e circulação de tradicionais jornais; fechou onze emissoras de rádio e quatro estações de televisão; permitiu mais de 190 ataques contra a igreja católica, seus padres e bispos, todos eles elaborados pelo Governo Ortega; prendeu empresários, expulsou religiosas e proibiu peregrinação e procissão cristãs. Voltaremos ao assunto oportunamente. Enquanto isso, leia o artigo "Uma amada esposa", publicado em 10 de novembro de 2021 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2022/09/a-ressaca-do-almoco-do-sabado.html

Na verdade, mudei de ideia sobre o objeto do artigo quando abri alguns portais de notícias e todos traziam manchetes muito semelhantes sobre a busca e apreensão ordenada pelo TRE do Paraná na casa do candidato ao Senado, Sérgio Moro. O episódio, mais do que conspícuo foi espalhafatoso, podendo criar há pouco menos de um mês da eleição, narrativas para prejudicar a candidatura do Dr. Moro. Evidente que busquei detalhadamente as razões para tão grave determinação. A denúncia do PT seria por desvio de recursos públicos, quem sabe sobre propina recebida e escondida em casa em dinheiro em espécie, não em “moeda corrente nacional” ou algo assim... Talvez por ter o ex-Ministro armazenado prova de formação de quadrilha.

Pasmem! A cinematográfica busca e apreensão na casa do candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná, foi autorizada porque no seu "santinho" de campanha, as letras dos nomes dos seus suplentes tinham alguns milímetros a menos do que o determinado em Lei. A defesa do candidato informa que "a alegação é mentirosa. Os nomes estão de acordo com as regras exigidas, sendo assim, a equipe jurídica pedirá a reconsideração da decisão.”

É estranho que a busca haja sido feita no apartamento do candidato e não em seu comitê ou escritório político. Ali nada se apreendeu porque nada existia. Além da apreensão do material impresso, a juíza ainda determinou a exclusão de diversas publicações no Facebook, Instagram, YouTube, Twitter etc.

O artigo 36 da lei eleitoral diz que na propaganda dos candidatos a cargo majoritário "deverão constar, também, os nomes dos candidatos a vice ou a suplentes de senador, de modo claro e legível, em tamanho não inferior a 30% (trinta por cento) do nome do titular." Imaginemos, apenas por amor ao debate, que o material de campanha do Dr. Moro esteja fora dos padrões exigidos no citado artigo 36 da lei eleitoral. Um simples ofício ao Partido, ou mesmo ao candidato exigindo a retirada da publicidade das redes sociais e a substituição do seu material impresso seria suficiente. Mas o esgoto político não se satisfaz com o suficiente. Há que haver uma espetacularização para prejudicar o candidato.

A ridícula determinação judicial, provocou em Sérgio Moro uma reação instantânea e contundente:

- "Hoje, o PT mostrou a 'democracia' que pretende instaurar no país, promovendo uma diligência abusiva em minha residência e sensacionalismo na divulgação da matéria. O crime? Imprimir santinhos com letras dos nomes dos suplentes supostamente menores do que o devido".
- “O que se discute nessa eleição não é o tamanho do santinho do Moro, mas sim o tamanho da corrupção do PT".
- "Nada comparável aos bilhões de reais roubados durante os Governos do PT e do Lula. Não me intimidarão, mas repudio a tentativa grotesca de me difamar e de intimidar minha família".

Preparem-se, brasileiros e brasileiras. Pelo menos nos próximos 30 dias ainda veremos cenas que agridem o senso comum e desafiam a nossa inteligência. Paciência, estamos no Brasil!

domingo, 21 de agosto de 2022

Várzea Alegre não é Finlândia




A ONU, Organização das Nações Unidas, é uma organização internacional de 193 estados-membros. Foi fundada em 1945 para evitar outra guerra mundial. A carta de fundação da ONU estabelece quatro propósitos fundamentais:

- Manter a paz internacional salvando as gerações futuras dos horrores da guerra
- Reafirmar a fé nos direitos humanos fundamentais, incluindo a dignidade humana e os direitos iguais de homens e mulheres
- Estabelecer condições para manter o respeito e a justiça pelas obrigações dos tratados e o direito internacional
- Promover o progresso social e melhores padrões de vida para a humanidade

Entre todos os seus organismos, a ONU possui uma unidade chamada "Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável" (United Nations Sustainable Development Solutions Network) que anualmente (já o faz há 16 anos) produz e publica o relatório "World Happiness Report" - algo como Relatório Mundial da Felicidade.

