Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”. Para adquirir qualquer livro, faça contacto através do WhatsApp (85) 9.9998.5816.
sexta-feira, 18 de setembro de 2020
Semelhantes se atraem?
Na visita que o ex-Presidente Lula fez ontem (17/09/2020) ao Senador Renan Calheiros no Hospital, não desejo comentar que ambos estavam sem usar máscara.
Nesta foto estão dezenas de processos na Justiça brasileira. Como segue:
"Além do caso do sítio de Atibaia (SP), que rendeu a segunda condenação em segunda instância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente é réu em mais oito processos.
Eles tramitam em Brasília, Curitiba e em São Paulo. Dos oito, dois resultaram em condenação até o momento: o caso do tríplex do Guarujá (SP), pelo qual Lula passou 1 ano e 7 meses preso, e o do sítio, no qual ele foi condenado em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão."
Com relação ao Senador Renan Calheiros, em 2017 o STF abriu o 18º inquérito para investigar o Senador. Com efeito:
"O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) se tornou alvo de mais um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Essa já é a 18ª investigação contra o peemedebista em tramitação na Corte, sendo que ele já é réu em uma delas – que apura recebimento de propina em troca da apresentação de emendas parlamentares em favor da empreiteira Mendes Júnior."
A Lei de Coulomb estabelece que corpos carregados com cargas opostas se atraem e corpos carregados com cargas iguais se repelem. Este conceito está ligado à eletricidade. Não creio que valha para as relações humanas. Ao contrário, acredito que está certa a psicologia quando afirma que "há muito de nós naqueles que escolhemos como amigos".
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
A eleição presidencial e a animosidade social
O fosso entre as pessoas na sociedade americana tem sido cada vez mais profundo com a proximidade da eleição de novembro/2020. Distante ainda daquela ecologia social dos anos 60 (quando foram mortos John e Robert Kennedy, Martin Luther King Jr, para citar apenas os mais preeminentes), o sentimento de ódio interpessoal advindo da retórica política atual tem apagado a luz do "american dream".
Como registrei em agosto de 2019 (God bless America - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/08/god-bless-america.html):
"Ouvi de um amigo, “baby boomer” americano (geração Woodstock), que desde a década de 1960 não havia visto a sociedade americana tão dividida. Naquela década, foram assassinados o Presidente John Kennedy, seu irmão e Senador Robert Kennedy, o líder religioso e maior expressão contra o apartheid Marthin Luther King Jr, entre outros. Era o auge da Guerra do Vietnam, o maior desastre bélico dos Estados Unidos e que encontrava enorme resistência do seu povo, principalmente dos jovens.
Nos dias atuais, a nação parece irrevogavelmente fraturada entre - republicano / democrata, elefante / burro, liberal / conservador, vermelho / azul, etc. O convite para o jantar de Ação de Graças (Thanksgiving - tradicional jantar anual da família americana) vem sempre acompanhado de uma recomendação para ser evitada a discussão de política ou religião."
As pesquisas de opinião sobre as intenções de voto, colocam o candidato Democrata, Joe Biden, á frente do Presidente Trump, candidato à reeleição, em percentuais que variam entre 5% e 11%, o que não quer dizer muita coisa. Em dois exemplos mais recentes, candidatos que ganharam no voto popular, perderam no colégio eleitoral. Foi assim na eleição de 2000, quando Al Gore venceu George Bush por 170.000 votos e perdeu no colégio eleitoral por 271 a 266 votos. Na última eleição presidencial americana, Hillary Clinton venceu o candidato Donald Trump por algo em torno de 2,9 milhões de votos e perdeu no colégio eleitoral por 304 a 227 votos.
No Brasil, a animosidade está presente entre membros do mesmo grupo social, no trabalho, nas universidades e mesmo entre indivíduos da mesma família. Provavelmente esse processo iniciou-se nos primeiros anos da década de 1990, com uma insistente mensagem do "nós contra eles". Apesar de estarmos a pouco mais de dois anos da próxima eleição presidencial, já existe uma corrida com vistas a 2022. Acirrada agora pela proximidade de eleições municipais, que se não são determinantes para o resultado de 2022, podem sinalizar para os candidatos mais provavelmente competitivos.
A grande questão é quanto a sociedade brasileira se permitirá dividir, num grupamento social tão enormemente atingido pela violência diária. Violência essa que vinha num crescendo até janeiro de 2019, quando o então Ministro Moro lançou as bases para neutralizar esse crescimento. E com sucesso, diga-se. Por menos que segmentos à esquerda e à direita do espectro político queiram reconhecer, o nome de Sérgio Moro é carta fortíssima no baralho da sucessão. Com reconhecido e respeitado trabalho seja como Juiz Federal na Lava Jato, seja como Ministro da Justiça, o ex-Ministro tem apelo popular e trajetória profissional como nenhum outro. Aqueles que duvidam, dêem uma olhada com mais vagar na recente Pesquisa de Opinião XP/IPESP, divulgada na última 2ª feira (14.set.2020). Nessa avaliação estatística, Moro é disparadamente o mais popular adversário de Bolsonaro, inclusive do que o próprio, e aquele que tem a menor rejeição.
Ainda que haja um esforço desesperado de "lulopetistas" e "bolsonaristas" para desconstruir a imagem de Sergio Moro, a ponto de termos lido essa semana declaração do ex-Presidente Lula em defesa de Bolsonaro e atacando Moro (soou meio que ridículo, no entender de alguns), há no país uma massa crítica sedimentada de admiração e respeito pelo ex-Ministro. Em um cenário no qual diariamente "pipocam" novos envolvidos em casos de corrupção (De hoje, 16/09 - Escritório de líder do governo na Câmara é alvo de operação - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/09/16/mp-do-parana-cumpre-mandado-em-escritorio-do-deputado-ricardo-barros.htm), o que deveria ser obrigação de todos - a honestidade - torna-se um vantagem competitiva, mormente nas disputas políticas. E Sérgio Moro parte na frente nesse quesito!
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
Luis Mir
Quem é Luis Mir? Pesquisador, médico, Doutor em História e escritor brasileiro, prefere apresentar-se como militante do velho Partido Comunista Brasileiro. Escreveu entre outros títulos, os livros:
A Revolução Impossível (uma história da luta armada da esquerda no Brasil) (1994)
Guerra Civil - Estado e Trauma (2004)
Genômica (2005)
O Partido de Deus - Fé, Poder e Política (2005)
O Paciente - O Caso Tancredo Neves (2010)
Em texto recentemente divulgado em redes sociais e aplicativos de comunicação, o senhor Luis Mir faz uma análise do atual cenário político nacional. Se por um lado mostra-se completamente desesperançado de uma construção alternativa para dirigir os destinos do país, por outro, choca profundamente os que transitam mais à esquerda no espectro político.
Ainda que não concorde com a totalidade das afirmações do escritor, sinto-me na obrigação de divulgar o texto, no sentido de fazê-lo conhecido para que seja analisado e criticado por todos os que se preocupam com os destinos da nossa nação. Leia abaixo.
"Com a reeleição assegurada do atual Presidente da República em 2022 - vai ser candidatura única - temos que nos preparar. Para mais uma derrota - merecida - e fazermos a autocrítica: o que fazer?
Candidatura única? Sim. Os concorrentes do atual ocupante foram estraçalhados com crueldade digna da Inquisição. E repito, não servem, diante dos desafios que temos atualmente como sociedade e civilização, para síndicos de prédio.
Sérgio Moro foi asfixiado politicamente no cargo e na vaidade. Virou uma viúva de luxo, mas uma viúva.
Luiz Henrique Mandetta uma viúva desesperada. É o rei das lamentações da República. Mas acima de tudo um covarde. Não reconhece que vergou a coluna o necessário para participar desde o início dessa hediondez que hoje critica, banhado em "falsa santidade", como apóstolo da saúde pública. Tentou, desde que sentou na cadeira ministerial, privatizar, em marcha batida, o SUS.
