domingo, 4 de janeiro de 2026

MARCO RUBIO


Em entrevista à âncora da NBC News, Kristen Welker, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou:

"O Hemisfério Ocidental é NOSSO. China, Rússia e Irã podem SAIR daqui."

Kristen Welker interrompeu-o, argumentando: "Por que os EUA precisam do petróleo venezuelano?", e Rubio prontamente respondeu: "Por que a China precisa? A Rússia? O Irã?Este é o Ocidente. É AQUI QUE VIVEMOS.

Eles NÃO vão entrar no nosso hemisfério, desestabilizar nossa região e forçar os americanos a pagar o preço. Não sob a presidência de Trump. Essa loucura ACABA aqui"

Um recado forte, direto e sem deixar nenhuma dúvida.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Código de Conduta 


Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a proposta de criação de um Código de Conduta para os ministros do Supremo Tribunal Federal, defendida pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. À primeira vista, a iniciativa parece irretocável. Afinal, quem poderia se opor a padrões éticos claros, maior transparência e balizas comportamentais para a mais alta instância do Judiciário brasileiro?

O problema, contudo, não reside na ideia abstrata de um código. Ele está na realidade concreta em que tal instrumento seria aplicado.

O Supremo Tribunal Federal não é um órgão administrativo comum, nem uma repartição burocrática sujeita a simples manuais internos de conduta. Trata-se de um colegiado que ocupa o vértice do Poder Judiciário, cuja função essencial é guardar a Constituição Federal, zelar pelos princípios, direitos e garantias nela inscritos e assegurar que nenhum poder, inclusive o próprio Judiciário, ultrapasse os limites constitucionais.

É exatamente nesse ponto que emerge a contradição central. Se uma Corte cuja missão institucional é respeitar e fazer respeitar a Constituição demonstra, de forma recorrente, dificuldade em observá-la, cumpri-la e aplicá-la com a necessária autocontenção, como esperar que esse mesmo colegiado se submeta, com rigor e disciplina, a um Código de Conduta de natureza infraconstitucional?

A hierarquia normativa não admite ambiguidades. A Constituição ocupa o topo do sistema jurídico. Códigos, resoluções e regimentos vêm depois.

Quando o vértice é relativizado, todo o edifício normativo se fragiliza. Um Código de Conduta, por mais bem redigido que seja, não tem o condão de corrigir desvios se a própria Constituição que lhe dá fundamento, deixa de ser tratada como limite intransponível.

Sem o respeito rigoroso à norma suprema, qualquer código corre o risco de se transformar em mera peça retórica, incapaz de produzir efeitos reais. Porque, em última instância, não é a ausência de regras que compromete as instituições, mas a seletividade na observância daquelas que já existem.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Ave, Galípolo!


Justiça seja feita: Gabriel Galípolo vem se revelando um verdadeiro super-herói dos tempos modernos, desses que não usam capa, não discursam em palanques e não buscam aplauso fácil. Seu protagonismo é silencioso, técnico e, justamente por isso, raro.

Chegou ao Banco Central de mansinho, como membro da diretoria, longe dos holofotes e das paixões políticas. Com o encerramento do mandato do ex-presidente Campos Neto, acabou sendo escolhido por Lula para substituí-lo. A partir daí, muitos apostaram que o novo presidente do Banco Central seria apenas mais um elo obediente à cadeia de comando político.

Não foi o que se viu. Apesar da pressão pública e reiterada de figuras proeminentes do partido no poder, em alguns momentos, do próprio presidente que o nomeou, Galípolo tem resistido. E não apenas resistido: tem conduzido as decisões do colegiado estritamente com base em critérios técnicos, ancorado em dados, indicadores e fundamentos macroeconômicos, como manda o figurino institucional que tantos fingem respeitar, mas poucos efetivamente honram.

Agora, surgem notícias ainda mais reveladoras. Vazam informações de que, no episódio envolvendo o Banco Master, Galípolo teria sido pressionado pelo indivíduo mais poderoso da República, o ministro Alexandre de Moraes. Os desafetos do ministro, e é preciso reconhecer que Sua Excelência é particularmente hábil na arte de cultivar inimigos, o acusam de ter praticado advocacia administrativa, atuando em benefício de um cliente específico. E que cliente: o Banco Master, ligado ao escritório de advocacia de sua esposa e filhos.

