segunda-feira, 18 de maio de 2020

Do direito de manifestar opiniões




Ontem recebi um telefonema de uma pessoa próxima. Sem mais delongas ela foi dizendo que amigos comuns, conhecidos e nem tão amigos assim a haviam procurado para falar comigo. Sentiam-se altamente incomodados pelos meus textos no Blog – https://nilosergiobezerra.blogspot.com/ – e principalmente pelo que eu postava em redes sociais.

Todos temos o direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura, conforme Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, no seu Artigo XIX. Assim também, a Constituição brasileira de 1988 registra o direito à liberdade de expressão, como abaixo:

Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;


É verdade que tenho usado meu Blog e mais frequentemente as redes sociais para externar opiniões as mais diversas. Em 20 de outubro de 2018 escrevi sobre a suposta democracia da Venezuela, em 9 de janeiro de 2019 postei texto sobre a construção do muro pelo Governo americano na fronteira com o México, escrevi também sobre as supostas “rachadinhas” e o caso Queiroz em 5 de setembro de 2019. Muitas das opiniões externadas falam sobre a ecologia política contemporânea, focando na roubalheira que permeou os Governos do PT e nas permanentes tentativas do Presidente Bolsonaro de interferir em órgãos de controle do Estado brasileiro. Isso faz com que o espectro político “de A a Z” dos meus parcos leitores sintam-se tremendamente incomodados.

Sou extremamente grato aos poucos que dedicam pequena parte do seu precioso tempo para ler o que escrevo. Mais ainda aos que se dão ao trabalho de fazer comentários. Estes últimos enriquecem sobremaneira o conteúdo dos escritos com seus debates, suas opiniões contrárias, etc. Só não pretendo parar de escrever o que “me der na telha” para atender ao apelo do telefonema de ontem.

Raramente posto comentários em escritos de terceiros. Seja porque não me interessam, seja porque um simples “like” é suficiente para externar minha aprovação. Quando leio opiniões sobre qualquer assunto que me desagrada, e confesso que não o faço com frequência, simplesmente “salto a página”. A vida é muito curta para perder tempo com incompetências, irracionalidades ou paixões desenfreadas. A não ser que essas paixões tenham por objeto uma bela mulher. Ficar ruminando rancores, alimentando debates hostis, desgostando de ideias que desagradam, não fazem festa no meu coração. Divertem-me, muita vez.

O tempo é inexorável. No fim da juventude o corpo começa a perder a mobilidade, surgem as dificuldades próprias da velhice (doenças e dores), compensadas pela mente que se torna mais esperta, precavida e freia os ímpetos incontroláveis daqueles de pouca idade. Às vezes não se trata da pouca idade, é burrice mesmo. Perdoável porque “várias pesquisas psicológicas estão chegando à conclusão que a incompetência priva as pessoas da capacidade de reconhecer sua própria incompetência. Ou seja: as pessoas burras são burras demais para saber que são burras.”

sexta-feira, 15 de maio de 2020

O limite da lealdade




“Qual o limite da lealdade?”, pergunta o Senador Major Olímpio. Eu arriscaria responder com uma frase do poeta e dramaturgo espanhol Pedro Calderón de la Barca:

“Ao rei, a vida e os bens devem ser dados, mas a honra é património da alma, que pertence apenas a Deus.”

Quem é intelectualmente honesto, quem não está contaminado com o vírus do radicalismo dos extremos (voltaDilma/Lulalivre ou Bolsomínios/Mito), quem está acompanhando com atenção o desenrolar do inquérito autorizado pelo Ministro Celso de Mello, do STF, tem encontrado até então a seriedade com que o Ministro Moro se conduziu desde sempre á frente do Ministério da Justiça e do tratamento dispensado à sua vinculada Departamento de Polícia Federal.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Bolsonaro, o PT e o Centrão




Bolsonaro promete entregar cargos ao Centrão até sexta-feira

https://www.oantagonista.com/brasil/bolsonaro-promete-entregar-cargos-ao-centrao-ate-sexta-feira/?desk

O Centrão, bloco formado por DEM, Solidariedade, PSD, PP, PR e PRB, tem ganhado protagonismo na política brasileira. Conheça os líderes.

RODRIGO MAIA (DEM-RJ) - Presidente da Câmara e nome mais influente do Centrão. A Polícia Federal atribuiu ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) e lavagem de dinheiro ao concluir inquérito sobre supostos repasses da Odebrecht ao deputado e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro e atual vereador César Maia (DEM).

ROBERTO JEFFERSON - Presidente do PTB, preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão do PT.

WALDEMAR COSTA NETO - "Dono" do PR e preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão do PT.

GILBERTO KASSAB - Presidente do PSD e ex-Ministro das Cidades no Governo Dilma, réu em Processo de Improbidade Administrativa no STJ e por Enriquecimento Ilícito no TJSP.

Paulo Pereira da Silva - Deputado Federal, presidente do Solidariedade e Presidente licenciado da Força Sindical. Está sendo processado pelo STF na Ação Penal AP 965, acusado pelos crimes de formação de quadrilha, desvio de finalidade de empréstimo oficial e lavagem de dinheiro, por desvio de dinheiro no BNDES no segundo Governo Lula.

Wellington Roberto (PR-PB) - Fazia parte da tropa de choque de Eduardo Cunha. O parlamentar é réu por envolvimento no chamado escândalo dos sanguessugas, que desviava recursos destinados à compra de ambulâncias, no primeiro Governo Lula.

Arthur Lira (PP-AL) - Líder do PP na Câmara, o deputado Arthur Lira (AL) virou réu em ação penal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão é da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que acatou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Da Revista Digital Crusoé, de 06/05/2020:

"Para ampliar sua base no Congresso Nacional e conquistar o apoio de partidos do Centrão, o presidente Jair Bolsonaro colocou pelo menos 53 bilhões de reais em jogo. Esse é o orçamento de todos os órgãos em negociação com legendas historicamente associadas ao fisiologismo, à velha política e, não raro, aos malfeitos. Aproveitando o momento de fragilidade política de Bolsonaro, o bloco de partidos abriu a temporada de barganhas, assim como fizeram em momentos cruciais dos governos do PT e de Michel Temer. Siglas como PP, PL, Republicanos, PTB, PSD e Solidariedade, de políticos como Paulinho da Força, Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson, pressionam por nacos cada vez maiores na estrutura administrativa federal..."

domingo, 3 de maio de 2020

Hipocrisia pura!


"Some constitutions, especially codified constitutions, also act as limiters of state power, by establishing lines which a state's rulers cannot cross."


Vivemos um tempo na sociedade brasileira em que muito se fala em Constituição. Desconfio que a grande maioria das pessoas que remetem ao assunto, jamais abriram o "livrinho verde". Evidente que, em regra, não é um documento para ser lido em leitura continuada como um romance, mas comumente usado como um dicionário em que você consulta determinado tópico, temática pontual.

Como “o respeito à Constituição Federal e à institucionalidade é o único caminho para o desenvolvimento de uma sociedade livre, justa e solidária”, recebi com extrema surpresa e renovada preocupação, RESOLUÇÃO DO DIRETÓRIO NACIONAL DO PT publicado no website oficial do Partido dos Trabalhadores. Datado de 02 de maio último e com o título "EM DEFESA DA VIDA, DOS EMPREGOS E DA DEMOCRACIA: FORA BOLSONARO E SEU GOVERNO!", o panfletário documento de 06 páginas defende prioritáriamente o fim do atual governo. Nenhuma surpresa. Partido Político posto na oposição pelo povo, tem a obrigação de fazer oposição.

A Constituiçãobrasileira de 1988, no seu Art. 79, estabelece que "Substituirá o Presidente, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-Presidente." Simples assim. De forma limpa e direta. Sem margem para dúvidas ou interpretações. Além disso, o Art. 80 reza que "Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal."

Pois bem, no documento citado em parágrafo anterior, o Partido em questão defende que "Qualquer que seja o caminho, impeachment ou cassação da chapa BolsonaroMourão, a perspectiva do PT é de que o afastamento seja concluído com a eleição de um governo legitimado pelo voto popular, como dissemos em 2019", numa evidente agressão aos Artigos 79 e 80 da nossa Carta Magna.

Não é objetivo deste texto analisar a procedência ou não do afastamento do atual Presidente, ou mesmo o "impeachment ou cassação da chapa BolsonaroMourão" como defende o documento. Isso poderá ser tema de artigo vindouro. O objetivo é estabelecer de forma cristalina, como um Partido Político que tanto fala em defesa da constituição, que diuturnamente acusa o Governo de ser "incapaz de conviver com a democracia" e que comete "um investimento deliberado no cenário do golpe", oferece um cristalino caminho inconstitucional para o que entende como solução para as crises sanitária, política e econômica que assolam o país. Hipocrisia pura!

sábado, 18 de abril de 2020

"Maia oferece e oposição escolhe cinco MPs para caducar"




No dia em que as Trends do Twitter registram quase dois milhões da hastag "#ForaMaia", o Presidente da Câmara Federal reune-se "com todos os líderes partidários da oposição" para oferecer-lhes cinco Medidas Provisórias do Governo Federal para caducarem. 