Aos 18 de março último, tal organismo publicou o relatório referente ao ano de 2022 e a Finlândia foi coroada o país mais feliz do mundo pelo quinto ano consecutivo, com uma pontuação significativamente à frente de seus pares. Segue-se a Dinamarca em segundo Lugar e a Islândia, Suíça e Holanda completam os cinco primeiros. Nesse relatório, os Estados Unidos ficaram em 16.º lugar, o Brasil em 39.º, a Argentina em 57.º e a Venezuela em 108.º lugar.

"O relatório usa dados de pesquisas globais para relatar como as pessoas avaliam suas próprias vidas em mais de 150 países ao redor do mundo, com a classificação baseada em uma média de três anos. As principais variáveis que contribuem para explicar as avaliações de vida das pessoas incluem produto interno bruto per capita, expectativa de vida saudável, generosidade, apoio social, liberdade para fazer escolhas de vida e percepções de corrupção."

Ao tomar conhecimento desse relatório, remeti-me a uma pesquisa realizada em 2013 pelo IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, uma Fundação pública federal, vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O IPEA, segundo sua própria definição, é o Instituto que pesquisa e planeja o futuro do país.

Nessa pesquisa de 2013, concluiu que se o Nordeste fosse um país seria a 9.ª nação mais feliz do mundo e que nesse virtual país, Várzea Alegre seria a unidade mais feliz entre todos os seus municípios. "Uma concentração de gente contagiada pelo vírus da felicidade" (https://www.youtube.com/watch?v=908TQy5P0Q0).

Mas esse "arrodeio todinho" foi apenas para informar aos meus três leitores que hoje, 21 de agosto, está começando a festa do nosso padroeiro, o padroeiro de Várzea Alegre - São Raimundo Nonato. Se você não conhece a cidade mais feliz do Nordeste brasileiro, vá correndo! Você só tem até o dia 31 deste mês para usufruir do período mais alegre e festejado da cidade mais feliz e festeira dos nordestinos.

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Atualizado em 21/03/2023 ás 21:21h

Finlândia é hexa como país mais feliz do mundo e quer ensinar o segredo em aulas

"Masterclass of Happiness" vai acontecer em um resort no país em junho de 2023 e oferece gratuitamente passagem, hospedagem e quatro dias de aulas

https://www.otempo.com.br/mundo/finlandia-e-hexa-como-pais-mais-feliz-do-mundo-e-quer-ensinar-o-segredo-em-aulas-1.2833572

domingo, 14 de agosto de 2022

Hora de bater em retirada...




Chega, Lula! Você já deu sua contribuição (para o bem e para o mal) ao país. Se por um lado, com a criação do "Bolsa Família", conseguiu mostrar aos habitantes do "andar de cima" que a criação da riqueza do país precisa ser melhor distribuída, por outro lado, no dizer do Filósofo brasileiro Professor de Harvard e Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República nos Governos Lula e Dilma, Roberto Mangabeira Unger, "o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional".

Os brasileiros temos sido extremamente generosos com você. Apesar de tudo que seu Partido (juntamente com associados) aprontou nos treze anos em que esteve à frente dos destinos do País, um contorcionismo jurídico "cometido" pelo STF e um drible legal na Lei da Ficha Limpa, permitiram que você almejasse "voltar à cena do crime" (royalties para seu candidato a vice - Geraldo Alckmin). E o "recall" desse mesmo período registra que aproximadamente um terço dos eleitores admitem votar em você. Isso é generosidade pura, elevada à máxima potência.