Ciro Gomes tem um pedra intransponível em seu caminho. Só ele, e mais ninguém, acredita que esteja preparado ou se tenha preparado para exercer a Presidência. É um autoritário que pode adotar atitudes tresloucadas, inconsequentes, irracionais, diante de adversários ou dificuldades que ameacem seu poder.
Sobre Luciano Huck: é o mais inviável de todos. Para ele, sua candidatura presidencial é um novo quadro do seu programa de auditório. E a Presidência o maior prêmio que seu programa ofereceu enquanto durou. Auditório não é eleitorado. Os profissionais vão ensinar-lhe isso a ferro e fogo.
Sobre João Dória: não conseguiu reverter a sina de São Paulo: é o estado brasileiro mais inepto e incapaz para produzir e alavancar candidaturas presidenciais. Há décadas. Não tem partido nacional, com vocação majoritária, atualmente em frangalhos. E não tem "cara de Brasil", isso me foi dito por um dos políticos mais importantes da história republicana brasileira, o Presidente Tancredo Neves.
Segundo ele, Minas Gerais tinha essa qualidade. Seus políticos tinham a "cara de Brasil". Como reconhecia que também aconteciam acidentes de percurso. Mas ninguém duvidava, disse ele sorrindo, que quando o país necessitava de rumo, todos os olhares se dirigiam para Minas.
Sobre o PT: vai cumprir sua missão com zelo, devoção, convicção. Ser novamente a correia de transmissão da extrema direita. Qualquer candidato que seja, não será candidato. Será um preposto do Guia Genial do Povo Brasileiro.
O que fazer? Recomeçar do zero a refundação da centro-esquerda brasileira. Que foi atropelada, prostituída, corrompida, estraçalhada, pelo Duo do Mal, vulgos PT e PSDB.
E com a candidatura única da extrema direita em 2022, teremos, ou melhor, teremos que ter, generosidade, humildade, visão estratégica, para retomar a marcha democrática do país, confiando-a a essa massa ignara, pobre, segregada, que é a maioria do povo brasileiro. Seus verdadeiros protagonistas.
Uma última observação: quem é o atual gênio político brasileiro? Jair Bolsonaro. De uma posição residual na relação de forças, anteviu a transformação histórica ansiada pelas massas, moldou o discurso e se lançou a disputa solitariamente como um gladiador marcado para morrer nos dez primeiros minutos da luta.
E derrotou todos os herói do Coliseu, para delírio das massas. Mas as massas vão querer mais. Ele tem ainda forças para uma última luta em 2022. Mas com certeza será a última. E para seu clã familiar, que será escorraçado junto com ele."
domingo, 6 de setembro de 2020
2022 está logo ali na esquina
Políticos, cientistas políticos e jornalistas/analistas em regra são ideólogos. Mantêm um conjunto coerente de posições que identificam como progressistas ou conservadoras (identificam-se também como esquerdistas ou de centro etc). Para a maioria dos eleitores, esses termos não significam nada. Não pensam em termos ideológicos e suas posições são freqüentemente inconsistentes e sem coerência. Muitas vezes dizem-se moderados ou centristas, o que não nos revela como irão votar.
As avaliações de uma eleição para outra são não confiáveis, uma vez que o eleitorado posiciona-se não ideologicamente diante das mais diversas questões, explicando a aparente volatilidade.
Não dá portanto para creditar a vitória do Presidente Bolsonaro a uma maioria da "direita" brasileira. Provavelmente havia uma fadiga eleitoral mixada com a revolta pela incontrolável desonestidade verticalizada que se apoderou do organismo público brasileiro nos seus mais diversos níveis. Isso foi inteligentemente explorado pela equipe do candidato Bolsonaro, farejando na sociedade o desejo de mudança.
Estamos vivendo o segundo ano do Governo, com a triste constatação de que ele não entrega o que prometeu em campanha. E não estamos falando da economia. Seria estupidez cobrar caminhos muito diferentes dos que estão sendo seguidos no meio dessa pandemia, especialmente quando se sabe que esses caminhos são assemelhados aos que a quase totalidade dos países do planeta estão trilhando. Mormente no Brasil, onde há profundas desigualdades interpessoal, intersetorial e interregional.
Com a Operação Lava Jato iniciamos um processo de "passar o país a limpo". Vimos nos últimos 6 anos o inusitado acontecer. Políticos de alto coturno, executivos do mais alto escalão do serviço público e donos das maiores empresas do Brasil serem julgados, condenados e alguns até presos. Centenas de milhões de reais devolvidos aos cofres públicos. Esses acontecimentos certamente fariam com que esses segmentos e a própria sociedade brasileira encontrassem novos caminhos de fazer política e desenvolver negócios. Respirava-se ares de esperança em um país melhor, mais justo, menos desigual.
Infelizmente, O Governo do senhor Jair Bolsonaro está sendo o maior responsável pelo desmanche da Operação Lava Jato. Suas reiteradas tentativas de interferência na Polícia Federal, a pressão continuada contra o Ministro Moro para que ele pedisse demissão, a aproximação, não se sabe em que condições, com o Ministro Toffoli, a cooptação do Centrão e por último mas não menos importante, a escolha do Procurador Geral da República fora da lista tríplice, configuram bem o cenário no qual navega o Governo Bolsonaro.
Esse senhor Aras, atual PGR, foi pinçado entre aqueles que já se admitiam contrários à Lava Jato. E não perdeu tempo. Cedo começou seu trabalho. O que esperar de uma autoridade que deseja conhecer/interferir em investigações sigilosas em andamento, ignorando o Art. 127 da Constituição Federal? Some-se a isso um Supremo Tribunal Federal que através de alguns dos seus membros, tem tomado decisões as mais heterodoxas, muita vez surpreendentemente conflitantes com coisa julgada e mesmo incongruências entre julgados de um mesmo membro.
O ano de 2022 está logo ali na esquina. Até lá, substitui-se os Presidentes das duas Casas Legislativas Federais, dois Ministros do Supremo serão aposentados compulsoriamente, e teremos (a Deus querer) vencido a pandemia do Covid 19, apesar da enorme perda de vidas humanas. Não guardo esperança de muita melhora nos vindouros Presidentes da Câmara e Senado. Ainda menos na qualidade dos Ministros do Supremo a serem indicados nas vacâncias próximas. Mas a eleição geral de 2022 poderá trazer uma nova ecologia social. Poderemos ter o ex-Ministro Moro como candidato, com forte apelo popular, menos por ele - Sérgio Moro - mais pelo que representa como ideia de combate à violência, ao crime organizado e à corrupção. E fazer renascer a esperança em mais justiça social!
terça-feira, 11 de agosto de 2020
O desafio de unir uma nação dividida.

A última peça do xadrez na política americana acaba de ser revelada. Por escolha do Partido Democrata e do próprio candidato a Presidente, Joe Biden, a companheira de chapa será a Senadora pela Califórnia, Kamala Harris. Esta jovem ex-Procuradora Geral do Estado que representa no Senado, foi também pré-candidata a Presidente, tendo desistido de sua campanha exploratória em dezembro passado, "por falta de recursos financeiros".
Kamala Harris é nascida na Califórnia há 55 anos, corajosa tribuna, combativa debatedora e com boa formação intelectual. Filha de migrantes, mãe indiana e pai nascido na Jamaica, a Senadora revelou-se no seu primeiro mandato, defensora de bandeiras tais como um caminho para a cidadania para imigrantes indocumentados, a proibição de armas de assalto e a reforma tributária progressiva.