Estamos em pleno período de uma tragédia planetária, somente comparada na história moderna da humanidade à segunda guerra mundial. É natural então que a quase totalidade das Medidas Provisórias que dormitam nas gavetas da Presidência da Câmara, digam respeito ao combate à proliferação do SARS-CoV-2, o popular CoronaVírus. O deixar caducar Medidas Provisórias, que mais do que do interesse do Chefe do Poder Executivo são necessárias para o cuidado da saúde do povo brasileiro e à manutenção dos empregos, é uma atitude irresponsável e imoral.

Paralelo a isso, o Presidente da outra casa legislativa - o Senado da República - ao mesmo tempo decide retirar de pauta a MP 905 (já aprovada na Câmara), popularmente conhecida como MP da Carteira Verde e Amarela. Essa MP deveria ter sido votada hoje, uma vez que sua validade expira no próximo dia 20 (segunda feira), devendo portanto caducar. A MP prevê, se aprovada, a facilitação da criação de empregos para jovens de 18 a 29 anos (o foco no primeiro emprego) e trabalhadores com mais de 55 anos e desempregados há mais de 12 meses. As regras serão aplicáveis inclusive para o trabalho rural. "O governo espera incentivar a geração de cerca de 4 milhões de empregos ao longo de três anos com o Trabalho Verde Amarelo, programa que será criado para estimular contratações de jovens e pessoas acima de 55 anos".

Ainda no Senado, tramita o Projeto de Lei Complementar 141/19 recentemente aprovado pela Câmara, que está na origem do recente desentendimento público entre o Presidente da Câmara e o Presidente da República. O Projeto foi gestado para compensar a queda de arrecadação do ICMS e do ISS deste ano em relação a 2019. A previsão de queda é causada pela pandemia de Covid-19. O problema é que Governo e deputados não se entendem a respeito do impacto fiscal do projeto. Não há consistência entre os números apurados pela equipe técnica da Câmara e a área econômica do Governo. Este insiste em modificar o texto aprovado pela Câmara e há alguma receptividade por parte de segmentos do Senado, que entende estar a Câmara anos luz à frente do Senado no que respeita ao protagonismo. 

A verdade é que o momento é de despir-se de vaidades pessoais e ideologias partidárias, abandonar essa disputa inconciliável de egos e atentar para a saúde e o bem estar do sofrido povo brasileiro.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

De Moinhos de Vento e Cloroquina




Enquanto o Papa João Paulo II escreveu que o homem não pode viver sem amor (lato sensu), o escritor português José Saramago afirmou que a religião não pode viver sem a morte. É conhecido de todos, no livro "Dom Quixote de la Mancha" do escritor espanhol Miguel de Cervantes, o episódio de sua luta contra os moinhos de vento que se transformam em gigantes cruéis e em seguida voltam a ser moinhos. O cavaleiro andante parte pelo mundo em busca de escrever sua própria história. Depreende-se do clássico da literatura mundial que o fidalgo castelhano Dom Quixote, ao perder a razão, não podia viver sem um inimigo.

Estamos vivendo tempos estranhos. Um pouco como Dom Quixote, creio que o Presidente Bolsonaro não pode viver sem um inimigo. Nem bem se desfaz do Ministro Mandetta, que se caracterizara como seu grande desafeto público nas últimas semanas, ainda no mesmo momento Sua Excelência em entrevista a uma rede de televisão abre suas incontidas baterias verbais contra o Presidente da Câmara Federal.

Preciso estabelecer claramente que não morro de amores pelo Deputado Rodrigo Maia. Ao contrário, tenho-o como representante-mor do que se convencionou chamar de velha política, daquilo que há de mais rasteiro e abjeto na atividade pública. Mas há o respeito exigido pela majestade do cargo que ele ocupa. Mais do que respeito pela instituição, há a necessidade de uma convivência urbana, se não pela carência de aprovação das diversas reformas que o país tanto precisa, pelo menos para atender à Constituição - “Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

Tenho me perguntado continuadamente nos últimos dias quando teremos períodos de paz na sociedade brasileira, excluindo naturalmente aquilo que não podemos evitar. A energia extraordinária que o país há despendido e haverá de despender muito mais no controle dessa tragédia que se abateu sobre o planeta, esse tal de COVID 19, exige de cada cidadão o melhor dos seus esforços para a superação da inesperada doença. Momento mais do que perfeito para esquecermos quaisquer outros desencontros, menores ou maiores, para focarmos na preservação da saúde dos indivíduos.

É absolutamente imperdoável o comportamento mesquinho de segmentos da sociedade em torno do uso ou não de determinada substância que pode eventualmente minorar o sofrimento de milhares de pessoas, ou mesmo salvar suas vidas. Tenho visto nas redes sociais, incontidas manifestações de júbilo, quando não explícitas muita vez apenas sinalizadas a cada aumento de infectados ou mortos. É a insensatez do ser humano, a face mais perversa do indivíduo acometido das piores paixões.

Neste momento, prefiro concordar com o cientista francês DIDIER RAOULT, na entrevista que concedeu ao Jornal Le Parisien (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2020/03/quando-o-cientista-fala.html):

LE PARISIEN: O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?

DIDIER RAOULT. Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.

LE PARISIEN: O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?

DIDIER RAOULT. Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, não pássaros de programa de TV.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

O "mau caratismo" de Ciro Gomes




O jornalista Leandro Fortes, criador da Agência PT de Notícias e que coordenou as redes sociais do Partido dos Trabalhadores durante a campanha eleitoral de 2014, escreveu quinta feira última (09/04/2020) no blog panfletário Brasil247: "Ciro usa de mau caratismo ao falar do PT e de Lula". Não entrarei no mérito do que pensa o jornalista e a quase totalidade dos militantes petistas sobre o ex-Governador do Ceará, apesar de Ciro Gomes dizer que "eu apoiei Lula todos os dias sem faltar nenhum ao longo dos últimos 16 anos". Eles "que são brancos" que se entendam.

Gostaria, no entanto, de comentar apenas um trecho do artigo do Sr. Fortes que no meu entender carece de honestidade intelectual. Diz o jornalista: "Na falta de um Fernando Collor, a classe dominante pensou em colocar na Presidência da República um boneco inanimado como Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, do PSDB. O retorno dos tucanos, sonho dourado de banqueiros, barões da imprensa, grandes empresários e especuladores do mercado financeiro se transformou no pesadelo chamado Jair Bolsonaro."

Como pode o retorno dos tucanos ser o sonho dourado dos banqueiros se o próprio ex-Presidente Lula afirmou durante discurso na avenida Paulista em março de 2016, que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como durante o mandato dele. Com efeito, a Revista Veja de 12 de setembro de 2014, em profunda e circunstanciada reportagem, estabelece que "Bancos lucraram 8 vezes mais no governo de Lula do que no de FHC".

Por que os barões da imprensa desejariam o retorno dos tucanos se o PT foi o mais pródigo e perdulário em gastos com publicidade? O jornalista Fernando Rodrigues publica em 29 de junho de 2015 que "No seu primeiro mandato (2011-2014), a presidente Dilma Rousseff gastou 23% a mais com propaganda do que seu antecessor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva". Essa despendeu 9 bilhões no seu primeiro mandato enquanto aquele teria gasto 7,3 bilhões no segundo mandato. O falecido jornalista Paulo Henrique Amorim, titular do insuspeitíssimo blog "Conversa Afiada", em reportagem publicada em 21/03/2017, relata o seguinte:

"Na campanha presidencial de 2010, Dilma Rousseff visitou a sede de Rede Record, em São Paulo, na companhia de seu futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Diretores da Record, entre eles o diretor de Jornalismo Douglas Tavolaro, e alguns jornalistas, entre eles o ansioso blogueiro (aqui o jornalista refere-se a ele próprio), participaram de um almoço frugal.

A certa altura, alguém perguntou à candidata se, eleita, o BNDES salvaria a Globo de novo.

Ela respondeu, na lata:

- Olha aqui quem salvou a Globo! Foi ele!

E apontou para o Palocci".


Por último mas não menos importante, em 30/06/2015 a Folha de São Paulo publica reportagem com direito a chamada de primeira página, cujo título é: "TV Globo recebeu R$ 6,2 bilhões de publicidade federal com PT no Planalto".

