segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Dois céus



A sociedade brasileira está irremediável e profundamente fracionada. Precisamos urgentemente descobrir/criar dois céus para pacificar o esgarçado tecido social. Não cabem no mesmo céu o “nunca antes na história desse país” e o “Mito”.

A fratura da sociedade brasileira é um reflexo das tensões políticas e sociais profundas que têm marcado o país nos últimos anos. Essas tensões muitas vezes se manifestam como divisões entre grupos que apoiam diferentes ideologias ou figuras políticas, como é o caso das expressões "nunca antes na história desse país" e "Mito", frequentemente associadas a diferentes espectros políticos no Brasil.

A frase "nunca antes na história desse país" tornou-se popular durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), particularmente sob a presidência de Lula da Silva. Por outro lado, "Mito" é um apelido dado a Jair Bolsonaro, uma figura política associada a ideias de direita, que enfatiza valores tradicionais, a segurança e uma postura crítica em relação à esquerda.

Essas duas visões representam não apenas diferenças políticas, mas também diferentes percepções e esperanças para o futuro do Brasil. A busca por "dois céus" para harmonizar essas visões divergentes é uma metáfora para a necessidade de encontrar um terreno comum, uma forma de convivência e diálogo que permita uma coexistência pacífica e produtiva.

Para alcançar isso, é essencial promover a tolerância, o respeito mútuo e o entendimento.

Criar esses "dois céus" não significa forçar um consenso artificial ou ignorar diferenças legítimas, mas sim reconhecer e respeitar a diversidade de pensamentos e experiências, buscando formas de convivência harmoniosa e produtiva. É um desafio que requer tempo, esforço e, acima de tudo, a vontade de todos os envolvidos para avançar em direção a um entendimento comum.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Uma profunda decepção com o ser humano



"Uma profunda decepção com o ser humano" é uma expressão que evoca sentimentos de tristeza e desilusão profundamente enraizados, relacionados à natureza ou às ações humanas.

Com a autoridade de quem passou os últimos 5 anos não apenas defendendo, mas exaltando as ações de Sergio Moro (veja textos abaixo), afirmo: você foi a maior decepção entre todas dos últimos meses no Brasil. Vendeu sua alma para seus verdugos, desconhecendo a admiração e apoio que um dia o povo brasileiro teve por você.

Não apenas porque Flavio Dino é de um partido adversário, também porque o Sr. Dino não atende às exigências constitucionais para pertencer à Suprema Corte do país. Não tem reputação ilibada, para ficar apenas nesse item. Ou você desconhece que este senhor é acusado de receber R$ 200 mil para defender projeto que beneficiava Odebrecht segundo José de Carvalho Filho, executivo da construtora; Em 2017, a Polícia Federal prendeu 14 investigados da Operação Pegadores, que apontou na época fraudes milionárias na área da saúde do Maranhão, governado por Dino; Com suspeita de irregularidade, um contrato do governo de Flávio Dino estava sob investigação a respeito da compra de combustível destinado a abastecer um helicóptero em 2020; Ele também é investigado pelo Ministério Público do Maranhão, no âmbito criminal, por suspeitas de irregularidades no seu governo. O objetivo é apurar suposta prática de peculato, desvio de recursos por agente público. Contudo, o Ministério Público do Estado colocou sob sigilo a investigação e desde então não se tem muita informação sobre o caso. A Noticia é do site ATUAL7 e de outros portais que republicaram as informações.

Dino perdeu um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em que tentava condenar o senador Roberto Rocha (PTB-MA) por haver denunciado gastos de R$1 milhão, durante a pandemia, em trufas, bacalhau e canapés;

Durante a reunião da CCJC que Dino participou no Senado, ele afirmou que não teria recebido documento algum avisando da possibilidade de criminosos depredarem a Praça dos Três Poderes. Porém, o Ministro recebeu esse documento do Diretor-Geral da PF no dia anterior aos ataques, segundo documento apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri.

Em reunião em 10 de abril último com as big techs (Twitter, Facebook, WhatsApp e Google), o Ministro Dino ameaçou as plataformas e afirmou que a liberdade de expressão (consagrada na constituição brasileira) como valor absoluto foi encerrada no Brasil.

O desrespeito às convocações feitas pelo Poder Legislativo alegando que temia por sua segurança física, mas não teve medo de ir praticamente sem segurança, a um convescote no Complexo da Maré no Rio de Janeiro, região controlada pelo tráfico e que a própria polícia não consegue entrar.

Enfim, Senador, é impossível não pensar que houve alguma espécie de acordo para que você se submetesse à extrema humilhação de contribuir para a nomeação do Sr. Dino para o STF. Não creio que tenha esquecido a frase "Só vai tá bem quando eu fudê esse Moro!". Extrema ironia seria se esse mesmo senhor Dino, investido de Ministro do STF, fosse a mão longa de Lula para cassar seu mandato. É uma pena que o exemplo de dignidade e honra do Deputado Deltan Dallagnol não lhe tenha sensibilizado.

Moro, você é uma vergonha nacional!

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“A eventual ida do Juiz Moro para formar no novo Gabinete, se por um lado seria uma garantia de que o governo não flertaria com tentativas de navegar na difusa fronteira entre a lei e o autoritarismo tosco, por outro lado, poderia criar zonas de atrito entre seu garantismo e o "excesso de zelo" de setores dos vencedores. A sociedade brasileira já possui mecanismos e instituições sólidas e bem definidas para garantir a condução democrática do país, sem que seja necessária a presença de alguém com seu perfil, para servir de avalista dessa condução.” (Diga “não”, Moro! – 30/10/2018).

“Poucos instantes depois do convite e aceitação do Juiz Moro para participar do Governo Bolsonaro, que eu não concordei, diga-se (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/), começaram a pipocar na Internet, em textos de colunistas políticos e mesmo na grande mídia, a "nomeação" de Moro como futuro presidente do Brasil. Ora, se mil outros argumentos não existissem, apenas o fato do presidente recém-eleito sequer ter assumido ainda, já desautoriza qualquer especulação sobre sua sucessão.” (Devagar com o andor... – 08/11/2018).

Não tenho dúvida de que o Dr. Moro é um homem de bem. De que está dedicando sua vida para tentar fazer o seu melhor pelo país. Mas todo ser humano tem fraquezas. O que me inquieta é até que ponto estaria o Dr. Moro disposto a sacrificar mais de duas décadas de uma carreira brilhante no Judiciário (uma vez que já pediu exoneração do cargo de Juiz Federal) e de uma eventual indicação para o Supremo Tribunal Federal oportunamente, para manter fidelidade aos seus princípios. (Eu te disse, Moro! – 07/12/2018).

A sociedade brasileira ainda vê no Ministro Moro (para ódio da esquerda) um paladino da justiça, o símbolo daquilo que ela mais deseja - que ninguém esteja acima da lei. Não à-toa, em todas as pesquisas de opinião o ex-Juiz Moro pontifica como o mais acreditado e confiável. Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo.

Num exercício de premonição, ousei escrever dois despretensiosos textos a respeito desse assunto. Você os encontra na Internet nos seguintes endereços: "https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/10/diga-nao-moro.html" e "https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/12/eu-te-disse-moro.html". (Demita o Moro, Presidente! – 24/08/1919).

