sábado, 26 de abril de 2025

terça-feira, 22 de abril de 2025

Quer entender o que é o comunismo? Venha a Praga. Fale com quem viveu.

Praça da Cidade Velha (Staroměstské náměstí) Praga,22/04/2025


Quem quiser fazer um verdadeiro exercício ideológico — sério, profundo e confrontador — deveria ir além dos livros didáticos enviesados e das narrativas prontas. A melhor maneira de entender o comunismo em sua essência não é através de teorias, mas de testemunhos. Venha a Praga, capital da República Tcheca. Esqueça os roteiros turísticos tradicionais por um instante. Converse com os moradores locais — jovens, adultos de meia-idade e, sobretudo, os idosos.

Pergunte sobre o comunismo. Não se limite a uma ou duas conversas: fale com dez, cem, quantas pessoas puder. Você ouvirá relatos reais, dolorosos e impactantes, de quem viveu sob um regime que prometia igualdade, mas entregou opressão.

Para tornar a experiência ainda mais rica, faça o Tour do Comunismo e visite o Museum of Communism in Prague. O acervo oferece um retrato cru e revelador do período entre 1948 e 1989, quando a antiga Tchecoslováquia foi transformada em um estado satélite da União Soviética. A exposição mostra como a ideologia comunista se infiltrou em todos os aspectos da vida cotidiana, da educação à cultura, da economia à espiritualidade.

Após o golpe de 1948, o Partido Comunista assumiu o controle total do país, eliminando as liberdades fundamentais. A imprensa passou a ser censurada, intelectuais perseguidos, e artistas silenciados. Um dos episódios mais simbólicos dessa repressão foi o julgamento e execução de Rudolf Slánský e outros acusados, em 1952, com base em falsas acusações de traição. Em 1968, a tentativa de abertura conhecida como Primavera de Praga foi esmagada brutalmente por tanques soviéticos, resultando em mortes de civis e no endurecimento da repressão nos anos seguintes.

A economia planificada, tida como o modelo ideal socialista, revelou-se um desastre. A Tchecoslováquia perdeu o bonde da revolução tecnológica e viu sua infraestrutura deteriorar-se enquanto a produção seguia metas absurdas e centralizadas. Os produtos eram obsoletos e de baixa qualidade, e até mesmo rodovias e pontes estavam em estado lamentável. O país, embora com dívida externa baixa, tornou-se completamente dependente da União Soviética, sofrendo diretamente os efeitos de crises como a queda das exportações de petróleo nos anos 80.

No campo internacional, a Tchecoslováquia ficou isolada. A recusa ao Plano Marshall e o alinhamento cego a Moscou colocaram o país à margem do progresso ocidental. Internamente, o regime tratou de infiltrar a ideologia comunista em todos os aspectos da vida. A religião foi reprimida, tradições locais sufocadas, e a cidadania, dissolvida. Muitas pessoas simplesmente se retiraram da vida pública, como forma de escapar do controle estatal.

Mesmo as manifestações culturais que conseguiam sobreviver, como o filme Closely Watched Trains ou o manifesto “Duas Mil Palavras”, de Ludvík Vaculík, eram constantemente reprimidas. E enquanto o regime falava em igualdade, uma elite comunista desfrutava de privilégios negados ao povo. A realidade era uma sociedade marcada por escassez, filas, vigilância constante e medo.

Mesmo com a Revolução de Veludo, em 1989, que trouxe de volta a democracia, as cicatrizes deixadas por quatro décadas de totalitarismo ainda são visíveis. Elas se expressam não apenas na arquitetura e na economia, mas no imaginário de um povo que aprendeu a desconfiar, a silenciar, a sobreviver à sombra de um Estado opressor.

Por isso, se quiser entender o que foi — e o que realmente significa — o comunismo, venha a Praga. Mas venha com os ouvidos e o coração abertos. Escute os que viveram. Aprenda com a dor alheia. E, ao voltar, reflita profundamente sobre os caminhos que estamos dispostos a trilhar como nação. Nem toda promessa de justiça é justa. Nem toda utopia leva à liberdade.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

O Câncer Ideológico e Moral


Vivemos uma era em que os valores fundamentais da sociedade – como o mérito, a liberdade individual, o respeito à propriedade e à ordem – estão sendo corroídos por uma ideologia degenerada que se mascara de justiça social. A esquerda brasileira, com sua retórica populista e sua prática autoritária, representa hoje o verdadeiro câncer ideológico e moral da nossa era.

Essa doença não surgiu ontem. Vem sendo cultivada há décadas em universidades, sindicatos, ONGs e aparelhos de Estado – todos infiltrados por uma elite intelectual que despreza o povo real e idolatra teorias fracassadas, importadas de regimes totalitários. Essa elite vive de narrativas que invertem a realidade: o criminoso vira vítima, o trabalhador é explorado por existir, o empresário é inimigo, e o Estado é o grande salvador.