Do ponto de vista político, ninguém melhor do que a Senadora Harris para formar na chapa Democrata. Por ser afro-americana agradará à população negra (em condições normais uma característica politicamente importante e principalmente agora, após os violentos protestos pela morte de George Floyd), já em sua maioria simpática aos Democratas. Filha de migrantes, certamente massageará o ego da enorme quantidade de estrangeiros e descendentes. Por fim, sua combatividade será um contraponto à passividade do companheiro de disputa, o ex-Vice-Presidente Joe Biden.
O maior desafio do próximo Presidente americano será minimizar a profunda divisão existente na sociedade neste momento e não creio que Trump esteja disposto a empenhar-se nisso. Como registrei em agosto de 2019 (God bless America - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/08/god-bless-america.html):
"Ouvi de um amigo, “baby boomer” americano (geração Woodstock), que desde a década de 1960 não havia visto a sociedade americana tão dividida. Naquela década, foram assassinados o Presidente John Kennedy, seu irmão e Senador Robert Kennedy, o líder religioso e maior expressão contra o apartheid Marthin Luther King Jr, entre outros. Era o auge da Guerra do Vietnam, o maior desastre bélico dos Estados Unidos e que encontrava enorme resistência do seu povo, principalmente dos jovens.
Nos dias atuais, a nação parece irrevogavelmente fraturada entre - republicano / democrata, elefante / burro, liberal / conservador, vermelho / azul, etc. O convite para o jantar de Ação de Graças (Thanksgiving - tradicional jantar anual da família americana) vem sempre acompanhado de uma recomendação para ser evitada a discussão de política ou religião."
segunda-feira, 13 de julho de 2020
O Brasil dividido!

A sociedade brasileira encontra-se tão ideologicamente dividida que partiu até os judeus moradores do Brasil, um povo milenarmente solidamente unido. A dra. Nise Yamagushi foi o pivô dessa fragmentação entre a CONIB (Confederação Israelita no Brasil) e a ASBI (Associação Sionista Brasil Israel).
Nada retrata melhor a profundidade da estupidez ideológica que como um furacão apoderou-se do sofrido povo brasileiro, do que essa discussão que tem como pano de fundo disfarçado o desencontro entre apoiadores e adversários do Governo, simbolizado na utilização da cloroquina no tratamento da pandemia.
O Hospital Albert Einstein afastou a dra. Nise, por ter a médica em entrevista recente comparado os judeus assassinados nas câmaras de gás ao povo brasileiro que não tem a chance de tratar-se com a cloroquina. Diz a nota emitida pelo hospital que ela "estabeleceu analogia infeliz e infundada entre o pânico provocado pela pandemia e a postura de vítimas do holocausto". Enquanto isso, a ASBI em nota de apoio à dra. Nise afirma que o hospital usou indevidamente a entrevista para "instrumentalizar uma indignação judaica inventada pelos inimigos do Governo".
Deus apiade-se desse grande país!
domingo, 12 de julho de 2020
Eleição Americana: "hispânicos" poderão decidir os destinos do país

Recentemente o U.S. Census Bureau divulgou que os "hispânicos" registram um novo recorde de quase 61 milhões de habitantes. "Hispânicos" representam uma nova "etnia" criada pela burocracia da imigração americana, originária de 20 países de diferentes culturas, cujos traços de união são o idioma espanhol e (na sua maioria) a antipatia pelo Presidente Ronald Trump, o que acreditam seja recíproca.
"Uma análise do Pew Research Center dos dados recém-divulgados descobriu que a população hispânica em 2019 era de 60,6 milhões, um aumento de 930.000 em relação a 2018. Ela saltou cerca de 10 milhões em nove anos." Em 2016, esse grupamento social votou a favor de Hillary Clinton, na proporção de 66% a 28% para Trump. Há uma percepção dos candidatos e seus executivos responsáveis pelas respectivas campanhas que os ditos "hispânicos" poderão decidir os destinos do país.

Os mexicanos representam cerca de 60% dos ditos "hispânicos" e vivem principalmente no Texas e na Califórnia. Os porto-riquenhos vivem predominantemente em Nova York e são cidadãos americanos enquanto os dominicanos dividem-se entre Nova York e a Flórida, onde os cubanos são maioria.
"Nas eleições presidenciais de novembro de 2020, os 'hispânicos' serão, pela primeira vez, o maior grupo étnico do eleitorado, ao representarem 13% dos eleitores, segundo o instituto Pew." Esse grupamento étnico poderá decidir a eleição de 2020, considerando as decisões do Presidente Trump ao enrijecer os procedimentos de contenção da imigração ilegal e bloqueando a entrada de imigrantes legais.
Até o início da crise do CoronaVírus, os Republicanos contavam como certa a reeleição do Presidente. Seu grande trunfo era a economia que atravessava um momento de grande euforia. Pleno emprego, crescimento do PIB, corte de impostos para empresas, além de medidas para redução da burocracia e de incentivo para produção dentro do país, fizeram com que houvesse uma geração de valor no mercado financeiro americano.
Com o aparecimento da pandemia a economia derreteu, enquanto a maneira errática do Presidente na condução das medidas de contenção do vírus fizeram com que a vantagem inicial fosse desidratando, de sorte que as pesquisas de opinião recentes refletem uma clara vantagem do ex-Vice Presidente Joe Biden, candidato Democrata.
É bem verdade que faltam quase quatro meses para o dia da eleição, portanto o jogo ainda não está jogado, mas a grande maioria dos analistas políticos acreditam que a tendência é que o Democrata consolide sua maioria nos chamados "swing states", o que lhe asseguraria sua vitória no colégio eleitoral. A confirmar-se esse cenário, Donald Trump entraria para o desconfortável grupo de apenas 4 Presidentes que não conseguiram a reeleição nos últimos 100 anos.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Como ganhar dinheiro com Yem

Existem várias maneiras de ganhar dinheiro com o YEM e uma das minhas favoritas é a estratégia "Buy and Hold".
O que é "Buy and Hold"?
Buy and hold é uma estratégia de investimento passivo na qual um investidor compra ações (ou outros tipos de valores mobiliários, como notas, títulos e debêntures, ações ordinárias) e as mantém por um longo período, independentemente das flutuações do mercado. Um investidor que usa uma estratégia de compra e manutenção seleciona ativamente os investimentos, mas não se preocupa com movimentos de preços de curto prazo e indicadores técnicos. Muitos investidores lendários, como Warren Buffett e Jack Bogle, elogiam a abordagem de compra e manutenção como ideal para indivíduos que buscam retornos saudáveis a longo prazo.
Aqueles que argumentam contra o uso de uma estratégia de longo prazo afirmam que os investidores renunciam a ganhos ao aumentar a volatilidade, em vez de travar ganhos e perder o tempo do mercado. Alguns profissionais são bem-sucedidos regularmente com estratégias de negociação de curto prazo, mas os riscos podem ser maiores. O sucesso do investimento também é alcançado pela lealdade, comprometimento com a propriedade e a simples busca de manter-se de pé ou não sair de uma posição escolhida.
Reconhecendo que a mudança leva tempo, os acionistas comprometidos adotam estratégias de compra e manutenção. Em vez de tratar a propriedade como um veículo de curto prazo para obter lucro no modo de um dia, os investidores de compra e manutenção mantêm ações em mercados de alta e baixa. Assim, os proprietários de ações assumem o risco final de fracasso ou a recompensa suprema de uma apreciação substancial.
Crescimento lento e constante do YEM
O YEM (Your Everyday Money) ainda não é usado como um mecanismo de pagamento alternativo generalizado, e muitos duvidam que seja.
A jornada do YEM ainda está apenas começando. Casos de uso - alguns esperados, outros não - estão surgindo em pools de inovação entre setores, geografias e filosofias. Por enquanto, sua narrativa convincente deu-lhe um papel em carteiras de ativos de todos os tipos, enquanto especuladores e investidores apostam na disseminação de seus casos de uso nascentes.