Certamente os grandes empresários não sonham com a volta dos tucanos ao poder. Arriscaria dizer que o "sonho dourado" destes seria o retorno triunfal de Lula, ZeDirceu, Dilma et caterva ao comando do país, por razões óbvias. A figura acima ilustra bem o que foram os governos do PT para os grandes empresários. As "Campeãs Nacionais" levaram a maior parte do dinheiro do BNDES, a um custo de 7,5% e captado a 12,5% ao ano no mercado. O banco transformou-se em verdadeiro Robin Hood ao contrário.

Em 21/03/2017 o UOL Economia publica reportagem em que afirma:

"Empresas com relações com o governo têm acesso a esse mercado de juros subsidiados próximos aos 7,5% ao ano, enquanto as empresas comuns têm que buscar crédito no mercado privado com juros muito maiores. Por empresas comuns, leia-se: as micro e pequenas empresas, que são responsáveis por 84% dos empregos no país. Quase dez anos após o início da política de campeãs nacionais, os resultados são diferentes do idealizado por Lula, Luciano Coutinho e Dilma. Praticamente todas as empresas do grupo EBX pediram recuperação judicial ou foram vendidas. Eike Batista está na cadeia, acusado de corrupção. A Oi, a supertele brasileira, não conseguiu evoluir no setor e pediu recuperação judicial, assim como a LBR, outra escolhida para ser campeã na venda de laticínios." Sem considerar outras menos votadas, sabemos exatamente o que aconteceu com a BRF e JBS.

Como dizem os espanhóis, los hechos son los hechos (os fatos são os fatos), ou lembrando Dr. Ulisses Guimarães - Sua Excelência os Fatos, ou ainda, contra fatos não há argumentos. O Sr. Leandro Fortes pode escolher qualquer desses aforismos...

sábado, 4 de abril de 2020

O Estalo de Vieira

"Milhares de pessoas se reuniram em frente à casa do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. Os manifestantes chegaram por volta das 15h e a avenida Lúcio Costa, onde fica o condomínio onde ele mora, foi fechada por volta das 16h"


O povo comemorou nas ruas a vitória de Bolsonaro. Era uma catarse coletiva, o desabafo popular contra um segmento do espectro político que dezesseis anos antes assumira o poder prometendo “o combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública como objetivos centrais e permanentes do meu governo” (do discurso de Lula no Congresso Nacional, na posse do seu primeiro mandato). Ao Contrário o que se viu foi uma sucessão de escândalos, roubalheira desenfreada, desvios de dinheiro público "nunca antes vistos na história deste país".

Como prometera em campanha, o Presidente montou sua equipe de Governo praticamente sem conceder audiência aos políticos e Partidos, despejando das suas hospedarias permanentes, preeminentes políticos do cenário nacional. Quem não viu nos noticiários ao longo do tempo que a área de energia era do Sarney, a Transpetro era do Renan Calheiros, as Docas de Santos pertenciam ao Michel Temer, até mesmo ao maior adversário - Aécio Neves - o Presidente Lula entregara Furnas, para citar apenas alguns. Quem não se recorda de episódio que ficou famoso, do Presidente da Câmara Severino Cavalcante indicando apadrinhado para "a Diretoria que fura poço na Petrobrás", por ser aquela que detinha 60% do orçamento de investimentos da maior empresa nacional, cerca de 32 bilhões de dólares à época.

O povo brasileiro estava cansado dessa ecologia política e entregou suas esperanças nas mãos do novo Presidente. Até compreendeu (o povo não é bobo) quando a quase totalidade dos veículos de comunicação iniciaram uma campanha permanente contra o Governo. Afinal, Bolsonaro instalara um torniquete para estancar a hemorragia do dinheiro do país para as "redes globos" e que tais. A propósito, vale a pena revisitar meu artigo de 26 de março de 2019 - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/03/nao-por-coincidencia-os-editorias-de.html.

Com pouco mais de seis meses de Governo, começaram a vazar "desconfortos" entre o Presidente e sua equipe de Ministros, reconheça-se de primeiro nível, devidamente explorados largamente (por razões óbvias) por redes de televisão, jornais e revistas de circulação nacional. Em agosto de 2019 o Presidente desautoriza em público seu Ministro mais popular, o Ministro Sérgio Moro, e circula a notícia de que ele seria demitido. Na oportunidade escrevi: "A sociedade brasileira ainda vê no Ministro Moro (para ódio da esquerda) um paladino da justiça, o símbolo daquilo que ela mais deseja - que ninguém esteja acima da lei. Não à-toa, em todas as pesquisas de opinião o ex-Juiz Moro pontifica como o mais acreditado e confiável. Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo." (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/08/demita-o-moro-presidente.html)

Em outubro daquele mesmo ano, os órgãos de divulgação veiculam ruídos no relacionamento entre o Ministro Paulo Guedes e o Presidente, tendo este feito reuniões com profissionais da área econômica privada sem a presença do Ministro. Este o segundo mais acreditado e popular da sua equipe.

A regra repete-se. Na condução do trato desse desastre que acomete o planeta, o Ministro Mandetta tem sido de um profissionalismo que o fez admirado pela sociedade brasileira. O Presidente devia tirar proveito dessa popularidade do membro da sua equipe e creditar-se por escolher ministério tão competente. O que se vê é a repetição de episódios anteriores, já acontecidos com outros Ministros. É a desautorização pública do seu auxiliar e ameaça velada de demiti-lo. Cabe novamente a frase: "Enfraquecer o Ministro como ultimamente faz o Presidente, é enfraquecer o próprio Governo".

Reza a lenda que o escritor e magnífico orador português Padre Antônio Vieira, quando ainda estudante, tinha uma expressiva deficiência de inteligência. Sua dificuldade de clareza de entendimento e agudeza de memória traziam-lhe um extremo sofrimento. Era, no entanto, um fervoroso devoto da Virgem Maria, a quem sempre pedia "que lhe fosse concedido o saber e o entendimento que não possuía."

"Deu-se, então, que um dia, rezando para Ela e inflamado pelo desejo do saber, o jesuíta sentiu uma espécie de estalo, tão forte, que teria experimentado um tipo de agonia, como se fosse desfalecer. Mas em seguida, viu-se com o sentido desembotado, adquirindo, instantaneamente, 'clareza de entendimento, agudeza de engenho e sagacidade de memória', como afirma um de seus biógrafos, André de Barros."

Pois bem! Estou convencido de que o Presidente Bolsonaro, com ou sem a interferência da Virgem Maria, sofreu um "estalo de Vieira" ao contrário. Que estúpida mania de humilhar publicamente membros da sua equipe, comentar com grosserias públicas eventuais discordâncias de ações ministeriais (que deveriam esgotar-se em reuniões internas) e fazer ameaças infantis como se estivesse tratando com crianças ou jovens imberbes.

Assim como Jesus ressuscitou Lázaro ("Senhor, ele já cheira mal, pois já faz quatro dias"), o Presidente Bolsonaro está conseguindo a incrível proeza de ressuscitar a esquerda brasileira que jazia putrefata em um canto qualquer da história.

terça-feira, 31 de março de 2020

O pós-corona ou especulações sobre um mundo melhor




Evidentemente é prematura qualquer especulação sobre o que deverá acontecer com as nações após a vitória sobre o coronavirus, em um momento no qual o principal foco é a sobrevivência. No entanto, assim como atribui-se aos poetas a liberdade de expressão não aceitável fora da literatura (a licença poética), o ócio mandatório permite-nos a construção de cenários futuros (a licença quarentena).

Os países europeus de uma maneira geral, concluída a segunda guerra mundial, encontravam-se com suas economias absolutamente fragilizadas, considerando-se que o continente se constituiu no principal cenário daquele conflito. Alem do incalculável prejuízo de vidas humanas (estima-se em cerca de 40 milhões de mortos), a infraestrutura das nações foi quase completamente destruída pelos intermináveis bombardeios aéreos sofridos.

"No início de junho de 1947, o secretário de Estado americano, general George Marshall, realizou um discurso na Universidade de Harvard, em que ofereceu ajuda dos Estados Unidos para a recuperação da economia europeia. Marshall afirmou que a recuperação dos países europeus era do interesse econômico americano, e uma forma de garantir estabilidade e paz globais. No discurso, não delineou um plano exato, e conclamou os países europeus a proporem o formato de um programa de auxílio."

O Plano de Recuperação Europeia (Plano Marshall) foi implementado em 17 países entre os anos de 1947 e 1951, em valor equivalente a algo em torno de 130 bilhões de dólares (atualizado para março de 2020). Os principais beneficiados foram: o Reino Unido (31 bilhões de dólares), a França (26 bilhões de dólares), a Itália (14 bilhões de dólares) e a Alemanha Ocidental (14 bilhões de dólares). Mesmo após a conclusão do Plano Marshall, o governo americano continuou a oferecer grandes volumes de auxílio financeiro ao continente por décadas.

