terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

De pesquisas e pesquisas




No ano de 1987 eu era líder de oposição ao Governo Tasso Jereissati na Assembléia Legislativa do Ceará. Publicada pesquisa de opinião pública na mídia nacional em que o Governador cearense detinha elevado índice de aprovação, fiz discurso da tribuna tratando com ironia aquele resultado com o objetivo de desqualificá-lo. "Queria levar ao conhecimento desta Casa Legislativa que em recente pesquisa fui considerado o melhor Deputado dessa legislatura. A pesquisa foi feita entre meus oito irmãos, minha mãe e meu pai".

O tempo provou que a pesquisa estava certa e eu estava errado, tanto é que não fui reeleito e o Governador Tasso elegeu seu sucessor com folga.

Hoje vemos divulgadas pesquisas de opinião as mais diversas entre potenciais candidatos a Presidente, todas elas trazendo o pré-candidato do PT largamente à frente dos seus eventuais adversários. Nada mais natural pelo "recall" do ex-Presidente Lula (duas vezes Presidente da República, saindo do cargo com uma aceitação que beirava a unanimidade), não tivessem ele e seu Partido patrocinado os maiores escândalos já acontecidos em Repúblicas ocidentais.

Algo que chama a atenção é que o Presidente e provavelmente candidato à reeleição Jair Bolsonaro, em suas aparições públicas arrasta multidões, enquanto o líder das pesquisas faz apenas reuniões semipúblicas e sempre falando para platéias "amestradas".

A terceira via, tendo como seu mais competitivo representante o ex-Juiz Sérgio Moro, patina na melhor das hipóteses nos arredores de 11%. Há já algum tempo escrevi que o Dr. Moro precisa chegar ao mês de maio com algo em torno de 15 ou 16%, preferencialmente tirando a maior parte do seu crescimento do percentual atribuído a Bolsonaro, sob pena de inviabilizar essa tão buscada terceira via e consolidar a desenhada bipolaridade esquerda/direita.

Descartemos a possibilidade aventada por muitos de os institutos de pesquisa estarem "errando" deliberadamente. Meu palpite é de que, nas proximidades das convenções partidárias para escolha dos candidatos, mês de junho por exemplo, se consolidada a disputa esquerda/direita, o atual Presidente tem que estar pelo menos em empate técnico com seu adversário, do contrário tornará muito difícil sua reeleição.

O PT tem contra seu candidato a exploração que está sendo e será cada vez mais feita dos "mal feitos" do Partido e seus dirigentes. Moro terá como bandeira favorável o combate à corrupção e ao crime organizado, que não é desprezível. Bolsonaro tem a seu favor a caneta do Governo, disposta a distribuir um "saco de bondades" até a eleição. Neste momento, a meu juízo, a eleição é completamente imprevisível.

Em tempo: perdoem-me os que raciocinam com a cegueira da paixão mas continuo achando que Lula não será candidato.

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Atualizada em 24/02/2022 às 09:32h

Parece que as notícias para o pré-candidato do PT não são nada boas e as coisas estão acontecendo muito antes do que eu imaginava:

"Pesquisa do banco Modal coloca Bolsonaro à frente de Lula.

Pesquisa divulgada a clientes do banco coloca Bolsonaro em primeiro lugar nas respostas espontâneas e empatado tecnicamente na estimulada."

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/a-pesquisa-do-banco-modal-que-coloca-bolsonaro-a-frente-de-lula/

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Atualizada em 30 de julho de 2022 às 03:50h

Pesquisas publicadas com menos de 24 horas de intervalo, por duas instituições pertencentes ao mesmo grupo financeiro.

"XP/Ipespe: Lula tem 44% e Bolsonaro,35%

https://www.uol.com.br/eleicoes/2022/07/25/pesquisa-xp-ipespe-presidente-julho.htm?cmpid=copiaecola&fbclid=IwAR01mZd4zkOkjRl1qU8IGwZ6QaYAcI__qL1LY_0u18IVre98fCj9GfO4FsA

"Banco Modal é um banco de investimentos brasileiro com sede no Rio de Janeiro, desde 2022 pertencente ao Grupo XP. Fundada em 1995, a instituição atua no mercado de ativos com operações de conta-corrente, crédito e investimentos."

"Pesquisa Modal/Futura mostra empate técnico entre Bolsonaro e Lula."

https://www.redetv.uol.com.br/jornalismo/eleicoes2022/blog/presidenciaveis/pesquisa-modal-futura-mostra-empate-tecnico-entre-bolsonaro-e-lula?fbclid=IwAR0MPDnQTAfpR6hVW4lSvAa4y89ZL1O-LYR8eZzI8mbBQ1hSwZx0HpYBQzw

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O Navio da Viking Line




Eu já tinha tido experiências anteriores de cruzeiros marítimos, mas confesso que a viagem no navio da Viking Line (de Helsinque para Estocolmo) me fascinou. A embarcação tinha uns 6 restaurantes e provavelmente um número maior de bares. A minha cabine era uma das mais simples com uma cama de casal, um banheiro, algo que se aproximava de um armário para pendurar roupas e uma janela para o oceano. Tudo bem pequeno e funcional.

O embarque foi em torno das 17:00 horas. Evidente que em uma viagem de algo como umas 20 horas, não havia tempo para explorar uma embarcação de grande porte como aquela. Resolvi então estabelecer as minhas prioridades. Após acomodar a mala na cabine, vestir uma roupa que considerei elegante (usando o blazer que me acompanha há mais de 30 anos nas viagens internacionais), selecionei o barzinho com música ao vivo - voz e violão. Eu havia lido sobre uma bebida típica da Escandinávia - uma tal de Aquavit - assemelhada à cachaça brasileira ou à vodka. A bebida é servida muito gelada. Pedi uma dose e uma coca-cola e a impressão que eu tive é que a jovem garçonete não gostou que eu fizesse a mistura.

Enquanto estava no bar, descobri uma espécie de fôlder com as diversas atrações do navio. Entre elas um cassino com roletas e máquinas caça-niqueis e um salão de dança no deck superior. O cassino era "pobre" se comparado aos monumentais cassinos de Las Vegas. Uma passada rápida apenas para conhecer e jogar fora alguns trocados. Mas a noite foi gasta (ou investida?) mesmo no baile. Uma banda de boa qualidade tocando os mais diversos estilos de música, um surpreendentemente grande salão apoiado por um bar e contido por mesas e poltronas, e gente, muita gente em busca de divertimento. Não me restou outra alternativa senão "Volver a los diecisiete después de vivir un siglo" como na canção de Mercedes Sosa, regado ao inesquecível "cuba libre" feito com Rum Bacardi. Não me perguntem quantos bebi. Honestamente não saberia dizê-lo. Lembro apenas que me recolhi à cabine muito tarde da noite (melhor seria afirmar muito cedo da manhã?).

O resto da curta viagem todos podem imaginar: uma boa ressaca. Digno de registro apenas o café da manhã, seja pela diversidade, pela fartura e pela presença de salmão e champagne (que eu não bebi, naturalmente). Na minha cabeça de cearense de Várzea Alegre, não combinam peixe e bebida no café. A primeira alimentação do dia era para ser tapioca com manteiga, cuscuz com leite, pão com ovo e café, algo assim.

A hospedagem em Estocolmo, devidamente reservada pelo Booking, era o Sofo Hotel. Um hotel sem luxo, mas tudo muito limpo e agradável. Feito o procedimento de registro, almocei nos arredores e voltei para os aposentos - vamos descansar porque ninguém é de ferro!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

"Não existe isso aqui"



Em junho de 2016 eu atravessava um período de muita solidão. Resolvi programar férias para viajar, tentar encontrar motivação e excitamento para o vazio que se apoderara de mim.

Sempre tive o desejo de conhecer os países nórdicos. Era curioso abrir qualquer avaliação mundial sobre excelência em serviços, qualidade e expectativa de vida, avanços sociais etc, e encontrar invariavelmente a Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca no topo da tabela. Eu precisava ver de perto aquele sucesso.

A ideia inicial era viajar direto para Helsinque, capital da Finlândia e permanecer durante algo em torno de cinco dias em cada capital. Deixar para comprar as passagens entre países quando lá estivesse (avião, trem ou navio), bem como as reservas de hotel feitas através do Booking (com possibilidade de cancelamento ou reprogramação de datas), davam-me a liberdade e flexibilidade para viver essa nova aventura.

