sábado, 16 de abril de 2022

O que a Petrobras e o Mais Médicos têm em comum?

A U.S. Securities and Exchange Commission é uma agência federal independente de regulamentação e controle dos mercados financeiros. Equivale à CVM brasileira. Depois de uma profunda investigação iniciada em 2016, em 22 de junho de 2018, o Juiz Jed S. Rakoff do Tribunal Distrital dos Estados Unidos, Distrito Sul de Nova York, concordou (em decisão final) com acordo de quase três bilhões de dólares firmado entre a Petrobras e investidores daquele país.

Durante a investigação conduzida pela U.S. Securities and Exchange Commission e que contou inclusive com a participação do FBI e da Seção de Fraude da Divisão Criminal do Departamento de Justiça americano para a instrução do processo contra a Petrobrás, encontraram o que segue:

"A Comissão de Valores Mobiliários acusou a empresa brasileira de petróleo e gás Petróleo Brasileiro S.A. de enganar os investidores norte-americanos ao apresentar declarações financeiras falsas que ocultavam um esquema maciço de suborno e licitações na empresa."
"...altos executivos da Petrobras trabalharam com os maiores empreiteiros e fornecedores da Petrobras para inflar o custo dos projetos de infraestrutura da Petrobras em bilhões de dólares. As empresas que executam esses projetos pagaram bilhões em propinas aos executivos da Petrobras, que dividiram os pagamentos ilegais com políticos brasileiros que os ajudaram a obter seus cargos de alto nível na Petrobras."
"A ordem da SEC conclui que os registros falsos e enganosos da Petrobras incluíam declarações materialmente falsas e enganosas a investidores dos EUA em uma oferta de ações de US$ 10 bilhões concluída em 2010. Os registros deturparam os ativos da Petrobras, projetos de infraestrutura, a integridade de sua gestão e a natureza de seus relacionamentos com seu acionista majoritário, o governo brasileiro."
"A Petrobras levantou fraudulentamente bilhões de dólares de investidores dos EUA, enquanto seus executivos seniores operavam um esquema maciço e não divulgado de suborno e corrupção."

E o que tem o Mais Médicos a ver com isso? Simples: o Tribunal de Apelações dos EUA para o Distrito de Columbia confirmou uma decisão do tribunal distrital de primeira instância, determinando na semana passada a continuidade de uma ação movida por vários médicos cubanos contra a Organização Pan-Americana da Saúde. Essa ação contra a OPAS da Organização Mundial da Saúde é por seu suposto papel em um esquema de tráfico de médicos cubanos em benefício do governo comunista da ilha.

“A decisão é importante tanto como precedente legal quanto como uma oportunidade para os médicos, meus clientes que foram traficados para o Brasil pela OPAS, terem a oportunidade de responsabilizar a OPAS”, disse Sam Dubbin, advogado que representa os médicos cubanos. “O governo cubano nunca teria conseguido traficar meus clientes para o Brasil sem o papel central da OPAS como intermediário financeiro.”

O Governo Dilma Rousseff contratou cerca de 11.000 médicos cubanos. Evidente que os médicos que retornaram a Cuba, sob o tacão do Partido Comunista Cubano, não serão solidários com essa ação. Mas os muitos que fugiram para os Estados Unidos e as centenas que aqui permaneceram, esses certamente serão parte legítima do Processo.

Conforme apurou o site de notícias UOL, "A contratação de médicos cubanos foi definida por um termo assinado em 23 de abril de 2013 com a Opas --que é um braço da OMS (Organização Mundial da Saúde). A entidade, por sua vez, fez um segundo acordo com o governo cubano para pagamento e envio de médicos. Pelas regras, o Ministério da Saúde transfere ao órgão o valor de R$ 11.520 por profissional. A Opas repassa aos contratados cubanos cerca de R$ 3.000. A diferença fica com o governo de Cuba. Segundo apurou o UOL, o convênio já resultou num pagamento pelo Ministério da Saúde de R$ 7,1 bilhões, entre os anos de 2013 e 2017. O acordo prevê que 5% desse montante fique com a Opas, a fim de cobrir os custos indiretos".

Se o sistema de justiça dos Estados Unidos condenar a Organização Mundial da Saúde, certamente o Brasil também será condenado. Sabe você quem vai terminar pagando essa conta?

Esses são apenas dois exemplos da "doce" herança dos Governos do PT.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Vergonha alheia!




"Vergonha alheia é uma locução da língua portuguesa que define o sentimento de vergonha que uma pessoa sente ao testemunhar algo que outro indivíduo disse ou fez; o ato de sentir vergonha pelo próximo."

"A vergonha alheia é um sentimento de constrangimento ao presenciar alguma situação embaraçosa feita por outro indivíduo que, normalmente, não percebe o quanto ridículo, estúpido, ignorante ou vergonhoso foi o seu ato."

Em 1990 eu exercia o mandato de Deputado Estadual, líder de oposição, crítico mordaz ao Governo Tasso Jereissati a quem eu combatia sem trégua. Convidado por um amigo querido, por delegação do Grupo do Governador, para aderir ao seu partido e apoiar seu projeto, declinei do convite. Meu orientador político e chefe do Grupo do qual eu participava era Virgílio Távora, que havia falecido há pouco mais de um ano. Portanto, não havia nenhum óbice para que eu aceitasse a mudança de partido.

Eu tinha consciência de que esse movimento garantiria a minha reeleição e sabia quão difícil seria enfrentar a máquina governamental e a admiração que o povo cearense nutria pelo Governador. Mas o meu sentimento pessoal era de que eu não circularia com a cabeça erguida, especialmente entre os amigos e familiares, se negasse tudo que eu defendera ao longo de todo o mandato. E esses amigos e familiares certamente iriam sentir por mim, "vergonha alheia".

Recentemente presenciei no espectro político brasileiro uma guinada de 180 graus. O desmoronamento de uma história construída ao longo do tempo com sacrifício, com trabalho e com combate à esquerda representada pelo PT. Um líder tradicional do PSDB, com centenas de pronunciamentos denunciando "mal feitos" dos governos petistas, abraçar àqueles a quem sempre manifestou desapreço e mais do que isso, foi sempre um combativo soldado contra esse segmento da política brasileira.

Assistir aos vídeos de Geraldo Alckmin de 2021 para trás e ouvir o que foi dito recentemente em encontro de Lula/Alckmin com lideranças sindicais, é de morrer de tristeza. Mais do que tristeza, é desacreditar na atividade política e no ser humano. A política é "o conjunto de atividades que estão associadas à tomada de decisões em grupos, ou outras formas de relações de poder entre os indivíduos, como a distribuição de recursos ou status."

Não pretendo "dar palanque" ao ex-governador de São Paulo e ao ex-presidente, mas é importante que você assista ao vídeo da reunião dos sindicatos. E sinta o mesmo que eu senti: "vergonha alheia"!

Virgilio Távora, um homem não convencional




Nos tempos atuais, em que agremiações políticas executam uma perversão operesca das boas intenções, onde os fins justificam os meios, vem-me à memória a figura ímpar de Virgílio Távora, a antítese de tudo que vemos agora.

Recentemente, num encontro informal de políticos aposentados, um dos mais novos e que não tivera o privilégio de privar da companhia de VT em nenhum momento, perguntou porque depois de trinta anos da morte desse personagem, ainda se falava tanto nele. A questão foi prontamente respondida por um dos mais experientes do convescote: "porque era honesto e cumpridor de compromisso".

A sentença acima define talvez a faceta mais preeminente e valiosa para a atividade política, mormente nos dias atuais, tão carentes dessas virtudes. Mas não define a amplitude da alma de VT. O VT obstinado por mudar a economia do Ceará - "uma economia baseada no binômio boi/algodão é anacrônica, e não nos levará a lugar algum" - ou mais recentemente seu esforço para a industrialização e o fortalecimento do segmento de serviços no nosso estado. Menos ainda o VT na intimidade, marido dedicado, pai amoroso e avô bobo como todos os avós, alem de amigo incondicional. Portanto, Virgílio Távora era realmente um político honesto e escravo da sua palavra empenhada, mas era muito mais que isso.

O jornalista Jorge Henrique Cartaxo, numa magistral entrevista concedida pelo Senador Virgílio Távora já próximo ao seu falecimento, classifica-o como "o homem público mais completo que o Ceará produziu neste século", referindo-se ao século XX.

Quando leio o poema de Fernando Pessoa "O Guardador de Rebanhos" (pelo heterônimo Alberto Caieiro), lembro de Virgílio. Ou seria, ao contrário, quando lembro de Virgílio, remeto-me às estrofes sobre o rio Tejo, de "O Guardador de Rebanhos"?

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

Sim, porque Virgílio sabia que o Brasil era um "mais belo rio" que muito precisava da sua inteligência e dedicação, mas não esquecia do "rio que corria na sua aldeia", o seu querido Ceará, e achava-o mais belo porque este mais necessitava dele.

Virgilio foi um intransigente defensor da liberdade, lato sensu. Que o digam aqueles que ele pôde proteger ou minorar o sofrimento durante a chamada Revolução de 1964. A liberdade pressupõe, sobretudo, bom senso e honestidade intelectual. E Virgílio tinha isso. É nesse segmento que entendo os cearenses ainda não fizeram justiça a VT. É certo que existem centenas, talvez milhares de equipamentos públicos nominados como Virgilio de Moraes Fernandes Tavora. Mas o nome impresso no mármore frio ou calcado no bronze, não perpetuam a história de um indivíduo.

O ser humano tem a insuperável inclinação para ser um atleta olímpico do genocídio aos seus membros de sucesso. Prncipalmente nas áreas intelectual e política. Os cearenses devem a Virgílio Távora um memorial, que registre para os pósteros todas as lutas capitaneadas por esse extraordinário ser humano, em prol do povo do seu estado e do Brasil.

Pt, saudacoes!

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Putin e Lula: qualquer semelhança é mera coincidência?




"Putin afirma que ganha US$ 140.000 e tem um apartamento de 240 metros quadrados. Seu patrimônio líquido real é um mistério que ninguém pode resolver." (fortune.com em 02 de março de 2022).