Se essas pressões de fato existiram, e os veículos da grande mídia noticiam que, em um único dia, o ministro teria telefonado cinco vezes para Galípolo tratando do assunto, o desfecho fala por si. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.

Esse desfecho é eloquente. Ele sugere que Galípolo não cedeu à pressão ilegítima. Sugere que, mesmo diante de um dos centros de poder mais temidos do país, prevaleceu a institucionalidade, o dever funcional e a autonomia técnica. Num país em que tantos se dobram antes mesmo de serem pressionados, esse não é um detalhe menor, é um marco.

Se assim foi, Galípolo não apenas cumpriu seu papel. Ele o elevou.

“Ave, Galípolo, morituri te salutant!”

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Com o pé esquerdo


A expressão idiomática “entrar com o pé esquerdo” significa iniciar algo de forma infeliz, azarada ou desastrosa, o oposto de “entrar com o pé direito”, associado a sorte e bons presságios. Sua origem remonta a antigas superstições, comuns a diversas culturas. O lado direito era tradicionalmente associado ao divino e ao auspicioso, como nos rituais romanos e cristãos, nos quais o “direito” simbolizava bênção e correção. Já o lado esquerdo foi historicamente ligado ao infortúnio e ao maligno, o que explica a palavra “sinistro”, derivada do latim sinister, que significa justamente “esquerdo”.

A força simbólica dessa crença atravessou línguas e séculos. Em inglês, a expressão equivalente é "get off on the wrong foot" (começar com o pé errado), carregando a mesma herança supersticiosa, com raízes medievais. Em espanhol, usa-se "empezar con el pie izquierdo", expressão consagrada na literatura: em Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, o protagonista “entra com o pé esquerdo” em suas aventuras ao confundir moinhos com gigantes logo no início da obra, um começo delirante que satiriza o idealismo equivocado. Em francês, há "mettre le pied dans le plat" (pôr o pé no prato), e em alemão, "mit dem falschen Fuß aufstehen" (levantar com o pé errado).

Na minha infância, em Várzea Alegre, quando começaram a aparecer as sandálias do tipo Havaianas, era comum que as tiras se soltassem, o que se chamava de “quebrou o cabresto”. A expressão remetia à ideia de algo que se desprende, que se solta das amarras, que “desembesta”. Pois bem: usando essa linguagem livre e simbólica, pode-se dizer que as sandálias Havaianas quebraram o cabresto neste final de ano e caminham para iniciar 2026 com o pé esquerdo.

Tudo começou com uma publicidade desastrosa, veiculada recentemente, em que a consagrada atriz Fernanda Torres abre o vídeo dizendo: “Não quero que você comece 2026 com o pé direito”. O problema é que Fernanda Torres é uma atriz sabidamente identificada com a esquerda. Poucos dias antes, ela havia participado de um ato público, em trio elétrico e com microfone em mãos, protestando contra o projeto de lei que propõe nova dosimetria para as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o episódio que parte da narrativa oficial denomina “trama golpista”.

A repercussão negativa foi intensa e imediata. Diante da enxurrada de críticas nas redes sociais, incluindo pedidos explícitos de boicote por parte de um amplo segmento da sociedade, a Havaianas decidiu retirar a campanha publicitária estrelada por Fernanda Torres de suas plataformas. Para esse público crítico, o conteúdo do vídeo possuía conotação política clara, o que motivou acusações de “politização esquerdista” da marca.

Enquanto isso, a principal concorrente agiu rapidamente. A marca Ipanema lançou um anúncio de última hora, em nítido contraste com o comercial da Havaianas. A nova campanha trouxe mulheres femininas vestindo camisas com as cores da bandeira do Brasil. O efeito foi imediato: em poucas horas, a Ipanema conquistou milhares de novos seguidores nas redes sociais, além de ampla repercussão em comentários, curtidas e compartilhamentos.

Diante desse cenário, profissionais de publicidade avaliam que a Havaianas deu um tiro no pé, e não apenas no direito. Ao que tudo indica, a marca caminha para entrar em 2026 com o pé esquerdo.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Um exercício de futurologia


O ano é 2030. Pela primeira vez em muito tempo, a política brasileira apresenta uma inversão curiosa: o maior problema não está do lado do fracasso, mas do êxito.

