sábado, 1 de março de 2025

Várzea Alegre e um exercício de futurologia


Amanheci neste sábado de carnaval, perplexo ao assistir ao vídeo da reunião no Salão Oval da Casa Branca, que contou com a presença do Presidente e do Vice dos Estados Unidos ao lado do Presidente da Ucrânia. O encontro, que deveria ser marcado por formalidade pela liturgia, mais se assemelhou aos momentos mais tensos do lendário cabaré de Antônia Canela, no Engenho Velho, em Várzea Alegre.

Diante dessa cena decidi não analisar o assunto, tamanha a decepção que me tomou. Em vez disso, resolvi fazer um exercício de futurologia sobre a microrregião onde se encontra a terra de São Raimundo Nonato.

Como estarão esses municípios daqui a 50 anos, em 2075? A evolução demográfica e econômica baseada nos dados dos últimos censos nos permite traçar cenários possíveis para a região.

Com um crescimento populacional constante e uma economia que se fortalece ao longo das décadas, Várzea Alegre deve continuar sendo a principal cidade da microrregião. Se as tendências atuais forem mantidas, sua população pode ultrapassar 50 mil habitantes em 2075, consolidando-se como um centro administrativo e econômico regional.

O fortalecimento de setores como o agronegócio, comércio e serviços pode impulsionar ainda mais a cidade. O investimento em infraestrutura e educação será determinante para garantir esse crescimento sustentável.

O Cedro, que registrou a maior queda populacional (-9,87%) entre 2010 e 2022, provavelmente continuará enfrentando dificuldades demográficas até 2075. Se a tendência atual persistir, o município pode ter sua população reduzida a menos de 10 mil habitantes, tornando-se um pequeno núcleo rural. A falta de oportunidades econômicas e a migração de jovens para centros urbanos maiores são fatores que podem intensificar esse processo.

Com uma leve queda populacional (-0,74%) no período analisado, Lavras da Mangabeira pode seguir dois caminhos até 2075. Por um lado, a estagnação econômica e a ausência de políticas públicas eficazes podem levar a uma lenta diminuição populacional, com a cidade se tornando uma comunidade predominantemente idosa. Por outro lado, iniciativas voltadas para o desenvolvimento local, como a valorização do artesanato, do turismo cultural e da produção agropecuária, poderiam reverter essa tendência e atrair novos moradores.

Farias Brito e Carius sofrem um grande risco de esvaziamento. Ambos os municípios apresentaram quedas significativas (-7,14% e -7,12%, respectivamente) e correm o risco de se tornarem "cidades-fantasma" até 2075, caso não ocorram intervenções estratégicas. A população de Farias Brito e Carius pode cair para menos de 10 mil habitantes cada, com a maioria dos jovens migrando para centros urbanos maiores em busca de melhores condições de vida.

Granjeiro, o menor município da microrregião, teve uma queda populacional moderada (-3,66%) entre 2010 e 2022. Até 2075, sua população pode se estabilizar em torno de 3 mil habitantes, dependendo da capacidade de atrair investimentos e diversificar sua economia. A exploração sustentável de recursos naturais, pode ser uma estratégia importante para garantir a sobrevivência do município.

Caririaçu mantém um crescimento tímido, mas estável. Se conseguir aproveitar os avanços tecnológicos e econômicos do Ceará nas próximas décadas, pode se tornar um centro regional intermediário. Investimentos em energias renováveis e modernização da economia podem ser as chaves para garantir sua evolução até 2075.

A projeção para 2075 mostra que Várzea Alegre se consolidará como polo regional, enquanto outras cidades precisarão adotar estratégias para evitar despovoamento e estagnação econômica. O desenvolvimento da infraestrutura, políticas públicas eficazes e investimentos no potencial local serão essenciais para garantir um futuro sustentável para toda a microrregião.

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