Embora amplamente considerado um dos homens mais ricos do mundo, documentos oficiais russos dizem que tudo o que ele possui são dois carros velhos, um pequeno apartamento e qualquer economia que o ex-agente da KGB de 69 anos conseguiu com um salário de cerca de US$ 140.000 por ano. Ninguém acredita que os documentos oficiais apresentam o quadro real. A maioria dos especialistas ocidentais diz que seus vastos ativos são secretamente mantidos por um círculo de comparsas – os chamados oligarcas russos, suas famílias e parentes, além de alguns bens em nome de suas filhas. Ou seja: tudo em nome de terceiros.

Em 2017, depondo no Senado americano, o financista Bill Browder testemunhou perante o Comitê Judiciário do Senado dos EUA ,que o presidente russo Vladimir Putin era o "homem mais rico do mundo", resultado de "crimes terríveis" cometidos pelo governo de Putin. Bill Browder, CEO da Hermitage Capital Management, uma empresa de investimentos que já foi a maior investidora de portfólio na Rússia, afirmou: "Acredito que ele valha 200 bilhões de dólares". Browder testemunhou também que Natalia Veselnitskaya, ligada ao Kremlin, era a "advogada da família" de família russa amiga de Putin, proprietária da Prevezon Holdings Ltd., alvo de um caso de fraude e lavagem de dinheiro de US$ 230 milhões.

Recentemente a Deputada Democrata pelo Estado da Califórnia e Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que o líder russo é 'provavelmente o homem mais rico do mundo'. "Putin é provavelmente o homem mais rico do mundo. Ele tem essas residências palacianas - isso é realmente o que colocou as pessoas em apuros na Rússia porque eles mostraram a arrogância da riqueza com a qual ele vivia".

De acordo com seus adversários políticos, alguns presos, Putin tem quatro iates, incluindo um superiate de US$ 100 milhões, 43 aviões, 700 carros, 15 helicópteros, incluindo um jato de luxo com banheiro de ouro.

Seria Putin o Lula soviético? Não, não creio. Não me consta que Putin faz palestras...

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Política não é sua praia.




"O Juiz Moro tem uma tarefa que está sendo cumprida com a admiração e aplauso da grande maioria dos brasileiros. Ninguém, além do Lula de 2010, chegou tão próximo da unanimidade nacional. Fazer parte do ministério do presidente recém-eleito, certamente abrilhantaria aquele colegiado. No entanto, agora que muitos dos implicados na operação lava jato perderam o foro privilegiado, ausentar-se seria no mínimo alimentar uma forte decepção na sociedade brasileira. Apesar da sabedoria popular estabelecer que "o cemitério está cheio de pessoas insubstituíveis", a justiça precisa da sua mão firme e correta em defesa dos valores e leis nacionais. Ademais, vamos combinar que o Executivo pode não ser a "sua praia". Seguindo carreira no Judiciário, você terá eternamente o reconhecimento de (quase) todos. Você destemidamente deu o start a esse processo de expurgo e exorcismo dos "mal feitos" dos poderosos."

O acima foi escrito na terça-feira, 30 de outubro de 2018, como parte do artigo "Diga 'não', Moro!"(https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/10/diga-nao-moro.html). O único reparo que eu faria hoje, quase três anos e meio depois, seria na frase - Ademais, vamos combinar que o Executivo pode não ser a "sua praia". Não é o Executivo que não é sua praia, Moro. É a política na forma como se faz hoje.

Você seria capaz de arregimentar um bando de marginais para "mapear os endereços dos Deputados e 50 pessoas visitarem suas casas para conversar com suas esposas, filhos. Incomodar a tranquilidade deles?"

Ou talvez "recomendar a um Ministro que recebesse pastores evangélicos para intermediar verbas para prefeitos?"

Quem sabe, na eventualidade de ser Presidente, afirmar que uma guerra entre duas potências estrangeiras seria resolvida aqui "tomando cerveja. Se não na primeira, na segunda, se não na segunda, na terceira, se não na terceira, até acabar as garrafas."

Ou talvez, Moro, você no exercício do mandato de Presidente, diria que ia trocar determinado detentor de cargo público porque "não iria esperar foder minha família toda de sacanagem, ou amigo meu", para proteger os seus próximos?

"Prezada, não estou à venda", e se você realmente não está disposto a prostituir seus princípios, (perdoe a expressão chula) mande todos esses políticos à merda. Você pode contribuir com o país sendo apenas um bom cidadão. Não se cansou de ser usado por pessoas "espertas" que apenas tiraram proveito da sua imagem, do seu caráter e do respeito que os brasileiros cultivamos por você?

Deus o abençoe, Sérgio Moro!

terça-feira, 5 de abril de 2022

Lula e o Comitê Exploratório




A política nos Estados Unidos tem características muito peculiares, a partir da eleição presidencial. Não obstante ser um País Republicano com Sistema de Governo Presidencialista, a corrida para a Casa Branca tanto pode ser feita através de um Partido como de forma independente.

Apesar de a grande mídia, em regra, só cobrir os candidatos Democratas e Republicanos, em 3 de novembro de 2020 os chamados Partidos de terceira via e candidatos independentes formaram um bloco de 9 candidatos além dos candidatos oficiais dos dois Partidos hegemônicos. Do rapper Kanye West (sim, aquele mesmo que foi casado com a modelo Kim Kardashian) que concorreu como membro independente ao ex-executivo do carvão Don Blankenship, que concorreu como candidato do Partido da Constituição. Do empresário de criptomoedas Brock Pierce que concorreu em uma chapa independente, ao Brian T. Carroll, um professor aposentado (concorreu pelo Partido da Solidariedade Americana) até Gloria La Riva, candidata do Partido para o Socialismo e Libertação, entre outros.

Interessante a forma de escolha dos candidatos dos Partidos, principalmente quando mais de um pré-candidato se dispõe a disputar o pleito. O sistema de primárias, além de mobilizar a base do Partido, seus militantes, teoricamente seleciona aquele que tem melhores condições de vencer a eleição.

Para participar das primárias, o pretenso candidato instala um Comitê Exploratório. Não é legalmente obrigatório, mas altamente desejável. Um comitê exploratório é a forma de "testar as águas" de uma candidatura antes de entrar oficialmente em uma corrida. Principalmente é um bom instrumento para arrecadar fundos. Nessa fase, os candidatos não são obrigados a divulgar o dinheiro obtido e como foi gasto.

As candidaturas independentes, apesar de tradicionalmente não terem sido competitivas nas eleições americanas, têm sido usadas seja como forma de divulgar determinado interesse de um grupo social, seja para subtrair votos de outros candidatos. Em 2015, Donald Trump usou para pressionar o Partido Republicano. O multimilionário deixou surpresos os espectadores do primeiro debate entre republicanos, ao afirmar que não descartava se apresentar como candidato independente, caso não conseguisse a indicação para disputar as eleições de 2016.

Nos Estados Unidos, a expressão "testando as águas" é usada para descrever alguém que está explorando a viabilidade de se tornar candidato a um cargo político. Essa expressão, a meu sentir, cai como uma luva na atual situação do pré-candidato Lula da Silva. Tanto é assim que, vez em quando, o ex-presidente sinaliza para o fato de que ainda não afirmou que será candidato. Aqui no Brasil, existe uma outra expressão muito usada na área política, que faz remissão à boca do jacaré. Do Blog de Merval Pereira, colhi:

"No jargão dos institutos de pesquisa, os gráficos de pontuação formam o desenho da boca de um jacaré. Quando os índices de um candidato são maiores que os do adversário, o desenho é de uma boca de jacaré se abrindo, e geralmente essa tendência se mantém ao longo da disputa. A boca do jacaré se abrindo é sinal de vitória. Ao contrário, quando a boca do jacaré vai se fechando, devido à redução da diferença entre os dois candidatos, é sinal de que a eleição pode estar caminhando para uma vitória apertada de quem está na frente, ou para uma reviravolta, dependendo do tempo existente até as urnas e as circunstâncias da disputa."

Pois bem: tudo indica que "o jacaré está fechando a boca". De fato, se observarmos as pesquisas publicadas a partir de janeiro de 2022, a diferença de intenção de votos (em média) entre Lula e Bolsonaro variaram assim: Janeiro - 23%; Fevereiro - 18%; Março - 12%, sempre em favor do ex-presidente. Esses dados foram obtidos de pesquisas estimuladas publicadas pela grande mídia e encomendadas por esses veículos ou por empresas da área financeira. Se olhadas as pesquisas espontâneas, as mandíbulas do jacaré estarão muito mais próximas. Sinal amarelo para o candidato da esquerda.

Infelizmente, o chamado Centro Democrático ainda não descobriu seu norte, não conseguiu estabelecer uma pré-candidatura que se aproximasse da disputa que se configura binária entre os dois extremos. Em fevereiro, quando o Centro Democrático ainda se chamava Terceira Via, escreví: "A terceira via, tendo como seu mais competitivo representante o ex-Juiz Sérgio Moro, patina na melhor das hipóteses nos arredores de 11%. Há já algum tempo escrevi que o Dr. Moro precisa chegar ao mês de maio com algo em torno de 15 ou 16%, preferencialmente tirando a maior parte do seu crescimento do percentual atribuído a Bolsonaro, sob pena de inviabilizar essa tão buscada terceira via e consolidar a desenhada bipolaridade esquerda/direita." (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2022/02/de-pesquisas-e-pesquisas.html).

Muitos dias ainda vão amanhecer até a eleição. No momento é muito temeroso fazer-se uma previsão de resultados. Algo que se pode afirmar, no entanto, é que "nunca antes na história desse país", o tecido social esteve tão esgarçado, a sociedade esteve tão dividida.

Que Deus se apiade do Brasil!

domingo, 27 de março de 2022

“Opus Dei”




Em 2006, o assunto “Opus Dei” estava na ordem do dia. O candidato a Presidente pelo PSDB em quem eu desejava votar, Geraldo Alckmin, era acusado de ser membro dessa organização religiosa. Fiquei um pouco hesitante e busquei saber o que de tanto mal havia nesse segmento da Religião Católica. Eu não me recordava de ter ouvido falar antes, confesso minha ignorância.

Descobri que é não mais do que "uma organização católica romana leiga e clerical, cujos membros buscam a perfeição cristã pessoal e se esforçam para implementar os ideais e valores cristãos em suas ocupações e na sociedade como um todo".

O Opus Dei foi fundado em 1928 na Espanha por São Josemaria Escrivá de Balaguer y Albás, sacerdote formado em direito. Esse sacerdote foi canonizado em 2002 pelo Papa João Paulo 2º. Acreditando que a vida cotidiana pode ser santificadora, Escrivá procurou encorajar os leigos e sacerdotes católicos na busca da santidade por meio de suas próprias profissões.