O voo Fortaleza / Helsinque seria feito parte pela TAM (Fortaleza/São Paulo/Paris) e parte (Paris/Helsinque) pela companhia aérea finlandesa Finnair. Foi uma programação muito conveniente, uma vez que demorava pouco mais de uma hora no aeroporto de Guarulhos e quatro horas no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. A primeira grande surpresa da viagem, foi chegar com vinte e cinco minutos de antecedência no aeroporto de Helsinque, às 22:30h e encontrar o sol brilhando, como se fosse as 17:00h do Ceará. Com efeito, naquela época do ano o por do sol era sempre em torno de 22:50h e a noite durava apenas cerca de seis horas, informaram-me.

Devidamente acomodado no Hotel Haaga, da rede Best Western, procurei o "concierge" na recepção para que ele me desse um mapa da cidade (muito comum em quase todos os hotéis da Europa). Estendido o mapa no balcão da recepção, pedi para mostrar-me as áreas mais seguras, uma vez que eu pretendia dar uma caminhada. Explorar os arredores e eventualmente comer alguma coisa. O rapaz não entendeu. Insisti que queria caminhar um pouco. ainda assim ele ficou me olhando sem entender exatamente o que eu perguntara. Pedi então que me indicasse áreas aonde houvesse possibilidade de assalto ou algo assim. Sua cara de surpresa não escondia a avaliação de quão estúpida era aquela pergunta. "Não existe isso aqui", respondeu-me. "Você pode andar por onde quiser até a hora que lhe for conveniente".

A Finlândia é uma país pequeno, com 338 mil quilômetros quadrados e 5,5 milhões de habitantes. Assemelha-se ao nosso Maranhão (331 mil quilômetros quadrados) em área territorial, e apenas nisso. A capital Helsinque tem pouco mais de 620 mil habitantes. É uma cidade absolutamente tranquila, muito horizontal, ruas limpas e silenciosas, A economia da cidade é baseada principalmente em serviços. Gastei meus três dias em Helsinque praticando meu esporte predileto: observar a fauna humana. Quando tive oportunidade busquei conversar com populares, seja no hotel, no taxi, no bar etc. São mandatórias as visitas ao Museu Nacional (Kansallismuseo), à Catedral e à Universidade de Helsinque, para admirar a arquitetura clássica de suas linhas.

Eu havia lido em algum lugar que "Se você não experimenta a sauna, não experimenta a Finlândia”. Pedi informações na recepção do Hotel e o recepcionista entusiasticamente disse-me que a maior sauna pública mista da cidade havia sido inaugurada recentemente. Deu-me o endereço, uma praia do mar báltico, a uns 15 minutos de carro. A sauna tinha um vestiário pra cada gênero na entrada, mas dentro todos ficavam em uma área comum. A maioria usava roupa de banho, à exceção de três mulheres de meia idade que mantinham apenas a peça inferior do biquini e um senhor de idade avançada que parecia cochilar deitado em sua toalha sobre o banco de madeira, "vestido" apenas com sua aliança de casado. "Na Finlândia, a nudez não é um tabu como é pra nós brasileiros, justamente por não ser tão sexualizada". Apesar disso, eu estava perfeitamente instrumentalizado com meu short preto Pierre Cardin de vários outros carnavais e ainda hoje em uso.

Depois da sauna, restava-me jantar, não sem antes beber duas doses de Finlandia Vodka (a bebida mais forte que já experimentei em toda a minha vida) acompanhadas pela cerveja finlandesa "de fino trato". Até amanhã, a bordo do Navio da Viking Line, numa viagem de 20 horas rumo a Estocolmo.

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(Do website intercultural.com.br)

Top 10 países com melhor qualidade de vida (2021):

1. Suíça
2. Dinamarca
3. Holanda
4. Finlândia
5. Áustria
6. Austrália
7. Islândia
8. Alemanha
9. Nova Zelândia
10. Noruega

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(Do g1.globo.com)

Finlândia é o 'país mais feliz do mundo'; Brasil na 39ª posição.

O 'World Happiness Report' é um estudo financiado pela ONU que começou há 10 anos.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/03/18/finlandia-e-o-pais-mais-feliz-do-mundo-brasil-na-39a-posicao.ghtml

A Finlândia, com nota 7,82 em uma escala que vai até 10, supera Dinamarca, Islândia, Suíça e Holanda, países que completam o grupo de cinco mais felizes do mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 países mais felizes do mundo:

Finlândia
Dinamarca
Islândia
Suíça
Holanda
Luxemburgo
Suécia
Noruega
Israel
Nova Zelândia

O relatório é baseado em pesquisas que questionam as pessoas sobre a sensação de felicidade e cruzam as informações com dados do PIB, níveis de liberdade individual ou de corrupção, entre outros dados.

"A lição obtida do relatório, nestes dez anos, é que a generosidade entre as pessoas e a honestidade dos governos são cruciais para o bem-estar", afirmou Jeffrey Sachs, um dos coautores.

"Os líderes mundiais deveriam levar isto em consideração", acrescentou.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

O Japão do futuro.

Sede da NEC Corporation em Tóquio


O ano era 1992. A NEC japonesa convidou alguns dirigentes de empresas de telecomunicações do Brasil para visitar plantas industriais da companhia naquele país. No momento eu ocupava o cargo de Diretor Financeiro da Teleceará e juntamente com o Presidente Tarcísio Faria, fiz a viagem. Eram companheiros também o Presidente da Embratel, o Presidente da Telemig, Djalma Morais, que posteriormente foi Ministro das Comunicações no Governo Itamar Franco e mais meia dúzia de executivos das empresas brasileiras do ramo.

A NEC Corporation é uma empresa multinacional, parte do grupo japonês Sumitomo, com atuação nas áreas de Tecnologia da Informação, Soluções de Rede, Equipamentos e Serviços de Telecomunicações. Uma gigante da tecnologia mundial.

Fomos acompanhados durante toda a viagem por um engenheiro japonês que morara no Brasil (em São Paulo) durante seis anos e comunicava-se razoavelmente bem em português. A programação de uma semana, previa visitas e palestras na sede em Tóquio e a quatro fábricas na capital, em Yokohama e Sendai. Havia também um dia dedicado às compras nesse enorme shopping a céu aberto que são alguns bairros essencialmente comerciais de Tóquio.

Reservo alguns momentos na memória extremamente interessantes dessa viagem:

1 - O futurista prédio sede da companhia foi construído alicerçado em gigantescas esferas de aço, para suportar os frequentes terremotos e tufões que ali acontecem. O Japão é um dos países mais bem preparados para enfrentar desastres naturais, e ainda assim já foi devastado pela força da natureza algumas vezes. A maior tragédia natural acontecida no Japão foi o terremoto de março de 2011, que deixou 15 894 mortos confirmados, 6 152 feridos e cerca de 2 562 desaparecidos.

2 - A viagem de trem entre Tóquio e Sendai, de cerca de 370 km, no trem-bala japonês denominado Shinkansen, que em alguns momentos chegava a alcançar a velocidade de 300 km/h. O respeito demonstrado pela vendedora de chocolates, sucos, refrigerantes e chás ao entrar no vagão com o seu carrinho, numa reverência respeitosa às pessoas, e do mesmo modo a saída do vagão com a mesma reverência e sempre de frente para os passageiros.

3 - A resposta do engenheiro japonês que nos ciceroneava quando lhe perguntei de que ele tinha saudade do Brasil: "saudade da caipirinha, da feijoada e daquela esculhambacion!"

4 - O jantar que nos foi oferecido pelo vice-Presidente da NEC para a América Latina. Numa sala reservada para o nosso grupo, não éramos mais que 10 pessoas. O restaurante era uma construção muito antiga, paredes decoradas com alguns mapas e uns poucos quadros representativos da cultura japonesa. Durante o jantar, foi-nos oferecida uma apresentação de música tocada em um instrumento que segundo o anfitrião tinha mais de mil anos. Esse instrumento que me lembrou o pau do galamarte que eu construía em Várzea Alegre quando criança, ou ainda um banco de tronco de árvore que ainda hoje encontramos no interior do Ceará, com duas ou três cordas, na horizontal, era manuseado com maestria por uma mulher vestida e pintada a caráter, como aquelas imagens de gueixa que vemos no cinema.