Lula da Silva, líder máximo dessa esquerda, não é a causa, mas sim a metástase. Sua trajetória é o espelho da degradação institucional e moral que tomou conta do país. Condenado por corrupção, solto por artifícios jurídicos, e alçado novamente ao poder com o apoio de uma imprensa cúmplice e de um Judiciário politizado, Lula encarna o triunfo da impunidade e da manipulação emocional em nome dos “pobres”.

Sua “entourage” – formada por políticos fisiológicos, intelectuais militantes e celebridades deslumbradas – age como parasitas do Estado, drenando recursos públicos para perpetuar sua influência, enquanto o povo comum continua refém da insegurança, da inflação, da baixa qualidade dos serviços e da ausência de oportunidades reais.

Esse câncer ideológico se espalha com o discurso do “nós contra eles”, instigando o ódio de classes, normalizando o ataque à liberdade de expressão e à liberdade econômica, e estimulando a dependência estatal como única forma de sobrevivência. O objetivo é claro: enfraquecer o cidadão para fortalecer o controle do governo.

É preciso, mais do que nunca, despertar a consciência nacional. Reagir a essa doença exige coragem, lucidez e compromisso com os valores que realmente edificam uma nação: trabalho, responsabilidade, família, fé, liberdade. O Brasil saudável, produtivo e honesto existe – e precisa retomar as rédeas antes que a metástase seja irreversível.

domingo, 20 de abril de 2025

A Nota Oficial do STF


Nos últimos 60 dias, importantes veículos de comunicação internacionais têm intensificado suas críticas ao Ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Dentre essas manifestações, destaca-se uma série de matérias publicadas pela revista The Economist, que concentram foco nas decisões monocráticas do referido ministro, consideradas heterodoxas por analistas jurídicos e políticos.

Em reação a essa crescente onda de críticas, o Presidente do STF, Ministro Luís Roberto Barroso, em ato incomum, publicou nota oficial de apoio ao Ministro Alexandre de Moraes. A referida nota, publicada no site oficial do STF e assinada por seu presidente, levanta questionamentos sob diversas perspectivas.

Dentre os pontos problemáticos, encontra-se a negativa do presidente do STF em relação à declaração "nós vencemos o bolsonarismo", proferida em reunião da União Nacional dos Estudantes (UNE). Embora a nota negue tal afirmação, há registro em vídeo amplamente divulgado confirmando as palavras do ministro. A repercussão negativa foi tamanha que, posteriormente, o próprio Ministro Barroso tentou contextualizar ou esclarecer suas declarações.

Contudo, sob a ótica de um cidadão comum, ainda que sem formação jurídica, mas atento às práticas democráticas e às garantias processuais, o ponto mais preocupante da nota reside em seu conteúdo material e nos efeitos sobre a imparcialidade institucional do STF.

Existe atualmente um processo em andamento, sob relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, cuja fase processual encontra-se, ao que tudo indica, na análise da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa um grupo de indivíduos de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Tal processo será julgado por uma das turmas do STF.

Nesse contexto, causa estranheza que o órgão que julgará o processo tenha emitido nota oficial, assinada por seu presidente, com declarações que indicam juízo de valor antecipado. No primeiro parágrafo da nota, afirma-se haver uma "alegada tentativa de golpe, com plano de assassinato do presidente, do vice-presidente e de um ministro do tribunal". No último parágrafo, a nota encerra com a expressão de que o enfoque dado pela imprensa “corresponde mais à narrativa dos que tentaram o golpe de Estado".

Essa construção discursiva suscita dúvidas jurídicas fundamentais: se o STF, por meio de documento oficial, declara que há uma "narrativa dos que tentaram o golpe de Estado", não estaria a Corte, antes mesmo da instrução probatória, antecipando um juízo de mérito? Em termos práticos, tal assertiva não comprometeria o princípio da imparcialidade e da presunção de inocência dos acusados?

Diante disso, duas conclusões se colocam, ainda que de forma provocativa: ou se aceita que já houve, de fato, uma forma velada de sentença antecipada, tornando desnecessárias as etapas processuais subsequentes e restando apenas aplicar a pena; ou se admite que o STF, ao emitir tal declaração pública, comprometeu sua própria autoridade como instância julgadora imparcial nesse caso específico.