Não se espera que em nível de perdas humanas o coronavírus iguale-se à segunda guerra mundial, mas já há um certo consenso de que a economia seja tão ou mais atingida nos dias de hoje, comparada ao período daquele triste episódio da história humana recente. A partir dessa constatação, não seria absurdo especular-se sobre uma versão moderna do Plano Marshall. Poderia ter como órgão coordenador a Organização das Nações Unidas (ONU) e principais financiadores os Estados Unidos e a China. O primeiro por ser a economia mais pujante do planeta e por isso mesmo com interesse direto em recuperar a movimentação de produtos e serviços entre as nações. A China, por ser a segunda maior economia entre todos os países, mas mais que isso por ter sido seu território o berço do vírus que atormenta a humanidade.

Contrariando algumas teorias da conspiração, estudo realizado por cientistas dos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália e publicado no dia 17 de março último pela revista Nature Medicine, o novo coronavírus foi originado através de seleção natural, e não em laboratório. De qualquer modo, "o prefeito da cidade de Wuhan, epicentro da epidemia do coronavírus na China, assumiu parte da responsabilidade pela propagação da doença, e ofereceu sua renúncia. Em entrevista à televisão estatal chinesa, Zhou Xianwang afirmou que a resposta de sua administração ao surto 'não foi boa o suficiente'. O prefeito também admitiu que a divulgação de informações pelas autoridades da cidade foi 'insatisfatória'. Zhou ainda confirmou que pelo menos 5 milhões de pessoas deixaram a cidade antes de o governo decretar o isolamento, o que pode ter contribuído para a disseminação do vírus pelo país."

Por enquanto umas poucas vozes em nível mundial levantam-se para acusar a China de ter "desencadeado essa praga no mundo inteiro por sua desonestidade e sua falta de transparência e corrupção", como afirmou o Senador Republicano Tom Cotton em entrevista à Fox News. A própria alta liderança chinesa admite "deficiências" na resposta do país ao surto mortal do coronavírus. "A rara admissão veio do Comitê Permanente do Politburo, que pedia uma melhoria no sistema de gerenciamento de emergências da China" conforme veiculado pela rede de comunicação inglesa BBC.

Independente do que acontecerá, estou absolutamente convencido de que a superação desse desastre planetário descortinará um mundo melhor. Assim como o surgimento da AIDS mudou o comportamento sexual entre as pessoas incorporando o uso de preservativo, o lavar as mãos com frequência usando água e sabão, tornar-se-á um hábito consagrado. A consolidação do trabalho a partir de casa, um sistema de saúde mais estável e igual para todos e outras consequências poderão emergir desse "mundo melhor" que desejamos.

sábado, 28 de março de 2020

Quando o cientista fala!!




http://www.leparisien.fr/societe/didier-raoult-pour-traiter-le-covid-19-tout-le-monde-utilisera-la-chloroquine-22-03-2020-8285511.php?fbclid=IwAR1_NBt41tMawELbBaLV04Gby-iesa2u_G9HdVwMHWzaQgqYZ3TNMERc-8s

Prof. Didier Raoult no jornal LE PARISIEN. 22 de março de 2020:

LE PARISIEN: O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?

DIDIER RAOULT. Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.

LE PARISIEN: O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?

DIDIER RAOULT. Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, não pássaros de programa de TV.

LE PARISIEN: Como você começou a trabalhar com cloroquina e concluiu que poderia ser eficaz no tratamento de coronavírus?

DIDIER RAOULT. O problema neste país é que as pessoas que falam são de total ignorância. Eu fiz um estudo científico sobre cloroquina e os viruses, treze anos atrás, que foi publicado. Desde então, outros quatro estudos de outros autores mostraram que o coronavírus é sensível à cloroquina. Tudo isso não é novo. É sufocante que o círculo de tomadores de decisão nem sequer seja informado sobre o estado da ciência. Sabíamos da eficácia potencial da cloroquina em modelos de cultura viral. Sabíamos que era um antiviral eficaz. Decidimos em nossas experiências adicionar um tratamento com azitromicina (um antibiótico contra pneumonia bacteriana, nota do editor) para evitar infecções secundárias por bactérias. Os resultados foram espetaculares em pacientes com Covid-19 quando a azitromicina foi adicionada à hidroxicloroquina.

LE PARISIEN: O que você espera de ensaios em larga escala em torno da cloroquina?

DIDIER RAOULT. Nada mesmo. Com minha equipe, acreditamos ter encontrado uma cura. E em termos de ética médica, acredito que não tenho o direito como médico de não usar o único tratamento que até agora se mostrou bem-sucedido. Estou convencido de que, no final, todos usarão esse tratamento. É apenas uma questão de tempo até que as pessoas concordem em reconhecer que erraram e dizer: essa é a coisa a fazer.

LE PARISIEN: De que forma e por quanto tempo você administra cloroquina a seus pacientes?

DIDIER RAOULT. A hidroxicloroquina é administrada na dose de 600 mg por dia, durante dez dias (na forma de Plaquenil, o nome do medicamento na França, nota do editor) na forma de comprimidos administrados três vezes ao dia. E 250 mg de azitromicina duas vezes no primeiro dia e depois uma vez ao dia por cinco dias.

LE PARISIEN: É um tratamento que pode ser tomado para prevenir a doença?

DIDIER RAOULT. Nós não sabemos.

LE PARISIEN: Quando você administra, quanto tempo leva para um paciente do Covid-19 se recuperar?

DIDIER RAOULT. O que sabemos no momento é que o vírus desaparece após seis dias.

LE PARISIEN: Você entende, no entanto, que alguns de seus colegas pedem cautela com este tratamento?

DIDIER RAOULT. As pessoas dão sua opinião sobre tudo, mas só falo do que sei: afinal, não fico por aí dando minha opinião sobre a composição da seleção francesa! Todo mundo tem seu próprio trabalho. Hoje, a comunicação científica neste país é semelhante à conversa de botequim.

LE PARISIEN: Mas não existem regras de prudência a serem respeitadas antes de administrar um novo tratamento?

DIDIER RAOULT. Para aqueles que dizem que precisamos de trinta estudos multicêntricos e mil pacientes incluídos, respondo que, se aplicássemos as regras dos atuais metodologistas, teríamos que refazer um estudo sobre o interesse do paraquedas. Pegue 100 pessoas, metade com pára-quedas e a outra sem e conte os mortos no final para ver o que é mais eficaz. Quando você tem um tratamento que funciona contra zero outro tratamento disponível, esse tratamento deve se tornar a referência. E é minha liberdade prescrever como médico. Não precisamos obedecer às ordens do governo para tratar os doentes. As recomendações da Alta Commissao da Saude são uma indicação, mas não nos obrigam. Desde Hipócrates, o médico faz o melhor que pode, no estado de seu conhecimento e no estado da ciência.

LE PARISIEN: E quanto aos riscos de graves efeitos indesejáveis relacionados ao uso de cloroquina, especialmente em altas doses?

DIDIER RAOULT. Ao contrário do que algumas pessoas dizem na televisão, a nivaquina (o nome de uma das drogas projetadas à base de cloroquina, nota do editor) é bastante menos tóxica que o doliprano ou a aspirina ingerida em altas doses. Em qualquer caso, um medicamento não deve ser tomado de ânimo leve e sempre deve ser prescrito por um clínico geral.

LE PARISIEN: Você está ciente da imensa esperança de cura para os pacientes?

DIDIER RAOULT. Vejo acima de tudo que existem médicos que me escrevem diariamente em todo o mundo para descobrir como tratamos doenças com hidroxicloroquina. Recebi telefonemas do Hospital Geral de Massachusetts e da Clínica Mayo em Londres. Os dois maiores especialistas do mundo, um em doenças infecciosas e outro em tratamentos com antibióticos, entraram em contato comigo pedindo detalhes sobre como configurar esse tratamento. E até Donald Trump twittou sobre os resultados de nossos testes. É apenas neste país que não está claro quem eu sou! Não é porque aqui em Marselha não vivemos dentro do anel viário de Paris que não fazemos ciência. Este país se tornou Versalhes no século XVIII!

LE PARISIEN: O que você quer dizer com isso?

DIDIER RAOULT. Estamos fazendo perguntas franco-francesas e até parisiano-parisienses. Mas Paris está completamente fora de sintonia com o resto do mundo. Tomemos o exemplo da Coréia do Sul e da China, onde não há mais casos novos. Nesses dois países, eles decidiram há muito tempo realizar testes em larga escala para poder diagnosticar pacientes infectados mais cedo. Esse é o princípio básico do gerenciamento de doenças infecciosas. Mas chegamos a um nível de loucura tal que os médicos que aparecem na TV não aconselham mais diagnosticar a doença, mas dizem às pessoas para ficarem confinadas em suas casas. Isto não é Medicina.