No decorrer do jantar, a conversa resvalou para a remuneração de executivos. O anfitrião começou a discorrer sobre como eram montados os salários no Japão, e citou como exemplo a sua empresa, na qual a diferença entre o menor e o maior salário era apenas oito vezes. Num paralelo com o Brasil, era como se um funcionário mais humilde ganhasse o salário mínimo e o Presidente da empresa apenas oito salários mínimos. E dizia ele que realmente os salários japoneses, em regra, não eram altos. Nesse momento eu perguntei quem ganhava os maiores salários no Japão, e ele respondeu com a maior naturalidade: "Os professores universitários. Porque estão preparando o Japão do futuro".

Portanto, amigos, não é à-toa que "A economia do Japão é a terceira maior do mundo por PIB nominal, é o segundo maior país desenvolvido do mundo e é o maior país credor do mundo, geralmente tendo um superavit comercial anual e tendo um considerável excedente internacional de investimentos".

Viva o Japão!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Os esquerdinhas que eu adotei.




Desde quando comecei a usar as redes sociais, e já faz algum tempo (lembram do Orkut e MySpace?), estabeleci como política não excluir nenhum membro por discordar de suas opiniões. De fato, entendo que aquele que se propõe a elaborar ideias de forma pública, deve estar preparado para ter refutadas essas ideias e receber objeções. A título de informação, em todo esse tempo excluí apenas quatro participantes, por ofensas pessoais. Dessa forma cultivo amizade e respeito por pessoas que idolatram a quadrilha que assaltou o pais durante 13 anos, que juram que o ex-Presidente Lula é inocente e que foi condenado sem provas, que os bilhões devolvidos pelos ladrões do dinheiro público, roubaram sem o conhecimento de Sua Excelência. Absurdamente afirmam que as 86 obras financiadas para países amigos, via BNDES, com juros a partir de 4,44% ao ano e prazos até 25 anos para pagar, ajudaram a criar empregos aqui.

Evidente que você não pode igualar todos os eleitores de Lula. Lula, no dizer de um candidato a Presidente que já foi da cozinha do petista, é "sem escrúpulos, um encantador de serpentes, um mentiroso". É impressionantemente desfavorável o conceito sobre Lula que emite parte do grupo de intelectuais, sindicalistas e profissionais liberais que fundaram o PT. O sociólogo Chico de Oliveira afirmou, em entrevista no "Roda Viva" que "“Lula é muito mais esperto do que vocês pensam. O Lula não tem caráter, ele é um oportunista". Numa outra edição do mesmo programa, o jurista e pioneiro do Partido dos Trabalhadores, Hélio Bicudo, afirmou que Lula "enriqueceu de forma ilícita usando a Presidência da República... se corrompeu e corrompe a sociedade brasileira...". A ex-Senadora do PT, Heloísa Helena, em entrevista á Folha de São Paulo, afirmou que "Lula é um 'gângster' e o PT uma organização criminosa capaz de roubar, matar, caluniar e liquidar qualquer um que passe pela frente ameaçando seu projeto de poder". São inúmeras as pessoas que militaram ao lado do ex-Presidente, seja na formação do Partido, seja nas suas campanhas presidenciais, que não admitem sequer conversar com ele.

Dentre esse conjunto da sociedade brasileira que pretende votar em Lula, existe o Lulista devocionado, aquele homem primitivo capaz de adorar os fenômenos principais da Natureza, como o trovão, a chuva, o vento, o mar e o sol! É um indigente intelectual. Esse não sabe porque existe, não tem a menor noção dos deveres do Estado, para ele a Democracia é uma imagem distante e sem significado, a honradez e honestidade são valores que não devem se aplicar ao seu ídolo. Ele apenas "é Lula e pronto".

Existem os Lulistas "efeito manada". Ele até que reprova algumas atitudes do ex-presidente, mas no seu trabalho o Chefe é Lula; seu colega do birô ao lado tem uma caneca de café com a estrela vermelha estampada, destrata todos os políticos desde que não sejam do PT; sua colega de trabalho (por quem tem um tesão contido) participa de todas as manifestações da esquerda, tendo inclusive tirado férias para ir acampar em Curitiba com direito a gritar "Bom dia, Presidente Lula!", cedinho da manhã; no grupo de WhatsApp da empresa, todos são Lula ou permanecem calados. Então ele também é Lula.

O Lulista envergonhado faz parte desse conjunto. Em geral é classe média, com bom acesso aos meios de comunicação e às redes sociais. É aquele indivíduo que argumenta sempre pelo coletivo: todos os políticos cometem "malfeitos", fazem caixa dois, o PT não inventou a corrupção, Lula não roubou o dinheiro público tendo ele mesmo sido vítima de alguns apoiadores, Lula foi condenado sem provas etc. etc. Se encontrasse um candidato melhor até que consideraria votar nele, mas... a exclusão consagra seu voto.

O Lulista "socialista romântico ou uma espécie de gonorréia juvenil" no dizer de Roberto Campos, é aquele que foi acometido na juventude e nunca se curou. Tem um modelo de sociedade idealizado, que não existe em lugar nenhum do mundo além de sua cabeça. Defende cotas para todas as minorias raciais, para a mulher (apesar de serem maioria no corpo social), para LGBTQIA+, quilombolas, indígenas, imigrantes, moradores de favelas, idosos, moradores de rua etc. E bota etcétera nisso! Preocupa-se com o desmatamento da Amazônia pelo aquecimento global, com a pesca das baleias, com a preservação do Mico Leão Dourado, com a fome na Africa e com a truculência do Governo da Africa do Sul, mas esquece que a China é responsável por 31% das emissões de CO₂, o principal gás do efeito estufa, a morte de milhares de pessoas por fome na Venezuela, os presos políticos em Cuba, a violência dos Governos da Nicarágua e Coreia do Norte. É um messiânico no pior sentido da palavra.

E por último, mas certamente não menos importante, a casta do Lulismo. O Politburo do PT. Aí estão os dirigentes mais graduados, Deputados, Senadores, intelectuais e burocratas do Partido. Os analistas políticos, colunistas da grande mídia, blogueiros, todos amestrados. Os artistas que por estarem desmamados das generosas verbas da Lei Rouanet, num processo de abstinência forçada, representam hoje o grupo mais aguerrido. E evidentemente, a grande mídia. Aquela que para usar um expressão de Virgílio Távora, é cheia de "ardor cívico" (ele afirmava acompanhado do gesto de esfregar o dedo polegar contra o indicador), ou citando Juca Chaves, "se você pagar, ela publica até a verdade".

Fique à vontade para identificar-se!

sábado, 29 de janeiro de 2022

A inflação norte-americana




No final da primeira quinzena de Janeiro corrente, a sociedade americana foi surpreendida com o anúncio da inflação de 7% em 2021, número maior dos últimos 39 anos. Com efeito, no ano de 1982 a inflação nos Estados Unidos chegou a alcançar a inacreditável (para eles) taxa de 8,39%.

Debita-se a maior parte do índice à alta constante de alimentos, energia, aluguel e veículos em meio a gargalos persistentes na cadeia de suprimentos e escassez de trabalhadores. A variante ômicron de rápida disseminação do COVID-19 além das tempestades de inverno, provavelmente intensificaram os aumentos de preços gerando mais ausências de trabalhadores nas redes globais de entrega. Esse cenário há provocado ausência de alguns produtos e prateleiras vazias em supermercados.

No ano passado, a gasolina na bomba subiu 49,6%, as tarifas hoteleiras 23,9%, carros usados e caminhões 37,3%. Os preços aumentaram 11,8% ao ano para carros novos, 7,4% para móveis domésticos, 5,8% para vestuário e 6,3% para mantimentos. Os preços de frango e peixe subiram 10,4% e 8,4%, respectivamente. A carne bovina subiu 13% e a suína, 15,1%.

A economia forçada pelo "lockdown" para atender à proteção da pandemia, os trilhões de dólares em economias adicionais com cheques de estímulo federal e benefícios de desemprego aprimorados, surpreenderam uma rede de suprimentos ainda prejudicada pela pandemia que não estava preparada para a farra de compras. A rara colisão de demanda robusta e oferta insuficiente desencadeou escassez generalizada de produtos e preços mais altos.

É extremamente complicado para o americano médio compreender inflações descontroladas como tivemos no Brasil no final da década de 1980 e início da década de 1990. Em março de 1990 tivemos a maior inflação mensal de toda a história da nossa nação: 80%.

