sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

O uso do poder do Estado para perseguir ou calar adversário


O uso do poder do Estado na persiguição a adversários é uma prática que ocorreu em diferentes momentos da história e em diversas partes do mundo. Aqui estão alguns exemplos notáveis:

Stalinismo na União Soviética (1920-1953):
Durante o governo de Joseph Stalin, o Estado soviético utilizou intensamente o poder para eliminar adversários políticos e suprimir a dissidência. Isso incluiu expurgos, execuções sumárias, campos de trabalhos forçados (gulags) e métodos de repressão contra qualquer pessoa considerada uma ameaça ao regime comunista.

Ditadura Militar no Chile (1973-1990):
Após o golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet em 1973, o Estado chileno perseguiu e reprimiu violentamente opositores políticos. Muitos foram presos, torturados e mortos durante o regime militar, que durou até 1990.

Apartheid na África do Sul (1948-1994):
Durante o regime de apartheid na África do Sul, o Estado institucionalizou a discriminação racial e perseguiu brutalmente aqueles que se opunham ao sistema segregacionista. Nelson Mandela, por exemplo, foi preso por 27 anos por suas atividades contra o apartheid.

Revolução Cultural na China (1966-1976):
Durante a Revolução Cultural liderada por Mao Tsé-Tung, o Estado chinês perseguiu e silenciou intelectuais, artistas e qualquer pessoa considerada uma ameaça ao regime comunista. Milhões de pessoas foram perseguidas, muitas delas enviadas para campos de reeducação.

Repressão na Alemanha Oriental (1949-1989):
O Ministério para a Segurança do Estado, conhecido como Stasi, na Alemanha Oriental, foi usado para perseguir e silenciar dissidentes políticos. A agência empregou vigilância constante, infiltração e prisões para manter o controle sobre a população.

Esses exemplos destacam como o uso do poder do Estado para perseguir adversários políticos pode ocorrer em diferentes contextos históricos e ideológicos, muitas vezes resultando em graves violações dos direitos humanos e na erosão da liberdade política.

* ATENÇÃO: qualquer semelhança com personagens vivos ou mortos e situações aqui ou alhures, é mera coincidência.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Começa a corrida pela Casa Branca


Os Estados Unidos marcam hoje o início do seu processo eleitoral presidencial de 2024, quando o Partido Republicano conduz a sua convenção política no estado de Iowa. Este evento prepara o terreno para uma série de “primaries” e “caucuses” em todo o país, moldando a seleção de candidatos para a próxima corrida presidencial.

As primárias são um aspecto fundamental do processo eleitoral americano, servindo como um mecanismo para os membros do partido expressarem as suas preferências pelos candidatos presidenciais. Essas eleições assumem diferentes formas, incluindo primárias abertas, fechadas e semifechadas.

As primárias abertas permitem a participação de eleitores de qualquer partido, proporcionando uma plataforma ampla e inclusiva para a seleção de candidatos.

As primárias fechadas restringem a participação aos membros registados dos respectivos partidos, garantindo que apenas os afiliados dos partidos tenham uma palavra a dizer na nomeação dos candidatos.

As primárias semifechadas permitem que eleitores não afiliados participem junto com membros registrados do partido, estabelecendo um equilíbrio entre inclusividade e exclusividade partidária.

Ao contrário das primárias, os caucuses envolvem uma abordagem mais interativa. Os participantes reúnem-se em reuniões comunitárias locais, expressando abertamente o seu apoio a um determinado candidato. Os resultados do caucus são determinados pelo número de apoiadores que cada candidato consegue durante esta reunião pública.

As primárias envolvem uma votação direta e secreta por membros registrados do partido ou eleitores elegíveis enquanto que os cáucuses realizam uma reunião pública onde os participantes declaram abertamente seu apoio a um candidato.

À medida que os Estados Unidos embarcam na jornada eleitoral para as eleições presidenciais de 2024, o Caucus Republicano em Iowa significa o início de um processo crítico que moldará o cenário político.

Apesar de os caucases acontecerem apenas em três Estados (Iowa, Nevada e Wyoming), compreender as nuances entre as primárias e os caucuses é essencial, uma vez que estes eventos não só refletem os princípios democráticos da nação, mas também desempenham um papel fundamental na determinação dos candidatos que irão disputar o cargo mais alto do país.

Para a disputa de hoje, 15 de janeiro, o Partido Republicano registrou os seguintes pré-candidatos: Donald Trump (ex-Presidente), Ron DeSantis (Governador da Florida), Nikki Haley (ex-Governadora da Carolina do Sul e ex-Embaixadora dos Estados Unidos na ONU), Vivek Ramaswamy (escritor e empresário de sucesso no ramo da biotecnologia), Asa Hutchinson (ex-Governador do Arkansas), Ryan Binkley (empresário e Pastor evangélico).

Apesar de 6 pré-candidatos participarem da disputa em Iowa, as pesquisas mais recentes já indicavam a larga preferência do eleitorado republicano daquele Estado pelo ex-Presidente Trump.

Com efeito, somados os votos o ex-Presidente registrou 51% (o que lhe garante 16 dos 24 delegados à Convenção Nacional), seguido por DeSantis com 21% (4 delegados) e Nikki Haley com 19% (4 delegados). O jovem empresário Vivek Ramaswamy tirou 8% dos votos, não alcançando o percentual mínimo para a obtenção de pelo menos 1 delegado. Os demais concorrentes tiveram menos de 1% dos votos.

Com esse resultado, Donald Trump confirma a liderança no seio do seu partido e inicia com o pé direito a corrida em busca de recuperar a Casa Branca.

A primeira-dama que se tornou presidente interina - sem ser eleita


Em 18 de dezembro de 1915, o viúvo Presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, casou com a também viúva Edith Bolling Galt. A senhora Galt ficara viúva e herdeira universal (não tinham filhos) de um rico proprietário da maior e mais antiga joalheria de Washington.

Ainda jovem, com pouco mais de 40 anos, a insinuante Edith ficou viúva e também rica. Fazia viagens frequentes à Europa e em Washington causou impacto ao se tornar a primeira mulher na cidade a dirigir seu próprio carro.

Encontrar Edith, para o Presidente Wilson foi amor à primeira vista. Após o casamento, Wilson ganhou um novo mandato, e em abril de 1917, liderou os EUA na Primeira Guerra Mundial. Por insistência do presidente, a primeira-dama participava nas suas reuniões, após as quais fazia avaliações fulminantes sobre figuras políticas e representantes estrangeiros.

Ao fim da Guerra, o Presidente viajou para a Europa com o objetivo de negociar e assinar o Tratado de Versalhes e apresentar a proposta de uma Liga das Nações para evitar futuras guerras mundiais. Edith o acompanhou.

De volta aos Estados Unidos, a maioria Republicana no Senado não concordou com sua ideia de criação desse organismo, o que fez com que Wilson passasse a percorrer o país com o objetivo de sensibilizar o eleitorado para o projeto. Foi durante esse esforço que Wilson teve um forte acidente vascular cerebral que o tornou incapaz para sempre. Constatou-se que ele não mais funcionaria plenamente.

Edith interveio com firmeza e começou a tomar decisões. Mesmo com os desfavoráveis pareceres médicos, ela nem sequer cogitou fazer o marido renunciar e deixar o vice-presidente assumir.

Estabeleceu o que ela chamou de “administração”, enganando a nação, desde o gabinete e o Congresso até à imprensa e ao povo. Divulgou publicamente boletins médicos que reconheciam apenas que Wilson precisava urgentemente de descanso e estaria trabalhando em sua suíte. Quando membros individuais do gabinete vinham despachar com o presidente, não iam além da primeira-dama.

Manteve sua "administração" por 17 meses, de outubro de 1919 a março de 1921. Entre seus confrontos com autoridades, pontificou aquele com o Secretário de Estado. Quando soube que ele havia convocado uma reunião do Gabinete sem a autorização de Wilson (leia-se dela própria), considerou isso um ato de insubordinação e o despediu.

