terça-feira, 18 de março de 2025

De Erros e Erros


Errar faz parte da natureza humana, mas há uma grande diferença entre equívocos triviais e erros catastróficos. Colocar sal no café no lugar do açúcar é um erro inofensivo; invadir a Rússia no inverno, como fizeram Napoleão e Hitler, é um erro histórico de proporções devastadoras. O problema não é apenas errar, mas insistir no erro. Se alguém pega o trem errado, o melhor é descer na primeira estação – quanto mais tempo demora para corrigir o erro, maior será o custo da volta.

No Brasil, certas decisões políticas e jurídicas refletem essa mesma teimosia histórica. Algumas autoridades parecem insistir em escolhas desastrosas, mesmo diante de sinais evidentes de que o caminho escolhido levará ao colapso. Assim como Napoleão e Hitler ignoraram o clima e a geografia, alguns tribunais e órgãos de fiscalização ignoram princípios básicos do Estado de Direito.

A recente onda de anulações de condenações da Lava Jato ilustra esse problema. Decisões sem critérios claros levaram à libertação de políticos e empresários condenados por corrupção, minando anos de investigações e condenações. Enquanto isso, processos relacionados ao 8 de janeiro, que envolvem pessoas inofensivas e crime impossível não punível, conforme o artigo 17 do Código Penal, têm sido conduzidos com extremo rigor, sem a mesma benevolência jurídica. Essa incoerência revela um sistema judicial que opera com pesos e medidas diferentes, comprometendo sua credibilidade.

Se o objetivo é garantir a lisura jurídica, então todas as decisões devem seguir um critério uniforme. Caso contrário, estaremos apenas fortalecendo a impunidade seletiva, onde a justiça se torna um jogo de conveniências políticas, em vez de um pilar do Estado Democrático de Direito.

Seja na guerra ou na política, erros previsíveis não são meros equívocos – são sinais de incompetência ou de má-fé. Quem não aprende com o passado está condenado a repetir seus fracassos. No Brasil, insistir em uma justiça de dois pesos e duas medidas, em políticas econômicas insustentáveis e em gestões públicas desorganizadas é o equivalente moderno de avançar contra o inverno russo sem provisões.

A diferença é que, na guerra, o preço do erro foi pago com a vida dos soldados. No Brasil, o custo recai sobre o povo, que sofre com insegurança jurídica, desemprego e inflação. O país não precisa de estrategistas que marcham rumo ao colapso – precisa de líderes que saibam qual estação descer antes que seja tarde demais.

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