No final do ano de 1991, em viagem de férias fui visitar a Família Burton na cidade de Boise capital do Estado do Idaho, nos Estados Unidos. A visita justificava-se porque eles haviam recebido e hospedado durante um ano meu filho mais velho, Nilo Júnior, para cumprir programa de intercâmbio estudantil.

Formam uma família bem estruturada nos moldes da tradicional família norte-americana, com seus valores calcados no conservadorismo ético protestante. Some-se a isso, o Idaho encontrar-se na região do país mais tardiamente colonizada - o oeste bravio.

Gary Burton, o cabeça do casal, é economista por profissão, tendo seu próprio negócio de investimentos. Numa conversa amistosa com Gary, disse-lhe que o Brasil havia passado há pouco por um período de hiperinflação e que recentemente tínhamos tido uma inflação mensal de 80%. No primeiro momento ele achou que eu havia me enganado com os números, por estar falando em um idioma que não era o meu de origem. Quando reafirmei o percentual, ele insistiu que eu devia estar enganado. E afirmou com a convicção que sua profissão autorizava: "Nenhum país do mundo sobrevive a uma inflação de 80% ao mês!"

Na época eu não conhecia a frase: "O Brasil não é para amadores!"

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Atualizado em 07/02/2022 ás 06:57h

(https://monitormercantil.com.br/inflacao-na-europa-bate-recorde-de-25-anos/)

Inflação na Europa bate recorde de 25 anos. Gás deve subir 50% no Reino Unido. Preços de commodities agrícolas aumentaram 28% ano passado.

A inflação na Zona do Euro atingiu 5% em dezembro, informou o órgão estatístico da União Europeia, o Eurostat. É o nível mais alto desde que os registros começaram, em 1997. Em novembro a inflação já havia chegado a 4,9%.

O aumento deveu-se principalmente ao custo da energia, que disparou novamente em dezembro, e subiu a uma taxa anual de 26%, um pouco menor do que no mês anterior.

A alta tem atingido todos os países. Os preços do gás no atacado na Grã-Bretanha permanecem mais de quatro vezes acima do que no mesmo período do ano passado, as famílias em todo o país enfrentam um aumento na conta de energia em 2022.

O teto do preço deva ser revisado pelo regulador de energia da Grã-Bretanha, o Office of Gas and Electricity Markets (Ofgem), em fevereiro. Os especialistas esperam um aumento de cerca de 50% nas contas de energia dos consumidores até abril, elevando a inflação para 6,2%.

A pressão não vem só da energia. Abdolreza Abbassian, economista sênior da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), disse em uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira que, em 2021, o Índice de Preços de Alimentos da FAO foi 28,1% mais alto do que em 2020. Os preços globais dos cereais estavam em seu nível mais alto desde 2012, em média 27,2% acima dos preços de 2020.

A alta nos alimentos agrícolas levou a Índia, no final de 2021, a suspender por um ano as negociações de contratos futuros de commodities agrícolas. O País é o maior importador mundial de óleos vegetais e grande produtor de trigo e arroz.

A decisão tenta limitar a especulação, um dos motores das altas de preços, que vêm provocando a inflação e aumentando a transferência de renda e a desigualdade.

No setor de petróleo, instrumentos especulativos reforçam a alta de preços. Os chamados Wall Street refiners transacionam volumes maiores de papéis do que o volume físico do produto. Quanto maior a volatilidade, como atualmente, mais operações são realizadas.

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Atualizado em 10/02/2022 às 12:15h

Inflation just came in at 7.5%

Price increases over last year (CPI report)
Used Cars: +40.5%
Gasoline: +40.0%
Gas Utilities: +23.9%
Meats/Fish/Eggs: +12.2%
New Cars: +12.2%
Electricity: +10.7%
Overall CPI: +7.5%
Food at home: +7.4%
Food away from home: +6.4%
Transportation: +5.6%
Apparel: +5.3%
Shelter: +4.4%

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Atualizado em 11/04/2022 às 10:15h

Taxa de inflação dos Estados Unidos
Dados de março de 2022 - Histórico de 1914-2021 -

A taxa de inflação anual nos EUA acelerou para 8,5% em março de 2022, a maior desde dezembro de 1981. Incrementada a partir de de 7,9% em fevereiro. Os números estão em linha com as previsões de mercado de 8,4%.

Os preços da energia aumentaram 32%, nomeadamente gasolina (48%) e óleo diesel (70,1%) na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia. Além disso, os preços dos alimentos subiram 8,8%, o maior aumento desde maio de 1981. Enquanto isso, a inflação também acelerou para imóveis (5% vs 4,7% em fevereiro) e veículos novos (12,5% vs 12,4%), mas diminuiu para carros usados e caminhões (35,3% vs 41,2%).

Excluindo as categorias voláteis de energia e alimentos, o IPC subiu 6,5%, o maior em 40 anos, mas ligeiramente abaixo das previsões de 6,6%. Muitos analistas esperam que março marque o pico da inflação, embora a guerra na Ucrânia esteja longe de terminar, os gargalos da cadeia de suprimentos persistam e a demanda do consumidor permaneça elevada, o que provavelmente pesará sobre o IPC por mais tempo.

( fonte: U.S. Bureau of Labor Statistics)

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Atualizado em 13/07/2022 ás 10:07h

🇺🇸 A inflação ao consumidor dos Estados Unidos medida pelo CPI avançou 1,3% em junho com relação ao mês anterior, superando as expectativas, que indicavam alta de 1,1%.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação sobe 9,1%.

A disparada dos preços na maior economia do mundo dá forças às apostas em uma nova elevação de 0,75 ponto percentual dos juros na próxima reunião do Federal Open Market Committee (Fomc, o comitê de política monetária dos EUA), e reforça a perspectiva de recessão global.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

A CPI contra Moro




Intensa movimentação nos bastidores da política. Esquerda e direita juntos, petistas e bolsonaristas excitados com a ideia de criar uma CPI contra o ex-Juiz Moro.

A "brilhante" ideia foi gestada nos esgotos do PT, parte por medo do crescimento de Moro nas pesquisas, parte pelo rasteiro sentimento de vingança, por ter o ex-Juiz condenado em primeira instância (confirmada em segunda e pelo STJ), grande parte de dirigentes da sigla, inclusive seu líder e chefe inconteste.

De pronto, o movimento foi endossado pelo Ministro Chefe da Casa Civil do Governo Bolsonaro, o Sr. Ciro Nogueira. Em seguida, o aliado do Presidente e seu indicado para a Presidência da Câmara, Arthur Lira, acena com o aval para a instalação da malfadada CPI.

Como o TCU, numa ação meramente política e usando um membro da cozinha de Renan Calheiros, não conseguiu saber quanto o ex-Ministro ganhou de honorários da empresa para a qual deu assessoria durante alguns meses, os bandidos de esquerda e direita unem-se para instalar essa comissão tendo como objeto apurar "prejuízos ocasionados aos cofres públicos pelas operações supostamente ilegais dos membros da Lava Jato de Curitiba e do ex-Juiz Sérgio Moro".

Quando da decisão do Dr. Sérgio Moro de tornar-se candidato a Presidente da República, confesso que temia que não haveria espaço para tal. A sociedade está tão binariamente dividida que era difícil acreditar numa quebra dessa polarização. Neste momento já não penso da mesma forma. A estrutura de pesquisas internas de um Partido poderoso como o PT é bastante respeitável. Da mesma forma, os órgãos de inteligência do Governo devem ter informações que os comuns dos mortais não temos. Resta-nos a nós, pessoas da massa amorfa que forma a sociedade brasileira, inquirirmos por que duas forças tão antagônicas, que ocupam todo o seu tempo por acusarem-se na mídia tradicional e principalmente nas redes sociais, juntam-se em um esforço político na mesma direção? Por que algo gestado nos porões do PT é prontamente celebrado pelo Chefe da Casa Civil do Governo e recebido com endosso pelo maior aliado do Presidente no Legislativo Federal?

A sabedoria popular nos ensina que "Ninguém atira pedras em árvore que não dá frutos", ou ainda "O inimigo não estaria te atacando, se você não tivesse algo de muito bom dentro de você. Ladrões não tentam roubar casas vazias".

Quero pedir mil perdões aos meus três leitores por recorrer à expressão chula, mas eu acho que os candidatos grandões "tão se cagando de medo" da candidatura do Dr. Sérgio Moro!

domingo, 23 de janeiro de 2022

Amnésia coletiva?