Cabe aos juristas, operadores do direito e à própria sociedade civil refletirem sobre os limites da comunicação institucional de um tribunal e os impactos que tais manifestações podem gerar sobre o devido processo legal e a credibilidade da Justiça.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

De Várzea Alegre a Viena


Datando de cinco séculos antes de Cristo, a região onde hoje floresce Viena integrava a rota do imponente Rio Danúbio. No entanto, foi apenas no século VIII da nossa era que passou a ser oficialmente chamada assim. Atualmente, Viena abriga cerca de dois milhões de habitantes, com um setor de serviços robusto e um expressivo polo industrial.

Cheguei ao hotel após uma noite inesquecível: um concerto de clássicos como Mozart, Bach e Vivaldi na Saint Peter's Catholic Church, uma igreja barroca construída no início dos anos 1700. Confesso que não fui educado a admirar música erudita. Ainda assim, não sei se pela majestade do local ou pela beleza intocável das melodias, senti-me profundamente emocionado — tanto quanto me emocionava, na juventude, ouvindo os boleros extraídos do acordeon de Chico de Amadeu e as baladas românticas no saxofone do inesquecível Mestre Chagas.

Durante o concerto, reparei que a igreja mantinha a tradição de cobrir as imagens dos santos com tecidos roxos quando da Semana Santa. Isso me transportou diretamente à minha infância, à igreja matriz de São Raimundo Nonato, em Várzea Alegre. Não sei se lá ainda se cultiva essa bela tradição católica, mas a lembrança ficou muito viva.

Descobri, ao longo do dia, que Viena não compartilha com minha terra apenas a inicial do nome ou a fé católica de seus habitantes. Há algo mais profundo. A Ringstrasse, sua principal avenida, abriga a Prefeitura (Rathaus), a Universidade de Viena, o Parlamento Austríaco e o famoso Burgtheater. Curiosamente, em Várzea Alegre, a então Rua Major Joaquim Alves (hoje Deputado Otacílio Correia), onde eu nasci, também concentrava símbolos de vida cívica e cultural: a Prefeitura Municipal, o Educandário Santa Inês de dona Eliza Gomes Correia, o Cine Odeon e, até há pouco tempo, a Câmara Municipal — nosso Parlamento varzealegrense, plantado diante da Praça dos Motoristas.

Outro elo invisível une as duas cidades. Viena possui o lago Alte Donau (Velho Danúbio), muito querido pelos vienenses. Embora não seja natural — é um antigo braço do Rio Danúbio — suas águas são límpidas, ideais para nadar, remar, velejar ou simplesmente andar de pedalinho. Várzea Alegre, por sua vez, tem a Lagoa de São Raimundo. Ainda que parcialmente aterrada para dar lugar a um moderno polo de lazer, no inverno, acredito que ela ainda ressurge, como nos tempos da minha infância. Talvez não tão limpa, talvez ainda sem pedalinhos — mas é nossa lagoa, espelho das nossas lembranças, enlevo da meninice.

Enfim, se você ainda não conhece nenhuma das duas, recomendo: conheça ambas. Mas vá primeiro à Várzea Alegre — porque é mais alegre e mais próxima. Depois, então, venha a Viena. Ela o receberá com violinos e muita história.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

quinta-feira, 10 de abril de 2025

"Ave Elon! Dá-lhe DOGE!"


Tem coisas que só vendo pra crer. E, neste caso, nem vendo a gente acredita de primeira. Uma investigação recente sobre pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos, feita desde 2020 revela coisas inacreditáveis na fila dos benefícios.

24.500 idosos com mais de 115 anos — provavelmente grandes fãs de vitamina C e yoga — receberam US$ 59 milhões. Deve ter rolado um surto de Matusaléns querendo uma graninha extra.

28 mil crianças de 1 a 5 anos — que mal aprenderam a dizer “mamãe” — embolsaram impressionantes US$ 254 milhões. Talvez elas estivessem exaustas depois de tantos meses de brincadeiras e decidiram “se aposentar” cedo.

9.700 pessoas que ainda nem nasceram, com datas de nascimento previstas para daqui a mais de 15 anos, conseguiram US$ 69 milhões. Aparentemente, o multiverso existe — e paga bem!

E o troféu de ouro vai para:

Um cidadão com data de nascimento em 2154 que pediu — e recebeu — nada menos que US$ 41 mil.

Durante a pandemia, os sistemas de pagamento de benefícios nos EUA ficaram sobrecarregados. A pressão para liberar dinheiro rapidamente foi tanta que esqueceram de checar se a pessoa existia de verdade — ou se ainda estava na barriga da mãe, ou nos arquivos secretos da NASA.

Claro, alguns casos podem ter sido erro de digitação. Mas vamos combinar: quase 10 mil pedidos de viajantes do tempo? Difícil acreditar que seja coincidência.