"A ironia mais prejudicial, no entanto, veio como resultado da insistência da Sra. Wilson para que um pequeno assessor da Embaixada Britânica fosse demitido por uma piada obscena que ele havia contado sobre ela – ou então ela recusaria as credenciais de um embaixador que tinha vindo para ajudar especificamente a negociar a versão da Liga das Nações do Presidente Wilson. O embaixador recusou-se a fazê-lo e logo regressou a Londres. Apesar de toda a proteção que proporcionou ao marido como pessoa, Edith definitivamente prejudicou o que ele sonhava como legado."

E assim a história registrou a primeira-dama que se tornou presidente interina da maior democracia ocidental - sem ter tido um voto sequer.

* ATENÇÃO: qualquer semelhança com personagens vivos ou mortos é mera coincidência.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Tiririca e a dança das cadeiras



Anunciado o "novo" Ministro da Justiça e Segurança Pública, será o Sr. Enrique Ricardo Lewandowski. Se você não o identifica pelo nome completo, esclareço: trata-se do ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal. Sim, aquele mesmo que segundo a Veja e a unanimidade dos juristas brasileiros, proferiu uma "decisão escancaradamente inconstitucional" no julgamento do impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff, deixando-a elegível mesmo tendo sido condenada.

O Sr. Lewandowski é aquele que o Ministro Joaquim Barbosa, Presidente do STF e relator do processo do Mensalão, acusou de estar portando-se como advogado dos réus e estar fazendo "chicana" durante aquele julgamento. "Em termos jurídicos, chicana é o ato de retardar um processo judicial com base em um detalhe ou em um ponto irrelevante. A palavra também pode ser entendida como trapaça ou tramoia".

"Lewandowski beneficiou Lula e o PT diretamente com decisões judiciais que abriram o caminho para que Lula se livrasse das ações penais e condenações criminais contra ele, permitindo que Lula se tornasse novamente elegível e pudesse concorrer à presidência da República.
No acordo de leniência da Odebrecht, anulou as diversas provas obtidas contra Lula; permitiu à defesa de Lula acessar e usar os arquivos hackeados da operação Spoofing; suspendeu, e depois encerrou formalmente, três ações penais contra Lula, sendo duas delas referentes à propinas pagas pela Odebrecht relacionadas ao instituto Lula e uma relacionada à compra de caças suecos pelo governo Dilma."

O indicado para o Ministério é o mesmo senhor que ainda como Ministro do STF, mas já no epílogo do seu mandato, votou a favor da ADI 7331 - Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) contra dispositivos da Lei 13.303/2016, que dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias. Isso "apenas" para permitir a nomeação de políticos para diretorias das estatais (já vimos esse filme antes).

Ainda como Ministro, o Sr. Lewandowski concedeu liminar suspendendo a eficácia da Emenda Constitucional 109/2022, que instituiu o piso salarial nacional para enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem, parteiras e profissionais de apoio à enfermagem, na ADI 6917 - Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Com isso os profissionais de saúde ficaram sem o piso salarial previsto na Constituição.

Também em decisão monocrática, concedeu liminar suspendendo a eficácia da Emenda Constitucional 110/2022, que instituiu o piso salarial nacional para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, em ADI 7226 - Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pela Procuradoria-Geral da República.

Essas últimas decisões foram sua despedida melancólica do Supremo Tribunal Federal, depois de 17 anos de permanência naquela Corte. Registre-se que o Sr. Lewandowski assumirá cargo no Executivo sem nunca ter dirigido sequer uma carrocinha para vender pipoca. Não temos notícia da expertise do referido senhor na área de Segurança Pública.

Na sua primeira campanha para Deputado Federal quando foi campeão de votos, o palhaço Tiririca usou o slogan "Pior que tá não fica". Errou feio, Tiririca!

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Teatro


Vocês, artistas que fazem teatro
Em grandes casas, sob sóis artificiais
Diante da multidão calada, procurem de vez em quando
O teatro que é encenado na rua.
Cotidiano, vário e anônimo, mas
Tão vívido, terreno, nutrido da convivência
Dos homens, o teatro que se passa na rua.
(Bertolt Brecht)


Em 9 de dezembro de 2020, em artigo onde tentava analisar quão profunda estava dividida a sociedade brasileira (“A cegueira ideológica assassina a verdade e a razão“ — https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2020/12/a-cegueira-ideologica-assassina-verdade.html), escrevi:

“A sociedade brasileira encontra-se profundamente dividida. Não há limite na intolerância entre pessoas que pensam de forma diferente. Ademais, construiu-se no seio do tecido social o pensamento binário.”

Seguindo esse cenário, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob a alegação de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação (infrações supostamente identificadas em uma reunião realizada por Bolsonaro com embaixadores estrangeiros), declarou o ex-Presidente Jair Bolsonaro inelegível até 2030.

Ora, o ex-Presidente continua percorrendo o país e arrastando multidões. Apenas torná-lo inelegível aparenta não ter sido suficiente. O Sistema agora busca de todas as formas condená-lo e eventualmente até prendê-lo. O cardápio da vez é responsabilizá-lo por uma suposta tentativa de golpe nos lamentáveis acontecimentos do 8 de janeiro de 2023.

Rotular a invasão e depredação de patrimônio público naquele dia como uma “tentativa de golpe” tem estado no centro dos esforços para condenar Bolsonaro. No dizer do ex-Ministro dos Governos Lula e Dilma, Aldo Rebelo, “chamar o 8 de janeiro de ‘tentativa de golpe’ desmoraliza a ideia do que é um golpe de Estado. A alegação de golpe é fantasia para legitimar a polarização”.

Mesmo no mais alto escalão do atual Governo, pessoas com bom senso e responsabilidade social como o Ministro da Defesa, José Múcio, com a autoridade de quem é o chefe de todos os militares, afirma que não houve tentativa de golpe nenhuma.

Ou ainda no dizer do Professor de Direito e Jurista Ives Gandra Martins, “nunca houve na história do mundo, um golpe de Estado sem armas, tanques e exércitos".

Por último, mas não menos importante, o cinismo do evento de 8 de janeiro último acontecido no Congresso Nacional é parte desse teatro do absurdo. Estão construindo a narrativa conforme ensinamento de Lula: “Se eu quiser vencer uma batalha, eu preciso construir uma narrativa para destruir o meu potencial inimigo”.

Está tudo posto para quem quiser ver. A “harmonia” entre o STF e o Presidente; a ocupação de postos-chaves da República — inclusive nas Forças Armadas; a criação de um insano número de Ministérios e distribuição de cargos nas Estatais para acomodar políticos (já vimos esse filme antes); a gastança desenfreada; o comportamento “obediente” da grande mídia nacional e no dizer do Presidente do TSE Alexandre de Moraes, “a regulação urgente das redes sociais” porque “houve uma captura furtiva da opinião do eleitorado através das plataformas”.

Deus salve o Brasil!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

PERFÍDIA



"Perfídia" é um termo que descreve um ato de traição, deslealdade ou engano. Originado do latim "perfidia", que significa literalmente "através da fé" (no sentido de ir contra a fé ou a confiança), o termo é frequentemente usado para descrever uma violação grave de confiança ou um compromisso rompido de maneira traiçoeira. Enganar um amigo, parceiro ou membro da família de forma traiçoeira, nação que quebra um tratado ou compromisso de forma enganosa, espionagem ou traição durante um conflito armado, como passar informações secretas para o inimigo e até práticas desleais ou enganosas no comércio ou em transações comerciais são identificadas como Perfídia.

Em todas essas situações, a perfídia implica uma quebra deliberada e muitas vezes surpreendente da confiança ou lealdade esperada, levando a um prejuízo ou dano para a parte enganada. O termo tem uma conotação fortemente negativa e é associado a um comportamento considerado moralmente repreensível.

O crime de "Perfídia" como tal não está especificado no Código Penal Brasileiro. Assim como o termo "infâmia", "perfídia" é uma palavra que descreve um conceito geral de traição ou deslealdade, mas não é um termo técnico utilizado no direito penal brasileiro.