À frente do Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro conclui um mandato considerado bem-sucedido até mesmo por críticos moderados. Entregou estabilidade institucional, previsibilidade econômica, redução do ruído ideológico externo e um governo sem sobressaltos graves. Jovem ainda, com capital político intacto, Flávio pleiteia legitimamente a recondução para o mandato 2030 – 2034. Nada mais natural em qualquer democracia funcional.

Mas eis que surge o dilema. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas encerra seu segundo mandato como governador com uma marca inédita: torna-se, por consenso amplo, o melhor governador da história do estado. Infraestrutura entregue, contas organizadas, segurança pública em patamar recorde, obras concluídas e um modelo de gestão que extrapola fronteiras estaduais. O Sudeste, motor econômico do país, clama por sua candidatura ao Planalto.

E é exatamente aí que nasce o problema da direita. Não se trata de um embate entre incompetência e esperança, nem de um duelo entre extremos ideológicos. O impasse é mais sofisticado e, por isso mesmo, mais difícil.

De um lado, um presidente bem avaliado, no exercício do cargo, com o argumento democrático mais forte que existe: “time que está ganhando não se mexe”. De outro, um gestor consagrado, com aura técnica, capacidade comprovada e o apoio espontâneo do maior colégio eleitoral do país, capaz de ampliar a coalizão para além da direita tradicional.

Qualquer decisão gera custo: manter Flávio e frustrar a expectativa de renovação nacional em torno de Tarcísio ou lançar Tarcísio e interromper um governo que funciona, abrindo mão da continuidade. Não é uma crise. É um luxo político, algo raro na história recente do Brasil.

A esquerda, por sua vez, não enfrenta esse tipo de angústia. Em 2030, resolve o problema de forma simples, quase burocrática: vai de Lula novamente.

Aos 86 anos, Lula retorna ao discurso já testado, às narrativas conhecidas, aos símbolos de sempre. Garantirá que ao fim do seu quarto mandato, "cada brasileiro e brasileira estará tomando café da manhã, almoçando e jantando". Não há disputa interna real, nem sucessão organizada, nem novos quadros com musculatura eleitoral suficiente. A esquerda não debate projetos de futuro, debate longevidade política. É a antítese do dilema da direita: onde há escassez de opções, não há conflito.

Isso posto, não vai falar nada sobre o Ministro Alexandre de Moraes, Mãe Dinah?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Paris


Paris oferece uma mistura rara e irresistível. É a cidade onde os cartões-postais ganham matéria: a Torre Eiffel recortando o céu, o Louvre guardando séculos de arte, o Arco do Triunfo impondo respeito ao final da Champs-Élysées. Ao mesmo tempo, é um mergulho contínuo em cultura. Museus, arquitetura, história viva em cada esquina, da Notre-Dame ao Sacré-Cœur.

Mas Paris não é só monumento. É sabor. É o croissant ainda morno pela manhã, os queijos que desafiam qualquer dieta, os cafés que convidam à conversa sem pressa. É também o vinho, talvez os melhores do mundo, e a champanhe mais sedutora da França, bebida como se fosse parte da respiração da cidade. Some-se a isso o charme de bairros como Montmartre e Le Marais, os passeios preguiçosos às margens do Sena e as compras quase obrigatórias de cosméticos franceses. Paris agrada a todos os gostos e, curiosamente, consegue fazê-lo sem perder identidade.

Minha história com Paris atravessa o tempo. A primeira vez que ali estive foi na década de 1970; a última, já no recente ano de 2023. Vi a cidade mudar, modernizar-se, tornar-se mais diversa e, em certos aspectos, mais cautelosa. Mas vi também aquilo que parecia imutável: sua capacidade de encantar.

Tive o privilégio de viver Paris em duas viradas de ano. A chamada Cidade do Amor, ou Cidade Luz (La Ville Lumière), como preferir, revela-se de maneira única no Réveillon. Centenas de milhares de pessoas tomam a Champs-Élysées. Bebem, cantam, caminham sem rumo certo, num movimento coletivo que lembra a saída do Maracanã em dia de Fla-Flu. É festa, é catarse, é comunhão.

Nessa noite específica, algo mágico acontece: desconhecidos se beijam como velhos amigos de infância. Não há constrangimento, não há cálculo. Apenas a celebração do tempo que se encerra e do que começa. Essa é a lembrança que guardo dos meus dois Bonne Année parisienses. Pelo menos era assim.