Apesar da risada, o buraco é mais embaixo: esses pagamentos indevidos custaram centenas de milhões de dólares aos cofres públicos. Dinheiro que deveria ir para trabalhadores reais, que perderam seus empregos de verdade, num momento crítico.

Essa situação toda mostra como sistemas mal protegidos podem virar um verdadeiro vale-tudo. É hora de modernizar esses processos, investir em tecnologia, inteligência artificial e, principalmente, em um botão bem grande escrito: “CONFIRMAR DATA DE NASCIMENTO”.

Porque da próxima vez, talvez o Homem-Aranha ou um bebê alienígena apareça pedindo pensão.

domingo, 6 de abril de 2025

Bem pouquinha gente!

Aprenda, Brasil!!

União Europeia enfrenta enorme lacuna de inovação: Andrew McAfee, do MIT, destaca uma disparidade gritante com os EUA.

Em seu boletim informativo The Geek Way, o cientista do MIT Andrew McAfee visualiza a batalha árdua da Europa para promover startups globalmente competitivas.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Marine Le Pen importunou uma baleia?


When the radical left can’t win via democratic vote, they abuse the legal system to jail their opponents. This is their standard playbook throughout the world. (Elon Musk)

Marine Le Pen in France, Bolsonaro in Brazil, Imran Khan in Pakistan, Matteo Salvini in Italy, Donald Trump in America, Calin Georgescu in Romania. The criminal prosecution of every populist challenger is a dagger in the heart of the credibility of democracy. (Mike Benz)


Em 1972, Jean-Marie Le Pen fundava o Front National, partido de direita francês erguido sobre os pilares do poder de compra, do protecionismo econômico, da soberania nacional e do controle da imigração. Décadas depois, sob a liderança de sua filha, Marine Le Pen, a sigla tentou renovar sua imagem, trocando o nome para Rassemblement National (Agrupamento Nacional) em 2018 — mas sem abrir mão de sua identidade política, agora autointitulada "direita patriótica".

Desde então, Marine tem sido presença constante nas disputas presidenciais. Em 2022, chegou ao segundo turno. Em 2024, liderou seu partido a um excelente desempenho nas eleições europeias, mirando agora ampliar sua influência na Assembleia Nacional. Até aqui, tudo dentro do jogo democrático — até que deixou de estar.

Hoje, 31 de março, Marine Le Pen foi condenada a cinco anos de inelegibilidade e quatro anos de prisão por ter, segundo a acusação, participado de um "sistema centralizado e otimizado" que, entre 2004 e 2016, teria permitido ao partido economizar ao empregar assistentes parlamentares fictícios, que na realidade trabalhavam para o partido e não diretamente para os eurodeputados.

O juiz classificou a prática como um "duplo engano" — ao Parlamento Europeu e ao eleitorado — e afirmou que isso significava uma "contornagem às regras dos partidos políticos e ao funcionamento democrático". Em outras palavras, a alegação é que o partido — vejam só — utilizou funcionários pagos com dinheiro público para trabalhar em suas atividades político-partidárias.

A perplexidade é inevitável, principalmente para nós, brasileiros. É difícil compreender a rigidez da justiça francesa diante de um episódio que, cá entre nós, parece trivial diante das imoralidades rotineiras da política nacional. Recentemente, vimos um parlamentar brasileiro firmar acordo com a Suprema Corte após confessar o desvio de parte do salário de seus assessores para cobrir despesas pessoais. Nenhuma inelegibilidade. Nenhuma prisão. Apenas um acordo.

E agora, diante dos olhos do mundo, Marine Le Pen, líder das pesquisas para as eleições presidenciais francesas de 2027 — com 35% das intenções de voto, segundo o instituto Ifop — é condenada criminalmente e impedida de disputar o cargo. O segundo colocado? Um aliado do presidente Macron, com modestos 26%. Coincidência?

O advogado da deputada já anunciou que irá recorrer da sentença. Em frente à sede do partido, afirmou: “É um golpe para a democracia.” Um comentário que, mais do que uma defesa técnica, soa como alerta.

Parece que a esquerda mundial encontrou um novo e eficiente caminho para manter o poder: tornar inelegível e prender seus adversários políticos.

Não se trata mais de vencer nas urnas — trata-se de eliminar quem ameaça vencê-las. Foi assim na Bolívia, com Jeanine Añez, condenada a dez anos de prisão após assumir a presidência interinamente num momento de caos institucional; é assim na Venezuela, onde opositores de Nicolás Maduro continuam sendo silenciados atrás das grades sob pretextos diversos; é o caso da Nicarágua, onde o ditador Daniel Ortega já prendeu quase todos os que ousaram disputar o poder com ele; é a velha história em Cuba, a mais longeva ditadura do Ocidente, prestes a completar 65 anos.