A legislação penal brasileira é detalhada e específica quanto aos tipos de crimes e suas respectivas penalidades, e não utiliza termos genéricos como "Perfídia" para descrever condutas criminosas. Apenas a perfídia militar (crime de guerra) é considerada crime, que é o ato de matar, ferir ou capturar um inimigo mediante traição ou dissimulação. Pena de reclusão, de cinco a dez anos.

Infelizmente não me recordo no momento de nenhum ato de indivíduo ou organização acontecido nos últimos tempos que possa ser caracterizado como perfídia. Se você lembra, por favor deixe o exemplo nos comentários abaixo.

INFÂMIA



"Infâmia" é uma situação conhecida por uma reputação extremamente ruim, resultante de um ato ou comportamento vergonhoso, desonroso ou criminoso. A palavra vem do latim "infamia", que significa desonra ou má reputação.

Alguém pode ser considerado infame se tiver cometido atos que são vistos como moralmente ou eticamente repreensíveis. Isso pode incluir crimes, traições, fraudes, entre outros comportamentos desonrosos.

A infâmia está sempre associada a uma reputação negativa e a uma condenação moral ou social dos atos que levaram a essa reputação.

Em alguns sistemas jurídicos, a infâmia era (ou é) uma condição legal específica. Por exemplo, em tempos históricos, indivíduos considerados infames poderiam ser privados de certos direitos civis ou sujeitos a penalidades legais ou sociais específicas.

Ao contrário dos crimes de Calúnia, Difamação e Injúria, o crime de "Infâmia" como tal não existe no Código Penal Brasileiro. O termo "infâmia" é mais associado a uma noção histórica ou literária de desonra ou má reputação, e não é utilizado na legislação penal moderna do Brasil.

Infelizmente não me recordo no momento de nenhum ato de indivíduo ou organização acontecido nos últimos tempos que possa ser caracterizado como infâmia. Se você lembra, por favor deixe o exemplo nos comentários abaixo.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A batalha ideológica nas Universidades americanas



"Enquanto exista uma classe inferior, eu estou nela; enquanto houver um elemento criminoso, eu sou dele; enquanto houver uma alma na prisão, não sou livre" (Do socialista Eugene V. Debs em discurso de rua contra a participação dos Estados unidos na Primeira Guerra Mundial 1914-1918).

Em 5 de novembro de 2018, em artigo intitulado “Socialismo à americana”, escrevi:

“Sanders fez sua campanha defendendo saúde e educação gratuitas para todos, aumento (para o dobro) do salário-mínimo, diminuição da desigualdade interpessoal, maior controle sobre a função social das empresas, flexibilização da imigração etc. Uma pauta mais que liberal, com um viés claramente socialista, e diametralmente oposta à pauta conservadora de Trump. Quando o Senador Sanders perdeu a indicação, sua contendora e correligionária Hillary Clinton absorveu algumas das bandeiras (lembro-me bem de dobrar o salário-mínimo durante sua gestão e um movimento em direção às ideias imigratórias de Sanders, que já tinham sua simpatia), mas não foram suficientes para sensibilizar parte do jovem eleitorado de Sanders. Além da disputa das primárias ter sido muito renhida, ela representava a política tradicional com todos os seus defeitos e pecados.

Ouso dizer que nos próximos anos, no berço da democracia mais liberal do mundo, deverá nascer um forte Partido Socialista (talvez a recriação do Socialist Party of America, que cessou atividades na década de 70), ou quem sabe sejam eles os hegemônicos dentro do Partido Democrata.”


O movimento socialista americano data do Século XIX, com a chegada dos imigrantes marxistas alemães aos Estados Unidos após as revoluções de 1848 na Europa. O primeiro partido socialista americano foi o Socialist Labor Party (SLP. Partido Socialista do Trabalho da América) oficialmente fundado em 1876 em uma convenção em Newark, Nova Jersey. “O partido era constituído predominantemente por imigrantes alemães, que haviam trazido ideais marxistas para a América do Norte. A herança era tão forte que o idioma oficial do partido foi o alemão nos primeiros três anos.”

Naquele momento para fortalecer-se, o Partido Socialista formou fortes alianças com várias organizações trabalhistas por causa de seus objetivos semelhantes.

Na década de 30 nasce o movimento comunista ianque que durante a Segunda Guerra Mundial saltou de 20 mil para 7 milhões de membros no país, apesar da crescente divisão entre socialistas e comunistas.

Como registrado, movimentos de esquerda são antigos nos Estados Unidos. Na verdade, nunca foram tão expressivos quanto estão se tornando agora, seja pelo engajamento de jovens, mormente nas Universidades (“A Young America’s Foundation, principal entidade estudantil conservadora, analisou em 2017 pelo 25º ano seguido o perfil dos oradores convidados para as cerimônias de formatura. A conclusão é de que, para cada universidade com um orador de direita, 11 optaram por um esquerdista), seja pelo crescimento da ala dita progressista no Partido Democrata.

Nos últimos 365 dias, reitores de três das mais influentes e conceituadas Universidades americanas sentiram-se na obrigação de renunciar sob pressão. As causas são completamente diferentes, mas o cenário solidifica o entendimento de que a polarização política da sociedade tende a envolver o país em toda a sua plenitude (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/ 2019/08/god-bless-america.html).

A presidente da Harvard University (provavelmente a mais conhecida e renomada Universidade do planeta), Claudine Gay, renunciou após alegações de plágio, um mês depois de prestar depoimento perante o Congresso, onde se recusou a declarar que pedir o genocídio dos judeus constituía assédio.

Evidente que as alegações de plágio de trabalho anterior não foi o principal motivo da demissão da Senhora Gay. Como apurado por um subcomitê da própria Corporação Harvard, houve “alguns casos de citação inadequada”, mas “nenhuma violação dos padrões de Harvard para má conduta em pesquisa”.

Esse caso específico envolve doações à Universidade (milionários judeus costumam ser generosos com as instituições universitárias) bem como pressões de ativistas conservadores contra a Presidente.

A demissão de Gay ocorre menos de um mês depois de Elizabeth Magill ter deixado o cargo de presidente da Universidade da Pensilvânia, tendo servido apenas um ano e meio. Tal como Gay, Magill pediu desculpa pelos seus comentários sobre a liberdade de expressão e o genocídio durante a audiência no Congresso do mês passado. Também a Senhora Magill esteve sob fogo cerrado de americanos que são defensores do povo judeu.

Ambas, Claudine Gay e Elizabeth Magill têm notória inclinação à esquerda, o que não se constitui surpresa tratando-se das Universidades americanas. Já o caso do terceiro demitido, Marc Tessier-Lavigne que renunciou ao cargo de presidente de Stanford depois que um inquérito da universidade descobriu que seu trabalho acadêmico anterior continha erros – ao mesmo tempo em que reconheceu que ele pessoalmente não havia cometido os erros e o inocentou de outras alegações. Alguns conservadores argumentaram que Tessier-Lavigne poderia ter sobrevivido se não tivesse irritado anteriormente os professores progressistas sobre a Covid, a liberdade de expressão e outras questões.

Se estivéssemos tratando de um jogo de futebol, eu diria que estava 2 a 1 para os conservadores, mas o assunto não é para se fazer gracejos. Esse cenário apenas estabelece quanto a sociedade da maior democracia do mundo está fragmentada, o que causa profunda preocupação na civilização ocidental. Teremos eleições presidenciais neste ano nos Estados Unidos e só Deus sabe o que pode acontecer.

sábado, 30 de dezembro de 2023

Para o inferno com os pessimistas



O otimismo é uma força poderosa que pode transformar a maneira como vivemos nossas vidas. Ser otimista é encapsular um modo de vida que nos encoraja a assumir o controle de nosso destino, desafiando as visões negativas e limitadoras que frequentemente encontramos. Em um mundo onde somos frequentemente bombardeados com notícias negativas e céticas, adotar uma postura otimista pode ser um ato revolucionário. Pode significar escolher a esperança sobre o medo, a ação sobre a inércia, e o crescimento sobre a estagnação.