Recentemente voltei à pesquisa e nela encontrei o website da organização - www.opusdei.org - extremamente informativo. Chamou-me a atenção principalmente o depoimento de um jovem cantor lírico espanhol, cujo primeiro nome é Henrique, contando sua trajetória de vida. Ele inicia sua história dizendo: "Nasci numa casa socialista, recebi uma educação 'soviética' assente na cultura, na música, na literatura e no desporto! Reinava a ditadura do proletariado, como dizia muitas vezes (por piada) a minha mãe: 'Eu trabalho, eu mando, vocês obedecem!' O dia mais celebrado lá em casa é, sem surpresas, o 25 de Abril - dia da comemoração da Revolução dos Cravos".

E segue o jovem português:

"Ao entrar para o 9º ano, segui os passos da minha irmã mais velha e juntei-me à Juventude Comunista Portuguesa. A partir do ano seguinte, a minha atividade política intensifica-se brutalmente, tornei-me uma figura de destaque na escola (incluindo ser presidente da associação de estudantes) e passei a fazer a vida negra a professores e diretores 'reaccionários e fascistas'!

Cheguei mesmo a ter uma namorada católica, através de quem fui mudando a minha forma de olhar para a realidade. Não porque os argumentos me servissem! Continuava a considerar um fetichismo, uma superstição antiquada! Mas porque a alegria destes meus amigos era genuína e contagiante. Eu vivia angustiado por querer mudar o mundo, não percebendo que quem tinha de mudar era eu...

Quando chegou a hora de ir para a faculdade, decidi fazer provas para me licenciar em teatro e ser ator. Estava totalmente confiante. Mas não fui admitido. E aqui começou a ser posta em causa a minha crença materialista da auto-suficiência do ser humano. Como se não bastasse, passados seis meses, a namorada católica põe fim à nossa relação…

Na manhã do dia seguinte, no meio de uma angústia inenarrável, de um modo inexplicável (só depois lhe chamei uma extraordinária graça de Deus), sou levado, diria mesmo: puxado!, até à Igreja do Campo Grande. E aí, pela primeira vez, encontro-me sozinho, cara-a-cara, com Jesus. Toda a tristeza foi sugada por Deus presente no Sacrário… Estava a converter-me e não sabia ainda como explicar este misterioso fenómeno! Eu que antes dizia: 'Nunca acreditarei em Deus!', fui obrigado a reconhecer que nunca mais poderia voltar a afirmar que não acredito em Deus..."

Você não é obrigado a acreditar nesse testemunho. Sequer a ser cristão. Nem mesmo crer na honestidade do depoimento do lusitano Henrique. Mas há aí um processo de aproximação com a doutrina do catolicismo. O socialista não se tornou católico da noite para o dia.

Este texto sintetiza a história da conversão de um jovem português que percorreu o caminho do socialismo para o Opus Dei.

Você lembra de alguem que recentemente fez o trajeto inverso? E sem que haja tido todo um processo de elaboração do novo conceito? É inimaginável que alguem negue toda um trajetória de vida num piscar de olhos, em um estalar de dedos, unindo-se a pessoas a quem recentemente acusava de responsável por todas as mazelas que afligem o país.

Perdoe-me Geraldo Alckmin mas não posso acreditar em você. Concordo com o jornalista José Roberto Guzzo que acaba de publicar no jornal O Estado de São Paulo que "Lula-Alckmin é a aliança mais cínica de que se tem notícia na vida pública brasileira. Alckmin, ao se unir a Lula, está se unindo a tudo que sempre combateu em sua vida."

E ainda: "O ex-governador Geraldo Alckmin está entrando para a história política do Brasil como um caso extremo de hipocrisia, de falsidade ou de oportunismo - ou, muito provavelmente, as três coisas ao mesmo tempo."

Que Deus se apiade do Brasil!

sábado, 19 de março de 2022

Estocolmo ou O dia em que quebrei o rádio




Estocolmo é uma cidade de cerca de um milhão de habitantes, abrangendo 14 ilhas e meia centena de pontes que fazem a ligação entre as diversas ilhas. É uma cidade pulsante, colorida e principalmente no verão, um lugar para ser visitado.

Desembarcando da viagem de Helsinque, fui de taxi direto para o Sofo Hotel que eu havia pré-reservado. O hotel é modesto, mas confortável e de excelente localização. Essa era a segunda vez que visitava a cidade. A primeira visita eu a fizera acompanhado e com uma programação estabelecida, palestras, etc. Não dessa vez. Estava sozinho, sem nenhum compromisso ou obrigação. Como dizíamos na minha infância em Várzea Alegre: "solto na buraqueira".

O resto do dia da chegada não conta. Depois do almoço, recolhi-me ao hotel para um merecido e necessário repouso. A noitada no navio da Viking Line deixara sequelas.

O dia seguinte foi para reconhecimento de terreno. Coisas como longas caminhadas a pé, sem destino e sem rumo certo, apenas observando o colorido da cidade e a fauna humana. Ouvindo os inaceitáveis e reprováveis comentários do Deputado Arthur do Val sobre as mulheres ucranianas, confesso que lembrei dessa viagem à Suécia. Não pelo nojo que causa a afirmativa de que as mulheres "são fáceis porque são pobres", mas pelo fato de serem lindas.

O regime político sueco é uma Monarquia Parlamentarista, cujo Chefe de Estado é o rei Carlos XVI Gustavo, casado com a rainha Sílvia Renata, filha de um empresário alemão e mãe brasileira. Isso despertou minha curiosidade de, como primeira visita, conhecer o Palácio Real de Estocolmo. É uma pomposa construção do Século XVI, adaptado de uma fortaleza construída no Século XIII. Vaguei um pouco pelas cercanias sem direito a entrar (sequer sei se visitas são permitidas), mas imaginando o que havia de história e cultura enterradas naquela edificação.

O jantar foi em um restaurante próximo ao hotel com música ao vivo, e para minha surpresa a apresentação de um trio argentino tocando o melhor do jazz. Pedi uma massa com almôndegas que traduzido para o cearensês nada mais é do que macarrão com bolinhas de carne moída.

Nas viagens em que você está sozinho, por sua conta e sem compromissos de programação, deve separar pelo menos um dia para fazer o roteiro do turista tradicional. Foi exatamente o que fiz: a visita ao Swedish History Museum, um passeio de metrô onde e cada estação você encontra verdadeiras galerias de arte (esculpidas em rochas, muitas mantêm a sensação de uma caverna recém-descoberta) etc. O almoço foi no meio da rua, nos chamados "food trucks", que servem comidas das mais diversas origens.

Retornando ao hotel e depois de um necessário descanso, pedi na recepção uma indicação de um barzinho que fosse animado e, ao mesmo tempo em um local agradável. A sugestão não poderia ter sido melhor. No terraço de um edifício de 13 (ou 14?) andares, onde se podia ter uma vista abrangente de Estocolmo e muito bem frequentado, se vocês me compreendem. A ecologia do ambiente, a fauna humana, o cenário, envolveram-me numa euforia interna. Resolvi beber conhaque tirando o gosto com generosos canecos de chopp. Não foram muitos até que eu começasse a desconfiar estar na hora de "ir para casa".

Devia ser umas nove da noite, dia claro ainda, chegando ao hotel. O Sofo tem uma escada até a recepção, como mostrado na imagem. Talvez 15 degraus. Entre o primeiro e o segundo degraus perdi o equilíbrio e rolei escada abaixo até o hall de entrada. Fiquei alguns segundos inerte, tempo suficiente para que o recepcionista me acudisse, ajudando-me a levantar do piso atapetado e sentar na cadeira mais próxima. Havia sangue sobre a mão esquerda e um corte profundo no dedo anelar. O recepcionista aconselhou-me a ir a um hospital. Eu bem que podia ter ido, uma vez que sempre tenho a cautela de viajar com seguro saúde. Mas a mente obnubilada pelo álcool e ainda o temor de sofrer alguns pontos no corte do dedo, fizeram-me resistir à ideia. Trouxeram então um estojo de primeiros socorros e ali mesmo foi feito um curativo. Recolhi-me ao quarto e adormeci.



Foi a madrugada mais longa que já varei em toda minha agitada existência. Acordei por volta das duas da manhã com uma dor lancinante no punho esquerdo. Liguei para a portaria e pedi um saco com gelo. Tentei envolver o pulso com gelo fixado com uma toalha. A partir desse momento não consegui mais dormir. A espera até a manhã foi de uma monotonia estranha: um misto de cansaço e desamparo. E pressa, muita pressa para que o tempo passasse rápido.

Antes das sete da manhã, dirigi-me à recepção do hotel e pedi-lhes que me indicassem uma farmácia. Felizmente a pouco mais de uma quadra havia uma. Caminhei até lá e esperei uns dez minutos, atendendo ao aviso pendurado na porta de que seria aberta às 7:00 horas. Ali fui atendido por uma empregada que se disse estudante de enfermagem. Indicou-me um gel para massagear o pulso e um protetor desses usados por esportistas. Trocou, não sem criticar, o curativo do dedo, sem saber por quem e em que circunstância foi realizado.

Voltei ainda uma vez à farmácia, para trocar o curativo e comprar material para fazer o procedimento no resto da viagem. Afinal, ainda estava apenas na metade das férias. Prossegui para Oslo e Copenhague, sempre sentindo dor no pulso, já um pouco arrefecida pelo gel e às vezes um analgésico, bem como pelo protetor (munhequeira).

Apenas quando cheguei ao Brasil, cerca de 12 dias depois, fui ao ortopedista que após radiografia diagnosticou uma fratura no rádio. Eu nem sequer sabia que esse bendito osso existia no corpo humano. A partir daí foram três meses de fisioterapia e ainda assim não consigo até hoje fazer o movimento completo do pulso esquerdo. Lembrança sombria da Suécia onde quebrei o rádio.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Um Governo de 48 horas!




Antes de Constituição Estadual de 1989, a linha de sucessão estadual era, pela ordem: o Vice-Governador, o Presidente da Assembléia, o 1º Vice-Presidente da Assembléia e o Presidente do Tribunal de Justiça (essa sequência foi modificada na Constituição de 1989 por uma emenda do Deputado Francisco José de Figueiredo Correia que priorizava o Presidente da Assembléia e em seguida o Presidente do Tribunal de Justiça do Ceará - Art. 62).