Agora é a França, pátria dos direitos do homem, da liberdade e da igualdade, que entra para esse rol.

Sim, a acusação é grave. Mas diante do impacto político da sentença, da proximidade das eleições e do momento decisivo da extrema polarização que vive a Europa, é impossível não se perguntar: será que Le Pen importunou uma baleia? Porque, para estar presa, inelegível e politicamente neutralizada, só pode ter cometido um crime inédito (não tão inédito assim), exótico — ou simplesmente ser culpada do crime imperdoável de vencer nas pesquisas.

E assim caminham as democracias ocidentais: quando o voto não funciona, prende-se o adversário. Basta encontrar um motivo. Qualquer um serve. Até importunar uma baleia.

domingo, 30 de março de 2025

“Isso não é imigração. Isso é invasão"

A Inglaterra está sendo conquistada

O prefeito de Londres é muçulmano

O prefeito de Birmingham é muçulmano

O prefeito de Leeds é muçulmano

O prefeito de Blackburn é muçulmano

O prefeito de Sheffield é muçulmano

O prefeito de Oxford é muçulmano

O prefeito de Luton é muçulmano

O prefeito de Oldham é muçulmano

O prefeito de Rochdale é muçulmano

Tudo isso foi conquistado por apenas 4 milhões de muçulmanos entre os 66 milhões de habitantes da Inglaterra

Hoje, na Inglaterra, há mais de 3.000 mesquitas

Existem mais de 130 tribunais da sharia na Inglaterra

Há mais de 50 conselhos da sharia

78% das mulheres muçulmanas não trabalham e recebem apoio do governo e moradia gratuita

63% dos muçulmanos não trabalham e recebem apoio do governo e moradia gratuita

Famílias muçulmanas sustentadas pelo Estado têm, em média, de seis a oito filhos, todos com moradia gratuita

Todas as escolas do Reino Unido são obrigadas a ensinar sobre o Islã

O nome de bebê mais comum na Inglaterra é Muhammad

Isso não é imigração. Isso é invasão.

sábado, 29 de março de 2025

Honrar Pai e Mãe


Após serem libertos da escravidão no Egito por Moisés, os hebreus acamparam aos pés do Monte Sinai. Ali, Deus firmou com eles uma aliança — e, como parte desse pacto sagrado, entregou os Dez Mandamentos.

“Então falou o Senhor todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão...” (Êxodo 20:1-2)

Entre essas palavras eternas, está um mandamento que ressoa até hoje:

“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra…” (Êxodo 20:12)

Esses mandamentos, inscritos por Deus com o próprio dedo em tábuas de pedra (Êxodo 31:18), tornaram-se pilares para judeus, cristãos e muçulmanos. São códigos que atravessam séculos e culturas — especialmente o mandamento de honrar pai e mãe, cuja importância é espiritual, moral, social e até psicológica.

Honrar os pais é reconhecer a origem da vida. É agradecer, mesmo em silêncio, àqueles que nos ofereceram abrigo, sustento e direção. É uma semente de bênção e longevidade, como promete a Escritura.

Socialmente, a família é a primeira escola do respeito. Quem honra os pais, aprende a respeitar professores, leis, líderes, vizinhos. Quem desonra, muitas vezes, desestrutura toda a ordem.

Jesus reforça esse princípio. Em Marcos 7:10, critica os que abandonam seus pais sob pretextos religiosos. Para Ele, honrar pai e mãe está acima dos ritos — é um ato de fé prática.

Reconheço, com humildade, que o Fortaleza Esporte Clube — segundo time mais conhecido e celebrado do futebol cearense — tem seu mérito. Uma bela história. Uma trajetória respeitável.

Mas não posso deixar de apontar um detalhe: Não sei quem é a mãe do Fortaleza… Mas sei que ele respeita — e honra — seu pai: o Ceará Sporting Club, o VOZÃO, o BiCampeão!

Diante do manto alvinegro, o rival se curva. E se escutarmos com atenção, talvez possamos ouvir um sussurro respeitoso vindo do Pici:

“A bênção, papai.”

terça-feira, 25 de março de 2025

Várzea Alegre e o assassinato de Kennedy


Após mais de 60 anos (61 anos e 4 meses, para ser mais preciso), o Presidente Donald Trump decidiu liberar para o público todos os documentos secretos relativos à morte do presidente americano John Kennedy. 

A morte do presidente John F. Kennedy, em 22 de novembro de 1963, em Dallas, Texas, é um dos eventos mais marcantes e controversos da história moderna. Segundo a Comissão Warren (criada pelo governo dos EUA para investigar o caso), John F. Kennedy foi morto por um único atirador solitário, Lee Harvey Oswald, que agiu por conta própria, sem ajuda de cúmplices ou conspiração.