LE PARISIEN: Você acha que confinar a população não será eficaz?

DIDIER RAOULT. Nunca antes isso foi feito nos tempos modernos. Estávamos fazendo isso no século 19 para a cólera em Marselha. A idéia de limitar as pessoas para bloquear doenças infecciosas nunca foi comprovada. Nem sabemos se funciona. É improvisação social e não medimos seus efeitos colaterais. O que acontecerá quando as pessoas ficarem trancadas, a portas fechadas, por 30 ou 40 dias? Na China, há relatos de suicídios por medo do coronavírus. Alguns vão lutar entre si.

LE PARISIEN: Deveríamos, como exige a Organização Mundial da Saúde, generalizar os testes na França?

DIDIER RAOULT. Vamos ter a coragem de dizê-lo: a gambiarra ao estilo francês, não funciona. A França faz apenas 5.000 testes por dia, quando a Alemanha realiza 160.000 por semana! Existe um tipo de discordancia. Nas doenças infecciosas, diagnosticamos pessoas e, uma vez obtido o resultado, as tratamos. Especialmente porque estamos começando a ver pessoas portadoras do vírus, aparentemente sem sinais clínicos, mas que, em um número não desprezível de casos, já têm lesões pulmonares visíveis no scanner mostrando que estão doentes. Se essas pessoas não forem tratadas a tempo, existe um risco razoável de se encontrarem depois em terapia intensiva, onde será muito difícil salva-las. Testar pessoas apenas quando já estão gravemente doentes é, portanto, uma maneira extremamente artificial de aumentar a mortalidade.

LE PARISIEN: E devemos generalizar o uso de máscaras?

DIDIER RAOULT. É difícil de avaliar. Sabemos que eles são importantes para o pessoal da saúde, porque são as poucas pessoas que realmente têm um relacionamento muito próximo com os pacientes quando os examinam, às vezes a 20 cm do rosto. Não está claro até que ponto os vírus voam. Mas dificilmente mais que um metro. Portanto, além dessa distância, pode não fazer muito sentido usar uma máscara. De qualquer forma, é nos hospitais que essas máscaras devem ser enviadas como prioridade para proteger os cuidadores. Na Itália e na China, uma parte extremamente grande dos pacientes acabou sendo pessoal de saúde.

Recebi a matéria por um grupo de whatsapp. Depois de checar a veracidade, estou publicando para conhecimento do número máximo de pessoas. Agradeço penhorado ao anônimo que fez a tradução da entrevista dada ao veículo de comunicação francês LE PARISIEN.

terça-feira, 24 de março de 2020

A cura para o CoronaVirus?




(POR FAVOR, DIVULGUEM ISSO)

23 de março de 2020

Para todos os profissionais médicos do mundo:

Meu nome é Dr. Zev Zelenko e pratico medicina em Monroe, NY. Nos últimos 16 anos, cuidei de aproximadamente 75% da população adulta de Kiryas Joel, uma comunidade muito unida de aproximadamente 35.000 pessoas em que a infecção se espalhou rapidamente e sem controle antes da imposição de distanciamento social.

Até hoje, minha equipe testou aproximadamente 200 pessoas dessa comunidade para o Covid-19, e 65% dos resultados foram positivos. Se extrapolado para toda a comunidade, isso significa que mais de 20.000 pessoas estão infectadas no momento. Desse grupo, estimo que haja 1500 pacientes que estão na categoria de alto risco (ou seja,> 60, imunocomprometidos, comorbidades etc.).

Dada a urgência da situação, desenvolvi o seguinte protocolo de tratamento no ambiente pré-hospitalar e só obtive resultados positivos:

1. Qualquer paciente com falta de ar, independentemente da idade, é tratado.

2. Qualquer paciente da categoria de alto risco, mesmo com sintomas leves, é tratado.

3. Pacientes jovens, saudáveis ​​e de baixo risco, mesmo com sintomas, não são tratados (a menos que suas circunstâncias mudem e se enquadram na categoria 1 ou 2).

Meu regime de tratamento ambulatorial é o seguinte:

1. Hidroxicloroquina 200mg duas vezes ao dia por 5 dias

2. Azitromicina 500 mg uma vez ao dia por 5 dias

3. Sulfato de zinco 220mg uma vez ao dia por 5 dias

A lógica do meu plano de tratamento é a seguinte. Combinei os dados disponíveis na China e na Coréia do Sul com o estudo recente publicado na França (sites disponíveis mediante solicitação). Sabemos que a hidroxicloroquina ajuda o zinco a entrar na célula. Sabemos que o zinco retarda a replicação viral dentro da célula. Quanto ao uso da azitromicina, eu postulo que evita infecções bacterianas secundárias. Esses três medicamentos são bem conhecidos e geralmente bem tolerados, portanto, o risco para o paciente é baixo.

Desde quinta-feira passada, minha equipe tratou aproximadamente 350 pacientes em Kiryas Joel e outros 150 pacientes em outras áreas de Nova York com o regime acima.

Desse grupo e das informações fornecidas a mim pelas equipes médicas afiliadas, tivemos ZERO mortes, ZERO hospitalizações e ZERO intubações. Além disso, não ouvi nenhum efeito colateral negativo além de aproximadamente 10% dos pacientes com náusea e diarréia temporárias.

Em suma, minha recomendação urgente é iniciar o tratamento ambulatorial o mais rápido possível, de acordo com o acima exposto. Com base na minha experiência direta, evita a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), evita a necessidade de hospitalização e salva vidas.

Com muito respeito,

Dr. Zev Zelenko

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(Original em inglês)

March 23, 2020

To all medical professionals around the world:

My name is Dr. Zev Zelenko and I practice medicine in Monroe, NY. For the last 16 years, I have cared for approximately 75% of the adult population of Kiryas Joel, which is a very close knit community of approximately 35,000 people in which the infection spread rapidly and unchecked prior to the imposition of social distancing.

As of today my team has tested approximately 200 people from this community for Covid-19, and 65% of the results have been positive. If extrapolated to the entire community, that means more than 20,000 people are infected at the present time. Of this group, I estimate that there are 1500 patients who are in the high-risk category (i.e. >60, immunocompromised, comorbidities, etc).

Given the urgency of the situation, I developed the following treatment protocol in the pre-hospital setting and have seen only positive results:

1. Any patient with shortness of breath regardless of age is treated.

2. Any patient in the high-risk category even with just mild symptoms is treated.

3. Young, healthy and low risk patients even with symptoms are not treated (unless their circumstances change and they fall into category 1 or 2).

My out-patient treatment regimen is as follows:

1. Hydroxychloroquine 200mg twice a day for 5 days

2. Azithromycin 500mg once a day for 5 days

3. Zinc sulfate 220mg once a day for 5 days

The rationale for my treatment plan is as follows. I combined the data available from China and South Korea with the recent study published from France (sites available on request). We know that hydroxychloroquine helps Zinc enter the cell. We know that Zinc slows viral replication within the cell. Regarding the use of azithromycin, I postulate it prevents secondary bacterial infections. These three drugs are well known and usually well tolerated, hence the risk to the patient is low.

Since last Thursday, my team has treated approximately 350 patients in Kiryas Joel and another 150 patients in other areas of New York with the above regimen.

Of this group and the information provided to me by affiated medical teams, we have had ZERO deaths, ZERO hospitalizations, and ZERO intubations. In addition, I have not heard of any negative side effects other than approximately 10% of patients with temporary nausea and diarrhea.

In sum, my urgent recommendation is to initiate treatment in the outpatient setting as soon as possible in accordance with the above. Based on my direct experience, it prevents acute respiratory distress syndrome (ARDS), prevents the need for hospitalization and saves lives.

With much respect,

Dr. Zev Zelenko

sexta-feira, 6 de março de 2020

O processo afunila




Mais um pré-candidato Democrata desiste de pleitear a indicação pelo Partido nesta quinta-feira - 05/03. Dessa vez foi a Senadora Elizabeth Warren. Antes do início do processo de escolha, Sua Excelência figurava entre os favoritos.

Até o momento a Senadora Warren não declarou apoio a nenhum dos candidatos remanescentes. Na primeira declaração após o anúncio da desistência, a Senadora por Massachusetts afirmou: ""Eu preciso de um espaço em torno disso e quero levar um pouco de tempo para pensar um pouco mais".