Considerando que o Criador pode lhe permitir viver até cem anos, você está palmilhando o último quarto de sua existência. Não é pouco para um simples mortal, ainda que você não seja simples. Sua vida é de uma riqueza incomparável. Um menino migrante, oriundo de uma família abaixo da linha de pobreza, construiu um legado histórico absolutamente inusitado. É hora de colocar a cabeça no travesseiro, dirigir uma prece de profunda gratidão a Deus e quedar-se genuflexo à idade, permitindo-se existir com e para os seus sem maiores sobressaltos.

É verdade que sua candidatura já não é apenas sua. A legião de eleitores, os Partidos coligados, intelectuais, sindicalistas, artistas, jovens que se engajaram na sua pré-campanha não admitem sequer de longe a desistência da disputa. Preferem vê-lo humilhado, derrotado se não no primeiro, no segundo turno. Pior do que isto, o revolver de todos os ocorridos naqueles anos, tendo que ouvir de novo e reiteradamente o que de você falaram Antônio Palocci, Delcídio do Amaral, Hélio Bicudo, Francisco de Oliveira, Francisco Welfort, Heloisa Helena, João Fontes, para citar apenas alguns dos petistas de raiz. Além disso, o rememorar de depoimentos de ex-amigos como donos da Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Correia, OAS, Toyo Setal, Galvão Engenharia, Mendes Junior, Engevix etc. E na esteira da campanha, publicação de documentos e acusações feitas por executivos do seu Governo, tais como Wagner Pinheiro, ex-presidente dos Correios; Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil; Othon Silva, ex-presidente da Eletronuclear; Juquinha das Neves, ex-presidente da Valec; Renato Duque, ex-diretor da Petrobras; Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras; Jorge Zelada, ex-diretor da Petrobras; Guilherme Lacerda, ex-diretor do Fundo de Pensão de Funcionários da Caixa e do BNDES; Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; Pedro Barusco, ex-gerente Executivo de Engenharia da Petrobras e mais algumas dezenas de personalidades e empresas que certamente aparecerão durante a campanha.

É tempo de bater em retirada. Mas um homem como você, Lula, não foge da luta. Tem que ser uma saída honrosa que justifique definitivamente que você não pode, ainda que deseje ardentemente, continuar com essa batalha inglória. Sugiro que você simule uma doença grave, como muitos dos seus correligionários acusam Bolsonaro de ter simulado uma facada em 2018. Você há de convir que será mais fácil, ao contrário do então candidato Jair Bolsonaro que para fazer aquela simulação teria que ter tido a cumplicidade de uma dúzia de agentes da Polícia Federal, dos médicos e enfermeiros que o atenderam no primeiro momento na Santa Casa de Juiz de Fora e toda a equipe que o operou e o acompanhou no Hospital Albert Einstein. Numa democracia, é possível ainda que extremamente improvável. Para você, apenas uma declaração/atestado de um médico amigo é suficiente.

É perfeitamente compreensível que você saia de cena acometido de uma recidiva do câncer que um dia o afligiu. Que se compreenda que não é o meu desejo, ao contrário rogo a Deus que lhe dê vida longa e saudável para viver os cem anos que vaticinei no início desse artigo. Quero apenas poupá-lo das intensas humilhações e profundo sofrimento que os adversários certamente lhe infligirão. Deus lhe abençoe!

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

O "Senso de proporção" ou Bolsonaro é um tosco!




"Senso de proporção" é a importância relativa de diferentes coisas que importam numa dada situação. O "senso de proporção" é um dos atributos importantes que infelizmente faltam em grande parte de nossa discussão política.