Ontem, no entanto, li que as autoridades de Paris, pressionadas pelo temor de atentados terroristas, cancelaram as grandes celebrações de Ano-Novo. Não mais beijos na Champs-Élysées. Não mais champanhe compartilhada sob as luzes. Não mais Bonne Année coletivo.

É difícil não sentir um aperto. Paris sempre foi símbolo de liberdade, encontro, alegria pública. Ver essa tradição silenciada pela insegurança do mundo moderno soa como uma perda que vai além da cidade, é um sinal dos tempos. Tristes tempos!

Ainda assim, Paris tenta resistir. Talvez mais contida, talvez mais vigiada, mas ainda Paris. A cidade da luz pode apagar algumas lâmpadas, mas sua chama cultural, histórica e afetiva permanece acesa na memória de quem a viveu.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A Lei da Causa e Efeito

Só existe uma lei infalível no Universo e você pode chamá-la como quiser: Lei da Semeadura, Lei do Retorno, Lei da Causa e Efeito, Lei do Karma, Princípio da Causalidade, Lei da Atração, Lei da Plantação, Lei da Reciprocidade… escolha o nome. Mas que ela não falha, não falha mesmo!

Como cidadão que se esforça para permanecer razoavelmente bem informado, observo a política nacional com uma mistura de interesse e crescente indignação. De um lado, um governo que, às portas do fim, não conseguiu deixar qualquer marca positiva, apenas o rastro de escândalos sucessivos, malversação de recursos públicos e tentativas patéticas de acobertar os “malfeitos” de seus próximos.

A surdina com que foram retirados bilhões de reais das já minguadas aposentadorias de nossos velhinhos ultrapassa qualquer limite de crueldade imaginável. Para completar a humilhação, o dinheiro simplesmente sumiu, quase por inteiro, e agora, por força da Justiça e do clamor público, o governo se vê obrigado a devolver o que foi desviado utilizando, veja só, recursos do Tesouro. A tradução é simples: você foi vítima de um roubo gigantesco… e ainda terá de pagar a conta com os seus impostos. É ser punido duas vezes, sem dó e sem remorso.

O desastre se aprofunda quando voltamos os olhos às estatais. Ali se instalou um rombo absolutamente injustificável, produto do consórcio fatal entre corrupção, incompetência e o velho modelo de loteamento político, fórmula que já havia sido catastrófica em períodos anteriores. O exemplo mais gritante é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: uma instituição cambaleante, que falha com o cidadão e sufoca as famílias de seus milhares de funcionários.

Enquanto o Executivo se empenha em inviabilizar o país cultivando uma corrupção endêmica, assiste-se a uma guerra silenciosa e profundamente desigual, entre o Judiciário e qualquer força que ouse fazer oposição ao governo. Quem acompanhou a campanha de 2022 e as decisões do Tribunal Superior Eleitoral assistiu, perplexo, a um enredo em que um lado operava com liberdade quase absoluta, enquanto o adversário era cerceado ou punido até por atos rotineiros.

Essa disputa assimétrica persiste. Centenas de pessoas, de todas as idades e condições sociais, foram condenadas a penas desproporcionais por um processo, no mínimo duvidoso, rotulado de “trama golpista”, que imputou à massa inteira crimes gravíssimos como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado entre outros.

Minha mãe, que Deus a tenha ao Seu lado, era uma leoa na defesa dos filhos. Se sabia que alguém havia cometido uma injustiça contra qualquer um de nós, repetia, com a convicção de quem conhecia bem o peso moral da vida: “Não se preocupe. Quando ele morrer, vai direto para a Caldeira 18 do inferno, a mais quente”. Nunca soube de onde ela tirou essa imagem, mas confesso: diante de tanta iniquidade, tamanha desfaçatez e tão profundo desprezo pelo povo nos dias atuais, começo a imaginar que haverá uma fila quilométrica rumo à tal Caldeira 18. Ninguém escapa da infalível Lei da Causa e Efeito.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Jumenta de Balaão


A expressão “jumenta de Balaão” vem da Bíblia, mais especificamente do livro de Números, capítulo 22. Tornou-se uma expressão popular para se referir a alguém considerado teimoso, obtuso ou que fala sem perceber o que está dizendo.