Na renovação da Mesa Diretora da Assembléia, em 1989, o PDS cujo Presidente era Aécio de Borba, fez acordo com o PSDB de Tasso Jereissati contra a postura das lideranças do interior do Estado e a maioria da bancada de Deputados. Esse acordo foi costurado em Brasília por Mauro Benevides e Aécio e ficou conhecido como o acordo dos cunhados. Eu era líder da bancada do PDS e certamente o Deputado que mais agressivamente criticava o Governo. Era uma violência contra tudo que eu havia feito e defendido no exercício do meu mandato.

Na véspera da eleição da Mesa Diretora passei a noite em claro. Literalmente. Lá pelas tantas da madrugada, decidi que ia pedir a palavra no início da sessão, renunciar à liderança do Partido e anunciar meu voto no candidato da oposição. O Presidente Aécio de Borba havia marcado uma reunião, um café da manhã, com toda a bancada no apartamento do Deputado Antônio Jacó. Nessa madrugada eu também decidira não comparecer à reunião.

Aécio era um craque na política e sabia quanto era custoso para mim, acatar aquele acordo. Sabia também da gratidão e admiração que eu nutria pelo recém-falecido Virgílio Távora. Quando eu me preparava para sumir até a hora da votação, liga o porteiro do condomínio onde eu morava dizendo que o Deputado Carlos Virgílio estava subindo. Era pouco mais de 6:00 horas da manhã. Pedi à secretária de casa para preparar um café enquanto tomava um banho rápido. Seguiu-se um dos momentos mais difíceis de todo aquele período. Carlos Virgílio discorreu sobre a credibilidade de um Partido que fazia acordos e os cumpria, argumentou que o candidato que o PDS estava apoiando (Deputado Pinheiro Landim) não era o candidato "in pectore" do Governador Tasso Jereissati, etc. Foi mais de uma hora de um processo argumentativo veemente. Por fim ele me fez a seguinte pergunta: "você acha que se o papai fosse vivo pediria para você apoiar o candidato de Totó (Gonzaga Mota)?" Isso me desmoronou por inteiro.

A verdade é que fui ao café da manhã com Aécio, saí de lá 1.º Vice-Presidente da Assembléia e graças a isso, futuro Governador por 48 horas. O Governo mais profícuo, correto e equilibrado que este Estado já presenciou. Não demiti nem admiti ninguém, não persegui adversários nem beneficiei correligionários, comandei um Governo de paz e prosperidade. Mas esta é outra história que contarei oportunamente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

De pesquisas e pesquisas




No ano de 1987 eu era líder de oposição ao Governo Tasso Jereissati na Assembléia Legislativa do Ceará. Publicada pesquisa de opinião pública na mídia nacional em que o Governador cearense detinha elevado índice de aprovação, fiz discurso da tribuna tratando com ironia aquele resultado com o objetivo de desqualificá-lo. "Queria levar ao conhecimento desta Casa Legislativa que em recente pesquisa fui considerado o melhor Deputado dessa legislatura. A pesquisa foi feita entre meus oito irmãos, minha mãe e meu pai".

O tempo provou que a pesquisa estava certa e eu estava errado, tanto é que não fui reeleito e o Governador Tasso elegeu seu sucessor com folga.

Hoje vemos divulgadas pesquisas de opinião as mais diversas entre potenciais candidatos a Presidente, todas elas trazendo o pré-candidato do PT largamente à frente dos seus eventuais adversários. Nada mais natural pelo "recall" do ex-Presidente Lula (duas vezes Presidente da República, saindo do cargo com uma aceitação que beirava a unanimidade), não tivessem ele e seu Partido patrocinado os maiores escândalos já acontecidos em Repúblicas ocidentais.

Algo que chama a atenção é que o Presidente e provavelmente candidato à reeleição Jair Bolsonaro, em suas aparições públicas arrasta multidões, enquanto o líder das pesquisas faz apenas reuniões semipúblicas e sempre falando para platéias "amestradas".

A terceira via, tendo como seu mais competitivo representante o ex-Juiz Sérgio Moro, patina na melhor das hipóteses nos arredores de 11%. Há já algum tempo escrevi que o Dr. Moro precisa chegar ao mês de maio com algo em torno de 15 ou 16%, preferencialmente tirando a maior parte do seu crescimento do percentual atribuído a Bolsonaro, sob pena de inviabilizar essa tão buscada terceira via e consolidar a desenhada bipolaridade esquerda/direita.

Descartemos a possibilidade aventada por muitos de os institutos de pesquisa estarem "errando" deliberadamente. Meu palpite é de que, nas proximidades das convenções partidárias para escolha dos candidatos, mês de junho por exemplo, se consolidada a disputa esquerda/direita, o atual Presidente tem que estar pelo menos em empate técnico com seu adversário, do contrário tornará muito difícil sua reeleição.

O PT tem contra seu candidato a exploração que está sendo e será cada vez mais feita dos "mal feitos" do Partido e seus dirigentes. Moro terá como bandeira favorável o combate à corrupção e ao crime organizado, que não é desprezível. Bolsonaro tem a seu favor a caneta do Governo, disposta a distribuir um "saco de bondades" até a eleição. Neste momento, a meu juízo, a eleição é completamente imprevisível.

Em tempo: perdoem-me os que raciocinam com a cegueira da paixão mas continuo achando que Lula não será candidato.

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Atualizada em 24/02/2022 às 09:32h

Parece que as notícias para o pré-candidato do PT não são nada boas e as coisas estão acontecendo muito antes do que eu imaginava:

"Pesquisa do banco Modal coloca Bolsonaro à frente de Lula.

Pesquisa divulgada a clientes do banco coloca Bolsonaro em primeiro lugar nas respostas espontâneas e empatado tecnicamente na estimulada."

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/a-pesquisa-do-banco-modal-que-coloca-bolsonaro-a-frente-de-lula/

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Atualizada em 30 de julho de 2022 às 03:50h

Pesquisas publicadas com menos de 24 horas de intervalo, por duas instituições pertencentes ao mesmo grupo financeiro.

"XP/Ipespe: Lula tem 44% e Bolsonaro,35%

https://www.uol.com.br/eleicoes/2022/07/25/pesquisa-xp-ipespe-presidente-julho.htm?cmpid=copiaecola&fbclid=IwAR01mZd4zkOkjRl1qU8IGwZ6QaYAcI__qL1LY_0u18IVre98fCj9GfO4FsA

"Banco Modal é um banco de investimentos brasileiro com sede no Rio de Janeiro, desde 2022 pertencente ao Grupo XP. Fundada em 1995, a instituição atua no mercado de ativos com operações de conta-corrente, crédito e investimentos."

"Pesquisa Modal/Futura mostra empate técnico entre Bolsonaro e Lula."

https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/eleicoes2022/blog/presidenciaveis/pesquisa-modal-futura-mostra-empate-tecnico-entre-bolsonaro-e-lula?fbclid=IwAR0MPDnQTAfpR6hVW4lSvAa4y89ZL1O-LYR8eZzI8mbBQ1hSwZx0HpYBQzw

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O Navio da Viking Line




Eu já tinha tido experiências anteriores de cruzeiros marítimos, mas confesso que a viagem no navio da Viking Line (de Helsinque para Estocolmo) me fascinou. A embarcação tinha uns 6 restaurantes e provavelmente um número maior de bares. A minha cabine era uma das mais simples com uma cama de casal, um banheiro, algo que se aproximava de um armário para pendurar roupas e uma janela para o oceano. Tudo bem pequeno e funcional.

O embarque foi em torno das 17:00 horas. Evidente que em uma viagem de algo como umas 20 horas, não havia tempo para explorar uma embarcação de grande porte como aquela. Resolvi então estabelecer as minhas prioridades. Após acomodar a mala na cabine, vestir uma roupa que considerei elegante (usando o blazer que me acompanha há mais de 30 anos nas viagens internacionais), selecionei o barzinho com música ao vivo - voz e violão. Eu havia lido sobre uma bebida típica da Escandinávia - uma tal de Aquavit - assemelhada à cachaça brasileira ou à vodka. A bebida é servida muito gelada. Pedi uma dose e uma coca-cola e a impressão que eu tive é que a jovem garçonete não gostou que eu fizesse a mistura.

Enquanto estava no bar, descobri uma espécie de fôlder com as diversas atrações do navio. Entre elas um cassino com roletas e máquinas caça-niqueis e um salão de dança no deck superior. O cassino era "pobre" se comparado aos monumentais cassinos de Las Vegas. Uma passada rápida apenas para conhecer e jogar fora alguns trocados. Mas a noite foi gasta (ou investida?) mesmo no baile. Uma banda de boa qualidade tocando os mais diversos estilos de música, um surpreendentemente grande salão apoiado por um bar e contido por mesas e poltronas, e gente, muita gente em busca de divertimento. Não me restou outra alternativa senão "Volver a los diecisiete después de vivir un siglo" como na canção de Mercedes Sosa, regado ao inesquecível "cuba libre" feito com Rum Bacardi. Não me perguntem quantos bebi. Honestamente não saberia dizê-lo. Lembro apenas que me recolhi à cabine muito tarde da noite (melhor seria afirmar muito cedo da manhã?).

O resto da curta viagem todos podem imaginar: uma boa ressaca. Digno de registro apenas o café da manhã, seja pela diversidade, pela fartura e pela presença de salmão e champagne (que eu não bebi, naturalmente). Na minha cabeça de cearense de Várzea Alegre, não combinam peixe e bebida no café. A primeira alimentação do dia era para ser tapioca com manteiga, cuscuz com leite, pão com ovo e café, algo assim.

A hospedagem em Estocolmo, devidamente reservada pelo Booking, era o Sofo Hotel. Um hotel sem luxo, mas tudo muito limpo e agradável. Feito o procedimento de registro, almocei nos arredores e voltei para os aposentos - vamos descansar porque ninguém é de ferro!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

"Não existe isso aqui"



Em junho de 2016 eu atravessava um período de muita solidão. Resolvi programar férias para viajar, tentar encontrar motivação e excitamento para o vazio que se apoderara de mim.

Sempre tive o desejo de conhecer os países nórdicos. Era curioso abrir qualquer avaliação mundial sobre excelência em serviços, qualidade e expectativa de vida, avanços sociais etc, e encontrar invariavelmente a Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca no topo da tabela. Eu precisava ver de perto aquele sucesso.