Portanto, Ministro, não siga o conselho de FHC. Resista, continue seu bom trabalho à frente do Ministério e deixe o ônus da demissão para o Presidente. Ele que arque com o desgaste de dispensar o trabalho de quem já demonstrou que pode fazer o melhor para o Governo e para o Brasil. (Não saia, Moro! – 05/12/2019).

O caminho para mim, é muito claro. É trabalhar. Trabalhar incansavelmente pela melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos, empenhar todos os esforços no sentido de criar empregos para neutralizar a herança maldita, manter os juros no patamar mais baixo da história e a inflação sob controle e nos níveis atuais, sem negligenciar os programas sociais (o 13.º do Bolsa Família é um bom exemplo). E deixem a esquerda espernear.

Que venha 2022, com os Lulas, os Ciros, os Hucks, os Dorias, os Witzels e outros que tais. Qualquer coisa, se o nó apertar, nós lançamos o Moro... (Amanhã é outro dia - 08/11/2019).

Um segundo cenário seria fortalecer o Ministro, aumentando os recursos disponíveis para desenvolver os diversos programas afeitos à sua pasta, o que certamente aumentaria a popularidade dele. E aguardar o clarear do cenário político. Se o Presidente estiver politicamente fortalecido, indica o Ministro Moro para a segunda vaga do STF (o afastamento do Ministro Marco Aurélio em julho de 2021) - o que, repito, agradaria a seus admiradores - afastando assim a possibilidade de um forte concorrente em 2022. Ao contrário, se houver alguma possibilidade de segmentos mais à esquerda voltarem ao poder, Moro fortalecido popularmente poderia ser o companheiro de chapa ideal de Jair Bolsonaro. Não estaria então afastado o perigo da "mosca azul". Paciência! "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". (O que fazer com Moro? – 31/01/2020)

O ano de 2022 está logo ali na esquina. Até lá, substitui-se os Presidentes das duas Casas Legislativas Federais, dois Ministros do Supremo serão aposentados compulsoriamente, e teremos (a Deus querer) vencido a pandemia do Covid 19, apesar da enorme perda de vidas humanas. Não guardo esperança de muita melhora nos vindouros Presidentes da Câmara e Senado. Ainda menos na qualidade dos Ministros do Supremo a serem indicados nas vacâncias próximas. Mas a eleição geral de 2022 poderá trazer uma nova ecologia social. Poderemos ter o ex-Ministro Moro como candidato, com forte apelo popular, menos por ele - Sérgio Moro - mais pelo que representa como ideia de combate à violência, ao crime organizado e à corrupção. E fazer renascer a esperança em mais justiça social! (2022 está logo ali na esquina – 06/09/2020).

Ainda que haja um esforço desesperado de "lulopetistas" e "bolsonaristas" para desconstruir a imagem de Sergio Moro, a ponto de termos lido essa semana declaração do ex-Presidente Lula em defesa de Bolsonaro e atacando Moro (soou meio que ridículo, no entender de alguns), há no país uma massa crítica sedimentada de admiração e respeito pelo ex-Ministro. Em um cenário no qual diariamente "pipocam" novos envolvidos em casos de corrupção (De hoje, 16/09 - Escritório de líder do governo na Câmara é alvo de operação - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/09/16/mp-do-parana-cumpre-mandado-em-escritorio-do-deputado-ricardo-barros.htm), o que deveria ser obrigação de todos - a honestidade - torna-se uma vantagem competitiva, mormente nas disputas políticas. E Sérgio Moro parte na frente nesse quesito! (A eleição presidencial e a animosidade social – 16/09/2020).

Pasmem! A cinematográfica busca e apreensão na casa do candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná, Sergio Moro, foi autorizada porque no seu "santinho" de campanha, as letras dos nomes dos seus suplentes tinham alguns milímetros a menos do que o determinado em Lei. A defesa do candidato informa que "a alegação é mentirosa. Os nomes estão de acordo com as regras exigidas, sendo assim, a equipe jurídica pedirá a reconsideração da decisão.” (A ressaca do almoço do sábado – 04/09/2022).

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Oração pela Individualidade e Consciência

O homem superior é firme em seus principios, o homem inferior se curva à opiniao da multidão. A dependência em relação à opinião alheia é forma sutil mas devastadora de escravidão. (Confúcio)

Ó Senhor, em minha jornada através desta vida, ergo minha voz em súplica humilde e fervorosa. Permita-me, Senhor, a graça de jamais sucumbir ao comportamento de manada, àquela tendência tão humana de seguir cegamente, sem questionar, sem ponderar.

Que o meu caminho seja guiado por uma luz interior, e não apenas pelo brilho coletivo que tantas vezes cega e desvia. Que eu possa ser como o pássaro que, embora voe próximo ao bando, mantém sua rota única, guiada pelo instinto e pela sabedoria própria.

Imploro, Senhor, que minha mente se mantenha aberta, meu coração corajoso, para que eu possa discernir entre o que é simplesmente popular e o que é verdadeiramente sábio. Que eu possa reconhecer a beleza na individualidade, respeitando as diferenças e aprendendo com elas, em vez de me render ao conforto ilusório do consenso inquestionável.

Que a minha vida seja um reflexo de minhas convicções e experiências, não um espelho das opiniões e comportamentos alheios. Ajude-me a resistir à tentação de me mesclar na uniformidade, de me perder no tumulto das vozes que não falam ao meu espírito.

Que a minha existência seja marcada pela autenticidade e pelo respeito à minha essência, honrando a criação única que Tu me fizeste ser. Que eu possa ser um exemplo de integridade e consciência, em um mundo tão frequentemente seduzido pela facilidade do pensamento coletivo.

E, acima de tudo, Senhor, conceda-me a sabedoria para entender que, mesmo em minha busca por individualidade, estou conectado a todos os seres, parte de uma tessitura maior de vida e experiência humana.

Assim eu Te suplico, Senhor, com humildade e esperança. Amém.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A esquerda americana pirou de vez!



Escrevendo sobre a candidatura do Senador esquerdista Bernie Sanders a Presidente dos Estados Unidos na última eleição, registrei:

"Ouso dizer que nos próximos anos, no berço da democracia mais liberal do mundo, deverá nascer um forte Partido Socialista (talvez a recriação do Socialist Party of America, que cessou atividades na década de 70), ou quem sabe sejam eles os hegemônicos dentro do Partido Democrata." (Em "Bernie Sanders again" de 19 da fevereiro de 2019 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/02/bernie-sanders-again.html).

Uma pesquisa da Ipsos realizada entre 12 e 13 de outubro de 2023, em nome da Thomson Reuters, apurou conclusões interessantes, como abaixo:

Dois terços dos americanos relatam acompanhar de perto a situação em Israel e Gaza, com cerca de um em cada três americanos acompanhando a situação de muito perto (30%).
Quando apresentada uma série de opções para o envolvimento americano no conflito entre os israelitas e o Hamas em Gaza, mais americanos (41%) dizem que os EUA deveriam apoiar a posição de Israel do que qualquer outra opção. Os republicanos (54%) são mais propensos a dizer isso do que os democratas (37%).