Imagino o drama que deve estar vivendo a política Democrata. Se for escolher um candidato a ser apoiado por ela considerando sua própria plataforma de campanha, certamente se aliará ao "socialista democrata" Bernie Sanders. Seus programas são muito assemelhados. Por outro lado se for ouvir a voz das ruas, o eleitorado Democrata do seu Estado e que a elegeu para o Senado, deverá apoiar o candidato moderado Joe Biden. Ali o ex-Vice Presidente teve uma vitória expressiva com quase 34% dos votos.

Finalmente, a exemplo de 2016 (Hillary Clinton X Bernie Sanders), a disputa afunila-se para limitar-se à escolha entre Joe Biden e Bernie Sanders. Apesar de avaliar que a sociedade americana ainda não está preparada para um Presidente socialista, imagino que o Partido Democrata escolherá aquele que tenha a maior possibilidade de vencer o Presidente Trump.

God bless América!

quarta-feira, 4 de março de 2020

Uma surpresa e duas decepções




A Super Terça-Feira na corrida Democrata às Primárias americanas revelou situações absolutamente inusitadas. À véspera do início da tomada de votos nos 14 Estados em questão, foram anunciadas as desistências da Senadora Amy Klobuchar e surpreendentemente do ex-Prefeito de South Bend, Pete Buttigieg (veja mensagem em https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2020/03/a-desistencia-de-pete.html). Este último constituindo-se como a grande novidade da política nos Estados Unidos.

A grande surpresa da Super Terça foi a expressiva vitória do ex-Vice Presidente Joe Biden, cuja candidatura "respirava por aparelhos" após o pífio desempenho nas primeiras apurações. Dois episódios, avalio, restauraram a competitividade de Biden: uma vitória por ampla margem nas Primárias da Carolina do Sul no último sábado (48,4% dos votos) e a desistência de dois candidatos da ala moderada do Partido Democrata (Pete Buttigieg e Amy Klobuchar) que declararam apoio à candidatura Biden.

Decepções também marcaram a Super Terça. O ridículo desempenho do ex-Prefeito de Nova Iorque, o milionário Michael Rubens Bloomberg, que investira mais de 500 milhões de dólares focado nos 14 Estados a serem avaliados nesta terça-feira, conseguiu apenas algo em torno de 7% dos votos. A Senadora Elizabeth Warren, considerada uma candidata competitiva no seio Democrata, perdeu no seu próprio Estado-berço (Massachusetts) ficando em um humilhante terceiro lugar.

Os resultados do momento indicam que as Primárias Democratas afunilam para uma disputa entre o moderado Joe Biden e o autointitulado "socialista democrata" Bernie Sanders. Devo fazer um mea-culpa na medida em que acreditava que o Senador Sanders seria o terceiro (ou eventualmente o quarto) colocado nessa disputa, perdendo para Biden, Warren e Bloomberg. Subestimei o efeito Trump sobre o eleitorado Democrata, algo parecido com o que aconteceu no Brasil. Aqui, os eleitores escolheram um candidato de extrema direita para neutralizar o período de gestão de Partidos de esquerda. Nos Estados Unidos, a reação ao Governo Trump fez com que a candidatura do esquerdista Bernie Sanders ganhasse um grande impulso. Apesar disso, ainda acredito na escolha do moderado ex-Vice Presidente Joe Biden como candidato do Partido Democrata. Não creio que a sociedade americana esteja preparada para um presidente socialista.

A desistência de Pete




Good evening,

I joined this race in the belief that becoming the Democratic nominee was the best way for me to ensure that we defeat Donald Trump and usher in a new kind of politics defined by bringing people together.

At this point in the race, the best way to keep faith with those goals and with the ideals our campaign has been built around is to step aside and help bring our party and our country together. So tonight I am making the difficult decision to suspend my campaign for the presidency.

I will no longer seek to be the 2020 Democratic nominee for president. But I’m going to do everything in my power to ensure that we have a Democratic president come January.

I cannot express how grateful I am for you, Dana. How grateful I am for every supporter, every volunteer, and every staffer who believed in what we were building.

So many of you dug deep to fuel this campaign, joining nearly a million grassroots donors so that this message of hope and belonging could reach every corner of this country.

Online, in person, with family and friends and complete strangers, you shared your personal stories, and you made the life of this campaign part of your own.

What you did -- and the way you did it -- let us show, not just tell, the kind of campaign we could be and the kind of country we will build. You made me proud every day.

In a field in which some two dozen Democratic candidates ran for president -- billionaires, sitting senators, and governors, a former vice president -- we achieved a top-four finish in each of the first four states to hold early contests and made history winning those Iowa caucuses.

That we made it here at all is proof that Americans are hungry for a new kind of politics, rooted in the values we share.

In a moment of deep division, we saw a rising American majority of Democrats, joined by Independents, and, yes, some of those future former Republicans, choose a politics defined not by who we push out, but by how many we call in; not by who we exclude, but by how we help people belong.

With every passing day, I am more and more convinced that the only way we will defeat Trump and Trumpism is with that politics that gathers people together.

And I urge everyone who supported me or ever even considered it, to be prepared to do everything we can to support the eventual nominee -- and the absolutely critical down-ballot races playing out across the country. There is simply too much at stake to retreat to the sidelines.

I know many will be disappointed that this campaign will not go on. I know it’s easy to get frustrated with politics, especially at this moment.

But this is the moment of all moments to insist that we make our politics what it could be. As I’ve said before -- at its best, politics can be magnificent. Because it’s not just about policy, it is soulcraft. And it is moral.

And we don’t have to win the nomination to be part of that. I don’t have to become the president in order to support that. We don’t have to win Super Tuesday for my campaign to do our part to win the era for our values.

And we walk on in the knowledge that better leadership is possible. That if we reach for it, if we work for it, if we hold that hope in our hearts and fire in our bellies, then one day we will stand in the future we create, a future where every American is empowered and everyone belongs. Thank you. Pete

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Boa noite,

Eu entrei nessa corrida na crença de que me tornar o candidato democrata era a melhor maneira de garantir que derrotássemos Donald Trump e inaugurássemos um novo tipo de política definida por reunir as pessoas.

Neste ponto da corrida, a melhor maneira de manter a fé nesses objetivos e nos ideais em que nossa campanha foi construída é se afastar e ajudar a unir nosso partido e nosso país. Então, hoje à noite, estou tomando a difícil decisão de suspender minha campanha pela presidência.

Não procurarei mais ser o candidato democrata para presidente em 2020. Mas farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que tenhamos um presidente democrata em janeiro.

Não posso expressar o quanto sou grato por você. Quão grato sou por todo torcedor, voluntário e funcionário que acreditou no que estávamos construindo.

Muitos de vocês se aprofundaram para alimentar esta campanha, juntando quase um milhão de doadores de base para que essa mensagem de esperança e pertença pudesse chegar a todos os cantos do país.

On-line, pessoalmente, com familiares, amigos e completos estranhos, você compartilhou suas histórias pessoais e transformou a vida desta campanha em sua própria.

O que você fez - e do jeito que você fez - vamos mostrar, não apenas contar, o tipo de campanha que poderíamos ser e o tipo de país que construiremos. Você me deixou orgulhoso todos os dias.

Em um campo no qual cerca de duas dúzias de candidatos democratas concorreram à presidência - bilionários, senadores em exercício e governadores, ex-vice-presidente -, alcançamos a quarta colocação em cada um dos quatro primeiros estados a realizar concursos iniciais e fazer história ganhando aqueles caucuses de Iowa.

O fato de termos chegado aqui é a prova de que os americanos estão famintos por um novo tipo de política, enraizado nos valores que compartilhamos.

Em um momento de profunda divisão, vimos uma crescente maioria americana de democratas, acompanhados por independentes, e, sim, alguns desses futuros ex-republicanos, escolher uma política definida não por quem defendemos, mas por quantos chamamos; não por quem excluímos, mas por como ajudamos as pessoas a pertencerem.

A cada dia que passa, estou cada vez mais convencido de que a única maneira de derrotar o Trump e o Trumpismo é com essa política que reúne pessoas.

E peço a todos que me apoiaram ou que já o consideraram, que estejam preparados para fazer tudo o que pudermos para apoiar o candidato final - e as corridas absolutamente críticas que estão acontecendo em todo o país. Simplesmente há muito em jogo para recuar à margem.

Sei que muitos ficarão desapontados por esta campanha não continuar. Eu sei que é fácil ficar frustrado com a política, especialmente neste momento.

Mas este é o momento de todos os momentos para insistir que fazemos da nossa política o que poderia ser. Como eu disse antes - no melhor dos casos, a política pode ser magnífica. Porque não se trata apenas de política, é de ofício da alma. E é moral.

E não precisamos vencer a indicação para fazer parte disso. Não preciso me tornar presidente para apoiar isso. Não precisamos vencer a Super Terça-feira para que minha campanha faça nossa parte para vencer a era por nossos valores.