A ideia inicial era viajar direto para Helsinque, capital da Finlândia e permanecer durante algo em torno de cinco dias em cada capital. Deixar para comprar as passagens entre países quando lá estivesse (avião, trem ou navio), bem como as reservas de hotel feitas através do Booking (com possibilidade de cancelamento ou reprogramação de datas), davam-me a liberdade e flexibilidade para viver essa nova aventura.

O voo Fortaleza / Helsinque seria feito parte pela TAM (Fortaleza/São Paulo/Paris) e parte (Paris/Helsinque) pela companhia aérea finlandesa Finnair. Foi uma programação muito conveniente, uma vez que demorava pouco mais de uma hora no aeroporto de Guarulhos e quatro horas no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. A primeira grande surpresa da viagem, foi chegar com vinte e cinco minutos de antecedência no aeroporto de Helsinque, às 22:30h e encontrar o sol brilhando, como se fosse as 17:00h do Ceará. Com efeito, naquela época do ano o por do sol era sempre em torno de 22:50h e a noite durava apenas cerca de seis horas, informaram-me.

Devidamente acomodado no Hotel Haaga, da rede Best Western, procurei o "concierge" na recepção para que ele me desse um mapa da cidade (muito comum em quase todos os hotéis da Europa). Estendido o mapa no balcão da recepção, pedi para mostrar-me as áreas mais seguras, uma vez que eu pretendia dar uma caminhada. Explorar os arredores e eventualmente comer alguma coisa. O rapaz não entendeu. Insisti que queria caminhar um pouco. ainda assim ele ficou me olhando sem entender exatamente o que eu perguntara. Pedi então que me indicasse áreas aonde houvesse possibilidade de assalto ou algo assim. Sua cara de surpresa não escondia a avaliação de quão estúpida era aquela pergunta. "Não existe isso aqui", respondeu-me. "Você pode andar por onde quiser até a hora que lhe for conveniente".

A Finlândia é uma país pequeno, com 338 mil quilômetros quadrados e 5,5 milhões de habitantes. Assemelha-se ao nosso Maranhão (331 mil quilômetros quadrados) em área territorial, e apenas nisso. A capital Helsinque tem pouco mais de 620 mil habitantes. É uma cidade absolutamente tranquila, muito horizontal, ruas limpas e silenciosas, A economia da cidade é baseada principalmente em serviços. Gastei meus três dias em Helsinque praticando meu esporte predileto: observar a fauna humana. Quando tive oportunidade busquei conversar com populares, seja no hotel, no taxi, no bar etc. São mandatórias as visitas ao Museu Nacional (Kansallismuseo), à Catedral e à Universidade de Helsinque, para admirar a arquitetura clássica de suas linhas.

Eu havia lido em algum lugar que "Se você não experimenta a sauna, não experimenta a Finlândia”. Pedi informações na recepção do Hotel e o recepcionista entusiasticamente disse-me que a maior sauna pública mista da cidade havia sido inaugurada recentemente. Deu-me o endereço, uma praia do mar báltico, a uns 15 minutos de carro. A sauna tinha um vestiário pra cada gênero na entrada, mas dentro todos ficavam em uma área comum. A maioria usava roupa de banho, à exceção de três mulheres de meia idade que mantinham apenas a peça inferior do biquini e um senhor de idade avançada que parecia cochilar deitado em sua toalha sobre o banco de madeira, "vestido" apenas com sua aliança de casado. "Na Finlândia, a nudez não é um tabu como é pra nós brasileiros, justamente por não ser tão sexualizada". Apesar disso, eu estava perfeitamente instrumentalizado com meu short preto Pierre Cardin de vários outros carnavais e ainda hoje em uso.

Depois da sauna, restava-me jantar, não sem antes beber duas doses de Finlandia Vodka (a bebida mais forte que já experimentei em toda a minha vida) acompanhadas pela cerveja finlandesa "de fino trato". Até amanhã, a bordo do Navio da Viking Line, numa viagem de 20 horas rumo a Estocolmo.

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(Do website intercultural.com.br)

Top 10 países com melhor qualidade de vida (2021):

1. Suíça
2. Dinamarca
3. Holanda
4. Finlândia
5. Áustria
6. Austrália
7. Islândia
8. Alemanha
9. Nova Zelândia
10. Noruega

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(Do g1.globo.com)

Finlândia é o 'país mais feliz do mundo'; Brasil na 39ª posição.

O 'World Happiness Report' é um estudo financiado pela ONU que começou há 10 anos.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/03/18/finlandia-e-o-pais-mais-feliz-do-mundo-brasil-na-39a-posicao.ghtml

A Finlândia, com nota 7,82 em uma escala que vai até 10, supera Dinamarca, Islândia, Suíça e Holanda, países que completam o grupo de cinco mais felizes do mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 países mais felizes do mundo:

Finlândia
Dinamarca
Islândia
Suíça
Holanda
Luxemburgo
Suécia
Noruega
Israel
Nova Zelândia

O relatório é baseado em pesquisas que questionam as pessoas sobre a sensação de felicidade e cruzam as informações com dados do PIB, níveis de liberdade individual ou de corrupção, entre outros dados.

"A lição obtida do relatório, nestes dez anos, é que a generosidade entre as pessoas e a honestidade dos governos são cruciais para o bem-estar", afirmou Jeffrey Sachs, um dos coautores.

"Os líderes mundiais deveriam levar isto em consideração", acrescentou.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O Japão do futuro.

Sede da NEC Corporation em Tóquio


O ano era 1992. A NEC japonesa convidou alguns dirigentes de empresas de telecomunicações do Brasil para visitar plantas industriais da companhia naquele país. No momento eu ocupava o cargo de Diretor Financeiro da Teleceará e juntamente com o Presidente Tarcísio Faria, fiz a viagem. Eram companheiros também o Presidente da Embratel, o Presidente da Telemig, Djalma Morais, que posteriormente foi Ministro das Comunicações no Governo Itamar Franco e mais meia dúzia de executivos das empresas brasileiras do ramo.

A NEC Corporation é uma empresa multinacional, parte do grupo japonês Sumitomo, com atuação nas áreas de Tecnologia da Informação, Soluções de Rede, Equipamentos e Serviços de Telecomunicações. Uma gigante da tecnologia mundial.

Fomos acompanhados durante toda a viagem por um engenheiro japonês que morara no Brasil (em São Paulo) durante seis anos e comunicava-se razoavelmente bem em português. A programação de uma semana, previa visitas e palestras na sede em Tóquio e a quatro fábricas na capital, em Yokohama e Sendai. Havia também um dia dedicado às compras nesse enorme shopping a céu aberto que são alguns bairros essencialmente comerciais de Tóquio.

Reservo alguns momentos na memória extremamente interessantes dessa viagem:

1 - O futurista prédio sede da companhia foi construído alicerçado em gigantescas esferas de aço, para suportar os frequentes terremotos e tufões que ali acontecem. O Japão é um dos países mais bem preparados para enfrentar desastres naturais, e ainda assim já foi devastado pela força da natureza algumas vezes. A maior tragédia natural acontecida no Japão foi o terremoto de março de 2011, que deixou 15 894 mortos confirmados, 6 152 feridos e cerca de 2 562 desaparecidos.

2 - A viagem de trem entre Tóquio e Sendai, de cerca de 370 km, no trem-bala japonês denominado Shinkansen, que em alguns momentos chegava a alcançar a velocidade de 300 km/h. O respeito demonstrado pela vendedora de chocolates, sucos, refrigerantes e chás ao entrar no vagão com o seu carrinho, numa reverência respeitosa às pessoas, e do mesmo modo a saída do vagão com a mesma reverência e sempre de frente para os passageiros.

3 - A resposta do engenheiro japonês que nos ciceroneava quando lhe perguntei de que ele tinha saudade do Brasil: "saudade da caipirinha, da feijoada e daquela esculhambacion!"

4 - O jantar que nos foi oferecido pelo vice-Presidente da NEC para a América Latina. Numa sala reservada para o nosso grupo, não éramos mais que 10 pessoas. O restaurante era uma construção muito antiga, paredes decoradas com alguns mapas e uns poucos quadros representativos da cultura japonesa. Durante o jantar, foi-nos oferecida uma apresentação de música tocada em um instrumento que segundo o anfitrião tinha mais de mil anos. Esse instrumento que me lembrou o pau do galamarte que eu construía em Várzea Alegre quando criança, ou ainda um banco de tronco de árvore que ainda hoje encontramos no interior do Ceará, com duas ou três cordas, na horizontal, era manuseado com maestria por uma mulher vestida e pintada a caráter, como aquelas imagens de gueixa que vemos no cinema.

No decorrer do jantar, a conversa resvalou para a remuneração de executivos. O anfitrião começou a discorrer sobre como eram montados os salários no Japão, e citou como exemplo a sua empresa, na qual a diferença entre o menor e o maior salário era apenas oito vezes. Num paralelo com o Brasil, era como se um funcionário mais humilde ganhasse o salário mínimo e o Presidente da empresa apenas oito salários mínimos. E dizia ele que realmente os salários japoneses, em regra, não eram altos. Nesse momento eu perguntei quem ganhava os maiores salários no Japão, e ele respondeu com a maior naturalidade: "Os professores universitários. Porque estão preparando o Japão do futuro".

Portanto, amigos, não é à-toa que "A economia do Japão é a terceira maior do mundo por PIB nominal, é o segundo maior país desenvolvido do mundo e é o maior país credor do mundo, geralmente tendo um superavit comercial anual e tendo um considerável excedente internacional de investimentos".

Viva o Japão!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Os esquerdinhas que eu adotei.




Desde quando comecei a usar as redes sociais, e já faz algum tempo (lembram do Orkut e MySpace?), estabeleci como política não excluir nenhum membro por discordar de suas opiniões. De fato, entendo que aquele que se propõe a elaborar ideias de forma pública, deve estar preparado para ter refutadas essas ideias e receber objeções. A título de informação, em todo esse tempo excluí apenas quatro participantes, por ofensas pessoais. Dessa forma cultivo amizade e respeito por pessoas que idolatram a quadrilha que assaltou o pais durante 13 anos, que juram que o ex-Presidente Lula é inocente e que foi condenado sem provas, que os bilhões devolvidos pelos ladrões do dinheiro público, roubaram sem o conhecimento de Sua Excelência. Absurdamente afirmam que as 86 obras financiadas para países amigos, via BNDES, com juros a partir de 4,44% ao ano e prazos até 25 anos para pagar, ajudaram a criar empregos aqui.