Hoje, 23/01/2022, o jornal O Estado de São Paulo emite editorial de opinião sob o título "O mal que Lula faz à democracia". "As sondagens de intenção de voto mostram que parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula. Convém recordar o que o PT fez em sua passagem pelo poder. Considerando tudo o que o PT fez e deixou de fazer ao longo de seus 40 anos de existência – especialmente no período em que Lula e Dilma estiveram no Planalto –, uma nova candidatura petista à Presidência da República não deveria suscitar entusiasmo na população."

Ora, o ciclo dos governos do PT resume-se a 4880 dias de escândalos e corrupção e muitos bilhões de dinheiro desviados do bolso dos brasileiros para enriquecimento pessoal e a perpetuação de um projeto de poder. Apesar de pairarem suspeitas sobre algumas das pesquisas divulgadas ultimamente, há que se considerar que parte da sociedade brasileira ainda pretende votar no candidato do PT. O Partido, ajudado pela militância que aparelhou as redações da grande mídia e pelos blogs amestrados movidos a "ardor cívico" ($), soube desde o primeiro momento estabelecer um consenso argumentativo para tentar neutralizar as exaustivamente comprovadas acusações contra o PT e o ex-Presidente ("o PT não inventou a corrupção e Lula foi condenado sem provas"). Repetido milhões de vezes, o argumento finda por criar dúvida e arrefecer a censura aos comprovados "mal feitos" (outro eufemismo criado com o mesmo objetivo) cometidos pelo Partido e suas lideranças.

Ainda na mesma linha de raciocínio, desde o anúncio da eventual candidatura do ex-Ministro Sérgio Moro, toda a força bolsonarista nas redes sociais tem trabalhado para desacreditar o Dr. Moro. Difícil fazê-lo sem que para isso beneficie de alguma forma o ultra-adversário Lula da Silva. Mesmo a divulgação de uma pouco provável proposta ao Presidente ("você me indica para o STF e depois troca o Superintendente da PF") não atingiu o objetivo esperado pelos estrategistas presidenciais, mas forneceu munição para a candidatura petista.

Unindo-se a persistência da militância petista com a "ajuda" proporcionada pelo recente empenho dos bolsonaristas, é razoável que se reconheça que um percentual de brasileiros ainda aceitem uma candidatura do PT. Não creio, no entanto em um esquecimento coletivo. E por isso mesmo, não acredito na candidatura do Sr. Lula da Silva.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Cenas da pré-campanha




O cenário de pré-campanha dos presidenciáveis 2022 tem trazido situações as mais diversas. Algumas hilárias, outras constrangedoras, umas poucas substantivas quando os candidatos acenam para seus programas de governo etc.

As primeiras estratégias estão sendo delineadas de tal sorte que pouco a pouco sinalizações são feitas para as direções nas quais as campanhas vão navegar. Pelo menos nesse primeiro momento.

O pré-candidato Lula buscou a proximidade com Geraldo Alckmin, seu algoz de 2018, como um recado ao mercado. Seria a "Carta aos brasileiros" de 2022. O Senhor Alckimin, que consta teria hoje a preferência para o Governo de São Paulo, precisa ficar atento. Consulte o também presidenciável Ciro Gomes sobre sua mudança de domicílio eleitoral por inspiração de Lula, levando seu título de eleitor de Sobral para São Paulo. Quais compromissos, posteriormente não cumpridos, envolviam aquela movimentação? Segundo o eterno candidato de Sobral, em declaração registrada em vídeo e amplamente divulgada em redes sociais, o Lula é "um malaca, encantador de serpentes, um mentiroso". Esses são os mais brandos títulos com os quais ele homenageia o ex-Presidente. Há emitido acusações muito mais graves também em público. Imagine o que não deve dizer no privado!

Do mesmo modo o pré-candidato do PT vem evitando circular em público, dando preferência a reuniões fechadas, apesar de a mídia dia sim e outro também divulgar pesquisas nas quais Sua Excelência ganharia a eleição no primeiro turno. Do ponto de vista da Economia em seu eventual Governo, a sinalização foi forte e definitiva. Atendendo a convite da Folha de São Paulo para que os diversos pré-candidatos indicassem assessores para delinear diretrizes econômicas para o país, ele nomeou o Sr. Guido Mantega, ex-Ministro de seus Governos e dos Governos Dilma. O Senhor Mantega é aquele mesmo que ficou conhecido no Departamento da Propina da Odebrecht como o "Pós-Itália" (leia artigo "A Volta do Pós-Itália" em https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../a-volta-do-pos...).

O pré-candidato Ciro Gomes continua seu périplo de entrevistas e palestras, atirando para todos os lados. Seu brilhante marqueteiro parece ainda não ter estabelecido o alvo para seu início de campanha, de tal sorte que em determinado momento ele agracia o ex-Presidente Lula, a quem serviu como Ministro e a quem seguiu com fidelidade canina por cerca de 20 anos, com a adjetivação exposta acima. No momento seguinte, pede o impeachment do Presidente Bolsonaro e o ameaça (a ele e à família) com cadeia quando largar o mandato. Afirma que tem provas da corrupção do Presidente desde quando Deputado Federal de quem foi colega, onde ele "praticava a rachadinha com os funcionários e roubava até a gasolina da Câmara". Mas impagável mesmo é seu vídeo desafiando o ex-Ministro Sérgio Moro para um debate. Primeiro ele simula uma "voz" de pato para em seguida largar um "vem, fuleragem!". Se meus três leitores ainda não viram esse vídeo, não deixem de buscar no YouTube. Vale a pena! Tenho 100% de certeza de que não foi aprovado pelo competente João Santana.

O ex-Ministro e provável candidato da terceira via, Sérgio Moro, deu uma largada animadora com dois dígitos de intenção de votos em pesquisas recentes. É uma pena que estejam sendo tão questionadas essas pesquisas por grande parte de analistas. De fato, quando uma pesquisa coloca um percentual maior ou igual para um candidato, na pergunta livre em relação à estimulada, perde completamente a credibilidade. E isso aconteceu em recente pesquisa divulgada por veículos de comunicação dos maiores. De todo modo, o Dr. Sérgio Moro tem o respeito e admiração de grande parte da população. Mas ganha a eleição quem tem mais votos, e o ex-Juiz deve pelo menos até maio atingir os quinze ou dezesseis por cento de intenção de votos, de preferência tirando do Presidente Bolsonaro, para acenar com a viabilidade de sua candidatura. Do contrário, a polarização que se desenha será consolidada, inviabilizando a sua e qualquer outra candidatura que deseje ocupar a dita terceira via.

O Presidente Bolsonaro, pré-candidato à reeleição, não foge à sua característica. Todo dia cria um novo desafeto ou realimenta desafetos já estabelecidos. O Presidente está conseguindo a incrível proeza de ressuscitar a esquerda brasileira que jazia putrefata em um canto qualquer da história, como escrevi há quase dois anos (em 4 de abril de 2020) em artigo intitulado "O Estalo de Vieira" - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/.../o-estalo-de.... Dois episódios recentes, a meu juízo, podem ter prejudicado eleitoralmente o Presidente: a carta que (consta) o ex-Presidente Temer escreveu e ele assinou, para mim uma desmedida capitulação e humilhação, e a Nota do Presidente da Anvisa - um primor de texto na forma e no conteúdo. Se Sua Excelência não tinha o menor indício de corrupção ou mesmo de interesse não republicano naquele órgão, não devia ter "cutucado a onça com vara curta". Recentemente voltou a acusar os Ministros Barroso e Alexandre de Morais de agirem politicamente na Suprema Corte. É bem verdade que muitas das decisões dos citados Ministros são estranhamente heterodoxas, para dizer o mínimo. Mas o Chefe do Poder Executivo tem instrumentos e dispositivos legais para questionar decisões, sem que para isso precise "bater boca" com autoridades através da mídia ou de redes sociais.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem centrado suas baterias contra o ex-Ministro Sérgio Moro. Certamente o aparato de inteligência do Governo identificou alguma migração de votos do Presidente para o pré-candidato da terceira via. De sorte que o Presidente, em uma das suas já famosas "lives" das quintas-feiras, ocupou boa parte do tempo mostrando quanto foi solidário com o ex-Ministro quando do vazamento dos supostos documentos pelo "The Intercept". O objetivo era claramente mostrar um Moro ingrato e traidor. Não creio que a maioria da população "comprou" a ideia. Há uma afirmativa do Presidente, no entanto, que me causa um verdadeiro incômodo. Quando tento montar a imagem mental do episódio, ela não se estabelece convincentemente. Pelo perfil dos persongens, algo não está casando. Sua Excelência afirmou que quando instado a trocar o Superintendente da Polícia Federal, o Ministro Moro teria dito: "você me indica para o STF em setembro e depois troca". Desculpe, Presidente, mas minha mente cartesiana não consegue deglutir a história como contada por você. Tenho a vaidade de conhecer um pouco da alma humana, mesmo à distância. Não, Presidente. Não dá para acreditar. Quer dizer que você acha que o Presidente está mentindo, poderia me perguntar um dos meus parcos leitores. E eu responderia: acho! Não devia ser assim, mas em política tudo é permitido. Já se dizia desde o início dos tempos que em política o feio é perder.