Primeiramente, é crucial reconhecer que a vida é uma jornada pessoal e única. Cada indivíduo tem seus próprios sonhos, aspirações e caminhos a seguir. Os pessimistas tendem a projetar suas próprias inseguranças e limitações nos outros, criando uma atmosfera de dúvida e medo. No entanto, ao rejeitar essa negatividade e confiar em nossas próprias capacidades e desejos, podemos começar a moldar uma vida que seja verdadeiramente singular. Isso não significa ignorar os desafios ou as realidades difíceis, mas sim enfrentá-los com determinação.

Além disso, viver a vida que desejamos exige coragem. Frequentemente, somos desencorajados a tomar riscos ou a seguir caminhos não convencionais devido ao medo do fracasso ou do julgamento dos outros. No entanto, a verdadeira realização muitas vezes reside fora da nossa zona de conforto. Ao abraçar o desconhecido e aceitar que o fracasso é uma parte natural do processo de aprendizagem e crescimento, podemos descobrir novas paixões, habilidades e perspectivas que enriquecem nossas vidas. A coragem de perseguir nossos sonhos, apesar das incertezas, é um testemunho da nossa obstinação e fé em nós mesmos.

Por fim, viver a vida que desejamos é também uma jornada de autodescoberta e autoexpressão. Cada escolha que fazemos, cada desafio que enfrentamos, nos ajuda a entender melhor quem somos e o que realmente valorizamos. Ao fazer escolhas alinhadas com nossos valores e paixões, não apenas enriquecemos nossas próprias vidas, mas também inspiramos aqueles ao nosso redor. A integridade atrai integridade, e ao vivermos de acordo com nossos princípios, podemos encorajar outros a fazer o mesmo.

Então, para o inferno com os pessimistas… Esta é a sua vida… Vá viver a vida que você deseja. Isto é um chamado para a ação, coragem e autenticidade. Ao escolhermos o otimismo e a determinação em face das adversidades, podemos não apenas transformar nossas próprias vidas, mas também influenciar positivamente o mundo ao nosso redor. É uma lembrança de que somos os autores de nossas próprias histórias e que, apesar dos desafios, temos o poder de criar uma vida repleta de significado, alegria e realização.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Dois céus



A sociedade brasileira está irremediável e profundamente fracionada. Precisamos urgentemente descobrir/criar dois céus para pacificar o esgarçado tecido social. Não cabem no mesmo céu o “nunca antes na história desse país” e o “Mito”.

A fratura da sociedade brasileira é um reflexo das tensões políticas e sociais profundas que têm marcado o país nos últimos anos. Essas tensões muitas vezes se manifestam como divisões entre grupos que apoiam diferentes ideologias ou figuras políticas, como é o caso das expressões "nunca antes na história desse país" e "Mito", frequentemente associadas a diferentes espectros políticos no Brasil.

A frase "nunca antes na história desse país" tornou-se popular durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), particularmente sob a presidência de Lula da Silva. Por outro lado, "Mito" é um apelido dado a Jair Bolsonaro, uma figura política associada a ideias de direita, que enfatiza valores tradicionais, a segurança e uma postura crítica em relação à esquerda.

Essas duas visões representam não apenas diferenças políticas, mas também diferentes percepções e esperanças para o futuro do Brasil. A busca por "dois céus" para harmonizar essas visões divergentes é uma metáfora para a necessidade de encontrar um terreno comum, uma forma de convivência e diálogo que permita uma coexistência pacífica e produtiva.

Para alcançar isso, é essencial promover a tolerância, o respeito mútuo e o entendimento.

Criar esses "dois céus" não significa forçar um consenso artificial ou ignorar diferenças legítimas, mas sim reconhecer e respeitar a diversidade de pensamentos e experiências, buscando formas de convivência harmoniosa e produtiva. É um desafio que requer tempo, esforço e, acima de tudo, a vontade de todos os envolvidos para avançar em direção a um entendimento comum.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Uma profunda decepção com o ser humano



"Uma profunda decepção com o ser humano" é uma expressão que evoca sentimentos de tristeza e desilusão profundamente enraizados, relacionados à natureza ou às ações humanas.

Com a autoridade de quem passou os últimos 5 anos não apenas defendendo, mas exaltando as ações de Sergio Moro (veja textos abaixo), afirmo: você foi a maior decepção entre todas dos últimos meses no Brasil. Vendeu sua alma para seus verdugos, desconhecendo a admiração e apoio que um dia o povo brasileiro teve por você.

Não apenas porque Flavio Dino é de um partido adversário, também porque o Sr. Dino não atende às exigências constitucionais para pertencer à Suprema Corte do país. Não tem reputação ilibada, para ficar apenas nesse item. Ou você desconhece que este senhor é acusado de receber R$ 200 mil para defender projeto que beneficiava Odebrecht segundo José de Carvalho Filho, executivo da construtora; Em 2017, a Polícia Federal prendeu 14 investigados da Operação Pegadores, que apontou na época fraudes milionárias na área da saúde do Maranhão, governado por Dino; Com suspeita de irregularidade, um contrato do governo de Flávio Dino estava sob investigação a respeito da compra de combustível destinado a abastecer um helicóptero em 2020; Ele também é investigado pelo Ministério Público do Maranhão, no âmbito criminal, por suspeitas de irregularidades no seu governo. O objetivo é apurar suposta prática de peculato, desvio de recursos por agente público. Contudo, o Ministério Público do Estado colocou sob sigilo a investigação e desde então não se tem muita informação sobre o caso. A Noticia é do site ATUAL7 e de outros portais que republicaram as informações.

Dino perdeu um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em que tentava condenar o senador Roberto Rocha (PTB-MA) por haver denunciado gastos de R$1 milhão, durante a pandemia, em trufas, bacalhau e canapés;

Durante a reunião da CCJC que Dino participou no Senado, ele afirmou que não teria recebido documento algum avisando da possibilidade de criminosos depredarem a Praça dos Três Poderes. Porém, o Ministro recebeu esse documento do Diretor-Geral da PF no dia anterior aos ataques, segundo documento apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri.

Em reunião em 10 de abril último com as big techs (Twitter, Facebook, WhatsApp e Google), o Ministro Dino ameaçou as plataformas e afirmou que a liberdade de expressão (consagrada na constituição brasileira) como valor absoluto foi encerrada no Brasil.

O desrespeito às convocações feitas pelo Poder Legislativo alegando que temia por sua segurança física, mas não teve medo de ir praticamente sem segurança, a um convescote no Complexo da Maré no Rio de Janeiro, região controlada pelo tráfico e que a própria polícia não consegue entrar.

Enfim, Senador, é impossível não pensar que houve alguma espécie de acordo para que você se submetesse à extrema humilhação de contribuir para a nomeação do Sr. Dino para o STF. Não creio que tenha esquecido a frase "Só vai tá bem quando eu fudê esse Moro!". Extrema ironia seria se esse mesmo senhor Dino, investido de Ministro do STF, fosse a mão longa de Lula para cassar seu mandato. É uma pena que o exemplo de dignidade e honra do Deputado Deltan Dallagnol não lhe tenha sensibilizado.

Moro, você é uma vergonha nacional!

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“A eventual ida do Juiz Moro para formar no novo Gabinete, se por um lado seria uma garantia de que o governo não flertaria com tentativas de navegar na difusa fronteira entre a lei e o autoritarismo tosco, por outro lado, poderia criar zonas de atrito entre seu garantismo e o "excesso de zelo" de setores dos vencedores. A sociedade brasileira já possui mecanismos e instituições sólidas e bem definidas para garantir a condução democrática do país, sem que seja necessária a presença de alguém com seu perfil, para servir de avalista dessa condução.” (Diga “não”, Moro! – 30/10/2018).

“Poucos instantes depois do convite e aceitação do Juiz Moro para participar do Governo Bolsonaro, que eu não concordei, diga-se (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/), começaram a pipocar na Internet, em textos de colunistas políticos e mesmo na grande mídia, a "nomeação" de Moro como futuro presidente do Brasil. Ora, se mil outros argumentos não existissem, apenas o fato do presidente recém-eleito sequer ter assumido ainda, já desautoriza qualquer especulação sobre sua sucessão.” (Devagar com o andor... – 08/11/2018).