YEM, como uma moeda digital emergiu silenciosamente há quase 3 anos; desde então, ele vem ganhando força suavemente à medida que sua poderosa mensagem ganha impulso, sem florescimento e retórica.
A relativa quietude do YEM não apenas permite que trabalhos sérios continuem nos bastidores da Fundação YEM, além de dar aos experimentos tempo para amadurecer e evoluir, mas também é exatamente o que o mundo precisa agora.
Com tanto barulho, confusão e certeza em nossos feeds, em nossas telas e em nossos corações em relação ao resto de outras criptomoedas, o YEM silenciosamente fez progressos, constrói as escadas que estarão lá quando a poeira baixar e começar a ficar mais clara idéia de como nosso futuro realmente será.
Solicitar que o YEM substitua o sistema financeiro atual é uma ocorrência diária da maioria dos entusiastas do YEM.
Hoje, é um slogan comum na comunidade do YEM "Colocar um YEM na sua carteira", o que significa literalmente garantir seu futuro financeiro com o YEM no seu portfólio.
Se você ainda não é membro, pode se inscrever, tornar-se membro GRATUITAMENTE e até mesmo obter alguns YEM gratuitos:
BWS
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Nilo Sérgio Viana Bezerra - Administrador (85) 3114-2845 CNPJ: 00.079.526/0001-09 Endereço: Rua Luiz Moreira Gomes, 11, Parque Jabuti, Eusébio-CE. CEP 61760-000 |
sábado, 6 de junho de 2020
Mente vazia

Em Santa Monica Boulevard, entre a 3rd Street Promenade e a 4th Street na cidade de Santa Monica (Condado de Los Angeles) existe uma pequena loja de conveniência, como milhões de outras nos Estados Unidos. Deve ter 3 metros de frente, talvez uns 8 metros de fundo com um estreito balcão do lado esquerdo e uma gôndola vertical refrigerada à direita. Ironia das ironias, essa pequena "bodega", situada na principal avenida de Santa Monica, fica localizada à frente da maior agência do Citibank do Condado. Aqui você pode jogar nas loterias da California, como a Powerball (prêmio de 135 milhões de dólares em sorteio no dia 03 de junho de 2020) ou Mega Millions (prêmio de 378 milhões de dólares no sorteio de 05 de junho de 2020). Na entrada, um caixa eletrônico tipo ATM. Comprar e aquecer no micro-ondas o sanduíche do seu café da manhã, bem embalado em papel alumínio e acompanhado pela garrafa de Mountain Dew ou uma latinha de Cherry Coke. Cigarros, o isqueiro descartável, canetas bic, chocolates, etc.
Nesse pequeno estabelecimento comercial, você será atendido por um senhor da pele bem escura (mas não negra como as brasileiras), que me provoca na mente a expressão "preto encardido", ou pela jovem que imagino sua filha, com a mesma tonalidade de pele. Tento adivinhar sua origem e faço minha aposta solitária e silente de que são migrantes indianos em busca do "american dream".
A morte de George Floyd (um afro-americano de 46 anos) por policiais de Minneapolis, despertou uma onda de protestos contra o racismo em todo o mundo. Provocou também reflexões sobre a violência da polícia no trato com os negros americanos. Seguem-se 11 dias de violência urbana, de distúrbio de manada, vandalismo, assaltos, roubos e incêndios, manifestações assemelhadas às de 1968, após o assassinato do líder de direitos civis, Martin Luther King Jr.
George Floyd era motorista de caminhão e segurança, mas também tinha uma passagem rápida pela música. "Nos anos 1990, quando vivia em Houston (Texas), ele participou da cena hip-hop e integrou um coletivo famoso, o Screwed Up Click."
Por mais que a morte de George desperte em mim um sentimento de revolta pela brutalidade e de simpatia pelos familiares, minha mente remete-me novamente para a pequena loja do suposto indiano. A cidade de Santa Monica passou por um razoável período de "lockdown" com prejuízo inquestionável para os negócios, principalmente para os pequenos empreendedores. Suportaria, aquele pequeno estabelecimento que eu frequentava, a interrupção de suas atividades? Enquanto refletia sobre isso, assaltou-me a inquietação ao ver os vídeos de saques naquela cidade da Califórnia. E se em meio à pandemia, a barbarie houvesse atingido a loja da Santa Monica Boulevard?
Nesse tempo de quarentena, a mente vazia fica vagando pelo universo a menos que você tenha sido treinado a resistir à divagação. O que definitivamente não é o meu caso.
terça-feira, 2 de junho de 2020
Nixon, Trump e Bolsonaro

Naquele 5 de novembro de 1968, a manchete principal do The New York Times estampava: "Nixon vence por pequena margem, defendendo uma nação reunida". Era o resultado final da eleição americana entre o candidato Democrata, Hubert Humphrey, então Vice-Presidente e ex-Senador por Minnesota e o candidato Republicano, ex-Vice-Presidente e Senador pelo Estado da Califórnia, Richard Nixon, além do candidato independente George Wallace, ex-Governador do Alabama, que defendia abertamente a segregação racial.
Naquele ano foram mortos o líder cristão e ativista dos direitos civis, Martin Luther King Jr., o advogado e Senador pelo Estado de Nova Iorque, eventual candidato Democrata, Robert Kennedy. Mais grave ainda, o Presidente Democrata Lindon Johnson fizera uma escalada na impopular guerra do Vietnam, de sorte que havia ali cerca de 500.000 jovens soldados americanos estacionados. Seguiram-se ao assassinato de Martin Luther King distúrbios raciais em todo o país e manifestações populares contra a Guerra do Vietnã em universidades americanas. O assassinato do representante da família Kennedy, a desistência do Presidente Johnson de pleitear a reeleição, a onda de crimes e mais que isso a postura incoerente do Partido Democrata (enquanto o Presidente Democrata fazia uma escalada no Vietnam, o candidato do Partido encabeçava um movimento contra a guerra), podem explicar a improvável vitória de Nixon.
O grande trunfo do Partido Democrata poderia ter sido o Senador Robert Kennedy. Ele é reconhecido como um dos grandes da história política americana. Em 1968, tinha apenas 42 anos. Tinha o nome mais glamouroso da política; trazia consigo a tragédia do assassinato do irmão John Kennedy, de quem administrara a campanha presidencial em 1960 e atuou como seu procurador-geral após a eleição. "Era uma espécie de messias existencialista. Na Convenção Nacional Democrata de 1964, em Atlantic City, ele recebeu uma ovação de vinte e dois minutos, apenas por aparecer no palco. Havia uma crueza no rosto e na voz de Kennedy que parecia combinar com o clima nacional. Ele foi a personificação da dor do país sobre seu líder caído. E ele tinha a capacidade de refletir de volta o que os eleitores projetavam para ele. Ele parecia combinar juventude com experiência, intelecto com coração, senso de rua com visão. Ele era um herói para os colhedores de uvas chicanos, para os afro-americanos da cidade, para os trabalhadores sindicais. Ele era um homem dos tempos em que estavam mudando."
Não se deve, no entanto, minimizar o talento do candidato Richard Nixon em interpretar as inquietações e angústias da sociedade americana naquele momento. Soube colocar-se como o Presidente que uniria seu povo, como estampado na capa do The New York Times. Instrumentalizou sua campanha prometendo restaurar a lei e a ordem nas cidades do país, assolado por motins e crimes. E venceu a eleição!