O Presidente do Brasil, Sr. Jair Bolsonaro, é um tosco, um incontinente verbal. Seu linguajar não guarda harmonia com o alto cargo que ocupa. Como Chefe de Estado, muita vez não atende à liturgia e majestade do cargo, que é feito de simbolismos no comportamento. Conduz ainda alguns episódios mal explicados, tais como seu relacionamento com o Queiroz e os cheques depositados na conta corrente de sua esposa; a mudança das chefias da Polícia Federal para "não esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha"; a negligência, ou melhor dizendo, a má vontade no trato das coisas da pandemia; o insistente modelo de administrar gerando crises dentro e fora do Governo, especialmente entre Poderes da República e eventualmente "otras cositas más".

Ao longo da vida, deparamo-nos com a exigência de fazermos escolhas. Conforme Caio Fernando Abreu (1948 - 1996), jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, "A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo à frente, inevitavelmente alguma coisa fica para trás."

Pois bem: os brasileiros estamos prestes a nos deparar com um momento de grande importância para os destinos dessa nação e para o futuro dos nossos filhos e netos. Estamos às portas das eleições gerais de 2022 quando devemos escolher os nossos representantes, aqueles a quem delegamos o poder de decidir sobre políticas públicas e alocação dos recursos do orçamento. O mínimo que devemos fazer é buscar entre os diversos candidatos, os que defendem ideias que mais se aproximem do que pensamos.

Com relação à eleição presidencial, os dois candidatos que se apresentam melhor posicionados como possíveis contendores pelo cargo, já possuem experiências de administração do país. Aquele é ex-Presidente durante dois mandatos e exercendo forte influência em um mandato e meio de sua sucessora. Este, atualmente Presidente, está completando três anos e meio à frente dos destinos da nação. Deveriam, mas não são períodos comparáveis.

Nos 13 anos em que gerenciou o Brasil, o Partido dos Trabalhadores (juntamente com seus associados) foi responsável pelos maiores desmandos (ou "mal feitos" como preferem alguns) já noticiados em um membro da comunidade ocidental. Nas palavras do Ministro Fux, Presidente do Supremo Tribunal Federal, "decisões sobre casos de corrupção foram anuladas na Lava Jato, mas dinheiro desviado era real" (https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2022/06/10/ministro-fux-diz-que-decisoes-sobre-casos-de-corrupcao-foram-anuladas-na-lava-jato-mas-dinheiro-desviado-era-real.ghtml); O ex-Presidente Fernando Henrique Cardos afirmou que "nunca se roubou tanto neste país" (https://g1.globo.com/politica/noticia/2015/07/fernando-henrique-diz-que-nunca-antes-se-roubou-tanto-neste-pais.html). No dizer do Filósofo brasileiro Professor de Harvard e Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República nos Governos Lula e Dilma, Roberto Mangabeira Unger, "Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional" (https://www.sedep.com.br/artigos/afirmo-que-o-governo-lula-e-o-mais-corrupto-de-nossa-historia-nacional/). "O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) aponta uma sucessão de ilícitos e propinas, que chegam a R$ 333,59 milhões" (https://exame.com/brasil/delacao-de-palocci-relata-propinas-de-r-333-milhoes-ao-pt/). "O empresário Marcelo Odebrecht confirmou ontem o acerto de propinas ao PT em favor de Luiz Inácio Lula da Silva, relacionados a financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)" (https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/10/08/interna_politica,1090974/odebrecht-confirma-propinas-para-o-pt.shtml). "As seis empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Operação Lava Jato que pagaram, direta e indiretamente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são suspeitas de terem dado um prejuízo de R$ 20 bilhões para a Petrobras, entre 2004 e 2014" (https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/09/21/interna_politica,806340/lava-jato-estima-que-prejuizo-com-empreiteiras-foi-de-r-20-bilhoes.shtml)

Os poucos exemplos citados acima (são mais, muitos mais), já seriam suficientes para tornar incomparável esse momento do PT no Governo com qualquer outro período da nossa história, conforme dizer do ex-Ministro de Lula e Dilma, o Filósofo Roberto Mangabeira Unger. Por isso é essencial que os brasileiros usemos o "senso de proporção" para nossas escolhas em 2022.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Minha oração diária




O meu "smartphone" possui um aplicativo residente (imagino que todos têm), o "Relógio", que alem de marcar a hora opera algumas facilidades tais como "Cronômetro", "Timer" e "Alarme". Este último permite que o usuário selecione o horário em que deve ser disparado, o dia da semana, o tipo de som etc. Tenho ajustado um alarme diariamente ás 18 horas. Quando ele dispara, o que quer que eu esteja fazendo, paro imediatamente. É a hora da minha oração.