Cerca de um quarto dos americanos (27%) dizem que os EUA deveriam ser um mediador neutro, um em cada cinco americanos (21%) dizem que os EUA não deveriam estar envolvidos de forma alguma, 10% dizem “nada disso” e 2% dos americanos dizem que os EUA deveriam apoiar os palestinos. Em 2014, 22% dos americanos disseram que os EUA deveriam apoiar a posição de Israel num conflito entre israelenses e palestinos em Gaza, e um terço dos americanos (36%) disse que os EUA deveriam ser um mediador neutro, e 27% disseram que os EUA não deveria estar envolvido.

Pouco menos de metade dos americanos (49%) afirma que o Hamas é o maior responsável pelo conflito actual, e isto inclui uma percentagem igual de Democratas (52%) e Republicanos (52%). A segunda maior porcentagem de americanos diz “Nada disso” (19%). Oitenta e três por cento dos americanos dizem que é claro que o Hamas é uma organização terrorista – os republicanos (88%) e os democratas (90%) têm a mesma probabilidade de concordar.

Sessenta e quatro por cento dos americanos vêem Israel de forma favorável. A maioria de ambos os partidos vê o país de forma favorável, mas os republicanos (76%) são mais propensos do que os democratas (59%) a dizer isto, e os sentimentos dos republicanos são mais fortes, com 36% a dizer que vêem Israel “muito favoravelmente” em comparação com 20% de democratas.

Os americanos são menos propensos a ver outros países da região de forma favorável: o Egipto é visto de forma favorável por 45% dos americanos, a Arábia Saudita é vista de forma favorável por pouco mais de um quarto dos americanos (28%) e apenas um em cada dez americanos vê o Irão de forma favorável ( 12%).

Oitenta e sete por cento dos americanos dizem que os civis que fogem de Gaza deveriam ser autorizados a fugir para um país seguro, com a grande maioria dos Democratas (94%) e dos Republicanos (84%) a concordarem com esta afirmação. Setenta e oito por cento dos americanos dizem que os diplomatas americanos deveriam estar a trabalhar ativamente num plano para permitir que os civis que fogem dos combates em Gaza se mudem para um país seguro. Oitenta e um por cento dos americanos dizem que Israel deveria evitar matar civis em ataques de retaliação contra o Hamas, com o apoio maioritário de ambos os partidos, mas os Democratas (93%) são mais propensos a concordar do que os Republicanos (76%).

A pesquisa é bem mais ampla, trazendo um expandido retrato do que pensa a sociedade americana em respeito à guerra Isreal X Hamas. Mas dentre todos os dados, o que realmente surpreende é que 49% de eleitores democratas "manifestam simpatia pelos palestinos, um número que ultrapassa pela primeira vez o percentual de democratas que apoiam Israel, fixado em 38%". Esse dado, de uma certa forma, comprova minha especulação de fevereiro de 2019 de que a esquerda americana tornar-se-ia hegemônica dentro do Partido Democrata.

God Bless America!

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

“One World, No Border”



Há cerca de 15 anos, encontrei-me imerso na utopia de um mundo sem fronteiras, um anseio alimentado por uma viagem reveladora à Europa. Testemunhar estações de controle de entrada entre países completamente desativadas me fez exultar e inspirou a redação à época do artigo “One World, No Border” (Um Mundo Sem Fronteiras). Na minha infantil ingenuidade sonhava com um planeta onde a circulação humana não fosse barrada por limites geográficos, permitindo a todos buscar o melhor lugar para viver.

Essa visão romântica de um planeta unificado enfrentou, recentemente, a crua realidade das ruas do Condado de Los Angeles, na Califórnia. Nas últimas três semanas tenho encontrado um cenário de profunda tristeza e desalento. Centenas de pessoas vagavam sem destino como zumbis, muitas dominadas por substâncias ilícitas ostentando sinais claros de insanidade, enquanto outras encontravam-se em um estado de indigência, sem um teto para chamar de lar.

A paisagem urbana de Los Angeles, nesse aspecto, revelou-se dolorosamente similar à cracolândia de São Paulo de meses atrás. O paralelo entre essas duas metrópoles destaca a universalidade da crise social e a necessidade de soluções abrangentes. Simultaneamente, relatos indicam que mais de 100 mil pessoas, migrantes ilegais indocumentados, ingressaram no território americano apenas nos últimos vinte dias.

A multiplicidade e complexidade desses desafios fazem-me repensar a viabilidade de um mundo sem fronteiras. As questões que emergem dessa reflexão vão além da mobilidade humana, abrangendo desigualdades socioeconômicas, disparidades de oportunidades e a urgência de políticas inclusivas e humanitárias.

A violência em geral e as guerras em particular, além das desigualdades globais são catalisadores potentes de movimentos migratórios. Um mundo sem barreiras geopolíticas necessitaria, primeiramente, abordar as raízes desses problemas.

A atratividade de nações com sistemas robustos de bem-estar social não pode ser subestimada. No entanto, a integração controlada e efetiva dos migrantes é um desafio colossal, demandando políticas bem estruturadas em áreas como habitação, saúde, educação e empregabilidade.

Enfrentar as causas dos deslocamentos e as disparidades globais demanda uma ação coletiva. A cooperação internacional e a coordenação de políticas globais são essenciais para abordar esses desafios de maneira eficaz.

Confrontado com a crise social evidente em cidades como Los Angeles e São Paulo, e ponderando sobre as questões intricadas da migração, inclino-me a reconsiderar minha antiga visão. Talvez um mundo sem fronteiras seja, na prática, um ideal distante ou mesmo inatingível.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A greve das montadoras



O United Auto Workers (UAW) é um sindicato internacional que representa trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico. É um dos maiores e mais diversificados sindicatos da América do Norte, com membros em praticamente todos os setores da economia. Os locais de trabalho representados pelo UAW variam desde corporações multinacionais, pequenos fabricantes e governos estaduais e locais até faculdades e universidades, hospitais e organizações privadas sem fins lucrativos. O UAW tem mais de 400 mil membros ativos e mais de 580 mil membros aposentados.

No último dia 15 de setembro o UAW entrou em greve contra a General Motors, Ford e Stellantis (sucessora da Fiat Crysler nos Estados Unidos). Esta é a primeira vez na história do sindicato que atinge todos os três fabricantes de automóveis sindicalizados da América ao mesmo tempo. A greve começou após o sindicato não ter conseguido garantir um acordo de última hora antes do prazo final da meia-noite. A greve direcionada do UAW a três fábricas, uma de cada montadora, começou em Missouri, Michigan e Ohio.

Hoje, dia 25 de setembro, a greve dos trabalhadores do setor automotivo expandiu, envolvendo 38 centros de distribuição de peças operados pela General Motors e pela Stellantis, proprietária da Jeep and Ram, em 20 estados. A Ford foi poupada da expansão porque a empresa atendeu a algumas das demandas do sindicato durante as negociações da semana passada.