Este ano teremos eleição para a Casa Branca novamente. Concorrem pelo Partido Republicano o atual Presidente, Donald Trump e pelos Democratas o ex-Vice-Presidente e ex-Senador pelo Estado do Delaware, Joe Biden. Se no final do ano passado pedissem-me um prognóstico da eleição de 2020, eu teria dito que o Presidente, candidato á reeleição, era extremamente competitivo. Muito provavelmente sairia vencedor. Tangido por uma ecologia econômica altamente favorável (crescimento do PIB de 2,3%, redução do deficit comercial, taxa de desemprego de 3,4% - a menor em 50 anos) e com uma fidelidade dos simpatizantes ao seu Partido acima de 92%, era "pule de 10" na eleição (expressão utilizada no turfe, quando um cavalo é muito superior aos demais e sua vitória é tida como certa).
Eis que o inesperado acontece. Surge a tragédia planetária do SARS-CoV-2, popularmente conhecido como Covid 19 ou CoronaVírus. A doença que abalou o mundo, está ceifando dezenas de milhares de vidas (já morreram mais de cem mil americanos até o final de maio) e colocou a economia mundial de ponta-cabeça. O grande trunfo de Trump desmoronou. O PIB do primeiro trimestre de 2020 dos EUA caiu 4,8%, na taxa anualizada. A taxa de desemprego saltou para 14,7%. Analistas políticos avaliam que se a eleição fosse hoje, o Presidente seria Joe Biden.
Recentemente, um policial branco assassinou um indefeso cidadão afro-americano, George Floyd. Essa morte foi filmada e veiculada dezenas de milhares de vezes nas televisões e mídias sociais de todo o mundo. Uma incontrolável onda de indignação e protesto espalhou-se pelo planeta, acontecendo com mais intensidade e volume nos Estados Unidos, por razões óbvias. Hoje já são sete dias de manifestações em mais de 150 cidades americanas e em algumas, a barbárie, destruição, violência, saques, enfim o que há de mais reprovável tem acontecido, a ponto de ser necessário o estabelecimento de toque de recolher em algumas. Esse episódio, também inesperado, pode influenciar no resultado da eleição presidencial. O então "marcado para perder" Presidente Trump poderá, explorando o conservadorismo da sociedade americana, "vender-se" como o Presidente capaz de restaurar a lei e a ordem no país, a exemplo do que fez Nixon em 1968.
No Brasil não teremos eleição para Presidente este ano, mas há uma guerra surda entre o Grupo que está no poder e extensos segmentos da sociedade brasileira. A oposição ao Presidente Bolsonaro a cada dia soma mais adesões e há em curso um inegável movimento para afastá-lo. Nos últimos dias esse movimento tem ganhado força com a divulgação de declarações de diversos líderes políticos e da sociedade civil. Junte-se a isso a incontrolável pandemia do Covid 19 e a debacle econômica citada anteriormente. O Governo vive um momento de vulnerabilidade. Felizmente (para ele), surgiram recentemente grupos contrários que se dizem defensores da democracia, atuando com violência, depredando patrimônio público e privado, desrespeitando símbolos nacionais, etc. O grande intelectual brasileiro Sérgio Buarque de Holanda estabeleceu a teoria do "homem cordial". Ouso dizer que os brasileiros somos acima de tudo conservadores. Se o Presidente souber explorar esse movimento assumindo para si o papel de fiador da lei e da ordem, zelador da paz social, poderá estancar, pelo menos por enquanto, a quase ostensiva orquestração do seu impedimento.
domingo, 31 de maio de 2020
De princípios inegociáveis

Em 30 de outubro de 2018, portanto antes do Presidente Bolsonaro assumir, escrevi: (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/10/diga-nao-moro.html)
- O Juiz Moro tem uma tarefa que está sendo cumprida com a admiração e aplauso da grande maioria dos brasileiros. Ninguém, além do Lula de 2010, chegou tão próximo da unanimidade nacional. Fazer parte do ministério do presidente recém-eleito, certamente abrilhantaria aquele colegiado. No entanto, agora que muitos dos implicados na operação lava jato perderam o foro privilegiado, ausentar-se seria no mínimo alimentar uma forte decepção na sociedade brasileira. Apesar da sabedoria popular estabelecer que "o cemitério está cheio de pessoas insubstituíveis", a justiça precisa da sua mão firme e correta em defesa dos valores e leis nacionais. Ademais, vamos combinar que o Executivo pode não ser a "sua praia". Seguindo carreira no Judiciário, você terá eternamente o reconhecimento de (quase) todos. Você destemidamente deu início a esse processo de expurgo e exorcismo dos "mal feitos" dos poderosos.
Pouco mais de um mês depois, quando a imprensa já noticiava as "peripécias" do famoso Queiroz, voltei a abordar o tema do Ministério, uma vez que o ex-Juiz já aceitara o convite. (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/09/nao-saia-moro.html)
- Não tenho dúvida de que o Dr. Moro é um homem de bem. De que está dedicando sua vida para tentar fazer o seu melhor pelo país. Mas todo ser humano tem fraquezas. O que me inquieta é até que ponto estaria o Dr. Moro disposto a sacrificar mais de duas décadas de uma carreira brilhante no Judiciário (uma vez que já pediu exoneração do cargo de Juiz Federal) e de uma eventual indicação para o Supremo Tribunal Federal oportunamente, para manter fidelidade aos seus princípios. Suspeito que se o Dr. Moro desconfiasse de longe que esses episódios iam "pipocar", ele jamais teria aceitado o honroso convite.
Nada melhor do que o tempo ("o tempo é o senhor da razão", frase de autor desconhecido que o escritor francês Marcel Proust usou há 100 anos e o ex-Presidente Collor tratou de popularizar na década de 90) para estabelecer verdades e aclarar fatos. Ainda que alguns analfabetos funcionais, apaixonados políticos ou desonestos intelectuais teimem em desidratar a admiração que a sociedade brasileira ainda nutre por Sérgio Moro, "los hechos son los hechos" (os fatos são os fatos). Quando em dezembro de 2018 duvidei da firmeza de Moro, de sua coragem de largar tudo mesmo com enorme prejuízo pessoal para manter fidelidade aos seus princípios, eu estava errado. Alguns duvidaram que o ex-Ministro estava indo (como afirmara) para o Governo com o objetivo único de ter "a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado", "consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior". Também estavam errados.
Dispam-se do vírus ideológico, da antipatia pessoal ou do regozijo pelo sentimento de vingança e façam uma análise fria e objetiva dos episódios últimos. Como teria sido muito mais fácil, muito menos conflitante, disparadamente mais confortável e conveniente que Sérgio Moro acedesse aos desejos do Presidente. Ficaria no Ministério e ter-se-ia credenciado para uma das duas vagas do STF a serem preenchidas neste quadriênio. Poderia até funcionar como advogado do Presidente como aconteceu em Governo recente e tudo indica já está acontecendo agora.
"Fazer a coisa certa sempre" é um princípio. São poucos os indivíduos para os quais os princípios e o caráter são valores inegociáveis. E a estes a história fará justiça.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Do direito de manifestar opiniões

Ontem recebi um telefonema de uma pessoa próxima. Sem mais delongas ela foi dizendo que amigos comuns, conhecidos e nem tão amigos assim a haviam procurado para falar comigo. Sentiam-se altamente incomodados pelos meus textos no Blog – https://nilosergiobezerra.blogspot.com/ – e principalmente pelo que eu postava em redes sociais.
Todos temos o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura, conforme Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no seu Artigo XIX. Assim também, a Constituição brasileira de 1988 registra o direito à liberdade de expressão, como abaixo:
Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
É verdade que tenho usado meu Blog e mais frequentemente as redes sociais para externar opiniões as mais diversas. Em 20 de outubro de 2018 escrevi sobre a suposta democracia da Venezuela, em 9 de janeiro de 2019 postei texto sobre a construção do muro pelo Governo americano na fronteira com o México, escrevi também sobre as supostas “rachadinhas” e o caso Queiroz em 5 de setembro de 2019. Muitas das opiniões externadas falam sobre a ecologia política contemporânea, focando na roubalheira que permeou os Governos do PT e nas permanentes tentativas do Presidente Bolsonaro de interferir em órgãos de controle do Estado brasileiro. Isso faz com que o espectro político “de A a Z” dos meus parcos leitores sintam-se tremendamente incomodados.