Não tenho dúvida de que o Dr. Moro é um homem de bem. De que está dedicando sua vida para tentar fazer o seu melhor pelo país. Mas todo ser humano tem fraquezas. O que me inquieta é até que ponto estaria o Dr. Moro disposto a sacrificar mais de duas décadas de uma carreira brilhante no Judiciário (uma vez que já pediu exoneração do cargo de Juiz Federal) e de uma eventual indicação para o Supremo Tribunal Federal oportunamente, para manter fidelidade aos seus princípios. (Eu te disse, Moro! – 07/12/2018).

A sociedade brasileira ainda vê no Ministro Moro (para ódio da esquerda) um paladino da justiça, o símbolo daquilo que ela mais deseja - que ninguém esteja acima da lei. Não à-toa, em todas as pesquisas de opinião o ex-Juiz Moro pontifica como o mais acreditado e confiável. Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo.

Num exercício de premonição, ousei escrever dois despretensiosos textos a respeito desse assunto. Você os encontra na Internet nos seguintes endereços: "https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/10/diga-nao-moro.html" e "https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/12/eu-te-disse-moro.html". (Demita o Moro, Presidente! – 24/08/1919).

Portanto, Ministro, não siga o conselho de FHC. Resista, continue seu bom trabalho à frente do Ministério e deixe o ônus da demissão para o Presidente. Ele que arque com o desgaste de dispensar o trabalho de quem já demonstrou que pode fazer o melhor para o Governo e para o Brasil. (Não saia, Moro! – 05/12/2019).

O caminho para mim, é muito claro. É trabalhar. Trabalhar incansavelmente pela melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos, empenhar todos os esforços no sentido de criar empregos para neutralizar a herança maldita, manter os juros no patamar mais baixo da história e a inflação sob controle e nos níveis atuais, sem negligenciar os programas sociais (o 13.º do Bolsa Família é um bom exemplo). E deixem a esquerda espernear.

Que venha 2022, com os Lulas, os Ciros, os Hucks, os Dorias, os Witzels e outros que tais. Qualquer coisa, se o nó apertar, nós lançamos o Moro... (Amanhã é outro dia - 08/11/2019).

Um segundo cenário seria fortalecer o Ministro, aumentando os recursos disponíveis para desenvolver os diversos programas afeitos à sua pasta, o que certamente aumentaria a popularidade dele. E aguardar o clarear do cenário político. Se o Presidente estiver politicamente fortalecido, indica o Ministro Moro para a segunda vaga do STF (o afastamento do Ministro Marco Aurélio em julho de 2021) - o que, repito, agradaria a seus admiradores - afastando assim a possibilidade de um forte concorrente em 2022. Ao contrário, se houver alguma possibilidade de segmentos mais à esquerda voltarem ao poder, Moro fortalecido popularmente poderia ser o companheiro de chapa ideal de Jair Bolsonaro. Não estaria então afastado o perigo da "mosca azul". Paciência! "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". (O que fazer com Moro? – 31/01/2020)

O ano de 2022 está logo ali na esquina. Até lá, substitui-se os Presidentes das duas Casas Legislativas Federais, dois Ministros do Supremo serão aposentados compulsoriamente, e teremos (a Deus querer) vencido a pandemia do Covid 19, apesar da enorme perda de vidas humanas. Não guardo esperança de muita melhora nos vindouros Presidentes da Câmara e Senado. Ainda menos na qualidade dos Ministros do Supremo a serem indicados nas vacâncias próximas. Mas a eleição geral de 2022 poderá trazer uma nova ecologia social. Poderemos ter o ex-Ministro Moro como candidato, com forte apelo popular, menos por ele - Sérgio Moro - mais pelo que representa como ideia de combate à violência, ao crime organizado e à corrupção. E fazer renascer a esperança em mais justiça social! (2022 está logo ali na esquina – 06/09/2020).

Ainda que haja um esforço desesperado de "lulopetistas" e "bolsonaristas" para desconstruir a imagem de Sergio Moro, a ponto de termos lido essa semana declaração do ex-Presidente Lula em defesa de Bolsonaro e atacando Moro (soou meio que ridículo, no entender de alguns), há no país uma massa crítica sedimentada de admiração e respeito pelo ex-Ministro. Em um cenário no qual diariamente "pipocam" novos envolvidos em casos de corrupção (De hoje, 16/09 - Escritório de líder do governo na Câmara é alvo de operação - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/09/16/mp-do-parana-cumpre-mandado-em-escritorio-do-deputado-ricardo-barros.htm), o que deveria ser obrigação de todos - a honestidade - torna-se uma vantagem competitiva, mormente nas disputas políticas. E Sérgio Moro parte na frente nesse quesito! (A eleição presidencial e a animosidade social – 16/09/2020).

Pasmem! A cinematográfica busca e apreensão na casa do candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná, Sergio Moro, foi autorizada porque no seu "santinho" de campanha, as letras dos nomes dos seus suplentes tinham alguns milímetros a menos do que o determinado em Lei. A defesa do candidato informa que "a alegação é mentirosa. Os nomes estão de acordo com as regras exigidas, sendo assim, a equipe jurídica pedirá a reconsideração da decisão.” (A ressaca do almoço do sábado – 04/09/2022).

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Oração pela Individualidade e Consciência

O homem superior é firme em seus principios, o homem inferior se curva à opiniao da multidão. A dependência em relação à opinião alheia é forma sutil mas devastadora de escravidão. (Confúcio)

Ó Senhor, em minha jornada através desta vida, ergo minha voz em súplica humilde e fervorosa. Permita-me, Senhor, a graça de jamais sucumbir ao comportamento de manada, àquela tendência tão humana de seguir cegamente, sem questionar, sem ponderar.

Que o meu caminho seja guiado por uma luz interior, e não apenas pelo brilho coletivo que tantas vezes cega e desvia. Que eu possa ser como o pássaro que, embora voe próximo ao bando, mantém sua rota única, guiada pelo instinto e pela sabedoria própria.

Imploro, Senhor, que minha mente se mantenha aberta, meu coração corajoso, para que eu possa discernir entre o que é simplesmente popular e o que é verdadeiramente sábio. Que eu possa reconhecer a beleza na individualidade, respeitando as diferenças e aprendendo com elas, em vez de me render ao conforto ilusório do consenso inquestionável.

Que a minha vida seja um reflexo de minhas convicções e experiências, não um espelho das opiniões e comportamentos alheios. Ajude-me a resistir à tentação de me mesclar na uniformidade, de me perder no tumulto das vozes que não falam ao meu espírito.

Que a minha existência seja marcada pela autenticidade e pelo respeito à minha essência, honrando a criação única que Tu me fizeste ser. Que eu possa ser um exemplo de integridade e consciência, em um mundo tão frequentemente seduzido pela facilidade do pensamento coletivo.

E, acima de tudo, Senhor, conceda-me a sabedoria para entender que, mesmo em minha busca por individualidade, estou conectado a todos os seres, parte de uma tessitura maior de vida e experiência humana.

Assim eu Te suplico, Senhor, com humildade e esperança. Amém.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A esquerda americana pirou de vez!



Escrevendo sobre a candidatura do Senador esquerdista Bernie Sanders a Presidente dos Estados Unidos na última eleição, registrei:

"Ouso dizer que nos próximos anos, no berço da democracia mais liberal do mundo, deverá nascer um forte Partido Socialista (talvez a recriação do Socialist Party of America, que cessou atividades na década de 70), ou quem sabe sejam eles os hegemônicos dentro do Partido Democrata." (Em "Bernie Sanders again" de 19 da fevereiro de 2019 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/02/bernie-sanders-again.html).