Em vez de visar mais fábricas na sexta-feira, o UAW buscou centros distribuidores de peças aos departamentos de serviço das concessionárias de automóveis. Isso fatalmente arrastará os consumidores para o miolo do furacão, se os revendedores ficarem sem peças. Estima-se que as montadoras GM, Ford e Stellantis perderam a produção de mais de 16.000 veículos até o momento, com perdas econômicas de mais de US$ 1,6 bilhão.

As montadoras e alguns de seus fornecedores demitiram cerca de 6 mil trabalhadores em ações que dizem estar relacionadas à greve. A GM fechou uma fábrica no Kansas que dependia de peças estampadas na fábrica de Wentzville.

Mesmo com a expansão, os grevistas representam apenas pouco mais de 10% dos 146.000 membros do sindicato. O restante continua trabalhando normalmente, mas contribuindo para o enorme fundo de greve de 825 milhões de dólares do sindicato, o que permite o pagamento semanal de 500 dólares a cada grevista.

Os trabalhadores reinvindicam aumento salarial de 36% escalonado em quatro anos, reposição anual da inflacão, planos de pensões de benefício definido para todos os empregados, limitação da utilização de trabalhadores temporários, semana de trabalho de quatro dias com remuneração de cinco dias e mais proteções trabalhistas, incluindo o direito de greve em caso de fechamento de fábricas.

Enquanto não houver acordo e o fundo de greve durar, esse processo vai arrastar-se. É assim que a banda toca por aqui.

domingo, 24 de setembro de 2023

Ceará



O torcedor de futebol vive uma montanha-russa de emoções a cada partida, a cada temporada. Nos bons momentos, o estádio reverbera em cânticos de glória, enquanto nos maus, o silêncio ou os suspiros de desalento tomam conta. Nesse contexto, o Ceará Sporting Clube atravessa um período de penúria relativo a resultados, um cenário que leva os alvinegros a uma profunda reflexão sobre lealdade e paixão.

A saudade dos ídolos de antanho é quase palpável entre os torcedores. Harry Carey, William, Alexandre, Gildo, Zé Eduardo – nomes que, um dia, fizeram o coração do torcedor bater mais forte e os olhos brilharem com a esperança de vitória. Nos últimos tempos, Magno Malta também entrou para essa lista, honrando a camisa alvinegra e fazendo história.

Esses ídolos, com suas jogadas inesquecíveis e gols memoráveis, escreveram seus nomes na história do clube, deixando um legado de paixão e dedicação. São lembranças como essas que mantêm viva a chama da esperança nos corações dos torcedores, mesmo em períodos de dificuldades e escassez de triunfos.

No entanto, mesmo diante das adversidades, é notável perceber que em nenhuma segmento da atividade humana há maior fidelidade, uma fidelidade mais fiel, do que a que é vista nos estádios de futebol. O torcedor, esse incconsequente, pode trocar de carro, de casa, de emprego e até de parceiro(a), mas jamais trocará seu clube do coração. O amor ao clube, às cores da camisa, vai além dos resultados em campo. É uma paixão que se renova a cada partida, que se fortalece a cada desafio, independentemente das circunstâncias.

Os torcedores do Ceará Sporting Clube, assim como de tantos outros times ao redor do mundo, demonstram uma resiliência e uma devoção inabaláveis. Eles são a prova viva de que, no futebol, a lealdade resiste, persiste e se fortalece, mesmo nos momentos mais sombrios. A esperança por dias melhores, por novos ídolos e por vitórias memoráveis, permanece sempre acesa no peito de cada torcedor.

E assim, entre saudades e esperanças, os alvinegros seguem apoiando seu time, na certeza de que o futebol é feito tanto de glórias quanto de desafios, e que a verdadeira paixão se prova não nos momentos de festa, mas nos de luta e perseverança. O sofrimento do torcedor é real, mas é também o que alimenta a magia e a beleza desse esporte apaixonante.

sábado, 23 de setembro de 2023

Para o bem do STF, da Democracia e do Brasil



O Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das instituições mais importantes do Brasil, sendo o guardião da Constituição e exercendo um papel vital na manutenção do Estado Democrático de Direito. Diante de sua importância, propõe-se uma série de reformas para aprimorar ainda mais sua atuação, visando sempre o bem comum e a justiça.

Critérios para Nomeação:
A primeira proposta é estabelecer critérios mais rigorosos para a nomeação dos ministros do STF. Um desses critérios seria a exigência de que o indicado seja um juiz de carreira, com vasta experiência no judiciário e um histórico de decisões equilibradas e justas. Esse critério asseguraria que apenas profissionais com profundo conhecimento do Direito e da prática judicial ocupassem o cargo, contribuindo para a qualidade das decisões do tribunal.

Mandato com Prazo de 8 anos:
Atualmente, os ministros do STF são nomeados para mandatos vitalícios, sujeitos à aposentadoria compulsória aos 75 anos. Propõe-se a alteração desse regime para um mandato fixo de 8 anos, sem possibilidade de recondução. Essa mudança visa a renovação constante da Corte, permitindo a entrada de novas ideias e perspectivas, e reduzindo o risco de decisões excessivamente influenciadas por visões individuais de longo prazo.

Extinção das Decisões Monocráticas:
As decisões monocráticas, nas quais um único ministro tem o poder de decidir sobre determinadas matérias, têm sido alvo de críticas. Propõe-se a extinção desse tipo de decisão, garantindo que todas as deliberações sejam colegiadas, ou seja, tomadas pelo conjunto dos ministros. Esse formato asseguraria maior debate e reflexão sobre cada caso, resultando em decisões mais bem fundamentadas e equilibradas.

Limitar o STF a ser apenas Corte Constitucional:
Uma reforma fundamental seria limitar o papel do STF a ser exclusivamente uma Corte Constitucional, focada na interpretação e guarda da Constituição. Isso reduziria a sobrecarga de processos e permitiria aos ministros dedicar mais tempo e atenção a questões verdadeiramente constitucionais, garantindo a qualidade e a profundidade das decisões.

Fim do Foro Privilegiado:
Por fim, defende-se o fim do foro privilegiado, uma prerrogativa que permite a determinadas autoridades serem julgadas apenas por tribunais superiores. Essa mudança visa a promover a igualdade de todos perante a lei, garantindo que ninguém esteja acima do sistema judicial e reforçando a confiança da sociedade nas instituições de justiça.

Cada uma dessas propostas, pensada de maneira cuidadosa, tem o potencial de fortalecer o STF, tornando-o mais justo, eficiente e alinhado com os princípios democráticos que norteiam nossa nação. A implementação dessas reformas exigiria um amplo debate público e o envolvimento de todos os poderes da República, refletindo o compromisso coletivo com um Judiciário mais forte e uma democracia mais sólida.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A crise migratória no Sul dos Estados Unidos



Anteontem o Prefeito da pequena cidade de Eagle Pass (30 mil habitantes) no Texas, do mesmo Partido do Presidente Biden, deu um desesperado grito de pedido de ajuda: “Nós estamos abandonados aqui. Nós estamos na fronteira, nós estamos pedindo socorro. Isso é inaceitável.”

Com efeito, nas últimas três semanas a pressão migratória cresceu de forma assustadora. Estima-se que nesse período, 100 mil migrantes ilegais tenham entrado nos Estados Unidos, a maioria deles nos Estados do Texas, Califórnia e Arizona.