Sou extremamente grato aos poucos que dedicam pequena parte do seu precioso tempo para ler o que escrevo. Mais ainda aos que se dão ao trabalho de fazer comentários. Estes últimos enriquecem sobremaneira o conteúdo dos escritos com seus debates, suas opiniões contrárias, etc. Só não pretendo parar de escrever o que “me der na telha” para atender ao apelo do telefonema de ontem.
Raramente posto comentários em escritos de terceiros. Seja porque não me interessam, seja porque um simples “like” é suficiente para externar minha aprovação. Quando leio opiniões sobre qualquer assunto que me desagrada, e confesso que não o faço com frequência, simplesmente “salto a página”. A vida é muito curta para perder tempo com incompetências, irracionalidades ou paixões desenfreadas. A não ser que essas paixões tenham por objeto uma bela mulher. Ficar ruminando rancores, alimentando debates hostis, desgostando de ideias que desagradam, não fazem festa no meu coração. Divertem-me, muita vez.
O tempo é inexorável. No fim da juventude o corpo começa a perder a mobilidade, surgem as dificuldades próprias da velhice (doenças e dores), compensadas pela mente que se torna mais esperta, precavida e freia os ímpetos incontroláveis daqueles de pouca idade. Às vezes não se trata da pouca idade, é burrice mesmo. Perdoável porque “várias pesquisas psicológicas estão chegando à conclusão que a incompetência priva as pessoas da capacidade de reconhecer sua própria incompetência. Ou seja: as pessoas burras são burras demais para saber que são burras.”
sexta-feira, 15 de maio de 2020
O limite da lealdade

“Qual o limite da lealdade?”, pergunta o Senador Major Olímpio. Eu arriscaria responder com uma frase do poeta e dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca:
“Ao rei, a vida e os bens devem ser dados, mas a honra é património da alma, que pertence apenas a Deus.”
Quem é intelectualmente honesto, quem não está contaminado com o vírus do radicalismo dos extremos (voltaDilma/Lulalivre ou Bolsomínios/Mito), quem está acompanhando com atenção o desenrolar do inquérito autorizado pelo Ministro Celso de Mello, do STF, tem encontrado até então a seriedade com que o Ministro Moro se conduziu desde sempre á frente do Ministério da Justiça e do tratamento dispensado à sua vinculada Departamento de Polícia Federal.
terça-feira, 5 de maio de 2020
Bolsonaro, o PT e o Centrão

Bolsonaro promete entregar cargos ao Centrão até sexta-feira
https://www.oantagonista.com/brasil/bolsonaro-promete-entregar-cargos-ao-centrao-ate-sexta-feira/?desk
O Centrão, bloco formado por DEM, Solidariedade, PSD, PP, PR e PRB, tem ganhado protagonismo na política brasileira. Conheça os líderes.
RODRIGO MAIA (DEM-RJ) - Presidente da Câmara e nome mais influente do Centrão. A Polícia Federal atribuiu ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) e lavagem de dinheiro ao concluir inquérito sobre supostos repasses da Odebrecht ao deputado e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro e atual vereador César Maia (DEM).
ROBERTO JEFFERSON - Presidente do PTB, preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão do PT.
WALDEMAR COSTA NETO - "Dono" do PR e preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão do PT.
GILBERTO KASSAB - Presidente do PSD e ex-Ministro das Cidades no Governo Dilma, réu em Processo de Improbidade Administrativa no STJ e por Enriquecimento Ilícito no TJSP.
Paulo Pereira da Silva - Deputado Federal, presidente do Solidariedade e Presidente licenciado da Força Sindical. Está sendo processado pelo STF na Ação Penal AP 965, acusado pelos crimes de formação de quadrilha, desvio de finalidade de empréstimo oficial e lavagem de dinheiro, por desvio de dinheiro no BNDES no segundo Governo Lula.
Wellington Roberto (PR-PB) - Fazia parte da tropa de choque de Eduardo Cunha. O parlamentar é réu por envolvimento no chamado escândalo dos sanguessugas, que desviava recursos destinados à compra de ambulâncias, no primeiro Governo Lula.
Arthur Lira (PP-AL) - Líder do PP na Câmara, o deputado Arthur Lira (AL) virou réu em ação penal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão é da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
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Da Revista Digital Crusoé, de 06/05/2020:
"Para ampliar sua base no Congresso Nacional e conquistar o apoio de partidos do Centrão, o presidente Jair Bolsonaro colocou pelo menos 53 bilhões de reais em jogo. Esse é o orçamento de todos os órgãos em negociação com legendas historicamente associadas ao fisiologismo, à velha política e, não raro, aos malfeitos. Aproveitando o momento de fragilidade política de Bolsonaro, o bloco de partidos abriu a temporada de barganhas, assim como fizeram em momentos cruciais dos governos do PT e de Michel Temer. Siglas como PP, PL, Republicanos, PTB, PSD e Solidariedade, de políticos como Paulinho da Força, Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, pressionam por nacos cada vez maiores na estrutura administrativa federal..."domingo, 3 de maio de 2020
Hipocrisia pura!

"Some constitutions, especially codified constitutions, also act as limiters of state power, by establishing lines which a state's rulers cannot cross."
Vivemos um tempo na sociedade brasileira em que muito se fala em Constituição. Desconfio que a grande maioria das pessoas que remetem ao assunto, jamais abriram o "livrinho verde". Evidente que, em regra, não é um documento para ser lido em leitura continuada como um romance, mas comumente usado como um dicionário em que você consulta determinado tópico, temática pontual.
Como “o respeito à Constituição Federal e à institucionalidade é o único caminho para o desenvolvimento de uma sociedade livre, justa e solidária”, recebi com extrema surpresa e renovada preocupação, RESOLUÇÃO DO DIRETÓRIO NACIONAL DO PT publicado no website oficial do Partido dos Trabalhadores. Datado de 02 de maio último e com o título "EM DEFESA DA VIDA, DOS EMPREGOS E DA DEMOCRACIA: FORA BOLSONARO E SEU GOVERNO!", o panfletário documento de 06 páginas defende prioritáriamente o fim do atual governo. Nenhuma surpresa. Partido Político posto na oposição pelo povo, tem a obrigação de fazer oposição.
A Constituiçãobrasileira de 1988, no seu Art. 79, estabelece que "Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente." Simples assim. De forma limpa e direta. Sem margem para dúvidas ou interpretações. Além disso, o Art. 80 reza que "Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal."
Pois bem, no documento citado em parágrafo anterior, o Partido em questão defende que "Qualquer que seja o caminho, impeachment ou cassação da chapa BolsonaroMourão, a perspectiva do PT é de que o afastamento seja concluído com a eleição de um governo legitimado pelo voto popular, como dissemos em 2019", numa evidente agressão aos Artigos 79 e 80 da nossa Carta Magna.
Não é objetivo deste texto analisar a procedência ou não do afastamento do atual Presidente, ou mesmo o "impeachment ou cassação da chapa BolsonaroMourão" como defende o documento. Isso poderá ser tema de artigo vindouro. O objetivo é estabelecer de forma cristalina, como um Partido Político que tanto fala em defesa da constituição, que diuturnamente acusa o Governo de ser "incapaz de conviver com a democracia" e que comete "um investimento deliberado no cenário do golpe", oferece um cristalino caminho inconstitucional para o que entende como solução para as crises sanitária, política e econômica que assolam o país. Hipocrisia pura!
sábado, 18 de abril de 2020
"Maia oferece e oposição escolhe cinco MPs para caducar"

No dia em que as Trends do Twitter registram quase dois milhões da hastag "#ForaMaia", o Presidente da Câmara Federal reune-se "com todos os líderes partidários da oposição" para oferecer-lhes cinco Medidas Provisórias do Governo Federal para caducarem.