Evidente que você não pode igualar todos os eleitores de Lula. Lula, no dizer de um candidato a Presidente que já foi da cozinha do petista, é "sem escrúpulos, um encantador de serpentes, um mentiroso". É impressionantemente desfavorável o conceito sobre Lula que emite parte do grupo de intelectuais, sindicalistas e profissionais liberais que fundaram o PT. O sociólogo Chico de Oliveira afirmou, em entrevista no "Roda Viva" que "“Lula é muito mais esperto do que vocês pensam. O Lula não tem caráter, ele é um oportunista". Numa outra edição do mesmo programa, o jurista e pioneiro do Partido dos Trabalhadores, Hélio Bicudo, afirmou que Lula "enriqueceu de forma ilícita usando a Presidência da República... se corrompeu e corrompe a sociedade brasileira...". A ex-Senadora do PT, Heloísa Helena, em entrevista á Folha de São Paulo, afirmou que "Lula é um 'gângster' e o PT uma organização criminosa capaz de roubar, matar, caluniar e liquidar qualquer um que passe pela frente ameaçando seu projeto de poder". São inúmeras as pessoas que militaram ao lado do ex-Presidente, seja na formação do Partido, seja nas suas campanhas presidenciais, que não admitem sequer conversar com ele.

Dentre esse conjunto da sociedade brasileira que pretende votar em Lula, existe o Lulista devocionado, aquele homem primitivo capaz de adorar os fenômenos principais da Natureza, como o trovão, a chuva, o vento, o mar e o sol! É um indigente intelectual. Esse não sabe porque existe, não tem a menor noção dos deveres do Estado, para ele a Democracia é uma imagem distante e sem significado, a honradez e honestidade são valores que não devem se aplicar ao seu ídolo. Ele apenas "é Lula e pronto".

Existem os Lulistas "efeito manada". Ele até que reprova algumas atitudes do ex-presidente, mas no seu trabalho o Chefe é Lula; seu colega do birô ao lado tem uma caneca de café com a estrela vermelha estampada, destrata todos os políticos desde que não sejam do PT; sua colega de trabalho (por quem tem um tesão contido) participa de todas as manifestações da esquerda, tendo inclusive tirado férias para ir acampar em Curitiba com direito a gritar "Bom dia, Presidente Lula!", cedinho da manhã; no grupo de WhatsApp da empresa, todos são Lula ou permanecem calados. Então ele também é Lula.

O Lulista envergonhado faz parte desse conjunto. Em geral é classe média, com bom acesso aos meios de comunicação e às redes sociais. É aquele indivíduo que argumenta sempre pelo coletivo: todos os políticos cometem "malfeitos", fazem caixa dois, o PT não inventou a corrupção, Lula não roubou o dinheiro público tendo ele mesmo sido vítima de alguns apoiadores, Lula foi condenado sem provas etc. etc. Se encontrasse um candidato melhor até que consideraria votar nele, mas... a exclusão consagra seu voto.

O Lulista "socialista romântico ou uma espécie de gonorréia juvenil" no dizer de Roberto Campos, é aquele que foi acometido na juventude e nunca se curou. Tem um modelo de sociedade idealizado, que não existe em lugar nenhum do mundo além de sua cabeça. Defende cotas para todas as minorias raciais, para a mulher (apesar de serem maioria no corpo social), para LGBTQIA+, quilombolas, indígenas, imigrantes, moradores de favelas, idosos, moradores de rua etc. E bota etcétera nisso! Preocupa-se com o desmatamento da Amazônia pelo aquecimento global, com a pesca das baleias, com a preservação do Mico Leão Dourado, com a fome na Africa e com a truculência do Governo da Africa do Sul, mas esquece que a China é responsável por 31% das emissões de CO₂, o principal gás do efeito estufa, a morte de milhares de pessoas por fome na Venezuela, os presos políticos em Cuba, a violência dos Governos da Nicarágua e Coreia do Norte. É um messiânico no pior sentido da palavra.

E por último, mas certamente não menos importante, a casta do Lulismo. O Politburo do PT. Aí estão os dirigentes mais graduados, Deputados, Senadores, intelectuais e burocratas do Partido. Os analistas políticos, colunistas da grande mídia, blogueiros, todos amestrados. Os artistas que por estarem desmamados das generosas verbas da Lei Rouanet, num processo de abstinência forçada, representam hoje o grupo mais aguerrido. E evidentemente, a grande mídia. Aquela que para usar um expressão de Virgílio Távora, é cheia de "ardor cívico" (ele afirmava acompanhado do gesto de esfregar o dedo polegar contra o indicador), ou citando Juca Chaves, "se você pagar, ela publica até a verdade".

Fique à vontade para identificar-se!

sábado, 29 de janeiro de 2022

A inflação norte-americana




No final da primeira quinzena de Janeiro corrente, a sociedade americana foi surpreendida com o anúncio da inflação de 7% em 2021, número maior dos últimos 39 anos. Com efeito, no ano de 1982 a inflação nos Estados Unidos chegou a alcançar a inacreditável (para eles) taxa de 8,39%.

Debita-se a maior parte do índice à alta constante de alimentos, energia, aluguel e veículos em meio a gargalos persistentes na cadeia de suprimentos e escassez de trabalhadores. A variante ômicron de rápida disseminação do COVID-19 além das tempestades de inverno, provavelmente intensificaram os aumentos de preços gerando mais ausências de trabalhadores nas redes globais de entrega. Esse cenário há provocado ausência de alguns produtos e prateleiras vazias em supermercados.

No ano passado, a gasolina na bomba subiu 49,6%, as tarifas hoteleiras 23,9%, carros usados e caminhões 37,3%. Os preços aumentaram 11,8% ao ano para carros novos, 7,4% para móveis domésticos, 5,8% para vestuário e 6,3% para mantimentos. Os preços de frango e peixe subiram 10,4% e 8,4%, respectivamente. A carne bovina subiu 13% e a suína, 15,1%.

A economia forçada pelo "lockdown" para atender à proteção da pandemia, os trilhões de dólares em economias adicionais com cheques de estímulo federal e benefícios de desemprego aprimorados, surpreenderam uma rede de suprimentos ainda prejudicada pela pandemia que não estava preparada para a farra de compras. A rara colisão de demanda robusta e oferta insuficiente desencadeou escassez generalizada de produtos e preços mais altos.

É extremamente complicado para o americano médio compreender inflações descontroladas como tivemos no Brasil no final da década de 1980 e início da década de 1990. Em março de 1990 tivemos a maior inflação mensal de toda a história da nossa nação: 80%.

No final do ano de 1991, em viagem de férias fui visitar a Família Burton na cidade de Boise capital do Estado do Idaho, nos Estados Unidos. A visita justificava-se porque eles haviam recebido e hospedado durante um ano meu filho mais velho, Nilo Júnior, para cumprir programa de intercâmbio estudantil.

Formam uma família bem estruturada nos moldes da tradicional família norte-americana, com seus valores calcados no conservadorismo ético protestante. Some-se a isso, o Idaho encontrar-se na região do país mais tardiamente colonizada - o oeste bravio.

Gary Burton, o cabeça do casal, é economista por profissão, tendo seu próprio negócio de investimentos. Numa conversa amistosa com Gary, disse-lhe que o Brasil havia passado há pouco por um período de hiperinflação e que recentemente tínhamos tido uma inflação mensal de 80%. No primeiro momento ele achou que eu havia me enganado com os números, por estar falando em um idioma que não era o meu de origem. Quando reafirmei o percentual, ele insistiu que eu devia estar enganado. E afirmou com a convicção que sua profissão autorizava: "Nenhum país do mundo sobrevive a uma inflação de 80% ao mês!"

Na época eu não conhecia a frase: "O Brasil não é para amadores!"

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Atualizado em 07/02/2022 ás 06:57h

(https://monitormercantil.com.br/inflacao-na-europa-bate-recorde-de-25-anos/)

Inflação na Europa bate recorde de 25 anos. Gás deve subir 50% no Reino Unido. Preços de commodities agrícolas aumentaram 28% ano passado.

A inflação na Zona do Euro atingiu 5% em dezembro, informou o órgão estatístico da União Europeia, o Eurostat. É o nível mais alto desde que os registros começaram, em 1997. Em novembro a inflação já havia chegado a 4,9%.

O aumento deveu-se principalmente ao custo da energia, que disparou novamente em dezembro, e subiu a uma taxa anual de 26%, um pouco menor do que no mês anterior.

A alta tem atingido todos os países. Os preços do gás no atacado na Grã-Bretanha permanecem mais de quatro vezes acima do que no mesmo período do ano passado, as famílias em todo o país enfrentam um aumento na conta de energia em 2022.

O teto do preço deva ser revisado pelo regulador de energia da Grã-Bretanha, o Office of Gas and Electricity Markets (Ofgem), em fevereiro. Os especialistas esperam um aumento de cerca de 50% nas contas de energia dos consumidores até abril, elevando a inflação para 6,2%.

A pressão não vem só da energia. Abdolreza Abbassian, economista sênior da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), disse em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira que, em 2021, o Índice de Preços de Alimentos da FAO foi 28,1% mais alto do que em 2020. Os preços globais dos cereais estavam em seu nível mais alto desde 2012, em média 27,2% acima dos preços de 2020.

A alta nos alimentos agrícolas levou a Índia, no final de 2021, a suspender por um ano as negociações de contratos futuros de commodities agrícolas. O País é o maior importador mundial de óleos vegetais e grande produtor de trigo e arroz.

A decisão tenta limitar a especulação, um dos motores das altas de preços, que vêm provocando a inflação e aumentando a transferência de renda e a desigualdade.

No setor de petróleo, instrumentos especulativos reforçam a alta de preços. Os chamados Wall Street refiners transacionam volumes maiores de papéis do que o volume físico do produto. Quanto maior a volatilidade, como atualmente, mais operações são realizadas.

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Atualizado em 10/02/2022 às 12:15h

Inflation just came in at 7.5%

Price increases over last year (CPI report)
Used Cars: +40.5%
Gasoline: +40.0%
Gas Utilities: +23.9%
Meats/Fish/Eggs: +12.2%
New Cars: +12.2%
Electricity: +10.7%
Overall CPI: +7.5%
Food at home: +7.4%
Food away from home: +6.4%
Transportation: +5.6%
Apparel: +5.3%
Shelter: +4.4%

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Atualizado em 11/04/2022 às 10:15h

Taxa de inflação dos Estados Unidos
Dados de março de 2022 - Histórico de 1914-2021 -

A taxa de inflação anual nos EUA acelerou para 8,5% em março de 2022, a maior desde dezembro de 1981. Incrementada a partir de de 7,9% em fevereiro. Os números estão em linha com as previsões de mercado de 8,4%.