E continuamos com o conhecimento de que é possível uma melhor liderança. Que se a alcançarmos, se trabalharmos para ela, se tivermos essa esperança em nossos corações e dispararmos em nossas voracidades, um dia estaremos no futuro que criamos, um futuro em que todo americano tem poder e todos pertencem. Obrigado.

Pete

segunda-feira, 2 de março de 2020

2022 já chegou!




O eterno candidato Ciro Gomes fez de Bolsonaro seu alvo preferencial. Não perde nenhuma oportunidade de tentar desconstruir a imagem do Presidente, sempre de forma virulenta como é do seu perfil. Por que essa nova estratégia de Ciro?

É impossível chegar à Presidência da República sem que se vá ao Segundo Turno. O sistema eleitoral brasileiro de dois turnos pressupõe que desde que nenhum candidato atinja a marca de cinquenta por cento mais um dos votos válidos, haverá uma segunda eleição disputada entre os dois candidatos mais votados no Primeiro Turno.

Ciro Gomes revoluteou durante quase trinta anos no entorno do "lulopetismo", na vã esperança de ser ungido candidato por aquele grupo. Sofreu momentos mesmo de humilhação (veja o episódio de sua mudança de domicílio eleitoral para São Paulo) mas como político experimentado, engoliu todos os sapos (mesmo os barbudos - a benção Brizola!) até o dia em que a desesperança venceu a ambição.

Você que está lendo, a torcida do Flamengo e eu, sabemos que a esquerda sempre botará um candidato no Segundo Turno. Registre-se que o desconhecido (em nível Brasil) e pior Prefeito de São Paulo, Sr. Fernando Haddad, tirou 29% dos votos no Primeiro Turno da eleição de 2018.

É possível que a estratégia de Ciro seja desconstruir a imagem de Bolsonaro (transformando-o numa Dilma ou Temer) para ocupar a segunda vaga no Segundo Turno. Atacando Bolsonaro, ainda "corre o risco" de herdar alguns votinhos da esquerda, insatisfeita com o PT.

Não sei se isso é de caso pensado e sequer se vai funcionar, mas faz todo sentido!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Um Baitola na Casa Branca?




O título deste artigo pode eventualmente chocar algumas pessoas, mas não devia. Após a vitória de Barack Obama em novembro de 2008, o Jornal Daily Mirror estampou que ele seria "O primeiro Presidente negro dos Estados Unidos" (tradução livre). Em outubro de 2010 o Jornal Correio do Povo trás em sua primeira página a manchete "Mulher no poder" e a revista Época em sua capa a foto da "Presidenta" Dilma e a chamada "Sim, a mulher pode". É bem verdade que o título poderia ser mais polido, como "Um homossexual no Salão Oval", ou algo assim, semelhante aos comentários "Presidente Negro" ou "Mulher no Poder". Acontece que em "cearencês" castiço, baitolas e homossexuais são sinônimos. Sem ofensa.

Isto dito, vamos ao que importa. O candidato a candidato a Presidente dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Pete Buttigieg, cuja única experiência política anterior é ter sido Prefeito de uma cidade com 102 mil habitantes, South Bend - Indiana (algo como Iguatu, no Ceará) é homossexual assumido, casado com o professor de "high school", Chasten Glezman. Até o inicio do processo de escolha do candidato, Pete era um mero desconhecido com o nome perdido entre as mais de duas dezenas de políticos Democratas que haviam instalado comitês exploratórios para participar das primárias.

O Caucus de Iowa, primeiro Estado a ser avaliado no sistema de Primárias e para surpresa de muitos, traz em primeira preferência este jovem de sobrenome difícil e desconhecido. Acendeu uma luz amarela nos diversos candidatos, principalmente para aqueles que eram considerados favoritos. No debate que antecedeu à Primária de New Hampshire (primeira Primária e segundo Estado a ser avaliado), Pete Buttigieg foi alvo de ataques diretos, principalmente do ex-Vice Presidente Biden e do Senador Sanders, numa tentativa de desconstruir o candidato e interromper seu favorável "momentum".

Concluído o processo de votação da Primária de New Hampshire e feita a contagem dos votos, classifica-se em primeiro o Senador Bernie Sanders para surpresa de ninguém, uma vez que já em 2016 ele provara sua forte presença no Estado ao vencer a favorita Hillary Clinton por 60,1% a 37,7%. O que é absolutamente explicável considerando-se que o Senador representa o Estado de Vermont, fronteiriço com New Hampshire, região sob influência da atividade política de Bernie Sanders. O que surpreende é a presença em segundo do candidato Pete Buttigieg ("mordendo o calcanhar" de Sanders e com o mesmo número de delegados), ultrapassando todos os outros favoritos e consolidando-se como um candidato a ser acompanhado durante esse processo de escolha do Democrata.

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Atualizado em 12/02/2020 às 8:07h (Do website www.oantagonista.com)

Sanders vence (e perde)

Bernie Sanders venceu as primárias de New Hampshire.

Em 2016, ele derrotou Hillary Clinton com um total de 152 mil votos, ou 60% do eleitorado. Agora ele obteve apenas 73 mil votos e derrotou Pete Buttigieg por uma margem mínima: 25,9% a 24,4% (com 97% das urnas apuradas).

Em quatro anos, Bernie Sanders perdeu metade de seus votos, apesar de sua barulhenta rede de milicianos digitais.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Surpresa na corrida presidencial americana


"A caucus is a meeting of supporters or members of a specific political party or movement."

O centrista Pete Buttigieg (26,2% da preferência eleitoral) é o virtual vencedor do Caucus em Iowa, primeiro passo para a escolha do candidato Democrata à eleição presidencial americana em novembro de 2020. Quem é Pete Buttigieg? Até Iowa o nome dele encontrava-se perdido entre as mais de duas dezenas de pré-candidatos Democratas.

Na primeira apuração efetiva de um Estado, Iowa abriu as entranhas da divisão dentro do Partido Democrata. Os Democratas são muito divididos sobre o que exatamente os está dividindo. Uma óbvia divisão é a demográfica. O até então preferido Joe Biden aposta todas as suas fichas nos votos dos afroamericanos, eleitores com mais de 44 anos e pessoas sem curso superior, enquanto seus mais próximos concorrentes, os Senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders(este mais do que aquela), disputam os votos de americanos brancos, com formação superior e especialmente os eleitores mais jovens. Outra divisão é a ideológica. O Partido, enquanto crescentemente liberal, continua sob o comando dos que se intitulam moderados. Os Democratas concordam amplamente em muitas questões, mas também existem divisões concretas em tudo, desde o sistema de saúde até a imigração.

Concluído o processo no Estado de Iowa,surge a grande surpresa. Aparece à frente da preferência do eleitorado democrata o nome de Pete Buttigieg, cuja experiência política anterior é ter sido prefeito de uma cidade de 100.000 habitantes (South Bend) no Estado de Indiana. É culturalmente bem dotado, uma vez que graduou-se na Harvard University (História e Literatura) e na Oxford University como Bacharel em Artes com o foco em Filosofia, Política e Economia. Poliglota, além do Inglês seu idioma nativo, fala Francês, Maltês, Espanhol e Italiano. Cumpriu serviço militar, tendo inclusive estado durante sete meses no Afganistão.

No que respeita à sua vida pessoal, é filho de um migrante da ilha de Malta, Professor de Literatura na Universidade de Notre Dame em South Bend e de mãe de família tradicional de Indiana. Pete Buttigieg quando prefeito, em entrevista ao South Bend Tribune em 2015, confessou sua homosexualidade. Dois anos depois ficou noivo do professor de segundo grau Chasten Glezman, com quem contraiu matrimônio em junho de 2018. Trata-se pois do primeiro político Democrata assumidamente homossexual, disputando a Presidência dos Estados Unidos.

É uma novidade nas primárias Democratas. Jovem, homossexual, culturalmente favorecido, boa presença de palco, venceu seu primeiro teste rumo à consagração como candidato do Partido. Mas a estrada é longa. 49 outras provas com concorrentes tão fortes como o ex-Vice Presidente Joe Binden, os Senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren e o ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg. Mesmo que consiga a improvável indicação para disputar com o Presidente Trump, como reagirá a tão conservadora sociedade americana? Só o tempo dirá!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Uma nação dividida




O Artigo II, Seção 3 da Constituição dos Estados Unidos determina ao Presidente "periodicamente fornecer ao Congresso Informações do Estado da União e recomendar à sua consideração as medidas que ele julgar necessárias e convenientes". Isso é chamado de "State of the Union". Anualmente o Presidente dirige-se ao Congresso e diante de Senadores e Deputados faz uma prestação de contas do desempenho do Governo no ano anterior e sinaliza para as ações a serem implementadas no ano que se inicia.