Em tempo: eu não creio que Lula será candidato. Desistirá antes de consagrado na convenção do seu Partido.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

A volta do "Pós-Itália"




As apurações de corrupção pela "Operação Lava Jato" descobriram um tal Departamento da Propina da Odebrecht e dentro dele o que se convencionou chamar de Lista de Fachin. Essa lista nada mais era do que a relação de políticos e autoridades da República que recebiam propina originária de recursos desviados dos cofres públicos de diversas maneiras.

Essa lista ficou famosa, seja pela importância dos personagens participantes, seja pela criatividade nos apelidos que identificavam esses personagens. Constavam alcunhas como: "Amante" (Gleisi Hoffmann), "Amigo do meu pai" (Lula), "Atleta" (Renan Calheiros), "Belém" (Geraldo Alckmin), "Botafogo" (Rodrigo Maia), "Cavanhaque" (Hélder Barbalho), "Drácula" (Humberto Costa), "Guerrilheiro" (Zé Dirceu), "Italiano" (Antônio Palocci), "Mineirinho" (Aécio Neves), "Polo" (Jaques Wagner), "Pós Italiano" ou "Pós-Itália" (Guido Mantega) e muitos outros menos votados.

O Sr. Guido Mantega é um economista nascido na Itália e naturalizado brasileiro. Foi Ministro do Planejamento, Presidente do BNDES e Ministro da Fazenda nos dois mandatos do Presidente Lula e Ministro da Fazenda no período Dilma. Essa ativa participação nos Governos do PT e sempre em cargos de primeiro escalão, tornaram-no réu/investigado em alguns processos de corrupção ativa, passiva, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e práticas contra o sistema financeiro nacional.

O Jornal Folha de São Paulo abriu espaço para a publicação de artigos dos assessores econômicos dos principais candidatos a Presidente. Dessa forma, já encaminharam seus textos os assessores de Ciro Gomes - Nélson Marconi, João Dória - Henrique Meireles, Sergio Moro - Afonso Celso Pastore e pasmem, Lula da Silva indicou o Sr. Guido Mantega.

Apesar dessa forte e clara sinalização, aliados do petista afirmam que a escolha não envolve a campanha do ex-presidente e que Lula “nem anunciou candidatura”.

"Esses mesmos interlocutores afirmam que Lula e Mantega têm contatos frequentes, mas que não significa nenhuma sinalização em relação a uma possível candidatura". Essas afirmações de pessoas próximas do ex-presidente permitem duas leituras: não quer se comprometer publicamente com o Sr. Mantega pelo seu envolvimento com a justiça ou não quer afirmar definitivamente que é candidato. Ou ambos. A verdade é que vai ser difícil para Lula, se realmente confirmar sua candidatura, encontrar auxiliares com a ficha limpa para montar sua equipe de campanha.

O descrito acima é muito grave, mas não é tudo. Como bem registrou o colunista Ricardo Rangel na edição de hoje (04/01/2022) da Folha, "Mantega foi o ministro da Fazenda mais longevo da história do país e se existe alguém que personifica a desastrosa política econômica do PT — essa excrescência a que se deu o pomposo e pretensioso nome de “Nova Matriz Econômica” —, esse alguém é ele. A Nova Matriz Econômica derrubou o PIB em mais de 8% e fez disparar o desemprego, a inflação e os juros. É a incompetência de Bolsonaro e Guedes que nos impede de sair no buraco, mas quem nos jogou no buraco não foram eles. Foram Lula, Dilma e Mantega."

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Atualizado em 05/01/2022 às 12:16h.

Moro ironiza artigo de Mantega: “Impressão minha ou Pós-Itália omite a grande recessão?”

Ciro Gomes:
"A síntese do pensamento econômico do lulismo, pobre e cinicamente produzida por Guido Mantega, hoje na Folha, é uma das peças mais hipócritas e ambíguas já vistas. É uma mistura de "Carta aos Brasileiros" envergonhada e nacional desenvolvimentismo de araque."

Do Radar Econômico da Veja:
"Guido Mantega 'esquece' Dilma Rousseff em artigo para Lula. Ex-ministro faz releitura conveniente das gestões petistas e brinca com o calendário."

De Fernando Castilho no UOL:
"Mantega na economia assusta mercado, mas Lula e PT sempre atuam assim. No ministério da Fazenda, Mantega mudou despesas e receitas dentro das empresas estatais para apresentar um resultado positivo nas contas."

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

De coincidências improváveis ou do encontro casual de dois matutos cearenses no Metrô de Londres.




O ano era 1981. Resolvi gozar minhas férias anuais em uma viagem à Europa. A parada obrigatória em Paris - Museus do Louvre e de Rodin, o Centro Georges Pompidou e a impagável noitada na Place du Tertre ou como é mais conhecida, Place des artistes, por abrigar toda variedade de artistas de rua. Ali em Montmartre, pairando sobre o emblemático Moulin Rouge, você encontra a Basílica de Sacré-Coeur e atrás dela a praça dos artistas, um dos locais mais bonitos de Paris onde se respira uma atmosfera diferente e única no mundo.

Próxima parada era Londres. Eu havia estado ali uns poucos anos antes e a agitação da capital britânica me fascinara. O Piccadilly Circus com suas exóticas figuras, por si só, já justificava a viagem. Ficar ali parado, apenas observando a fauna humana em circulação, era uma festa para os olhos.

A viagem terrestre entre Paris e Londres era marcada pela travessia do Canal da Mancha em "ferry boat", entre Calais (na França) e Dover (em território inglês). Ainda não estava construído o Eurotúnel com seus 50 km de extensão, só inaugurado em maio de 1994.

A reserva do hotel em Londres, na região de Westminster, tinha sido uma cortesia da empresa de turismo que nos havia vendido as passagens. Não existia Internet com suas facilidades atuais, tais como Airbnb, Booking.com, Hotels.com, Tripadvisor e que tais.

Eu desejava assistir a uma peça nos famosos teatros londrinos e fui aconselhar-me com o concierge do hotel. Este indicou-me um local onde eu poderia escolher entre todas as que estavam em cartaz e ali comprar os ingressos. Tratava-se da Leicester Square, uma das mais famosas praças de Londres. Um tipo quiosque, muito assemelhado às bancas de revista de Fortaleza, vendia ingressos para teatros e cinemas.

De posse de um mapa da cidade, gentilmente cedido pelo concierge, peguei o Metrô que me deixaria na estação da Leicester Square. Em um determinado momento da viagem, senti um leve tapa nas costas. Virei-me rapidamente e deparei-me com meu amigo ZéAfonso (José Afonso de Oliveira), à época Diretor de Câmbio do BEC. Ali estivera participando de um curso de inglês especializado na sua área de atuação. Contou-me que era seu último dia no país e que já retornaria à noite para o Ceará.

Uma inimaginável coincidência! Despedimo-nos quando chegou à minha estação. E a certeza de que naquela noite, um matuto de Juazeiro do Norte estaria embarcando no aeroporto de Heathrow de volta pra casa e outro matuto de Várzea Alegre estaria assistindo a um musical (porque não entendia inglês) em um teatro qualquer de Londres.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Uma amada esposa




"Nota do PT sobre a Nicarágua: fãs de Lula na imprensa silenciam sobre essa vergonha"

"Os fãs de Lula na imprensa se calaram sobre a nota vergonhosa que o PT divulgou ontem à noite sobre o resultado da eleição (se é que se pode chamar assim) que deu mais um mandato (se é que se pode chamar assim) a Daniel Ortega, que tiraniza a Nicarágua desde 2007, consecutivamente. A farsa (a coisa pode ser chamada assim) foi elogiada pelo PT, por meio de nota no site oficial, assinada por um certo Romenio Pereira, secretário de Relações Internacionais do Partido."