Estamos em pleno período de uma tragédia planetária, somente comparada na história moderna da humanidade à segunda guerra mundial. É natural então que a quase totalidade das Medidas Provisórias que dormitam nas gavetas da Presidência da Câmara, digam respeito ao combate à proliferação do SARS-CoV-2, o popular CoronaVírus. O deixar caducar Medidas Provisórias, que mais do que do interesse do Chefe do Poder Executivo são necessárias para o cuidado da saúde do povo brasileiro e à manutenção dos empregos, é uma atitude irresponsável e imoral.
Paralelo a isso, o Presidente da outra casa legislativa - o Senado da República - ao mesmo tempo decide retirar de pauta a MP 905 (já aprovada na Câmara), popularmente conhecida como MP da Carteira Verde e Amarela. Essa MP deveria ter sido votada hoje, uma vez que sua validade expira no próximo dia 20 (segunda feira), devendo portanto caducar. A MP prevê, se aprovada, a facilitação da criação de empregos para jovens de 18 a 29 anos (o foco no primeiro emprego) e trabalhadores com mais de 55 anos e desempregados há mais de 12 meses. As regras serão aplicáveis inclusive para o trabalho rural. "O governo espera incentivar a geração de cerca de 4 milhões de empregos ao longo de três anos com o Trabalho Verde Amarelo, programa que será criado para estimular contratações de jovens e pessoas acima de 55 anos".
Ainda no Senado, tramita o Projeto de Lei Complementar 141/19 recentemente aprovado pela Câmara, que está na origem do recente desentendimento público entre o Presidente da Câmara e o Presidente da República. O Projeto foi gestado para compensar a queda de arrecadação do ICMS e do ISS deste ano em relação a 2019. A previsão de queda é causada pela pandemia de Covid-19. O problema é que Governo e deputados não se entendem a respeito do impacto fiscal do projeto. Não há consistência entre os números apurados pela equipe técnica da Câmara e a área econômica do Governo. Este insiste em modificar o texto aprovado pela Câmara e há alguma receptividade por parte de segmentos do Senado, que entende estar a Câmara anos luz à frente do Senado no que respeita ao protagonismo.
A verdade é que o momento é de despir-se de vaidades pessoais e ideologias partidárias, abandonar essa disputa inconciliável de egos e atentar para a saúde e o bem estar do sofrido povo brasileiro.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
De Moinhos de Vento e Cloroquina

Enquanto o Papa João Paulo II escreveu que o homem não pode viver sem amor (lato sensu), o escritor português José Saramago afirmou que a religião não pode viver sem a morte. É conhecido de todos, no livro "Dom Quixote de la Mancha" do escritor espanhol Miguel de Cervantes, o episódio de sua luta contra os moinhos de vento que se transformam em gigantes cruéis e em seguida voltam a ser moinhos. O cavaleiro andante parte pelo mundo em busca de escrever sua própria história. Depreende-se do clássico da literatura mundial que o fidalgo castelhano Dom Quixote, ao perder a razão, não podia viver sem um inimigo.
Estamos vivendo tempos estranhos. Um pouco como Dom Quixote, creio que o Presidente Bolsonaro não pode viver sem um inimigo. Nem bem se desfaz do Ministro Mandetta, que se caracterizara como seu grande desafeto público nas últimas semanas, ainda no mesmo momento Sua Excelência em entrevista a uma rede de televisão abre suas incontidas baterias verbais contra o Presidente da Câmara Federal.
Preciso estabelecer claramente que não morro de amores pelo Deputado Rodrigo Maia. Ao contrário, tenho-o como representante-mor do que se convencionou chamar de velha política, daquilo que há de mais rasteiro e abjeto na atividade pública. Mas há o respeito exigido pela majestade do cargo que ele ocupa. Mais do que respeito pela instituição, há a necessidade de uma convivência urbana, se não pela carência de aprovação das diversas reformas que o país tanto precisa, pelo menos para atender à Constituição - “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Tenho me perguntado continuadamente nos últimos dias quando teremos períodos de paz na sociedade brasileira, excluindo naturalmente aquilo que não podemos evitar. A energia extraordinária que o país há despendido e haverá de despender muito mais no controle dessa tragédia que se abateu sobre o planeta, esse tal de COVID 19, exige de cada cidadão o melhor dos seus esforços para a superação da inesperada doença. Momento mais do que perfeito para esquecermos quaisquer outros desencontros, menores ou maiores, para focarmos na preservação da saúde dos indivíduos.
É absolutamente imperdoável o comportamento mesquinho de segmentos da sociedade em torno do uso ou não de determinada substância que pode eventualmente minorar o sofrimento de milhares de pessoas, ou mesmo salvar suas vidas. Tenho visto nas redes sociais, incontidas manifestações de júbilo, quando não explícitas muita vez apenas sinalizadas a cada aumento de infectados ou mortos. É a insensatez do ser humano, a face mais perversa do indivíduo acometido das piores paixões.
Neste momento, prefiro concordar com o cientista francês DIDIER RAOULT, na entrevista que concedeu ao Jornal Le Parisien (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2020/03/quando-o-cientista-fala.html):
LE PARISIEN: O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?
DIDIER RAOULT. Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.
LE PARISIEN: O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?
DIDIER RAOULT. Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, não pássaros de programa de TV.
segunda-feira, 13 de abril de 2020
O "mau caratismo" de Ciro Gomes
O jornalista Leandro Fortes, criador da Agência PT de Notícias e que coordenou as redes sociais do Partido dos Trabalhadores durante a campanha eleitoral de 2014, escreveu quinta feira última (09/04/2020) no blog panfletário Brasil247: "Ciro usa de mau caratismo ao falar do PT e de Lula". Não entrarei no mérito do que pensa o jornalista e a quase totalidade dos militantes petistas sobre o ex-Governador do Ceará, apesar de Ciro Gomes dizer que "eu apoiei Lula todos os dias sem faltar nenhum ao longo dos últimos 16 anos". Eles "que são brancos" que se entendam.
Gostaria, no entanto, de comentar apenas um trecho do artigo do Sr. Fortes que no meu entender carece de honestidade intelectual. Diz o jornalista: "Na falta de um Fernando Collor, a classe dominante pensou em colocar na Presidência da República um boneco inanimado como Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, do PSDB. O retorno dos tucanos, sonho dourado de banqueiros, barões da imprensa, grandes empresários e especuladores do mercado financeiro se transformou no pesadelo chamado Jair Bolsonaro."
Como pode o retorno dos tucanos ser o sonho dourado dos banqueiros se o próprio ex-Presidente Lula afirmou durante discurso na avenida Paulista em março de 2016, que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como durante o mandato dele. Com efeito, a Revista Veja de 12 de setembro de 2014, em profunda e circunstanciada reportagem, estabelece que "Bancos lucraram 8 vezes mais no governo de Lula do que no de FHC".
Por que os barões da imprensa desejariam o retorno dos tucanos se o PT foi o mais pródigo e perdulário em gastos com publicidade? O jornalista Fernando Rodrigues publica em 29 de junho de 2015 que "No seu primeiro mandato (2011-2014), a presidente Dilma Rousseff gastou 23% a mais com propaganda do que seu antecessor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva". Essa despendeu 9 bilhões no seu primeiro mandato enquanto aquele teria gasto 7,3 bilhões no segundo mandato. O falecido jornalista Paulo Henrique Amorim, titular do insuspeitíssimo blog "Conversa Afiada", em reportagem publicada em 21/03/2017, relata o seguinte:
"Na campanha presidencial de 2010, Dilma Rousseff visitou a sede de Rede Record, em São Paulo, na companhia de seu futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.