Já há algum tempo iniciei essa prática. Em um intervalo em torno de três minutos, dirijo meu momento de contrição para minha família nuclear, para familiares diversos e aos amigos, sem nominá-los.

Algumas vezes sequer balbucio alguma oração. Apenas penso com empatia nas pessoas para quem eu desejo a graça divina. Até há cerca de duas ou três semanas, esse era o ritual. Desse tempo para agora e continuando, mudei o foco. Estou rogando a Deus que tenha piedade daqueles, familiares e amigos (ou não), que pretendem votar para Presidente no candidato do PT.

Perdoa-lhes Senhor, pelo mal que eles podem estar contribuindo para estabelecer. Não é contra o Partido. Sequer é contra o candidato. Mas o programa, as teses defendidas pela mesma quadrilha que se apoderou do Estado durante 16 anos e que fatalmente voltará, a depender do desejo do povo brasileiro.

Se você concorda que o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e que o Governo emita títulos da dívida pública para que o BNDES financie portos, aeroportos, estradas e ferrovias em outros países, negligenciando a infraestrutura nacional…

Se você concorda que “o aborto deve ser uma questão de saúde pública e todo mundo ter direito e não ter vergonha. Eu não quero ter um filho, eu vou cuidar de não ter meu filho”…

Se você concorda que Ministérios e Diretorias das Estatais devam ser rateadas entre os Partidos Políticos, para que eles indiquem indivíduos responsáveis pela arrecadação de dinheiro para ser gasto só Deus sabe como…

Se você concorda que o país estava melhor com uma inflação de dois dígitos, com a queda do PIB de mais de 3% em dois anos seguidos, déficit público primário de 111 bilhões (2015)…

Se você concorda que crianças de até 5 anos sejam induzidas nas escolas a escolheram um gênero outro que não o do seu nascimento, através de exemplos…

Se você concorda com a corrupção sistêmica e desenfreada que se assenhorou do organismo público brasileiro…

Se você concorda com estes e mais uma porção de “Ses”, você está e continuará sendo alvo de minhas orações. “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem.”

terça-feira, 5 de julho de 2022

Agora foram longe demais!




Apesar de estarmos ainda distante, baixou em mim o espírito natalino e natal é época de perdoar. Ou quem sabe fui possuído pelo espírito da Deusa Eleos, a deusa grega da misericórdia e do perdão.

O religioso americano Heber Jeddy Grant, sétimo presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ensinava: "Nada nos trará mais alegria do que estarmos prontos e dispostos a perdoar as faltas de nossos semelhantes".

Na definição de Dalai Lama, "perdoar não é esquecer mas aceitar que o que está feito está feito e que o passado foge ao nosso controle."

Na Bíblia, em Hebreus 10:17, “Então ele acrescenta: Seus pecados e atos ilegais eu não me lembrarei mais.”

Estou disposto a perdoar "que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagou a vários deputados 30 mil reais por mês para votar a favor de legislação do interesse do governo. O escândalo consistiu nos repasses de fundos de empresas, que faziam doações ao Partido dos Trabalhadores (PT) para conquistar o apoio de políticos. O esquema de corrupção começou em 2003 e só em 2005 foi descoberto" (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../a-esperanca...)