Com sete candidatos a concorrer à Presidência detidos desde junho, o longevo presidente teve garantido o quarto mandato consecutivo de cinco anos - o quinto no geral.

Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, ambos com mais de 70 anos, não demonstraram o menor desejo de abrir mão de seu controle vicioso do poder.

Em nota, o Presidente dos Estados Unidos Joe Biden afirmou que “O que o Presidente da Nicarágua Daniel Ortega e sua esposa, a Vice-Presidente Rosario Murillo, orquestraram hoje foi uma eleição pantomima que não foi nem livre, nem justa, e certamente não democrática”.

Nicaraguenses que participaram em massa de protestos contra o Governo Ortega em 2018, enfrentaram uma violenta repressão que custou mais de 300 vidas no país mais pobre da América Central.

Desde maio, a polícia de Ortega prendeu dezenas de figuras importantes da oposição, incluindo sete candidatos à presidência, líderes empresariais, jornalistas e até alguns de seus antigos aliados rebeldes.

A Nicarágua, um país de 6,5 milhões de habitantes, possui 4,4 milhões de nicaraguenses elegíveis para votar. Infelizmente, a falta de transparência e a proibição de observadores internacionais e mesmo da imprensa de acompanhar o processo eleitoral, não nos permitem divulgar a abstenção. Sabe-se apenas que institutos de pesquisa independentes, antes da eleição, atribuíam ao casal candidato apenas cerca de 19% dos votos.

Adversários do Presidente o acusam de autoritarismo, corrupção e de transformar a política nicaraguense em um assunto de família.

Apesar de as grandes potências ocidentais não reconhecerem seu Governo, o PT e o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, já o fizeram. Provavelmente isso será suficiente para Ortega e sua Vice-Presidente e amada esposa.

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Atualizando em 14/11/2021 às 9:14h

Do El Pais:

"O regime de Daniel Ortega sofreu um forte revés diplomático nesta sexta-feira. A Assembleia Geral da OEA, organizada na Guatemala, votou a favor de uma resolução que estabelece que as eleições de domingo passado, nas quais Ortega foi reeleito com 75% dos votos, “não têm legitimidade democrática”. Estabelece, ainda, que o Conselho Permanente desse órgão continental faça uma “avaliação coletiva” da crise política na Nicarágua, cujas conclusões deverão ser apresentadas antes de 30 de novembro. No Brasil, o Itamaraty anunciou que o país apoia a resolução da OEA. No total, a resolução foi aprovada por 25 países e sete nações se abstiveram, incluindo o México."

domingo, 7 de novembro de 2021

A majestade e liturgia do cargo




O presidente de um país não é apenas "mero oficial constitucional encarregado de cumprir fielmente as leis, ele é um tocador de almas, um portador de esperança - um luminar que carregou consigo as orações e preocupações do seu povo" conforme descrito pelo Presidente americano George W. Bush.

Mais do que qualquer cidadão, o Presidente simboliza o País. O presidente é investido de uma variedade de deveres e poderes, incluindo negociar tratados com governos estrangeiros, assinar leis ou vetar legislação aprovada pelo Congresso, nomear membros de alto escalão do executivo, indicar alguns membros da estrutura governamental para aprovação do Congresso, indicar Ministros das Cortes Superiores de Justiça e servir como comandante em chefe das forças armadas.

De uma maneira geral somos muito descuidados com as palavras. Isso é indesejável nas pessoas comuns, mas especialmente grave se você é uma autoridade. "Think before you speak" é mandatório para a pessoa que detém poder.

Palavras são extremamente poderosas, definem nossa identidade e revelam nossas atitudes e sensibilidades, refletindo quem somos. Nossa escolha de palavras dá aos ouvintes uma indicação de nossa inteligência ou ignorância.

O cidadão que exerce o honroso cargo de Presidente, deve respeitar a majestade e liturgia que o cargo exige. A utilização de expressões chulas, inapropriadas, não o fazem uma pessoa popular, senão vulgar. Isso torna-se mais grave, quando dirigidas a adversários ou desafetos políticos.

Recentemente, em discurso diante de milhares de pessoas, o Presidente Bolsonaro disse que o Senador Omar Aziz (aquele que presidiu a CPI da Pandemia) tinha "cara de capivara". Não é a primeira vez nem foi a expressão mais reprovável que o Presidente utilizou. Isso não o faz mais querido, admirado ou respeitado pela maioria da população. Sua excelência devia policiar-se, cuidar melhor da sua incontinência verbal. O verdadeiro líder é sábio, tolerante e controla suas emoções.

Em tempo: cá pra nós, como você pode ver na foto a imagem do Senador realmente lembra vagamente uma capivara.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

O dilema de 22.




A esquerda e os abstêmios das tetas públicas, imputam ao Presidente de plantão a culpa pelas mais de 600 mil mortes advindas do Covid-19, e ele (juntamente com Governadores e Prefeitos) tem parte da culpa, sim. Esse mesmo grupo não admite que os Governos do PT (Lula e Dilma) foram no mínimo coniventes com a roubalheira sistêmica que assolou o país nos 14 anos de suas gestões.

O desvio de recursos do BNDES para construir obras em países “amigos”; a manipulação dos Fundos de Pensão com prejuízos socializados com dezenas de milhares de funcionários de Empresas Públicas e Estatais; o roubo generalizado na Petrobrás, aonde Partidos Políticos e pessoas amealharam somas inimagináveis (apenas um empregado do terceiro escalão devolveu 100 milhões de dólares aos cofres da Empresa); a herança maldita de juros de 14,25%, inflação de 10,67% e mais de 12 milhões de desempregados; dezenas de outros “mal feitos” já descobertos e revelados, compõem a “ficha corrida” daqueles Governos.

“A mitologia grega é riquíssima na sua filosofia e no seu arcabouço reflexivo.” Aquiles, herói da Grécia e protagonista da guerra de Tróia, deparou-se com o dilema imposto pelos deuses gregos, quando teve “que decidir sobre a sua própria continuidade de existência, ou seja, determinar se teria uma vida curta, abreviada, mas cheia de glória, ou uma vida longa, prosaica e diminuta.”

Também da mitologia grega, buscamos o exemplo do riquíssimo rei Erisictão, que por “mal feitos” recebeu dos deuses o castigo de ter implantado no seu corpo uma fome insaciável, por isso comeu todos os alimentos do seu palácio, gastou sua imensa fortuna com comida e por fim, quando nada mais lhe restava, “começou então a comer os próprios membros. E acaba devorando a si próprio. A única forma de cessar sua fome foi consumindo-se e esgotando-se a si mesmo. Exaurindo sua existência. Exterminando-se.”

Ao contrário desses dilemas mitológicos, na eleição do próximo ano poderemos defrontar-nos com um dilema real: escolher entre a continuidade do desastrado, tosco e fracassado Governo atual ou reentronizar a quadrilha criminosa que exauriu as riquezas do Brasil nos seus 14 anos de descompromisso com o país. A menos que se encontre um caminho que exclua esse estúpido pensamento binário, seremos os “Aquiles” e “Erisictão” de 2022.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A Democracia Soviética




A partir de hoje (17/09/2021) até domingo, os cidadãos russos irão às urnas para renovar as 450 cadeiras da Duma Estatal, o equivalente à Câmara Federal no Brasil. Essa eleição, a par da importância para o Presidente Vladimir Putin, será lembrada como o pleito em que o líder da oposição, Alexei Navalny está na prisão. Seu Partido foi banido e seus líderes foram presos ou fugiram do país. Dezenas de candidatos da oposição foram barrados ou desistiram de suas disputas.

O Rússia Unida, Partido de Putin, é amplamente majoritário desde a eleição de 2016 quando elegeu 343 membros da Duma. Apesar da repressão aos adversários, dificilmente o Rússia Unida repetirá o resultado. Em eleições livres segundo pesquisas, o Partido teria algo em torno de 30% dos votos. Sofreu um desgaste político muito grande, graças aos escândalos de corrupção e à deterioração da economia, levando à perda de poder aquisitivo da povo russo.