Esses Estados enfrentam desafios de integração relacionados à imigração ilegal, como aumento da concorrência por empregos e recursos, segregação social e cultural além do aumento da criminalidade.

Na pequena Eagle Pass, quase 6.000 migrantes cruzaram do México para os EUA em dois dias, o que levou as autoridades de imigração dos EUA a fechar uma das duas passagens fronteiriças oficiais da cidade. As passagens de fronteira foram fechadas recentemente por motivos semelhantes em San Diego na Califórnia e El Paso no Texas.

O Departamento de Segurança Interna disse na quarta-feira que concederia o Status de Proteção Temporária a cerca de 472 mil venezuelanos que estavam nos EUA em 31 de julho, facilitando os caminhos para autorização de trabalho. Isso se soma aos 242.700 venezuelanos que já se qualificaram para o Status Temporário.

Além disso, a administração também está enviando 800 soldados militares em serviço ativo para a fronteira, somando-se aos 2.500 membros da Guarda Nacional. Está expandindo as instalações de detenção fronteiriças em 3.250 pessoas, para quase 23.000, e alargando a vigilância a todo o país para famílias que aguardam exames iniciais de asilo.

O aumento da pressão migratória recente, na avaliação de observadores, deve-se ao fato de que famílias percebem que alguns migrantes conseguem permanecer nos EUA, então decidem tentar a sorte.

A Patrulha da Fronteira dá aos migrantes pulseiras coloridas de marcação para determinar sua data de chegada para decidir quem será transportado primeiro para um local de processamento.

Diante desse quadro, o governo tem enfrentado o desafio de balancear a segurança na fronteira com os direitos humanos dos migrantes, muitos dos quais fogem de situações de extrema vulnerabilidade e violência em seus países de origem. Há uma crescente preocupação com o tratamento dispensado a essas pessoas, principalmente no que se refere às condições nas instalações de detenção e aos procedimentos para a solicitação de asilo.

Por outro lado, a administração tem a responsabilidade de zelar pela segurança nacional, combatendo a entrada irregular e gerenciando de forma eficaz o fluxo migratório. O envio de tropas adicionais e a expansão das instalações de detenção são medidas necessárias que visam fortalecer o controle fronteiriço e a segurança interna do país.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

11 de Setembro: Uma Cicatriz na História Mundial



Há 22 anos, em 11 de setembro de 2001, o mundo parou diante das imagens chocantes das Torres Gêmeas do World Trade Center sendo atingidas por aviões e, consequentemente, desmoronando em uma nuvem de poeira e escombros. Mais de 3.000 inocentes perderam suas vidas em um ataque que não apenas alterou a paisagem de Nova York, mas também a consciência global.

Eu morara durante 6 anos nos Estados Unidos e chegado há pouco, trabalhava no gabinete do Senador Luiz Pontes no Senado Federal. Assisti ao vivo à queda das Torres Gêmeas no monitor do meu computador. Como era possível tal atrocidade acontecer? Os Estados Unidos, considerado um bastião da democracia e do poder, havia sido vulnerável a um ataque dessa magnitude em seu próprio solo. O choque e o horror que se seguiram tornaram-se universais, ligando povos de todas as nações em solidariedade e luto.

A tragédia do 11 de setembro não foi apenas um ataque a um país, mas uma afronta à humanidade. Os perpetradores desse atentado não apenas almejavam semear o terror nos corações dos americanos, mas também enviar uma mensagem de medo para o mundo inteiro. Em uma era de globalização e interconexão, a dor de uma nação tornou-se rapidamente a dor de todas as nações.

Para aqueles que haviam vivido ou viajado para os Estados Unidos, o ataque assumiu uma dimensão ainda mais pessoal. Edifícios que eram ícones, lugares que haviam sido visitados ou mesmo cotidianos, agora eram escombros e memórias de desespero. O céu claro daquele dia de setembro foi ofuscado por uma nuvem de incerteza e medo.

Mas a resposta global ao 11 de setembro também foi um testemunho da resiliência humana. Nações de todo o mundo se uniram em condenação ao terrorismo e em apoio aos Estados Unidos. As semanas e meses que se seguiram viram um surto de solidariedade, com países reforçando seus compromissos com a paz e a segurança globais.

Entretanto, não se pode negar que o mundo pós-11 de setembro tornou-se mais cauteloso, mais desconfiado e, em muitos aspectos, mais dividido. A "Guerra ao Terror", que se seguiu, trouxe consigo novas complexidades geopolíticas e desafios éticos. As tensões entre as nações aumentaram e a busca pela segurança muitas vezes se equilibrou precariamente com os direitos individuais e as liberdades civis.

No entanto, o legado mais duradouro do 11 de setembro pode ser a lembrança coletiva da vulnerabilidade humana e da capacidade da humanidade de se unir em face da adversidade. A tragédia nos lembrou da importância da compreensão mútua, da cooperação internacional e da busca constante pela paz.

Hoje, ao refletirmos sobre aquele dia sombrio, é imperativo que honremos aqueles que perderam suas vidas, reconhecendo que a memória deles é um chamado à ação - um chamado para construir um mundo mais justo, mais seguro e mais unido.

domingo, 10 de setembro de 2023

O corpo incorrupto e o milagre do Missouri



A incorruptibilidade dos corpos de certos santos e beatos é um fenômeno fascinante tanto para os fiéis quanto para os curiosos. Na tradição católica, a incorruptibilidade é vista como um sinal de santidade, mas é importante notar que não é um requisito para a canonização. Muitos santos têm corpos que se decompuseram normalmente após a morte.

O conceito de incorruptibilidade refere-se à preservação notável de um corpo após a morte, sem o auxílio de métodos modernos de preservação, como o embalsamamento. Os corpos incorruptos permanecem flexíveis, e a pele mantém uma aparência de frescor e cor natural.

A descoberta de um corpo incorrupto muitas vezes fortalece a fé dos fiéis e é vista como um testemunho tangível da santidade da pessoa em questão. Por outro lado, do ponto de vista científico, as causas da incorruptibilidade são debatidas. Como mencionado, fatores como o ambiente em que o corpo foi enterrado, condições climáticas, tipos de solo e até mesmo as roupas usadas pelo falecido podem contribuir para a preservação do corpo.

Porém, em muitos casos de incorruptibilidade, as circunstâncias não se alinham com explicações puramente naturais. Alguns corpos foram exumados de locais úmidos e em condições que normalmente acelerariam a decomposição, mas ainda assim permaneceram notavelmente preservados.

É válido dizer que, enquanto muitos católicos veem a incorruptibilidade como uma manifestação da graça de Deus, a Igreja é geralmente cautelosa ao se pronunciar oficialmente sobre esses casos. Ela realiza extensas investigações antes de declarar um corpo como incorrupto de forma oficial.

Independentemente da causa, a incorruptibilidade continua a ser um fenômeno interessante que desafia nossa compreensão da decomposição e nos lembra da natureza misteriosa da vida, da morte e da santidade.

Estima-se que haja mais de 100 exemplos de incorruptíveis no mundo. No entanto, não há um número exato conhecido, pois o fenômeno é raro e não há um consenso científico sobre sua causa.