Balaão era um profeta contratado pelo rei Balaque para amaldiçoar o povo de Israel. No caminho, montado em sua jumenta, Balaão é parado por um anjo enviado por Deus — mas só a jumenta consegue ver o anjo. Para evitar que Balaão avançasse e fosse morto, o animal se desvia três vezes. Balaão, sem entender nada, bate na jumenta repetidamente.

Nesse momento, acontece o episódio famoso:
• Deus abre a boca da jumenta, e ela fala com Balaão, perguntando por que está sendo espancada.
• Em seguida, Balaão finalmente tem seus olhos abertos e vê o anjo.

(Eu não conhecia a expressão. Extrai-a do texto abaixo e fui pesquisar para compreendê-lo)

"O cara tomou uma facada.

Durante a fraudemia teve as suas mãos amarradas, enquanto lutava para que eu e você pudéssemos sair de casa para ganhar a vida e cultuar a Deus.

Foi massacrado por sugerir medicamentos que o tempo demonstrou serem altamente eficazes.

Virou um pária por defender o meu direito de escolher ser ou não inoculado por um experimento científico.

Foi bombardeado pela mídia prostituída 24 horas por dia, sete dias na semana.

Foi perseguido por todo o sistema controlado pelo crime organizado.

Sabotaram por meios "legais" toda a sua campanha.

Os presídios celebraram sua derrota.

O mundo woke celebrou sua derrota.

Os que gritam "Viva Hamas!" celebraram sua derrota.

Os antissemitas celebraram sua derrota.

O cara que quer ver homem em banheiro de mulher e criança celebrou sua derrota.

O cara que quer matar crianças cada vez maiores no ventre da mãe celebrou sua derrota.

O cara que odeia a tradição judaico-cristã celebrou sua derrota.

O cara que te processa por você dizer que uma mulher é uma mulher celebrou sua derrota.

Pensa bem, mané.

Olha os meus cabelos brancos.

Você acha que tô preocupado com composição política, rejeição ou pesquisa eleitoral?

Fala sério.

Tô preocupado com os meus princípios e pautas.

Se ele indicar a jumenta de Balaão eu voto nela.

Sabe por quê?

Porque ainda visto calça.

Ponto final.

Vai encher na tua página."

(Neto Curvina)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Perdemos a capacidade de nos indignar!

Talvez seja interessante memorizar o nome dos deputados em vermelho

Diante dos últimos escândalos, Banco Master, INSS e o festival de absurdos que se tornou rotina, o brasileiro médio atingiu a iluminação zen. Nada mais choca, nada mais revolta, nada mais incomoda. Se amanhã anunciarem que o Tesouro foi trocado por vale-coxinha, metade do país vai achar normal e a outra metade vai perguntar se tem desconto à vista.

Crimes contra o povo? Fraudes bilionárias? A economia popular sangrando? Tudo virou detalhe. A sociedade está tão dormente que, se o país pegasse fogo, muita gente acharia que é o “clima seco”.

Enquanto isso, decisões judiciais surgem atropelando a Constituição, o bom senso e a vontade popular como quem passa com o trator pela horta do vizinho. Vivemos, na prática, um regime de exceção gourmet, cuidadosamente embalado e servido pelo STF, que escolhe com precisão cirúrgica quais escândalos devem ser ignorados, ou até acariciados.

E o mais irônico? A nata pensante do país, jornalistas, analistas, formadores de opinião, transformou-se numa plateia de jardim de infância: bate palminha, olha para o teto e finge que não está vendo nada. O país desaba e eles preocupados com o enquadramento da câmera e com a pauta do próximo podcast.

Num cenário desses, resta apenas recorrer à sabedoria popular: “Só Jesus na causa!” E, honestamente, no ritmo em que vamos, nem Ele deve estar muito otimista...

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

General Augusto Heleno Ribeiro Pereira


O General Augusto Heleno Ribeiro Pereira é um dos militares mais respeitados de sua geração, reconhecido pela excelência, patriotismo e dedicação exemplar ao Brasil.