Oswald era um ex-fuzileiro naval dos EUA, simpatizante do comunismo e crítico da política americana. Já havia vivido na União Soviética e apoiava Fidel Castro em Cuba. A Comissão Warren o considerou instável e ideologicamente motivado.

Kennedy estava desfilando em carro aberto, ao lado da esposa Jacqueline Kennedy, e acompanhado do governador do Texas John Connally e sua esposa. Quando o carro presidencial passava em frente ao Texas School Book Depository, três tiros foram disparados. O segundo ou terceiro tiro (há controvérsias) atingiu Kennedy mortalmente na cabeça.

Kennedy colecionava um poderoso time de inimigos. Demitiu Allen Dulles, o diretor da CIA, e ameaçou "esmagar a agência em mil pedaços e espalhá-la ao vento". Kennedy e seu irmão Robert Kennedy (Procurador-Geral) lançaram uma guerra aberta contra o crime organizado e mafiosos que o haviam apoiado, sentiam-se traídos. O Presidente cogitava demitir J. Edgar Hoover, diretor do FBI há décadas, que espionava Kennedy (inclusive seus casos extraconjugais), e importantes desafetos entre militares e a indústria de armamentos, por ser contra a escalada da Guerra do Vietnã.

O assassinato de Kennedy é um dos casos mais documentados da história mundial. Estima-se que existam mais de 5 milhões de páginas de documentos. Mesmo assim, o assassinato de John Kennedy continua envolto em mistério. Apesar da versão oficial, muitos acreditam que Kennedy foi morto como resultado de uma conspiração. A desconfiança aumentou quando o Comitê da Câmara sobre Assassinatos (1979) concluiu que provavelmente houve uma conspiração e que ao menos dois atiradores estiveram envolvidos, contradizendo a versão de atirador solitário da Comissão Warren.

Mas esse mistério, apesar de escrutinado durante décadas pelas organizações mais acreditadas do planeta (FBI e CIA, entre elas), resistiu apenas algumas horas em Várzea Alegre. Estávamos, Giovani Proto, Cleber Diniz, Zé Gatinha, Vicente Custódio, Chico Piau e eu (entre outros) tomando sopa no café de Pereira, quando o rádio que estava ligado, anunciou o assassinato. Não recordo exatamente quem — presumo que foi Vicente Custódio — deu o veredito definitivo:

— "Foi os russo!" 

segunda-feira, 24 de março de 2025

O STF Não Tem VAR


Na final do Campeonato Baiano deste ano, no domingo 23 de março último, uma cena chamou atenção não apenas pelo que representou para o jogo, mas também pelo que simboliza sobre justiça, erro e correção. Durante a partida, o árbitro de campo expulsou um jogador do Bahia, alegando ter visto uma agressão – um tapa no rosto de um adversário do Vitória. Sua decisão, rápida e firme, baseou-se no que conseguiu perceber do lance, no calor do momento e sob o ângulo limitado de sua posição em campo.

No entanto, como manda o protocolo do futebol moderno, o árbitro responsável pelo VAR (Video Assistant Referee – ou Árbitro Assistente de Vídeo, em bom português) interveio. Chamou o juiz principal para rever o lance sob outros ângulos, com mais clareza e calma. Após assistir à cena repetidas vezes, o árbitro de campo reconheceu o erro. A punição foi considerada excessiva e, com a humildade que se espera da justiça, ele anulou o cartão vermelho e o jogo seguiu.

No futebol, o VAR funciona como um mecanismo de correção. Uma chance de rever, reconsiderar, ajustar decisões que podem mudar o rumo de uma partida – e, algumas vezes, de uma carreira. Já no Supremo Tribunal Federal, nossa mais alta instância do Judiciário, não há VAR. Suas decisões são definitivas. Não existe um “árbitro assistente” que possa chamar os ministros para ver a jogada por outro ângulo. Se houver exagero, erro de interpretação ou julgamento precipitado, ele estará selado com o peso da autoridade máxima.

É claro, existe a possibilidade de recursos, embargos, e até mudanças jurisprudenciais ao longo do tempo. Mas, na prática, boa parte das decisões do STF tem efeitos imediatos, abrangentes e – frequentemente – irreversíveis. E o mais curioso: quanto maior o poder de uma instituição, menor costuma ser sua disposição para rever seus próprios atos.

Enquanto no futebol um erro pode custar um gol, um campeonato ou uma injustiça momentânea, no STF o erro pode custar a liberdade, os direitos, ou até os destinos de uma nação inteira.