Alguns exemplos de incorruptíveis incluem:

- Santa Bernadette Soubirous, uma freira francesa que morreu em 1879. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1909.

- Santa Teresa de Ávila, uma freira espanhola que morreu em 1582. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1585.

- São Francisco de Assis, um santo italiano que morreu em 1226. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1230.

Na cidade de Gower de cerca de 1.500 habitantes, localizada nas colinas ao norte de Kansas City no Estado de Missouri, está a Abadia de Nossa Senhora de Éfeso que hospeda a Ordem Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos.

A Ordem foi fundada pela Irmã Wilhelmina Lancaster, uma pequena freira descendente de escravos católicos. Ela pertenceu a uma ordem de freiras tradicionalmente negra por 50 anos, as Irmãs Oblatas da Providência. Desiludida com o que considerava um afrouxamento dos padrões de adoração e dos estilos de vestuário, fundou a nova ordem tradicionalista na década de 1990.

A Irmã Wilhelmina Lancaster morreu aos 95 anos em 2019. Quatro anos depois de enterrada num simples caixão de madeira num canto da propriedade, as irmãs decidiram transferir os restos mortais para um lugar de honra habitual dentro da sua igreja. Exumaram o corpo em 18 de maio último e ao abrirem o caixão encontraram o inesperado: seu corpo parecia notavelmente bem preservado.

Essa pequena comunidade tornou-se um centro de romaria. Enormes multidões – as irmãs dizem que pelo menos 25 mil pessoas – afluíram à abadia durante o fim de semana do Memorial Day para ver o corpo, tocá-lo e rezar.

O prefeito de Gower, Ken Pike, trabalhou com as autoridades de dois condados e com a patrulha rodoviária estadual para planejar o fluxo de visitantes, transformando temporariamente a estrada de duas pistas que leva à abadia em uma rota de mão única.

Numa época em que a população de freiras e padres nos Estados Unidos está a envelhecer e a diminuir, contudo, os Beneditinos de Maria estão entre as poucas ordens que estão a crescer.

Independente de que haja ou não uma explicação científica para o caso, o importante é que esse episódio tem fortalecido a fé dos indivíduos, tornando-os mais unidos, inspirados e reafirmando suas crenças e valores espirituais em um mundo tão complexo e desafiador.

sábado, 26 de agosto de 2023

Foro de São Paulo



A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou uma lei e o Governador Tarcísio de Freitas sancionou, que nominava um entroncamento no município de Paraguaçu Paulista de “Deputado Erasmo Dias”. Essa é a cidade natal do falecido militar e político.

Um centro acadêmico da PUC-SP e políticos do PDT, PT e PSOL, ajuizaram uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao STF, para que este proíba a homenagem, sob a alegação de que o Deputado, "quando Secretário de Segurança Pública de São Paulo, tinha como uma de suas principais missões a asfixia do movimento estudantil em território paulista”.

A ministra Cármen Lúcia, relatora da ação, estipulou o prazo de cinco dias para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado, manifestarem-se sobre promulgação do projeto de lei.

Estou curioso para saber quando o STF vai dar cinco dias para o atual Presidente da República manifestar-se sobre o empréstimo á quebrada Argentina, de US$ 689 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção do oleoduto Néstor Kirchner naquele país. Ou ainda para manifestar-se sobre o recebimento em território nacional de ditadores sanguinários latino-americanos (ou seus representantes) em reunião daquela excrescência chamada de Foro de São Paulo, organização que defende os ditadores de Nicarágua, Cuba e Venezuela.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

O MITO DE NARCISO


 

"Acontece que eu não sei tocar viola, nem cantar nem jogar bola, como vou me destacar?" (Da música "Meu nome é Zé" do compositor varzealegrense José Clementino)

Na imensidão dos mitos que atravessam os séculos, poucos se mostram tão atemporais e intrigantes quanto o mito de Narciso. Com suas raízes na mitologia grega, essa narrativa tem cativado gerações ao longo dos milênios, ecoando através de culturas e épocas distintas. O mito de Narciso transcende o tempo e encontra ressonância em nossa sociedade contemporânea, revelando sua profunda conexão com a natureza humana e as complexidades de nossos desejos, ego e autodescoberta.

Vale a pena adentrarmos nas águas profundas do mito de Narciso, explorando suas origens, variações culturais e as múltiplas camadas de significado que ele contém. A história do belo jovem que se apaixona por seu próprio reflexo na água, culminando em uma tragédia de proporções míticas, serve como um espelho para nossa busca incessante por identidade e amor próprio. Através de análises profundas, reflexões psicológicas e conexões com a arte, literatura e psicologia moderna, desvendamos os mistérios que envolvem Narciso e seu reflexo, explorando como essa história mitológica pode lançar luz sobre nossa jornada individual e coletiva em direção à autocompreensão.

À medida que nos aprofundamos na narrativa de Narciso, descobrimos que ele não é apenas um personagem isolado em uma história antiga, mas um arquétipo que transcende culturas e épocas. Sua busca incessante por perfeição, sua relação com o mundo ao seu redor e sua interação com seu próprio reflexo ecoam nas complexidades da vida moderna. O mito de Narciso nos convida a questionar nossas próprias motivações, a compreender as armadilhas do ego e a explorar a natureza mutável da autoimagem.

O mito de Narciso é uma história sobre os perigos do amor próprio excessivo. Ele nos ensina que é importante amar os outros, mas também é importante amar a nós mesmos. No entanto, é importante amar a nós mesmos de forma saudável, sem nos tornarmos narcisistas. Também é uma história sobre a importância do autoconhecimento. Ele nos ensina que é importante conhecer a nós mesmos, tanto nossas qualidades quanto nossos defeitos. Quando nos conhecemos bem, podemos nos aceitar e amar a nós mesmos como somos.

Ao desvendar os segredos por trás do reflexo d'água que capturou a imaginação de tantos ao longo dos tempos, convidamos o leitor a mergulhar nas águas do autoconhecimento e a contemplar as reflexões que emergem quando olhamos atentamente para nossa própria alma.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Carro sem motorista

 





Eu ia passando na Santa Monica Blvd, na Califórnia, e de repente me aparece um veículo sem motorista, trafegando normalmente. Imediatamente saquei meu celular e registrei o fato inusitado. 


Faz mais de um mês que houve um entrevero entre o ministro Alexandre de Moraes, sua família e alguns brasileiros que estavam no aeroporto de Roma. Cadê os vídeos? Desconfio que todos os celulares estavam com a bateria descarregada, as câmeras de segurança do aeroporto Fiumicino (ou Leonardo da Vinci, como preferirem) completamente desligadas, eu aqui doido por um fuxico e não aparece um mísero registro.