🪖 Formação e trajetória militar

Nascido em 1947, no Rio de Janeiro, Heleno ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), onde se formou em 1969 como primeiro colocado de sua turma. Ao longo da carreira, destacou-se em todos os cursos que compõem a formação dos oficiais de elite do Exército, sendo “tríplice coroado” — isto é, primeiro colocado nos três principais cursos da carreira militar:

• AMAN (formação de oficiais),
• Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO),
• Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

Esse feito é raríssimo e simboliza a combinação de inteligência, disciplina e liderança que marcaram toda a sua vida militar.

🌎 Missão no exterior e prestígio internacional

Heleno ganhou projeção internacional ao comandar, entre 2004 e 2005, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH). Com firmeza e humanidade, conduziu uma operação de pacificação em um ambiente de grande instabilidade, sendo elogiado pela ONU, por governos estrangeiros e pela população haitiana. Sua liderança deu credibilidade e destaque ao Exército Brasileiro no cenário mundial.

🇧🇷 Serviço ao país no governo

Após passar para a reserva, o General Heleno continuou servindo ao país, tornando-se uma voz respeitada na defesa das Forças Armadas, da soberania nacional e dos valores democráticos.

Em 2019, foi nomeado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo do presidente Jair Bolsonaro, cargo estratégico junto à Presidência da República. No GSI, manteve uma atuação pautada pela lealdade à Constituição, pela segurança institucional e pela defesa da integridade do Estado brasileiro.

🏅 Reconhecimento e legado

Ao longo de sua brilhante carreira, recebeu inúmeras condecorações militares e civis, tanto no Brasil quanto no exterior.

É lembrado como um oficial que honrou a farda e serviu à pátria com honra, coragem e integridade, inspirando gerações de militares e civis.

Em resumo, o General Augusto Heleno é símbolo de mérito, patriotismo e retidão, um brasileiro que dedicou sua vida a servir e engrandecer o Brasil, sempre fiel aos valores que fazem das Forças Armadas um pilar de respeito, ordem e amor à pátria.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Cuida, Sidrônio!


Sidônio Palmeira, publicitário e marqueteiro responsável pela campanha presidencial de Lula em 2022, foi oficialmente contratado e empossado como ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em 14 de janeiro de 2025.

Quaest - Sobre o Governo Lula

(29 de janeiro de 2025)

47 - aprovação

49 - reprovação

2.004 entrevistas presenciais: ±2 pp

Quaest - Sobre o Governo Lula

(9 de novembro de 2025)

47 - aprovação

50 - reprovação

2.004 entrevistas presenciais: ±2 pp

Cuida, Sidrônio!!

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Missão impossível ou sabotagem planejada?


Consta nos bastidores de Brasília e de Washington que Mauro Vieira (chanceler brasileiro) e Fernando Haddad (ministro da Fazenda) estão tentando mais uma audiência com dois dos nomes mais influentes do governo Trump 2.0:  Marco Rubio, que ocupa simultaneamente o cargo de Secretário de Estado e o posto de Conselheiro de Segurança Nacional e Jamieson Greer, o novo Representante de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Trade Representative), e ambos são figuras centrais na formulação da política externa e comercial norte-americana, especialmente neste segundo mandato, marcado por linhas duras, pragmatismo absoluto e uma clara reorientação estratégica do papel dos EUA no mundo.

De acordo com fontes diplomáticas, se Vieira e Haddad conseguirem a reunião, o que já é, por si só, uma barreira, pretendem apresentar como pauta a retirada da sobretaxa de 40% imposta aos produtos brasileiros e a revogação das sanções aplicadas pelo governo americano aos membros do Executivo, Legislativo e sobretudo do Judiciário brasileiros.

A intenção pode ser nobre. O plano, porém, é frágil. E os executores, ainda piores. Vamos aos fatos: a dupla escolhida para essa missão já demonstrou reiteradas vezes incapacidade operacional e política.

Mauro Vieira, apesar das décadas de carreira diplomática, conduz um Itamaraty cada vez mais esvaziado, ideologizado e submisso às prioridades do Planalto. Fernando Haddad, por sua vez, é um economista que tenta equilibrar o discurso de responsabilidade fiscal com as pressões internas do partido, e não agrada nem à ala pragmática, nem à ala ideológica do governo.

Agora imagine esses dois, juntos, tentando convencer o responsável por toda a política comercial americana e o Secretário de Estado mais influente desde a Guerra Fria e atual Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, a simplesmente voltarem atrás em decisões estratégicas de Trump. E tudo isso sem levar absolutamente nada para negociar.