No campo, o juiz pode se equivocar, mas o VAR está ali para ajudar. No Supremo, resta-nos apenas torcer – ou melhor, orar – para que Suas Excelências estejam sempre iluminadas. Que jamais errem. Que jamais exagerem. Porque ali, não há replay. Não há segunda chance. Não há VAR.

Amém!

domingo, 23 de março de 2025

O Brasil Está Doente


Este país está profundamente enfermo. Não apenas por seus escândalos políticos e pela violência cotidiana, mas pela perda progressiva da empatia e do senso de proporção em sua própria estrutura de justiça e em sua sociedade civil.

Condenar uma mulher trabalhadora, sem antecedentes criminais, à inacreditável pena de 14 anos de prisão pelo simples ato de escrever com batom as palavras "Perdeu, Mané" na base de uma estátua é, no mínimo, uma aberração jurídica e moral. Ainda que não se deseje banalizar ou normalizar a conduta, não há como aceitar que um gesto simbólico e isolado receba tratamento penal próximo ao de crimes hediondos.

Mais estarrecedor do que a sentença, no entanto, foi descobrir o ódio enraizado em parte da sociedade. Ao navegar pelas redes sociais, o que se viu foi um espetáculo de celebração da desgraça alheia. Comentários, em sua maioria de mulheres, aplaudiam o voto do Ministro Relator, algumas inclusive sugerindo aumento da pena. Isso, por si só, já seria chocante. Mas o que torna o quadro ainda mais grave é que essas manifestações partiram de pessoas que provavelmente também são mães.

A mulher condenada é mãe de duas crianças, de 9 e 6 anos. Nem isso pareceu tocar o coração daquelas que, historicamente, são moldadas para proteger e acolher. O que se viu foi um silêncio ensurdecedor por parte do instinto maternal. A cegueira ideológica se sobrepôs à empatia. A militância tornou-se mais forte do que o senso de humanidade.

Vivemos uma época em que o desejo de punição supera o desejo de justiça. Em que o prazer em ver o "inimigo" sofrer se sobrepõe ao princípio da razoabilidade. Onde não há mais espaço para compaixão, apenas para vingança travestida de legalidade.

Sim, a sociedade brasileira está doente. Muito doente. E a doença não se resume às instituições. Ela se infiltrou nos corações e mentes. Quando o sofrimento de uma mulher, de uma mãe, se torna motivo de festa, não estamos mais lidando com justiça. Estamos lidando com barbárie socialmente aceita.

sexta-feira, 21 de março de 2025

A Obsessão de John Roberts com a Legitimidade da Suprema Corte Acabou por Deslegitimá-la


A Obsessão de John Roberts com a Legitimidade da Suprema Corte Acabou por Deslegitimá-la
Por Ben Weingarten


A grande ironia do mandato do presidente da Suprema Corte, John Roberts, é que o homem tão obstinadamente devotado a defender o Judiciário acabou por enfraquecê-lo profundamente. Com isso, ele colocou em risco não apenas a legitimidade da Corte, mas da própria república.

Seu mais recente ato não foi uma decisão polêmica como no caso do Obamacare, da pergunta sobre cidadania no censo, ou do DACA; nem uma investigação mal conduzida sobre um vazamento devastador, nem a defesa do indefensável “complexo industrial da censura”. Foi uma simples declaração de três linhas que pode se provar a mais corrosiva de todas.

“Há mais de dois séculos”, escreveu Roberts, “está estabelecido que o impeachment não é uma resposta apropriada à discordância sobre uma decisão judicial. O processo normal de revisão por instâncias superiores existe para esse fim.”

Com essa frase, Roberts demonstrou sofrer da mesma arrogância que afeta muitos juízes de instâncias inferiores. Ele parece cego, ou impotente, diante da crise em formação — e, ao invés de apagar o incêndio, parece disposto a deixar queimar. Enquanto defende tribunais que agem fora da lei e se escora no “processo”, ataca quem ousa apontar que o Judiciário está se autodestruindo ao subverter o governo representativo.

A declaração de Roberts veio em resposta direta a um post de Donald Trump no Truth Social, onde o ex-presidente defendeu o impeachment do juiz-chefe James Boasberg, do Distrito de Columbia, por obstruir a política migratória de Trump e usurpar o poder executivo ao impedir a deportação de membros da gangue terrorista “Tren de Aragua”.

O deputado Brandon Gill (R-TX) apresentou artigos de impeachment contra Boasberg por abuso de poder e por criar uma “crise constitucional”.

A ironia está em Roberts opinar sobre um ato político como o impeachment, que é competência do Legislativo. Emitir tal declaração da Suprema Corte é interferência indevida em outro poder. Se alguém quisesse politizar a Corte, não haveria maneira mais eficaz do que repreender Trump por um post, especialmente quando Roberts manteve silêncio enquanto Biden desrespeitava decisões da Suprema Corte e líderes democratas atacavam abertamente seus membros.