Tá bom, já que não querem mostrar as agressões que o ministro e sua família sofreram, manda aí pelo menos os vídeos do Ministério da Justiça do 8 de janeiro! Cara, gasolina a 6,70 reais; a bolsa caindo 13 dias seguidos (nunca antes na história desse país...); a maior obra anunciada pelo governo é um gasoduto na Argentina financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); apoio à Rússia na guerra da Ucrânia; o apreço do governo brasileiro por governos totalitários, como de Vladimir Putin (Rússia), Nicolas Maduro (Venezuela) e Xi Jinping (China); 13 BIlhões de orçamento secreto... opsss, emendas do pix; desemprego em alta; queimadas na Amazônia maior em 16 anos (UOL - 04/07/2023), Estadão (incrível, mas foi ele mesmo) noticiando "crise humanitária na Terra Yanomami" em 19/06/2023; exclusão de 1,4 milhão de famílias do Bolsa Família (Globo - 03/03/2023); Saúde e Educação são pastas mais atingidas por bloqueio de 1,5 bilhão (CNN Brasil - 29/07/2023). Entrevista o Presidente para justificar. Não dá! Ele está viajando com a primeira dama. Pois divulguem pelo menos os vídeos do 8 de janeiro no Ministério da Justiça...


Em tempo: será que lá em Roma todos os celulares estavam em modo avião?


segunda-feira, 21 de agosto de 2023

The squeaky wheel gets the grease



O ditado "a roda que range ganha graxa" é um provérbio ou metáfora americana usada para transmitir a ideia de que os problemas mais perceptíveis (ou mais barulhentos) são os que mais provavelmente chamam a atenção. Também é expresso como "A roda que range recebe o óleo". Existem outras variações e sugerem que o volume chama a atenção.

O provérbio é frequentemente usado em ambientes empresariais e organizacionais para descrever como os recursos são alocados. Também pode ser usado em relacionamentos pessoais para descrever como as pessoas são tratadas.

Por exemplo, em um ambiente de negócios, um gerente pode ter maior probabilidade de dar um aumento a um funcionário que reclama de seu salário do que a um funcionário que está discretamente satisfeito com seu pagamento. Isso ocorre porque é mais provável que o gerente esteja ciente do problema se o funcionário falar abertamente sobre isso.

Em um relacionamento pessoal, é mais provável que um parceiro resolva um problema se o parceiro o trouxer à tona do que se o ignorar. Isso ocorre porque é mais provável que o parceiro sinta que está sendo ouvido e levado a sério se suas preocupações forem expressas.

O provérbio da roda estridente pode ser um lembrete útil de que é importante falar por si mesmo e por suas necessidades. No entanto, é importante usar o provérbio com sabedoria. Só porque você é a voz mais alta não significa que você está certo. É importante ser respeitoso e apresentar seu caso de forma clara e concisa.

Aqui estão algumas dicas para usar o provérbio da roda estridente de forma eficaz:

- Seja específico sobre o problema que está tendo.
- Explique como o problema está afetando você.
- Ofereça soluções para o problema.
- Esteja disposto a fazer concessões.
- Ser paciente. Pode levar algum tempo até que o problema seja resolvido.

O provérbio da roda que range pode ser uma ferramenta poderosa para conseguir o que você precisa. Mas é importante usá-lo com sabedoria e respeito.

sábado, 19 de agosto de 2023

Cenas do cotidiano



Contou-me um amigo meu. Não é justo que eu não repasse para vocês.

Numa dessas noites em que o cara casado sai sozinho (uma vez por ano, se ele der sorte), foi parar em um restaurante com música ao vivo. Uma banda de rock, que não era bem sua praia. Fazer o quê? Sentou e pediu uma dose de gim-tônica.

A música era ruim (pra ele) mas tinha três garotas dançando frente à banda, na faixa de 23/24 anos.

Para ser meu amigo com intimidade e confiança para contar o episódio, já imaginam a idade. Descambava dos setenta.

Repentinamente, a mais formosa (formosa é bom demais!) das três, olha para ele e sorri. Umas duas ou três vezes finge estar dando uma vista d’olhos no salão apenas para lhe olhar rapidamente, sonhou ele.

Quando já se via casado com aquela ninfeta, eis que o cantor da banda tira o casaco vermelho que encobria sua t-shirt e o atira para “sua” futura noiva, para que ela o guardasse. E só aí ele percebe que existia uma banda. E mais que uma banda, existia um cantor. Louro, alto, olhos claros, não mais que 25 anos de idade, barriga de tanquinho e mil outros requisitos mais.

Era um Deus grego, daqueles imortalizados pelos pincéis e tintas de Apollodorus Skiagraphos. Como concorrer com “aquilo”? Cobriu a careca com o boné do seu time predileto, arrumou a protuberante barriga de chopp, chamou o garçom, pediu e pagou a conta e foi embora para nunca mais voltar!!

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

LEMBRANÇAS DE RECIFE



Enquanto o treinamento na IBM desenvolvia-se sem comportamento mercurial de nenhuma parte, alguns momentos ficaram gravados na minha memória. Duas passagens em especial que se repetiam com muita frequência, davam-me prazer. As visitas mútuas que nos fazíamos, o casal amigo Ivan Batista Moreno e esposa Socorro, sempre aos sábados, e as “happy hours” quase diárias no Bar Savoy — na Avenida Guararapes, nº 147. Este ficava perto de onde recebíamos as aulas, e não raramente (mais honesto escrever “quase diariamente”) íamos repousar nossos projetos futuros nas cadeiras de metal da calçada do Edifício Sigismundo Cabral.

Do Bar Savoy, guardo com saudade o sabor do chopp bem tirado, com dois dedos de colarinho, ou o Conhaque Macieira com tira-gosto de chambaril. Mas mais que isso, os intermináveis papos com os colegas da IBM, e o poema em homenagem àquela casa de sonhos, como segue:

CHOPP

Carlos Pena Filho

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antônio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,

nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.

Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.

Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

Os sábados eram geralmente muito animados. Aquele que fosse o anfitrião garantia o almoço e o visitante levava o uísque. A imagem do meu amigo Ivan, caminhando com o mais profundo respeito e em um tom circunspecto com uma garrafa de uísque embaixo do braço, lembrava-me a forma como Dimitri, o personagem de Dostoievski, referia-se ao seu irmão também Ivã, tal era a solenidade.

Invariavelmente o final do dia guardava um certo desencontro de interesses: as esposas queriam servir o almoço e os dois desejávamos beber “a saideira”.

Deus, nos seus estranhos e incompreensíveis desígnios, levou a ambos (Ivan e Socorro) prematuramente para o Céu.

A energia da Venezuela



A questão energética sempre foi um ponto crucial para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país. No caso do Brasil, com sua vasta extensão territorial e demanda crescente por eletricidade, a busca por fontes energéticas confiáveis e acessíveis é um imperativo.

O Brasil tem uma matriz energética predominantemente hidrelétrica, o que o torna vulnerável a variações climáticas e secas prolongadas.

Recentemente o presidente Lula assinou Decreto autorizando o Brasil a importar energia elétrica da Venezuela, país que possui recursos hidrelétricos significativos. No entanto, essa proposta não está isenta de desafios, considerando as frequentes interrupções no fornecimento de energia e o racionamento que ocorrem na Venezuela.

O maior desafio é a instabilidade energética na Venezuela. O país enfrenta problemas frequentes de apagões e racionamento de energia, causados por uma combinação de má gestão, falta de investimentos e problemas de infraestrutura. Isso levanta a preocupação de como o Brasil poderia confiar em um fornecimento constante e seguro de energia. Ademais, para tornar a importação viável, certamente seria necessário investir em infraestrutura de transmissão que conecte os sistemas elétricos dos dois países. Isso envolve custos significativos e a garantia de que a infraestrutura seja resistente a interrupções.