Os preços da energia aumentaram 32%, nomeadamente gasolina (48%) e óleo diesel (70,1%) na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia. Além disso, os preços dos alimentos subiram 8,8%, o maior aumento desde maio de 1981. Enquanto isso, a inflação também acelerou para imóveis (5% vs 4,7% em fevereiro) e veículos novos (12,5% vs 12,4%), mas diminuiu para carros usados e caminhões (35,3% vs 41,2%).

Excluindo as categorias voláteis de energia e alimentos, o IPC subiu 6,5%, o maior em 40 anos, mas ligeiramente abaixo das previsões de 6,6%. Muitos analistas esperam que março marque o pico da inflação, embora a guerra na Ucrânia esteja longe de terminar, os gargalos da cadeia de suprimentos persistam e a demanda do consumidor permaneça elevada, o que provavelmente pesará sobre o IPC por mais tempo.

( fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics)

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Atualizado em 13/07/2022 ás 10:07h

🇺🇸 A inflação ao consumidor dos Estados Unidos medida pelo CPI avançou 1,3% em junho com relação ao mês anterior, superando as expectativas, que indicavam alta de 1,1%.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação sobe 9,1%.

A disparada dos preços na maior economia do mundo dá forças às apostas em uma nova elevação de 0,75 ponto percentual dos juros na próxima reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, o comitê de política monetária dos EUA), e reforça a perspectiva de recessão global.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

A CPI contra Moro




Intensa movimentação nos bastidores da política. Esquerda e direita juntos, petistas e bolsonaristas excitados com a ideia de criar uma CPI contra o ex-Juiz Moro.

A "brilhante" ideia foi gestada nos esgotos do PT, parte por medo do crescimento de Moro nas pesquisas, parte pelo rasteiro sentimento de vingança, por ter o ex-Juiz condenado em primeira instância (confirmada em segunda e pelo STJ), grande parte de dirigentes da sigla, inclusive seu líder e chefe inconteste.

De pronto, o movimento foi endossado pelo Ministro Chefe da Casa Civil do Governo Bolsonaro, o Sr. Ciro Nogueira. Em seguida, o aliado do Presidente e seu indicado para a Presidência da Câmara, Arthur Lira, acena com o aval para a instalação da malfadada CPI.

Como o TCU, numa ação meramente política e usando um membro da cozinha de Renan Calheiros, não conseguiu saber quanto o ex-Ministro ganhou de honorários da empresa para a qual deu assessoria durante alguns meses, os bandidos de esquerda e direita unem-se para instalar essa comissão tendo como objeto apurar "prejuízos ocasionados aos cofres públicos pelas operações supostamente ilegais dos membros da Lava Jato de Curitiba e do ex-Juiz Sérgio Moro".

Quando da decisão do Dr. Sérgio Moro de tornar-se candidato a Presidente da República, confesso que temia que não haveria espaço para tal. A sociedade está tão binariamente dividida que era difícil acreditar numa quebra dessa polarização. Neste momento já não penso da mesma forma. A estrutura de pesquisas internas de um Partido poderoso como o PT é bastante respeitável. Da mesma forma, os órgãos de inteligência do Governo devem ter informações que os comuns dos mortais não temos. Resta-nos a nós, pessoas da massa amorfa que forma a sociedade brasileira, inquirirmos por que duas forças tão antagônicas, que ocupam todo o seu tempo por acusarem-se na mídia tradicional e principalmente nas redes sociais, juntam-se em um esforço político na mesma direção? Por que algo gestado nos porões do PT é prontamente celebrado pelo Chefe da Casa Civil do Governo e recebido com endosso pelo maior aliado do Presidente no Legislativo Federal?

A sabedoria popular nos ensina que "Ninguém atira pedras em árvore que não dá frutos", ou ainda "O inimigo não estaria te atacando, se você não tivesse algo de muito bom dentro de você. Ladrões não tentam roubar casas vazias".

Quero pedir mil perdões aos meus três leitores por recorrer à expressão chula, mas eu acho que os candidatos grandões "tão se cagando de medo" da candidatura do Dr. Sérgio Moro!

domingo, 23 de janeiro de 2022

Amnésia coletiva?




Hoje, 23/01/2022, o jornal O Estado de São Paulo emite editorial de opinião sob o título "O mal que Lula faz à democracia". "As sondagens de intenção de voto mostram que parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula. Convém recordar o que o PT fez em sua passagem pelo poder. Considerando tudo o que o PT fez e deixou de fazer ao longo de seus 40 anos de existência – especialmente no período em que Lula e Dilma estiveram no Planalto –, uma nova candidatura petista à Presidência da República não deveria suscitar entusiasmo na população."

Ora, o ciclo dos governos do PT resume-se a 4880 dias de escândalos e corrupção e muitos bilhões de dinheiro desviados do bolso dos brasileiros para enriquecimento pessoal e a perpetuação de um projeto de poder. Apesar de pairarem suspeitas sobre algumas das pesquisas divulgadas ultimamente, há que se considerar que parte da sociedade brasileira ainda pretende votar no candidato do PT. O Partido, ajudado pela militância que aparelhou as redações da grande mídia e pelos blogs amestrados movidos a "ardor cívico" ($), soube desde o primeiro momento estabelecer um consenso argumentativo para tentar neutralizar as exaustivamente comprovadas acusações contra o PT e o ex-Presidente ("o PT não inventou a corrupção e Lula foi condenado sem provas"). Repetido milhões de vezes, o argumento finda por criar dúvida e arrefecer a censura aos comprovados "mal feitos" (outro eufemismo criado com o mesmo objetivo) cometidos pelo Partido e suas lideranças.

Ainda na mesma linha de raciocínio, desde o anúncio da eventual candidatura do ex-Ministro Sérgio Moro, toda a força bolsonarista nas redes sociais tem trabalhado para desacreditar o Dr. Moro. Difícil fazê-lo sem que para isso beneficie de alguma forma o ultra-adversário Lula da Silva. Mesmo a divulgação de uma pouco provável proposta ao Presidente ("você me indica para o STF e depois troca o Superintendente da PF") não atingiu o objetivo esperado pelos estrategistas presidenciais, mas forneceu munição para a candidatura petista.

Unindo-se a persistência da militância petista com a "ajuda" proporcionada pelo recente empenho dos bolsonaristas, é razoável que se reconheça que um percentual de brasileiros ainda aceitem uma candidatura do PT. Não creio, no entanto em um esquecimento coletivo. E por isso mesmo, não acredito na candidatura do Sr. Lula da Silva.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Cenas da pré-campanha




O cenário de pré-campanha dos presidenciáveis 2022 tem trazido situações as mais diversas. Algumas hilárias, outras constrangedoras, umas poucas substantivas quando os candidatos acenam para seus programas de governo etc.

As primeiras estratégias estão sendo delineadas de tal sorte que pouco a pouco sinalizações são feitas para as direções nas quais as campanhas vão navegar. Pelo menos nesse primeiro momento.

O pré-candidato Lula buscou a proximidade com Geraldo Alckmin, seu algoz de 2018, como um recado ao mercado. Seria a "Carta aos brasileiros" de 2022. O Senhor Alckimin, que consta teria hoje a preferência para o Governo de São Paulo, precisa ficar atento. Consulte o também presidenciável Ciro Gomes sobre sua mudança de domicílio eleitoral por inspiração de Lula, levando seu título de eleitor de Sobral para São Paulo. Quais compromissos, posteriormente não cumpridos, envolviam aquela movimentação? Segundo o eterno candidato de Sobral, em declaração registrada em vídeo e amplamente divulgada em redes sociais, o Lula é "um malaca, encantador de serpentes, um mentiroso". Esses são os mais brandos títulos com os quais ele homenageia o ex-Presidente. Há emitido acusações muito mais graves também em público. Imagine o que não deve dizer no privado!

Do mesmo modo o pré-candidato do PT vem evitando circular em público, dando preferência a reuniões fechadas, apesar de a mídia dia sim e outro também divulgar pesquisas nas quais Sua Excelência ganharia a eleição no primeiro turno. Do ponto de vista da Economia em seu eventual Governo, a sinalização foi forte e definitiva. Atendendo a convite da Folha de São Paulo para que os diversos pré-candidatos indicassem assessores para delinear diretrizes econômicas para o país, ele nomeou o Sr. Guido Mantega, ex-Ministro de seus Governos e dos Governos Dilma. O Senhor Mantega é aquele mesmo que ficou conhecido no Departamento da Propina da Odebrecht como o "Pós-Itália" (leia artigo "A Volta do Pós-Itália" em https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../a-volta-do-pos...).

O pré-candidato Ciro Gomes continua seu périplo de entrevistas e palestras, atirando para todos os lados. Seu brilhante marqueteiro parece ainda não ter estabelecido o alvo para seu início de campanha, de tal sorte que em determinado momento ele agracia o ex-Presidente Lula, a quem serviu como Ministro e a quem seguiu com fidelidade canina por cerca de 20 anos, com a adjetivação exposta acima. No momento seguinte, pede o impeachment do Presidente Bolsonaro e o ameaça (a ele e à família) com cadeia quando largar o mandato. Afirma que tem provas da corrupção do Presidente desde quando Deputado Federal de quem foi colega, onde ele "praticava a rachadinha com os funcionários e roubava até a gasolina da Câmara". Mas impagável mesmo é seu vídeo desafiando o ex-Ministro Sérgio Moro para um debate. Primeiro ele simula uma "voz" de pato para em seguida largar um "vem, fuleragem!". Se meus três leitores ainda não viram esse vídeo, não deixem de buscar no YouTube. Vale a pena! Tenho 100% de certeza de que não foi aprovado pelo competente João Santana.