Uma pesquisa da Ipsos realizada entre 12 e 13 de outubro de 2023, em nome da Thomson Reuters, apurou conclusões interessantes, como abaixo:

Dois terços dos americanos relatam acompanhar de perto a situação em Israel e Gaza, com cerca de um em cada três americanos acompanhando a situação de muito perto (30%).
Quando apresentada uma série de opções para o envolvimento americano no conflito entre os israelitas e o Hamas em Gaza, mais americanos (41%) dizem que os EUA deveriam apoiar a posição de Israel do que qualquer outra opção. Os republicanos (54%) são mais propensos a dizer isso do que os democratas (37%).

Cerca de um quarto dos americanos (27%) dizem que os EUA deveriam ser um mediador neutro, um em cada cinco americanos (21%) dizem que os EUA não deveriam estar envolvidos de forma alguma, 10% dizem “nada disso” e 2% dos americanos dizem que os EUA deveriam apoiar os palestinos. Em 2014, 22% dos americanos disseram que os EUA deveriam apoiar a posição de Israel num conflito entre israelenses e palestinos em Gaza, e um terço dos americanos (36%) disse que os EUA deveriam ser um mediador neutro, e 27% disseram que os EUA não deveria estar envolvido.

Pouco menos de metade dos americanos (49%) afirma que o Hamas é o maior responsável pelo conflito actual, e isto inclui uma percentagem igual de Democratas (52%) e Republicanos (52%). A segunda maior porcentagem de americanos diz “Nada disso” (19%). Oitenta e três por cento dos americanos dizem que é claro que o Hamas é uma organização terrorista – os republicanos (88%) e os democratas (90%) têm a mesma probabilidade de concordar.

Sessenta e quatro por cento dos americanos vêem Israel de forma favorável. A maioria de ambos os partidos vê o país de forma favorável, mas os republicanos (76%) são mais propensos do que os democratas (59%) a dizer isto, e os sentimentos dos republicanos são mais fortes, com 36% a dizer que vêem Israel “muito favoravelmente” em comparação com 20% de democratas.

Os americanos são menos propensos a ver outros países da região de forma favorável: o Egipto é visto de forma favorável por 45% dos americanos, a Arábia Saudita é vista de forma favorável por pouco mais de um quarto dos americanos (28%) e apenas um em cada dez americanos vê o Irão de forma favorável ( 12%).

Oitenta e sete por cento dos americanos dizem que os civis que fogem de Gaza deveriam ser autorizados a fugir para um país seguro, com a grande maioria dos Democratas (94%) e dos Republicanos (84%) a concordarem com esta afirmação. Setenta e oito por cento dos americanos dizem que os diplomatas americanos deveriam estar a trabalhar ativamente num plano para permitir que os civis que fogem dos combates em Gaza se mudem para um país seguro. Oitenta e um por cento dos americanos dizem que Israel deveria evitar matar civis em ataques de retaliação contra o Hamas, com o apoio maioritário de ambos os partidos, mas os Democratas (93%) são mais propensos a concordar do que os Republicanos (76%).

A pesquisa é bem mais ampla, trazendo um expandido retrato do que pensa a sociedade americana em respeito à guerra Isreal X Hamas. Mas dentre todos os dados, o que realmente surpreende é que 49% de eleitores democratas "manifestam simpatia pelos palestinos, um número que ultrapassa pela primeira vez o percentual de democratas que apoiam Israel, fixado em 38%". Esse dado, de uma certa forma, comprova minha especulação de fevereiro de 2019 de que a esquerda americana tornar-se-ia hegemônica dentro do Partido Democrata.

God Bless America!

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

“One World, No Border”



Há cerca de 15 anos, encontrei-me imerso na utopia de um mundo sem fronteiras, um anseio alimentado por uma viagem reveladora à Europa. Testemunhar estações de controle de entrada entre países completamente desativadas me fez exultar e inspirou a redação à época do artigo “One World, No Border” (Um Mundo Sem Fronteiras). Na minha infantil ingenuidade sonhava com um planeta onde a circulação humana não fosse barrada por limites geográficos, permitindo a todos buscar o melhor lugar para viver.

Essa visão romântica de um planeta unificado enfrentou, recentemente, a crua realidade das ruas do Condado de Los Angeles, na Califórnia. Nas últimas três semanas tenho encontrado um cenário de profunda tristeza e desalento. Centenas de pessoas vagavam sem destino como zumbis, muitas dominadas por substâncias ilícitas ostentando sinais claros de insanidade, enquanto outras encontravam-se em um estado de indigência, sem um teto para chamar de lar.

A paisagem urbana de Los Angeles, nesse aspecto, revelou-se dolorosamente similar à cracolândia de São Paulo de meses atrás. O paralelo entre essas duas metrópoles destaca a universalidade da crise social e a necessidade de soluções abrangentes. Simultaneamente, relatos indicam que mais de 100 mil pessoas, migrantes ilegais indocumentados, ingressaram no território americano apenas nos últimos vinte dias.

A multiplicidade e complexidade desses desafios fazem-me repensar a viabilidade de um mundo sem fronteiras. As questões que emergem dessa reflexão vão além da mobilidade humana, abrangendo desigualdades socioeconômicas, disparidades de oportunidades e a urgência de políticas inclusivas e humanitárias.

A violência em geral e as guerras em particular, além das desigualdades globais são catalisadores potentes de movimentos migratórios. Um mundo sem barreiras geopolíticas necessitaria, primeiramente, abordar as raízes desses problemas.

A atratividade de nações com sistemas robustos de bem-estar social não pode ser subestimada. No entanto, a integração controlada e efetiva dos migrantes é um desafio colossal, demandando políticas bem estruturadas em áreas como habitação, saúde, educação e empregabilidade.

Enfrentar as causas dos deslocamentos e as disparidades globais demanda uma ação coletiva. A cooperação internacional e a coordenação de políticas globais são essenciais para abordar esses desafios de maneira eficaz.

Confrontado com a crise social evidente em cidades como Los Angeles e São Paulo, e ponderando sobre as questões intricadas da migração, inclino-me a reconsiderar minha antiga visão. Talvez um mundo sem fronteiras seja, na prática, um ideal distante ou mesmo inatingível.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A greve das montadoras



O United Auto Workers (UAW) é um sindicato internacional que representa trabalhadores nos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico. É um dos maiores e mais diversificados sindicatos da América do Norte, com membros em praticamente todos os setores da economia. Os locais de trabalho representados pelo UAW variam desde corporações multinacionais, pequenos fabricantes e governos estaduais e locais até faculdades e universidades, hospitais e organizações privadas sem fins lucrativos. O UAW tem mais de 400 mil membros ativos e mais de 580 mil membros aposentados.

No último dia 15 de setembro o UAW entrou em greve contra a General Motors, Ford e Stellantis (sucessora da Fiat Crysler nos Estados Unidos). Esta é a primeira vez na história do sindicato que atinge todos os três fabricantes de automóveis sindicalizados da América ao mesmo tempo. A greve começou após o sindicato não ter conseguido garantir um acordo de última hora antes do prazo final da meia-noite. A greve direcionada do UAW a três fábricas, uma de cada montadora, começou em Missouri, Michigan e Ohio.

Hoje, dia 25 de setembro, a greve dos trabalhadores do setor automotivo expandiu, envolvendo 38 centros de distribuição de peças operados pela General Motors e pela Stellantis, proprietária da Jeep and Ram, em 20 estados. A Ford foi poupada da expansão porque a empresa atendeu a algumas das demandas do sindicato durante as negociações da semana passada.

Em vez de visar mais fábricas na sexta-feira, o UAW buscou centros distribuidores de peças aos departamentos de serviço das concessionárias de automóveis. Isso fatalmente arrastará os consumidores para o miolo do furacão, se os revendedores ficarem sem peças. Estima-se que as montadoras GM, Ford e Stellantis perderam a produção de mais de 16.000 veículos até o momento, com perdas econômicas de mais de US$ 1,6 bilhão.

As montadoras e alguns de seus fornecedores demitiram cerca de 6 mil trabalhadores em ações que dizem estar relacionadas à greve. A GM fechou uma fábrica no Kansas que dependia de peças estampadas na fábrica de Wentzville.