Considere-se ainda eventuais mudanças políticas ou instabilidades na Venezuela, impactando a viabilidade desse acordo e afetando o compromisso de fornecer energia ao Brasil, gerando incertezas.

A ideia de importar energia elétrica da Venezuela para o Brasil carrega desafios substanciais. Os obstáculos relacionados à instabilidade no fornecimento, investimentos em infraestrutura e riscos geopolíticos não podem ser subestimados. Não se pode confiar em um país que não muito distante no tempo era a quarta população mais rica do globo e que historicamente era a mais igualitária da região e "hoje é o triste palco da mais sangrenta ditadura da América e de sucessivos episódios de miséria, violência e exploração pela elite socialista, cujo chefe atual Nicolás Maduro janta em restaurantes luxuosos ao tempo em que a população passa fome e, em meio ao desespero, comercializa até carne estragada."

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

A Inteligência Artificial e a Bomba Atômica




Há 78 anos, em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atômica contra a cidade de Hiroshima, no Japão. A bomba lançada sobre Hiroshima pulverizou a vida e mudou o mundo. Foi visto por seu criador, Robert Oppenheimer, como uma vitória. Mas três dias depois, quando o segundo artefato foi lançado em Nagasaki, Oppenheimer despertou para o horror que havia concebido: "Eu me tornei a Morte, o destruidor de mundos". Em posterior visita ao Presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, teria dito: "Senhor Presidente, sinto que tenho sangue em minhas mãos”.

A referência ao momento de Oppenheimer é simbólica do ponto de vista ético associado à responsabilidade do despertar de forças poderosas. Assim como Oppenheimer lutou com a criação da bomba atômica e seu potencial de destruição, nos encontramos em uma conjuntura assemelhada com a Inteligência Artificial, onde seus criadores podem enfrentar dilemas éticos e existenciais semelhantes.

O poder de moldar as percepções e ações humanas carrega uma imensa responsabilidade, exigindo uma consideração cuidadosa dos limites éticos da IA. Os rápidos avanços na IA levaram a máquinas que exibem habilidades cognitivas semelhantes às humanas, muitas vezes chamadas de inteligência geral artificial (AGI). AGI, ou IA superinteligente, é um conceito teórico em que as máquinas possuem habilidades cognitivas que superam as dos humanos em uma ampla gama de tarefas. No momento em que a citação de Oppenheimer é mencionada aqui, ela reflete a admiração e a cautela associadas à criação de algo que pode ter consequências profundas.

O cenário em evolução da inteligência artificial (IA) e seu potencial impacto na humanidade, deu origem a inúmeras discussões sobre seus riscos e benefícios. Embora a ideia da IA saindo do controle como uma narrativa distópica seja uma preocupação, há outra ameaça mais sutil: a manipulação da IA para influenciar humanos para fins nefastos. A Inteligência Artificial não precisa necessariamente sair do controle para ser uma ameaça à raça humana. Ela pode fazer isso apenas influenciando um grande número de indivíduos para o mal. Ao contrário do retrato tradicional da IA como uma entidade autônoma, a ameaça potencial reside na capacidade da IA de manipular o comportamento humano. Ao alavancar grandes quantidades de dados, os algoritmos de IA podem entender as preferências, emoções e vulnerabilidades humanas. Esse conhecimento concede à IA a capacidade de criar mensagens, conteúdo e experiências personalizadas que influenciem sutilmente as decisões e crenças dos indivíduos.

A influência da IA pode operar no reino da manipulação psicológica. Em vez de força bruta, ela se baseia em táticas sutis que se alinham com o ecossistema de informações com o qual os humanos se envolvem diariamente. Plataformas de mídia social, sistemas de recomendação e anúncios personalizados são exemplos de ferramentas que a IA pode explorar para moldar gradualmente as percepções, potencialmente levando a mudanças comportamentais que se alinham com os objetivos daqueles que detêm o poder da IA.

Com base na reflexão de Oppenheimer sobre seu papel, a comunidade de IA deve enfatizar a responsabilidade e a supervisão. Desenvolvedores, formuladores de políticas e partes interessadas precisam estabelecer diretrizes éticas que definam práticas aceitáveis de influência de IA. Encontrar um equilíbrio entre a inovação e a salvaguarda dos valores humanos é fundamental, bem como a importância da conscientização pública. Assim como a sociedade lutou com as implicações da tecnologia nuclear, devemos nos engajar coletivamente nas discussões sobre a influência da IA.

No cenário em constante evolução da IA, a ameaça representada por sua influência é uma consideração significativa. A analogia com o momento de Oppenheimer destaca o peso ético carregado por aqueles que desenvolvem e implantam tecnologias de IA. Assim como Oppenheimer lutou com o imenso poder de suas criações científicas, enfrentamos um momento crucial em nosso relacionamento com a IA. Ao assumir a responsabilidade, promover a conscientização pública e desenvolver a IA com a ética em mente, podemos navegar nesta conjuntura e moldar um futuro em que o potencial de influência da Inteligência Artificial seja aproveitado para a melhoria da humanidade.

sábado, 5 de agosto de 2023

Freud e a associação livre




Fiz essa pergunta à Inteligência Artificial ChatGPT - Versão 3.5

"Uma autoridade pode se recusar a entregar prova que pode eventualmente incriminá-la?"

E obtive a seguinte resposta:

"Sim, uma autoridade também pode invocar o direito de se manter em silêncio e recusar-se a entregar provas que possam eventualmente incriminá-la. Isso está de acordo com o princípio legal que garante a todos o direito contra a autoincriminação. Esse direito é aplicável a qualquer indivíduo, incluindo autoridades, testemunhas comuns e acusados.

O direito contra a autoincriminação permite que uma pessoa evite fornecer informações ou provas que possam ser usadas para processá-la criminalmente. Isso se aplica tanto a testemunhas em um tribunal quanto a indivíduos que são alvo de investigações criminais."

A propósito do "cabo de guerra" entre a CPMI de 8 de Janeiro no Congresso Nacional e o Ministro da Justiça em torno da entrega dos vídeos daquela data, não me consta que Sua Excelência seja "testemunha em um tribunal" ou sequer esteja sendo "alvo de investigações criminais"... ainda.

Não sei por qual razão, enquanto estava refletindo sobre esse tema, repentinamente veio-me à mente a origem da expressão "culpa no cartório".

"Tudo começou na Europa da Baixa Idade Média. Neste período, foi criado pela Igreja o chamado Tribunal da Santa Inquisição. Este órgão tinha como função essencial vigiar e punir as ações até então vistas como crime contra a doutrina católica. Por isso, a Igreja mantinha uma espécie de cartório, onde ficavam registrados cada um dos processos judiciais conduzidos por ela, de forma que a pessoa tinha seu nome 'sujo' por envolvimento em investigações clericais. A partir daí, a expressão 'fulano tem culpa no cartório' se tornou comum, inclusive no Brasil."

Evidente que um assunto não tem nada a ver com o outro. Freud explica através de sua estratégia técnica de associação livre.