O ex-Ministro e provável candidato da terceira via, Sérgio Moro, deu uma largada animadora com dois dígitos de intenção de votos em pesquisas recentes. É uma pena que estejam sendo tão questionadas essas pesquisas por grande parte de analistas. De fato, quando uma pesquisa coloca um percentual maior ou igual para um candidato, na pergunta livre em relação à estimulada, perde completamente a credibilidade. E isso aconteceu em recente pesquisa divulgada por veículos de comunicação dos maiores. De todo modo, o Dr. Sérgio Moro tem o respeito e admiração de grande parte da população. Mas ganha a eleição quem tem mais votos, e o ex-Juiz deve pelo menos até maio atingir os quinze ou dezesseis por cento de intenção de votos, de preferência tirando do Presidente Bolsonaro, para acenar com a viabilidade de sua candidatura. Do contrário, a polarização que se desenha será consolidada, inviabilizando a sua e qualquer outra candidatura que deseje ocupar a dita terceira via.

O Presidente Bolsonaro, pré-candidato à reeleição, não foge à sua característica. Todo dia cria um novo desafeto ou realimenta desafetos já estabelecidos. O Presidente está conseguindo a incrível proeza de ressuscitar a esquerda brasileira que jazia putrefata em um canto qualquer da história, como escrevi há quase dois anos (em 4 de abril de 2020) em artigo intitulado "O Estalo de Vieira" - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../o-estalo-de.... Dois episódios recentes, a meu juízo, podem ter prejudicado eleitoralmente o Presidente: a carta que (consta) o ex-Presidente Temer escreveu e ele assinou, para mim uma desmedida capitulação e humilhação, e a Nota do Presidente da Anvisa - um primor de texto na forma e no conteúdo. Se Sua Excelência não tinha o menor indício de corrupção ou mesmo de interesse não republicano naquele órgão, não devia ter "cutucado a onça com vara curta". Recentemente voltou a acusar os Ministros Barroso e Alexandre de Morais de agirem politicamente na Suprema Corte. É bem verdade que muitas das decisões dos citados Ministros são estranhamente heterodoxas, para dizer o mínimo. Mas o Chefe do Poder Executivo tem instrumentos e dispositivos legais para questionar decisões, sem que para isso precise "bater boca" com autoridades através da mídia ou de redes sociais.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem centrado suas baterias contra o ex-Ministro Sérgio Moro. Certamente o aparato de inteligência do Governo identificou alguma migração de votos do Presidente para o pré-candidato da terceira via. De sorte que o Presidente, em uma das suas já famosas "lives" das quintas-feiras, ocupou boa parte do tempo mostrando quanto foi solidário com o ex-Ministro quando do vazamento dos supostos documentos pelo "The Intercept". O objetivo era claramente mostrar um Moro ingrato e traidor. Não creio que a maioria da população "comprou" a ideia. Há uma afirmativa do Presidente, no entanto, que me causa um verdadeiro incômodo. Quando tento montar a imagem mental do episódio, ela não se estabelece convincentemente. Pelo perfil dos persongens, algo não está casando. Sua Excelência afirmou que quando instado a trocar o Superintendente da Polícia Federal, o Ministro Moro teria dito: "você me indica para o STF em setembro e depois troca". Desculpe, Presidente, mas minha mente cartesiana não consegue deglutir a história como contada por você. Tenho a vaidade de conhecer um pouco da alma humana, mesmo à distância. Não, Presidente. Não dá para acreditar. Quer dizer que você acha que o Presidente está mentindo, poderia me perguntar um dos meus parcos leitores. E eu responderia: acho! Não devia ser assim, mas em política tudo é permitido. Já se dizia desde o início dos tempos que em política o feio é perder.

Em tempo: eu não creio que Lula será candidato. Desistirá antes de consagrado na convenção do seu Partido.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

A volta do "Pós-Itália"




As apurações de corrupção pela "Operação Lava Jato" descobriram um tal Departamento da Propina da Odebrecht e dentro dele o que se convencionou chamar de Lista de Fachin. Essa lista nada mais era do que a relação de políticos e autoridades da República que recebiam propina originária de recursos desviados dos cofres públicos de diversas maneiras.

Essa lista ficou famosa, seja pela importância dos personagens participantes, seja pela criatividade nos apelidos que identificavam esses personagens. Constavam alcunhas como: "Amante" (Gleisi Hoffmann), "Amigo do meu pai" (Lula), "Atleta" (Renan Calheiros), "Belém" (Geraldo Alckmin), "Botafogo" (Rodrigo Maia), "Cavanhaque" (Hélder Barbalho), "Drácula" (Humberto Costa), "Guerrilheiro" (Zé Dirceu), "Italiano" (Antônio Palocci), "Mineirinho" (Aécio Neves), "Polo" (Jaques Wagner), "Pós Italiano" ou "Pós-Itália" (Guido Mantega) e muitos outros menos votados.

O Sr. Guido Mantega é um economista nascido na Itália e naturalizado brasileiro. Foi Ministro do Planejamento, Presidente do BNDES e Ministro da Fazenda nos dois mandatos do Presidente Lula e Ministro da Fazenda no período Dilma. Essa ativa participação nos Governos do PT e sempre em cargos de primeiro escalão, tornaram-no réu/investigado em alguns processos de corrupção ativa, passiva, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e práticas contra o sistema financeiro nacional.

O Jornal Folha de São Paulo abriu espaço para a publicação de artigos dos assessores econômicos dos principais candidatos a Presidente. Dessa forma, já encaminharam seus textos os assessores de Ciro Gomes - Nélson Marconi, João Dória - Henrique Meireles, Sergio Moro - Afonso Celso Pastore e pasmem, Lula da Silva indicou o Sr. Guido Mantega.

Apesar dessa forte e clara sinalização, aliados do petista afirmam que a escolha não envolve a campanha do ex-presidente e que Lula “nem anunciou candidatura”.

"Esses mesmos interlocutores afirmam que Lula e Mantega têm contatos frequentes, mas que não significa nenhuma sinalização em relação a uma possível candidatura". Essas afirmações de pessoas próximas do ex-presidente permitem duas leituras: não quer se comprometer publicamente com o Sr. Mantega pelo seu envolvimento com a justiça ou não quer afirmar definitivamente que é candidato. Ou ambos. A verdade é que vai ser difícil para Lula, se realmente confirmar sua candidatura, encontrar auxiliares com a ficha limpa para montar sua equipe de campanha.

O descrito acima é muito grave, mas não é tudo. Como bem registrou o colunista Ricardo Rangel na edição de hoje (04/01/2022) da Folha, "Mantega foi o ministro da Fazenda mais longevo da história do país e se existe alguém que personifica a desastrosa política econômica do PT — essa excrescência a que se deu o pomposo e pretensioso nome de “Nova Matriz Econômica” —, esse alguém é ele. A Nova Matriz Econômica derrubou o PIB em mais de 8% e fez disparar o desemprego, a inflação e os juros. É a incompetência de Bolsonaro e Guedes que nos impede de sair no buraco, mas quem nos jogou no buraco não foram eles. Foram Lula, Dilma e Mantega."

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Atualizado em 05/01/2022 às 12:16h.

Moro ironiza artigo de Mantega: “Impressão minha ou Pós-Itália omite a grande recessão?”

Ciro Gomes:
"A síntese do pensamento econômico do lulismo, pobre e cinicamente produzida por Guido Mantega, hoje na Folha, é uma das peças mais hipócritas e ambíguas já vistas. É uma mistura de "Carta aos Brasileiros" envergonhada e nacional desenvolvimentismo de araque."

Do Radar Econômico da Veja:
"Guido Mantega 'esquece' Dilma Rousseff em artigo para Lula. Ex-ministro faz releitura conveniente das gestões petistas e brinca com o calendário."

De Fernando Castilho no UOL:
"Mantega na economia assusta mercado, mas Lula e PT sempre atuam assim. No ministério da Fazenda, Mantega mudou despesas e receitas dentro das empresas estatais para apresentar um resultado positivo nas contas."

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

De coincidências improváveis ou do encontro casual de dois matutos cearenses no Metrô de Londres.




O ano era 1981. Resolvi gozar minhas férias anuais em uma viagem à Europa. A parada obrigatória em Paris - Museus do Louvre e de Rodin, o Centro Georges Pompidou e a impagável noitada na Place du Tertre ou como é mais conhecida, Place des artistes, por abrigar toda variedade de artistas de rua. Ali em Montmartre, pairando sobre o emblemático Moulin Rouge, você encontra a Basílica de Sacré-Coeur e atrás dela a praça dos artistas, um dos locais mais bonitos de Paris onde se respira uma atmosfera diferente e única no mundo.

Próxima parada era Londres. Eu havia estado ali uns poucos anos antes e a agitação da capital britânica me fascinara. O Piccadilly Circus com suas exóticas figuras, por si só, já justificava a viagem. Ficar ali parado, apenas observando a fauna humana em circulação, era uma festa para os olhos.

A viagem terrestre entre Paris e Londres era marcada pela travessia do Canal da Mancha em "ferry boat", entre Calais (na França) e Dover (em território inglês). Ainda não estava construído o Eurotúnel com seus 50 km de extensão, só inaugurado em maio de 1994.

A reserva do hotel em Londres, na região de Westminster, tinha sido uma cortesia da empresa de turismo que nos havia vendido as passagens. Não existia Internet com suas facilidades atuais, tais como Airbnb, Booking.com, Hotels.com, Tripadvisor e que tais.

Eu desejava assistir a uma peça nos famosos teatros londrinos e fui aconselhar-me com o concierge do hotel. Este indicou-me um local onde eu poderia escolher entre todas as que estavam em cartaz e ali comprar os ingressos. Tratava-se da Leicester Square, uma das mais famosas praças de Londres. Um tipo quiosque, muito assemelhado às bancas de revista de Fortaleza, vendia ingressos para teatros e cinemas.

De posse de um mapa da cidade, gentilmente cedido pelo concierge, peguei o Metrô que me deixaria na estação da Leicester Square. Em um determinado momento da viagem, senti um leve tapa nas costas. Virei-me rapidamente e deparei-me com meu amigo ZéAfonso (José Afonso de Oliveira), à época Diretor de Câmbio do BEC. Ali estivera participando de um curso de inglês especializado na sua área de atuação. Contou-me que era seu último dia no país e que já retornaria à noite para o Ceará.

Uma inimaginável coincidência! Despedimo-nos quando chegou à minha estação. E a certeza de que naquela noite, um matuto de Juazeiro do Norte estaria embarcando no aeroporto de Heathrow de volta pra casa e outro matuto de Várzea Alegre estaria assistindo a um musical (porque não entendia inglês) em um teatro qualquer de Londres.