Roberts também mostrou parcialidade ao intervir contra um presidente cujo governo está diretamente envolvido em litígios em tribunais inferiores — e inclusive na própria Suprema Corte.

O contexto é ainda mais grave: Trump denunciou “juízes corruptos” que, com apoio de ONGs e governos estaduais democratas, entraram com mais de 100 processos para sabotar sua presidência. Muitos desses juízes, nomeados por democratas, impediram a implementação da agenda presidencial.

Segundo Stephen Miller, ex-assessor da Casa Branca, juízes distritais assumiram funções de secretários de Estado, Defesa, Segurança Interna — ditando políticas externas, econômicas e de segurança nacional. Agora, enquanto Trump tenta retomar o controle do Executivo, enfrenta resistência de juízes não eleitos e incontroláveis. Isso, segundo o autor, é o verdadeiro ataque à democracia.

Em vários desses casos, os juízes ignoram precedentes da Suprema Corte, julgam temas fora de sua jurisdição e emitem injunções universais — ordens judiciais que se aplicam a todo o país — em ritmo e escala nunca vistos.

Sob o governo Trump, mais de 92% dessas injunções foram emitidas por juízes nomeados por democratas. Apesar de alertas dos juízes Clarence Thomas e Neil Gorsuch, Roberts se recusou a questionar a legitimidade dessas decisões.

Em fevereiro de 2025, foram emitidas mais injunções contra o governo Trump do que nos três primeiros anos do governo Biden. Algumas ordens proibiram o congelamento de ajuda externa e exigiram o pagamento de bilhões a pessoas que nem eram parte do processo.

A Suprema Corte se recusou a intervir, provocando uma dura dissidência dos juízes Alito, Thomas, Gorsuch e Kavanaugh — mas não de Roberts.

Enquanto as decisões se tornam cada vez mais absurdas e o Executivo se vê impossibilitado de cumprir seu dever constitucional, a insistência de Roberts no “processo normal de apelação” soa como inércia perigosa.

A falta de ação de Roberts é o que leva parlamentares a se mobilizarem para restringir legalmente as injunções universais — e, em menor grau, a considerar o impeachment de juízes ativistas.

(Veja o artigo original em - https://thefederalist.com/2025/03/20/john-roberts-obsession-with-scotus-legitimacy-has-severely-delegitimized-it/)

quarta-feira, 19 de março de 2025

O CHEGA está chegando!


Portugal adota um Regime Semipresidencialista, no qual o Presidente da República, eleito por voto direto para um mandato de cinco anos, exerce a função de Chefe de Estado. No entanto, o poder executivo é liderado pelo Primeiro-Ministro, sendo indicado pelo Presidente da República e deve ser o líder do partido ou coligação com maioria no Parlamento. O Primeiro-Ministro é o Chefe de Governo, responsável por administrar o país e implementar as políticas aprovadas pelo Legislativo.

Historicamente, Portugal tem sido dominado por dois principais partidos, o Partido Socialista (PS), de esquerda, fundado em abril de 1973 e um dos pilares da política portuguesa e o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, fundado em maio de 1974, e tradicionalmente o principal opositor do PS.

Porém, nos últimos anos, uma nova força política tem se destacado no cenário nacional: o CHEGA, partido de direita fundado em abril de 2019. Seu fundador e líder, André Ventura, é um ex-membro do PSD que rompeu com a legenda para criar um partido com uma plataforma mais conservadora e crítica ao sistema político vigente.

O crescimento do CHEGA tem sido notável. Na eleição de outubro de 2019 o partido recém-criado conseguiu apenas 1,3% dos votos e eleição de 1 deputado. Na eleição seguinte, em janeiro de 2022, saltou para 7,2% dos votos, conquistando 12 deputados e tornando-se a terceira maior força política. Na eleição recente de 10 de março de 2024, o partido mais que quadruplicou sua bancada, passando de 12 para 50 deputados.

Esse avanço reflete um descontentamento significativo com os quase dez anos de governos de esquerda em Portugal (2015-2024). O crescimento do CHEGA também reforça a tendência de fortalecimento da direita no país.

Nessa última eleição, a Aliança Democrática (AD), uma coligação de centro-direita, venceu a disputa, mas não alcançou maioria absoluta. Isso significa que precisará fazer acordos parlamentares para conseguir formar um governo estável. A solução mais provável é uma aliança com o CHEGA, consolidando um bloco de direita no Parlamento. Essa mudança sinaliza uma possível guinada política no país, marcando o fim de quase uma década de administrações socialistas e uma nova fase para Portugal.