Perdoarei que "Em 2006, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria. O valor é muito superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões. Enquanto isso, no seio da Petrobras, a refinaria era “carinhosamente” chamada de “ruivinha”, pois estava “enferrujada” (veja a foto) até o núcleo e precisava, urgentemente, de reparos. Pasadena era motivo de chacota desde o início. Dois anos depois, a Petrobras e sua sócia Astra Oil "se desentenderam" e uma decisão judicial obrigou a estatal brasileira a comprar a parte pertencente à empresa belga. A Refinaria de Pasadena, segundo o Valor Online, acabou custando US$ 1,249 bilhões ao Brasil (28 vezes o valor que a sócia comprara). Alguns anos depois, Pasadena foi negociada pela Petrobrás com a Chevron pelo preço de US$ 467 milhões" (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../nos-contra...)

Darei meu perdão pelo Escândalo dos Sanguessugas, "também conhecido como máfia das ambulâncias, um escândalo de corrupção que estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro público destinado à compra de ambulâncias".

Amolecerei meu coração para o não cumprimento dos compromissos feitos pelo Lula candidato - "O Primeiro Emprego não se concretizou, atendendo apenas a 0,5% dos jovens que pretendia acolher. A promessa da criação de 10 milhões de empregos não chegou nem perto da metade do que se afirmou em campanha. Lula prometeu segurança pública mais eficiente e durante seu quatriênio os números de mortes violentas permaneceram iguais, chegando inclusive a aumentar em 2003 para 51534, de 49816 em 2002. A reforma agrária 'pacífica, organizada e planejada' foi desclassificada por seus próprios apoiadores, a ponto de o líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, pedir o fim do Ministério do Desenvolvimento Agrário. 'As reformas que a sociedade brasileira reclama' e que ele se comprometia a fazer, como as da Previdência, tributária, política e da legislação trabalhista, nunca tiveram o empenho do Governo."

Estou disposto a perdoar até mesmo o roubo na Petrobrás, o segundo maior escândalo de corrupção do mundo segundo a Transparência Internacional, Organização Não Governamental sediada em Berlim que promoveu pesquisa e constatou que o esquema de propina na estatal brasileira, descoberto na Operação Lava Jato, só perde para ex-Presidente ucraniano. (https://politica.estadao.com.br/.../petrobras-e-o.../).

Relevarei mesmo a indicação da Sra. Dilma Rousseff para Presidente, responsável pela maior catástrofe já acontecida no país, a pior recessão da história, o recuo da economia para anos antes, o encolhimento da renda média nacional e que colocou o PIB entre os piores do mundo. Deus sabe como foi eleita e quanto custou ao Brasil a eleição dessa senhora.

"A lição a tirar: nunca mais deixar se repetir por essas paragens a irresponsabilidade petista, colocada em prática na gestão de Dilma Rousseff, com a malfadada “Nova Matriz Econômica” que permitiu ao setor público várias barbaridades. Dentre elas: gastar mais do que arrecada, congelar inconsequentemente preços de tarifas de energia e combustíveis – para atender às ambições políticas de reeleição da madame -, buscar o financiamento ilegal e imoral através de estatais e promover assombrosas liberalidades monetárias que desmantelaram o controle da inflação e do câmbio. A dimensão do desastre veio em forma de números violentos: em dois anos, o Produto Interno Bruto caiu 7,2%. O fato estatístico, que não tem paralelo desde os idos de 1930, se refletiu, dramaticamente, no fechamento em massa de empresas, no desemprego brutal e na paralisia dos negócios" (https://www.istoedinheiro.com.br/catastrofe-de-dilma/).

Senhores, permito-me (não sem tapar o nariz) esquecer tudo isso. Mas há algo que é absolutamente imperdoável. A confirmar o que vazou do depoimento do Sr. Marcos Valério, é o fim. É transpor todas as fronteiras da integridade, é estuprar os mais básicos conceitos de responsabilidade, é levar ao rés do chão o sentimento de dignidade do ser humano. O envolvimento com o crime organizado, com assassinos declarados, com tráfico transnacional de drogas, ultrapassa os limites da decência mínima. Deus os perdoe.