Em 18 de dezembro de 2019 a Câmara Federal (House of Representatives) aprovou o envio ao Senado de uma indicação para o impeachment do Presidente Trump, baseado em dois artigos: Abuso de Poder e Obstrução ao Congresso. Depois de uma série de escaramuças, próprias de casas legislativas, o Senado marcou a votação que determinaria o afastamento do Presidente para o dia 5 de fevereiro.

Em 4 de fevereiro, portanto um dia antes da votação no Senado, o Presidente Trump dirigiu-se ao Congresso para fazer o seu discurso do Estado da União. Ali seria recebido pelo Vice-Presidente Mike Pence (pela legislação americana, o vice-presidente é também o Presidente do Senado) e pela Presidente da Câmara (Speaker of the House Representative), sua arquiadversária Nancy Pelosi. A estes deveria entregar cópia do seu pronunciamento e então ter sua palavra anunciada por Nancy Pelosi. Duas imagens traduzem com fidelidade a tensão existente nesse majestoso e histórico evento: após receber a cópia do discurso pelo Trump, Nancy Pelosi estendeu-lhe a mão sendo solenemente ignorada por ele. A resposta veio no momento em que o Presidente concluiu o pronunciamento: a Presidente da Câmara ostensivamente rasgou a cópia do discurso presidencial, gesto acompanhado em tempo real por toda a mídia presente.

O Presidente Trump encontra-se em plena campanha para a reeleição e nenhum momento mais apropriado para, em nível nacional e com cobertura em tempo real de toda a mídia do país, fazer a apologia do seu primeiro termo. E ele o fez muito bem! Ali não tinha apartes, objeções a serem refutadas. Ao contrário, havia uma grande platéia de Senadores e Deputados republicanos dispostos a aplaudi-lo e sua experiência como ex-apresentador de televisão. A tempestade perfeita para os Democratas.

No dia seguinte o Senado, de maioria Republicana, fez o seu esperado trabalho: enterrou de vez as duas acusações contra o Presidente do seu partido. A 59ª eleição para Presidente em novembro próximo, encontrará o país cada vez mais fragmentado. Como escreví em agosto de 2019 ( God bless America - https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2019/08/god-bless-america.html ) - "Ouvi de um amigo, 'baby boomer' americano (geração Woodstock), que desde a década de 1960 não havia visto a sociedade americana tão dividida. Naquela década, foram assassinados o Presidente John Kennedy, seu irmão e Senador Robert Kennedy, o líder religioso e maior expressão contra o apartheid Marthin Luther King Jr, entre outros. Era o auge da Guerra do Vietnam, o maior desastre bélico dos Estados Unidos e que encontrava enorme resistência do seu povo, principalmente dos jovens." - a impressão que tenho é que a divisão social aprofunda-se dia a dia. Esse cenário lembra algum outro país?

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

O que fazer com Moro?




Recentemente, pesquisa da CNT (Confederação Nacional dos Transportes) encomendada ao instituto MDA, identificou aumento de aprovação do Presidente Bolsonaro. Entre os entrevistados, 30,1% consideram que a área com melhor desempenho do governo é o combate à corrupção, seguido por economia, 22,1% e segurança 22%. Moro, Paulo Guedes, Moro.

O Ministro Moro tem sido sistemática e teimosamente avaliado como o mais popular Ministro do Governo e aquele que tem mais credibilidade. "In Moro we trust", dizem muitos.

Sergio Moro termina o ano à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública com várias vitórias na área do combate à criminalidade, apesar dos reveses no âmbito do Congresso Nacional. O próprio presidente Jair Bolsonaro muito contribuiu ao longo do ano para os grupos com interesse no desgaste do Ministro. Mais recentemente foi protagonista de dois episódios que contrariam frontalmente a posição do ex-Juiz: a manutenção do juiz de garantias no pacote anticrime e a abortada tentativa de desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Apesar de tudo, superou não sem algum desgaste a crise gerada pela série de reportagens publicada pelo site “The Intercept Brasil”. Termina o ano como o ministro mais bem avaliado do governo, com 53% de aprovação - segundo dados divulgados em dezembro pelo Datafolha.

Essa ecologia autoriza aos analistas políticos, principalmente aos interessados em criar uma cizânia no coração do Governo, a especular sobre uma eventual candidatura do Ministro em 2022. Como diz o próprio, seu candidato a Presidente é Jair Bolsonaro ("já afirmei isto mil vezes, só falta tatuar na testa") e não tem nenhuma intenção em ser candidato. Mas o que fala hoje um político (sim, Moro vive em Brasilia um intenso período de aprendizagem política) pode não servir para amanhã. Não seria a primeira vez em que o despertar da cobiça pelo poder - a famosa lenda da mosca azul, "uma antiga história oriental, na qual um servo foi picado pelo inseto e, a partir daí, começou a se olhar como o próprio sultão" - mudaria o rumo da intenção do indivíduo.

O que fazer? Como neutralizar essa "ameaça" à reeleição do Presidente? Existem vários cenários possíveis. O mais simples deles é indicar (e trabalhar pela aprovação) o Ministro para a primeira vaga surgida no STF, a saber a "expulsória" do decano daquela Corte em novembro próximo. Seria simplesmente prender seu mais popular Ministro numa gaiola de ouro, o que de certa forma agradaria aos admiradores de Moro e afastaria a possibilidade de uma candidatura.

Um segundo cenário seria fortalecer o Ministro, aumentando os recursos disponíveis para desenvolver os diversos programas afeitos à sua pasta, o que certamente aumentaria a popularidade dele. E aguardar o clarear do cenário político. Se o Presidente estiver politicamente fortalecido, indica o Ministro Moro para a segunda vaga do STF (o afastamento do Ministro Marco Aurélio em julho de 2021) - o que, repito, agradaria a seus admiradores - afastando assim a possibilidade de um forte concorrente em 2022. Ao contrário, se houver alguma possibilidade de segmentos mais à esquerda voltarem ao poder, Moro fortalecido popularmente poderia ser o companheiro de chapa ideal de Jair Bolsonaro. Não estaria então afastado o perigo da "mosca azul". Paciência! "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Uma coisa está assente no tabuleiro do xadrez político de 2022: querendo ou não, Moro está no jogo! Quem viver, verá!

domingo, 12 de janeiro de 2020

Desonestidade intelectual




Os blogs amestrados (aqueles que recebiam milhões nos governos do PT), estão dando um exemplo perfeito e acabado do que é desonestidade intelectual. Usando uma charge que traz os principais Ministros do Governo Bolsonaro, tendo como figura principal o Ministro Paulo Guedes, registram em letras garrafais o título da matéria do The Guardian: “Desqualificados, perigosos: os funcionários excêntricos que dirigem o Brasil de Bolsonaro”.

A matéria é assinada pelos jornalistas, Tom Phillips e Dom Phillips, e foca principalmente em quatro auxiliares de escalões inferiores: Filipe Martins (consultor de política externa), Roberto Alvim, (secretário especial de cultura), Sérgio Camargo (Fundação Palmares) e Dante Mantovani (Funarte).

É ensinamento primário do jornalismo que texto que traz a opinião e a interpretação do autor sobre um fato é assinado e não reflete necessariamente a opinião da publicação. Ademais o jornalista Tom Phillips, correspondente do The Guardian para a América Latina tem demonstrado sistemática má vontade (para dizer o mínimo) com o Governo do Brasil. Uma pesquisa rápida no Google mostra reportagens anteriores com títulos como: “Arrogante, cheio de bile, desastroso: me dá pena do Brasil”, diz repórter do The Guardian - referindo-se ao discurso do Presidente Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas. Ou acolhe recentemente entrevista do ex-Presidente Lula com a seguinte chamada: “Bolsonaro leva Brasil para guerra que não é sua, diz Lula no The Guardian”.

O co-autor da matéria é um jornalista freelancer e também inglês como o primeiro. Mora no Brasil desde 2007. Ocasionalmente escreve para o The IntercePT.(Lembra desse veículo de "saudosa" memória?). Precisa dizer mais alguma coisa?

A desonestidade intelectual é patente quando a repercussão é “vendida” como a opinião do jornal e mais que isso usando uma charge com imagem dos principais Ministros do governo e no texto avaliando auxiliares de escalões inferiores.

A opinião é livre numa democracia. Deixar, no entanto de reconhecer méritos neste primeiro ano em Paulo Guedes, Sergio Moro, Tarcísio Gomes de Freitas, Tereza Cristina para citar apenas alguns, é querer tapar o sol com uma peneira.

Que o correspondente do jornal continue fazendo sua campanha sistemática contra o governo brasileiro e que os blogs desmamados repercutam isso, é compreensível. Afinal, o bolso é o órgão mais sensível do corpo humano.