Mesmo com a expansão, os grevistas representam apenas pouco mais de 10% dos 146.000 membros do sindicato. O restante continua trabalhando normalmente, mas contribuindo para o enorme fundo de greve de 825 milhões de dólares do sindicato, o que permite o pagamento semanal de 500 dólares a cada grevista.

Os trabalhadores reinvindicam aumento salarial de 36% escalonado em quatro anos, reposição anual da inflacão, planos de pensões de benefício definido para todos os empregados, limitação da utilização de trabalhadores temporários, semana de trabalho de quatro dias com remuneração de cinco dias e mais proteções trabalhistas, incluindo o direito de greve em caso de fechamento de fábricas.

Enquanto não houver acordo e o fundo de greve durar, esse processo vai arrastar-se. É assim que a banda toca por aqui.

domingo, 24 de setembro de 2023

Ceará



O torcedor de futebol vive uma montanha-russa de emoções a cada partida, a cada temporada. Nos bons momentos, o estádio reverbera em cânticos de glória, enquanto nos maus, o silêncio ou os suspiros de desalento tomam conta. Nesse contexto, o Ceará Sporting Clube atravessa um período de penúria relativo a resultados, um cenário que leva os alvinegros a uma profunda reflexão sobre lealdade e paixão.

A saudade dos ídolos de antanho é quase palpável entre os torcedores. Harry Carey, William, Alexandre, Gildo, Zé Eduardo – nomes que, um dia, fizeram o coração do torcedor bater mais forte e os olhos brilharem com a esperança de vitória. Nos últimos tempos, Magno Malta também entrou para essa lista, honrando a camisa alvinegra e fazendo história.

Esses ídolos, com suas jogadas inesquecíveis e gols memoráveis, escreveram seus nomes na história do clube, deixando um legado de paixão e dedicação. São lembranças como essas que mantêm viva a chama da esperança nos corações dos torcedores, mesmo em períodos de dificuldades e escassez de triunfos.

No entanto, mesmo diante das adversidades, é notável perceber que em nenhuma segmento da atividade humana há maior fidelidade, uma fidelidade mais fiel, do que a que é vista nos estádios de futebol. O torcedor, esse incconsequente, pode trocar de carro, de casa, de emprego e até de parceiro(a), mas jamais trocará seu clube do coração. O amor ao clube, às cores da camisa, vai além dos resultados em campo. É uma paixão que se renova a cada partida, que se fortalece a cada desafio, independentemente das circunstâncias.

Os torcedores do Ceará Sporting Clube, assim como de tantos outros times ao redor do mundo, demonstram uma resiliência e uma devoção inabaláveis. Eles são a prova viva de que, no futebol, a lealdade resiste, persiste e se fortalece, mesmo nos momentos mais sombrios. A esperança por dias melhores, por novos ídolos e por vitórias memoráveis, permanece sempre acesa no peito de cada torcedor.

E assim, entre saudades e esperanças, os alvinegros seguem apoiando seu time, na certeza de que o futebol é feito tanto de glórias quanto de desafios, e que a verdadeira paixão se prova não nos momentos de festa, mas nos de luta e perseverança. O sofrimento do torcedor é real, mas é também o que alimenta a magia e a beleza desse esporte apaixonante.

sábado, 23 de setembro de 2023

Para o bem do STF, da Democracia e do Brasil



O Supremo Tribunal Federal (STF) é uma das instituições mais importantes do Brasil, sendo o guardião da Constituição e exercendo um papel vital na manutenção do Estado Democrático de Direito. Diante de sua importância, propõe-se uma série de reformas para aprimorar ainda mais sua atuação, visando sempre o bem comum e a justiça.

Critérios para Nomeação:
A primeira proposta é estabelecer critérios mais rigorosos para a nomeação dos ministros do STF. Um desses critérios seria a exigência de que o indicado seja um juiz de carreira, com vasta experiência no judiciário e um histórico de decisões equilibradas e justas. Esse critério asseguraria que apenas profissionais com profundo conhecimento do Direito e da prática judicial ocupassem o cargo, contribuindo para a qualidade das decisões do tribunal.

Mandato com Prazo de 8 anos:
Atualmente, os ministros do STF são nomeados para mandatos vitalícios, sujeitos à aposentadoria compulsória aos 75 anos. Propõe-se a alteração desse regime para um mandato fixo de 8 anos, sem possibilidade de recondução. Essa mudança visa a renovação constante da Corte, permitindo a entrada de novas ideias e perspectivas, e reduzindo o risco de decisões excessivamente influenciadas por visões individuais de longo prazo.

Extinção das Decisões Monocráticas:
As decisões monocráticas, nas quais um único ministro tem o poder de decidir sobre determinadas matérias, têm sido alvo de críticas. Propõe-se a extinção desse tipo de decisão, garantindo que todas as deliberações sejam colegiadas, ou seja, tomadas pelo conjunto dos ministros. Esse formato asseguraria maior debate e reflexão sobre cada caso, resultando em decisões mais bem fundamentadas e equilibradas.

Limitar o STF a ser apenas Corte Constitucional:
Uma reforma fundamental seria limitar o papel do STF a ser exclusivamente uma Corte Constitucional, focada na interpretação e guarda da Constituição. Isso reduziria a sobrecarga de processos e permitiria aos ministros dedicar mais tempo e atenção a questões verdadeiramente constitucionais, garantindo a qualidade e a profundidade das decisões.

Fim do Foro Privilegiado:
Por fim, defende-se o fim do foro privilegiado, uma prerrogativa que permite a determinadas autoridades serem julgadas apenas por tribunais superiores. Essa mudança visa a promover a igualdade de todos perante a lei, garantindo que ninguém esteja acima do sistema judicial e reforçando a confiança da sociedade nas instituições de justiça.

Cada uma dessas propostas, pensada de maneira cuidadosa, tem o potencial de fortalecer o STF, tornando-o mais justo, eficiente e alinhado com os princípios democráticos que norteiam nossa nação. A implementação dessas reformas exigiria um amplo debate público e o envolvimento de todos os poderes da República, refletindo o compromisso coletivo com um Judiciário mais forte e uma democracia mais sólida.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

A crise migratória no Sul dos Estados Unidos



Anteontem o Prefeito da pequena cidade de Eagle Pass (30 mil habitantes) no Texas, do mesmo Partido do Presidente Biden, deu um desesperado grito de pedido de ajuda: “Nós estamos abandonados aqui. Nós estamos na fronteira, nós estamos pedindo socorro. Isso é inaceitável.”

Com efeito, nas últimas três semanas a pressão migratória cresceu de forma assustadora. Estima-se que nesse período, 100 mil migrantes ilegais tenham entrado nos Estados Unidos, a maioria deles nos Estados do Texas, Califórnia e Arizona.

Esses Estados enfrentam desafios de integração relacionados à imigração ilegal, como aumento da concorrência por empregos e recursos, segregação social e cultural além do aumento da criminalidade.

Na pequena Eagle Pass, quase 6.000 migrantes cruzaram do México para os EUA em dois dias, o que levou as autoridades de imigração dos EUA a fechar uma das duas passagens fronteiriças oficiais da cidade. As passagens de fronteira foram fechadas recentemente por motivos semelhantes em San Diego na Califórnia e El Paso no Texas.

O Departamento de Segurança Interna disse na quarta-feira que concederia o Status de Proteção Temporária a cerca de 472 mil venezuelanos que estavam nos EUA em 31 de julho, facilitando os caminhos para autorização de trabalho. Isso se soma aos 242.700 venezuelanos que já se qualificaram para o Status Temporário.

Além disso, a administração também está enviando 800 soldados militares em serviço ativo para a fronteira, somando-se aos 2.500 membros da Guarda Nacional. Está expandindo as instalações de detenção fronteiriças em 3.250 pessoas, para quase 23.000, e alargando a vigilância a todo o país para famílias que aguardam exames iniciais de asilo.

O aumento da pressão migratória recente, na avaliação de observadores, deve-se ao fato de que famílias percebem que alguns migrantes conseguem permanecer nos EUA, então decidem tentar a sorte.