Vladimir Putin tem conduzido a política soviética com mão de ferro. Depois que assumiu o poder no final de 1999, ele efetivamente controlou a desordem conspícua e as barulhentas brigas internas que sob seu predecessor frequentemente bêbado, Boris Yeltsin, deixaram a Rússia com um estado que mal funcionava. Tudo indica, no entanto, que se aproxima a fadiga natural do poder longevo. “Os sinais são muito ruins. Acho que este é o pior ano da história pós-soviética ”, disse Andrei Kolesnikov, analista do Carnegie Moscow Center. “É o mesmo regime que tivemos por muitos anos, mas é muito mais repressivo e muito mais cruel.”

Em junho de 2020, Putin patrocinou uma reforma à Constituição que lhe permitirá permanecer no poder até 2036. Tal reforma foi ratificada por uma votação nacional com 78% de votos favoráveis com 68% de comparecimento. Putin apresentou seu projeto de reforma constitucional ao parlamento da Rússia, criando uma mega presidência com base no que já era considerado um sistema super presidencial.

É bem verdade que Putin não se comprometeu a concorrer à presidência em 2024. Mas alterar a constituição para que ele tenha a chance de concorrer, dá-lhe a vantagem sobre as elites, que - disse ele publicamente - também estiveram ocupadas preocupando-se com quem o sucederá como presidente. Ao afirmar isso, Putin efetivamente admitiu o grau em que centralizou e personalizou o poder na Rússia. Em sua opinião, isso significa que a estabilidade do sistema político só pode ser garantida por ele, implicando que ele possa permanecer no comando por um futuro previsível.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Capitulação e humilhação




Assisti com tristeza à humilhante (para o Presidente Bolsonaro) entrevista de Michel Temer à CNN. O desapreço que nutro pelo ex-Presidente Lula - por razões diversas, naturalmente - equipara-se agora ao que sinto pelo atual Presidente. Pobre Brasil, onde suas principais lideranças políticas são tão desprovidas de estatura moral necessária à condução dessa grande nação.

Diferentemente dos seguidores do Lulopetismo, que rapidamente conseguiram estabelecer um consenso argumentativo para tentar neutralizar as exaustivamente comprovadas acusações contra o PT e o ex-Presidente ("o PT não inventou a corrupção e Lula foi condenado sem provas"), os bolsonaristas ainda não encontraram uma justificativa para a capitulação do seu líder.

"O Presidente é um estrategista e tem uma carta na manga", "deu um passo atrás para dar dois pra frente", "Bolsonaro conseguiu aprisionar o STF com essa movimentação", "nenhum Ministro a partir de agora vai julgar contra o Governo, sob pena de dar argumento para uma intervenção", "esperem para ver", "o jogo apenas começou", "é um estadista, recuou pelo bem do Brasil" etc. Os seguidores do Presidente devem imediatamente afinar o discurso e, a exemplo dos seus adversários, encontrar um tema único e repetir até que eles próprios convençam-se, ainda que (como os outros) não consigam convencer à sociedade brasileira.

Do ponto de vista do STF, a julgar pelo discurso do Ministro Barroso quando da instalação de comissão de transparência e observatório das eleições, o jogo realmente não terminou. Emitiu críticas cruéis ao Presidente Bolsonaro, culminando em acusá-lo de farsante e ao seu Governo de fracasso e "populista em busca de culpados para o fiasco".

A Carta à Nação que consta foi escrita por Michel Temer e assinada por Bolsonaro, além do telefonema para o Ministro Alexandre de Morais seu algoz, não caracterizam apenas uma capitulação, mas uma humilhação sem precedentes infringida a um Chefe do Executivo do País.

Posso estar enganado em minha avaliação dos recentes episódios, mas creio que o candidato Bolsonaro, nos últimos três dias, deve ter perdido alguns milhões de votos. O que poderá fazer-lhe falta na eleição de 2022.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Não precisa ser um gênio!




Não precisa ser um gênio para identificar que nos dias atuais o Brasil parece irrevogavelmente fraturado entre direita e esquerda, lulopetistas e bolsonaristas, mortadelas e gado, etc.

Em dezembro de 2020 escrevi que "A sociedade brasileira, a exemplo de outras mundo afora, encontra-se doente. A cegueira ideológica assassina o que resta de racionalidade nos indivíduos. E a pandemia que ora grassa no planeta parece ter exacerbado essa ideologização. Com a inestimável cooperação das redes sociais, diga-se." E ainda, "São pensamentos conceitualmente binários e de uma pobreza e mediocridade de análise e avaliação que só ratificam o conhecido comportamento de manada, assemelhando-se à conduta dos animais em rebanho."

Graças a esse vírus que persegue a humanidade, o tal do Sars-CoV-2 que causa a Covid-19, estive à beira da morte. Vieram-me à lembrança, expressões corriqueiras na minha infância em Várzea Alegre: "escapei fedendo" ou "tirei um fino danado na morte". A consciência da fragilidade da vida humana, o colapso do dito "normal", nos obrigam a confrontar as ideias e expectativas que cultivamos naquele momento.

Apesar de continuar altamente incomodado por aqueles "pensamentos conceitualmente binários" que descrevera anteriormente, diante daquela fragilidade e daquele colapso, havia me prometido a não mais escrever sobre o momento político brasileiro. Sabia desagradar a amigos, pessoas queridas que viviam a sua racionalidade, que alimentavam o seu ideal de sociedade.

Desculpem, mas não resisti. As diferenças ideológicas interpessoais, intersetoriais e mesmo inter-regionais aprofundam-se a cada dia e temo que o desenrolar desse processo seja algo violento. Os homens que fazem as instituições, com suas fraquezas inerentes ao ser humano como egoísmo, ressentimento, busca desesperada pelo poder, estão sendo incapazes de estabelecer uma mínima agenda comum que permita à nação estabelecer uma convivência pacífica entre os indivíduos.

Se Deus é realmente brasileiro, já passou da hora de tomar as rédeas do destino do seu povo. E dar um rumo de prosperidade ao país.

domingo, 18 de julho de 2021

Cuba em chamas




A tão decantada "excelência" da saúde de Cuba que não consegue conter um recorde de infecções por coronavírus, somada à pior crise econômica da ilha desde a queda da União Soviética, às restrições continuadas às liberdades civis e ainda à escassez de produtos básicos, provocaram as maiores manifestações antigovernamentais naquele país comunista em décadas. Pedindo a renúncia do Presidente Miguel Diaz-Canel e gritando "liberdade", dezenas de milhares de cubanos foram às ruas.

Mesmo a presença ostensiva e intensa da polícia rondando vários sítios de Havana nos seus Jipes das forças especiais com metralhadoras montadas na retaguarda, não inibiram as manifestações. A multidão voltou às suas casas apenas nas proximidades das 21:00h, obedecendo ao toque de recolher devido à pandemia.

O Presidente Diaz-Canel que também dirige o Partido Comunista, em pronunciamento televisionado para toda a ilha, culpou o antigo inimigo, os Estados Unidos, adicionando uma pitada de ingredientes à velha desculpa do embargo. Agora, segundo Diaz-Canel, existem campanhas de mídia social orquestradas pelos EUA, além de "mercenários" infiltrados. Tudo ao gosto das ditaduras e suas eternas teorias da conspiração. No pronunciamento, Sua Excelência não falou na falta de papel higiênico nas prateleiras das bodegas, local onde os cubanos se abastecem com produtos básicos subsidiados com a caderneta de racionamento. Nem sequer pronunciou-se sobre a falta de vacinas contra o coronavírus e os inevitáveis apagões diários.

A economia contraiu 10,9% no ano passado. Isso resultou numa crise de caixa, o que gerou escassez obrigando os cubanos a fazerem fila por horas para comprar produtos básicos durante a pandemia. O já combalido combate à pandemia sofreu muito com a chegada da variante Delta, o que fez com que os casos aumentassem rapidamente. No domingo, dia 11/07, autoridades de saúde relataram um recorde de 6.923 casos e 47 mortes - o dobro da semana anterior.

A Human Rights Watch acusa os Castro de terem "liderado um regime cuja administração cometeu múltiplas violações de direitos humanos, levou ao êxodo de mais de um milhão de cubanos e ao empobrecimento da economia do país".

A grande interrogação é até aonde pode ir a indignação do povo cubano com a falta de liberdade, o aumento dos preços, a escassez de produtos e a precária assistência médica em meio à pandemia de COVID-19.