Diretores da Record, entre eles o diretor de Jornalismo Douglas Tavolaro, e alguns jornalistas, entre eles o ansioso blogueiro (aqui o jornalista refere-se a ele próprio), participaram de um almoço frugal.
A certa altura, alguém perguntou à candidata se, eleita, o BNDES salvaria a Globo de novo.
Ela respondeu, na lata:
- Olha aqui quem salvou a Globo! Foi ele!
E apontou para o Palocci".
Por último mas não menos importante, em 30/06/2015 a Folha de São Paulo publica reportagem com direito a chamada de primeira página, cujo título é: "TV Globo recebeu R$ 6,2 bilhões de publicidade federal com PT no Planalto".
Certamente os grandes empresários não sonham com a volta dos tucanos ao poder. Arriscaria dizer que o "sonho dourado" destes seria o retorno triunfal de Lula, ZeDirceu, Dilma et caterva ao comando do país, por razões óbvias. A figura acima ilustra bem o que foram os governos do PT para os grandes empresários. As "Campeãs Nacionais" levaram a maior parte do dinheiro do BNDES, a um custo de 7,5% e captado a 12,5% ao ano no mercado. O banco transformou-se em verdadeiro Robin Hood ao contrário.
Em 21/03/2017 o UOL Economia publica reportagem em que afirma:
"Empresas com relações com o governo têm acesso a esse mercado de juros subsidiados próximos aos 7,5% ao ano, enquanto as empresas comuns têm que buscar crédito no mercado privado com juros muito maiores. Por empresas comuns, leia-se: as micro e pequenas empresas, que são responsáveis por 84% dos empregos no país. Quase dez anos após o início da política de campeãs nacionais, os resultados são diferentes do idealizado por Lula, Luciano Coutinho e Dilma. Praticamente todas as empresas do grupo EBX pediram recuperação judicial ou foram vendidas. Eike Batista está na cadeia, acusado de corrupção. A Oi, a supertele brasileira, não conseguiu evoluir no setor e pediu recuperação judicial, assim como a LBR, outra escolhida para ser campeã na venda de laticínios." Sem considerar outras menos votadas, sabemos exatamente o que aconteceu com a BRF e JBS.
Como dizem os espanhóis, los hechos son los hechos (os fatos são os fatos), ou lembrando Dr. Ulisses Guimarães - Sua Excelência os Fatos, ou ainda, contra fatos não há argumentos. O Sr. Leandro Fortes pode escolher qualquer desses aforismos...
sábado, 4 de abril de 2020
O Estalo de Vieira
"Milhares de pessoas se reuniram em frente à casa do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Os manifestantes chegaram por volta das 15h e a avenida Lúcio Costa, onde fica o condomínio onde ele mora, foi fechada por volta das 16h"
O povo comemorou nas ruas a vitória de Bolsonaro. Era uma catarse coletiva, o desabafo popular contra um segmento do espectro político que dezesseis anos antes assumira o poder prometendo “o combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública como objetivos centrais e permanentes do meu governo” (do discurso de Lula no Congresso Nacional, na posse do seu primeiro mandato). Ao Contrário o que se viu foi uma sucessão de escândalos, roubalheira desenfreada, desvios de dinheiro público "nunca antes vistos na história deste país".
Como prometera em campanha, o Presidente montou sua equipe de Governo praticamente sem conceder audiência aos políticos e Partidos, despejando das suas hospedarias permanentes, preeminentes políticos do cenário nacional. Quem não viu nos noticiários ao longo do tempo que a área de energia era do Sarney, a Transpetro era do Renan Calheiros, as Docas de Santos pertenciam ao Michel Temer, até mesmo ao maior adversário - Aécio Neves - o Presidente Lula entregara Furnas, para citar apenas alguns. Quem não se recorda de episódio que ficou famoso, do Presidente da Câmara Severino Cavalcante indicando apadrinhado para "a Diretoria que fura poço na Petrobrás", por ser aquela que detinha 60% do orçamento de investimentos da maior empresa nacional, cerca de 32 bilhões de dólares à época.
O povo brasileiro estava cansado dessa ecologia política e entregou suas esperanças nas mãos do novo Presidente. Até compreendeu (o povo não é bobo) quando a quase totalidade dos veículos de comunicação iniciaram uma campanha permanente contra o Governo. Afinal, Bolsonaro instalara um torniquete para estancar a hemorragia do dinheiro do país para as "redes globos" e que tais. A propósito, vale a pena revisitar meu artigo de 26 de março de 2019 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/03/nao-por-coincidencia-os-editorias-de.html.
Com pouco mais de seis meses de Governo, começaram a vazar "desconfortos" entre o Presidente e sua equipe de Ministros, reconheça-se de primeiro nível, devidamente explorados largamente (por razões óbvias) por redes de televisão, jornais e revistas de circulação nacional. Em agosto de 2019 o Presidente desautoriza em público seu Ministro mais popular, o Ministro Sérgio Moro, e circula a notícia de que ele seria demitido. Na oportunidade escrevi: "A sociedade brasileira ainda vê no Ministro Moro (para ódio da esquerda) um paladino da justiça, o símbolo daquilo que ela mais deseja - que ninguém esteja acima da lei. Não à-toa, em todas as pesquisas de opinião o ex-Juiz Moro pontifica como o mais acreditado e confiável. Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo." (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/08/demita-o-moro-presidente.html)
Em outubro daquele mesmo ano, os órgãos de divulgação veiculam ruídos no relacionamento entre o Ministro Paulo Guedes e o Presidente, tendo este feito reuniões com profissionais da área econômica privada sem a presença do Ministro. Este o segundo mais acreditado e popular da sua equipe.
A regra repete-se. Na condução do trato desse desastre que acomete o planeta, o Ministro Mandetta tem sido de um profissionalismo que o fez admirado pela sociedade brasileira. O Presidente devia tirar proveito dessa popularidade do membro da sua equipe e creditar-se por escolher ministério tão competente. O que se vê é a repetição de episódios anteriores, já acontecidos com outros Ministros. É a desautorização pública do seu auxiliar e ameaça velada de demiti-lo. Cabe novamente a frase: "Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo".
Reza a lenda que o escritor e magnífico orador português Padre Antônio Vieira, quando ainda estudante, tinha uma expressiva deficiência de inteligência. Sua dificuldade de clareza de entendimento e agudeza de memória traziam-lhe um extremo sofrimento. Era, no entanto, um fervoroso devoto da Virgem Maria, a quem sempre pedia "que lhe fosse concedido o saber e o entendimento que não possuía."
"Deu-se, então, que um dia, rezando para Ela e inflamado pelo desejo do saber, o jesuíta sentiu uma espécie de estalo, tão forte, que teria experimentado um tipo de agonia, como se fosse desfalecer. Mas em seguida, viu-se com o sentido desembotado, adquirindo, instantaneamente, 'clareza de entendimento, agudeza de engenho e sagacidade de memória', como afirma um de seus biógrafos, André de Barros."
Pois bem! Estou convencido de que o Presidente Bolsonaro, com ou sem a interferência da Virgem Maria, sofreu um "estalo de Vieira" ao contrário. Que estúpida mania de humilhar publicamente membros da sua equipe, comentar com grosserias públicas eventuais discordâncias de ações ministeriais (que deveriam esgotar-se em reuniões internas) e fazer ameaças infantis como se estivesse tratando com crianças ou jovens imberbes.
Assim como Jesus ressuscitou Lázaro ("Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias"), o Presidente Bolsonaro está conseguindo a incrível proeza de ressuscitar a esquerda brasileira que jazia putrefata em um canto qualquer da história.
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