A Patrulha da Fronteira dá aos migrantes pulseiras coloridas de marcação para determinar sua data de chegada para decidir quem será transportado primeiro para um local de processamento.

Diante desse quadro, o governo tem enfrentado o desafio de balancear a segurança na fronteira com os direitos humanos dos migrantes, muitos dos quais fogem de situações de extrema vulnerabilidade e violência em seus países de origem. Há uma crescente preocupação com o tratamento dispensado a essas pessoas, principalmente no que se refere às condições nas instalações de detenção e aos procedimentos para a solicitação de asilo.

Por outro lado, a administração tem a responsabilidade de zelar pela segurança nacional, combatendo a entrada irregular e gerenciando de forma eficaz o fluxo migratório. O envio de tropas adicionais e a expansão das instalações de detenção são medidas necessárias que visam fortalecer o controle fronteiriço e a segurança interna do país.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

11 de Setembro: Uma Cicatriz na História Mundial



Há 22 anos, em 11 de setembro de 2001, o mundo parou diante das imagens chocantes das Torres Gêmeas do World Trade Center sendo atingidas por aviões e, consequentemente, desmoronando em uma nuvem de poeira e escombros. Mais de 3.000 inocentes perderam suas vidas em um ataque que não apenas alterou a paisagem de Nova York, mas também a consciência global.

Eu morara durante 6 anos nos Estados Unidos e chegado há pouco, trabalhava no gabinete do Senador Luiz Pontes no Senado Federal. Assisti ao vivo à queda das Torres Gêmeas no monitor do meu computador. Como era possível tal atrocidade acontecer? Os Estados Unidos, considerado um bastião da democracia e do poder, havia sido vulnerável a um ataque dessa magnitude em seu próprio solo. O choque e o horror que se seguiram tornaram-se universais, ligando povos de todas as nações em solidariedade e luto.

A tragédia do 11 de setembro não foi apenas um ataque a um país, mas uma afronta à humanidade. Os perpetradores desse atentado não apenas almejavam semear o terror nos corações dos americanos, mas também enviar uma mensagem de medo para o mundo inteiro. Em uma era de globalização e interconexão, a dor de uma nação tornou-se rapidamente a dor de todas as nações.

Para aqueles que haviam vivido ou viajado para os Estados Unidos, o ataque assumiu uma dimensão ainda mais pessoal. Edifícios que eram ícones, lugares que haviam sido visitados ou mesmo cotidianos, agora eram escombros e memórias de desespero. O céu claro daquele dia de setembro foi ofuscado por uma nuvem de incerteza e medo.

Mas a resposta global ao 11 de setembro também foi um testemunho da resiliência humana. Nações de todo o mundo se uniram em condenação ao terrorismo e em apoio aos Estados Unidos. As semanas e meses que se seguiram viram um surto de solidariedade, com países reforçando seus compromissos com a paz e a segurança globais.

Entretanto, não se pode negar que o mundo pós-11 de setembro tornou-se mais cauteloso, mais desconfiado e, em muitos aspectos, mais dividido. A "Guerra ao Terror", que se seguiu, trouxe consigo novas complexidades geopolíticas e desafios éticos. As tensões entre as nações aumentaram e a busca pela segurança muitas vezes se equilibrou precariamente com os direitos individuais e as liberdades civis.

No entanto, o legado mais duradouro do 11 de setembro pode ser a lembrança coletiva da vulnerabilidade humana e da capacidade da humanidade de se unir em face da adversidade. A tragédia nos lembrou da importância da compreensão mútua, da cooperação internacional e da busca constante pela paz.

Hoje, ao refletirmos sobre aquele dia sombrio, é imperativo que honremos aqueles que perderam suas vidas, reconhecendo que a memória deles é um chamado à ação - um chamado para construir um mundo mais justo, mais seguro e mais unido.

domingo, 10 de setembro de 2023

O corpo incorrupto e o milagre do Missouri



A incorruptibilidade dos corpos de certos santos e beatos é um fenômeno fascinante tanto para os fiéis quanto para os curiosos. Na tradição católica, a incorruptibilidade é vista como um sinal de santidade, mas é importante notar que não é um requisito para a canonização. Muitos santos têm corpos que se decompuseram normalmente após a morte.

O conceito de incorruptibilidade refere-se à preservação notável de um corpo após a morte, sem o auxílio de métodos modernos de preservação, como o embalsamamento. Os corpos incorruptos permanecem flexíveis, e a pele mantém uma aparência de frescor e cor natural.

A descoberta de um corpo incorrupto muitas vezes fortalece a fé dos fiéis e é vista como um testemunho tangível da santidade da pessoa em questão. Por outro lado, do ponto de vista científico, as causas da incorruptibilidade são debatidas. Como mencionado, fatores como o ambiente em que o corpo foi enterrado, condições climáticas, tipos de solo e até mesmo as roupas usadas pelo falecido podem contribuir para a preservação do corpo.

Porém, em muitos casos de incorruptibilidade, as circunstâncias não se alinham com explicações puramente naturais. Alguns corpos foram exumados de locais úmidos e em condições que normalmente acelerariam a decomposição, mas ainda assim permaneceram notavelmente preservados.

É válido dizer que, enquanto muitos católicos veem a incorruptibilidade como uma manifestação da graça de Deus, a Igreja é geralmente cautelosa ao se pronunciar oficialmente sobre esses casos. Ela realiza extensas investigações antes de declarar um corpo como incorrupto de forma oficial.

Independentemente da causa, a incorruptibilidade continua a ser um fenômeno interessante que desafia nossa compreensão da decomposição e nos lembra da natureza misteriosa da vida, da morte e da santidade.

Estima-se que haja mais de 100 exemplos de incorruptíveis no mundo. No entanto, não há um número exato conhecido, pois o fenômeno é raro e não há um consenso científico sobre sua causa.

Alguns exemplos de incorruptíveis incluem:

- Santa Bernadette Soubirous, uma freira francesa que morreu em 1879. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1909.

- Santa Teresa de Ávila, uma freira espanhola que morreu em 1582. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1585.

- São Francisco de Assis, um santo italiano que morreu em 1226. Seu corpo foi encontrado incorrupto em 1230.

Na cidade de Gower de cerca de 1.500 habitantes, localizada nas colinas ao norte de Kansas City no Estado de Missouri, está a Abadia de Nossa Senhora de Éfeso que hospeda a Ordem Beneditinas de Maria, Rainha dos Apóstolos.

A Ordem foi fundada pela Irmã Wilhelmina Lancaster, uma pequena freira descendente de escravos católicos. Ela pertenceu a uma ordem de freiras tradicionalmente negra por 50 anos, as Irmãs Oblatas da Providência. Desiludida com o que considerava um afrouxamento dos padrões de adoração e dos estilos de vestuário, fundou a nova ordem tradicionalista na década de 1990.

A Irmã Wilhelmina Lancaster morreu aos 95 anos em 2019. Quatro anos depois de enterrada num simples caixão de madeira num canto da propriedade, as irmãs decidiram transferir os restos mortais para um lugar de honra habitual dentro da sua igreja. Exumaram o corpo em 18 de maio último e ao abrirem o caixão encontraram o inesperado: seu corpo parecia notavelmente bem preservado.

Essa pequena comunidade tornou-se um centro de romaria. Enormes multidões – as irmãs dizem que pelo menos 25 mil pessoas – afluíram à abadia durante o fim de semana do Memorial Day para ver o corpo, tocá-lo e rezar.

O prefeito de Gower, Ken Pike, trabalhou com as autoridades de dois condados e com a patrulha rodoviária estadual para planejar o fluxo de visitantes, transformando temporariamente a estrada de duas pistas que leva à abadia em uma rota de mão única.

Numa época em que a população de freiras e padres nos Estados Unidos está a envelhecer e a diminuir, contudo, os Beneditinos de Maria estão entre as poucas ordens que estão a crescer.

Independente de que haja ou não uma explicação científica para o caso, o importante é que esse episódio tem fortalecido a fé dos indivíduos, tornando-os mais unidos, inspirados e reafirmando suas crenças e valores espirituais em um mundo tão complexo e desafiador.