É como ir a uma mesa de poker internacional com as mãos vazias, contra adversários que jogam com cartas marcadas, calculadora política e milhões de empregos americanos na retaguarda.

É ingenuidade? É incompetência? Ou é outra coisa? O mais intrigante nesse movimento não é a ingenuidade da missão, é eventualmente o fato de talvez o fracasso não ser um acidente, mas um plano.

Se o governo realmente quisesse negociar com o governo Trump, enviaria negociadores profissionais, diplomatas experimentados em crises e quadros técnicos com capacidade real de barganha.

Mas escolheu Vieira e Haddad. Por quê? Aqui, entra a hipótese incômoda: talvez o governo não queira um acordo. Porque, se a missão fracassar, e tudo indica que fracassará, o Planalto terá a narrativa perfeita:

“Os EUA foram intransigentes. As sanções são injustas. Precisamos buscar parceiros mais compreensivos.”

E adivinhe quem surge imediatamente nessa equação? Aquela velha “civilização ancestral”, o gigante asiático, sempre pronto para acolher governos que desejam relações menos transparentes, menos fiscalizadas e mais convenientes.

Quanto pior for a relação com os EUA, quanto mais distante o Brasil estiver do Ocidente, quanto mais difícil for reverter as sanções, mais fácil será mergulhar de cabeça na influência chinesa.

Entregar uma tarefa hercúlea a quem não tem preparo, autoridade ou carta de negociação não é apenas erro, é quase uma assinatura. Se o objetivo fosse resolver, os emissários seriam outros. Se o objetivo fosse negociar, haveria concessões estudadas. Se o objetivo fosse reaproximar-se dos EUA, a estratégia seria profissional. 

Mas não é isso o que se vê. O governo do PT parece preferir o conflito ao entendimento, o isolamento à integração e a aproximação automática com a China a qualquer esforço de reaproximação com o Ocidente. A missão de Vieira e Haddad, nesse sentido, serve mais como álibi do que como esperança.

Quando se envia quem não pode resolver, o fracasso não é acidente, é propósito.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Sobre "viralatismo"


Duvido, sinceramente, que a maioria das autoridades (aqui excluo de propósito as reações automáticas do efeito manada, dos “maria-vai-com-as-outras”, dos que vestiram blindagem ideológica até nos tímpanos) tenha parado para ler, entender e contextualizar o que o chanceler alemão Friedrich Merz disse sobre a COP30. Alguns dos mais histéricos, aliás, sequer sabem o que ele falou. Estão reagindo ao que ouviram de terceiros, ou pior, ao que imaginaram que ele tenha dito.

Pois vejamos a frase exata:

“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha… especialmente daquele lugar onde estávamos.”

A frase foi publicada no site do Congresso Alemão do Comércio e apresentada diante de uma plateia empresarial alemã, dentro de um contexto muito preciso: valorizar a ordem econômica, a democracia, a infraestrutura e a previsibilidade da Alemanha.

Mas, no Brasil, o comentário virou “ofensa”, “arrogância colonialista”, “ataque ao país”. Teve até um político carreirista e oportunista que postou em sua rede social: "nazista" e "filhote de Hitler". É bem verdade que correu para apagar logo em seguida. E, como sempre, ninguém se deu ao trabalho de confrontar o incômodo essencial: o Chanceler disse a verdade.

Belém expôs problemas graves que não surgiram na conferência, apenas ficaram impossíveis de camuflar. A cidade apresentou infraestrutura insuficiente, saneamento precário, drenagem falha e obras improvisadas. A rede hoteleira não deu conta: houve superfaturamento, falta de vagas e condições básicas insatisfatórias. Dentro do evento, delegados enfrentaram calor sufocante, ventilação inadequada, banheiros quebrados, quedas de energia e salas superlotadas. Do lado de fora, filas intermináveis, transporte desorganizado e até invasões na área restrita comprometeram a segurança.

Além disso, chuvas previsíveis alagaram acessos, derrubaram estruturas temporárias e molharam equipamentos. A somatória desses fatores resultou em desconforto, atrasos, riscos e má imagem internacional. Não por acaso, alguns países cogitaram deslocar reuniões paralelas para outras cidades.

Quando Merz comentou, perante empresários alemães, que todos estavam aliviados por voltar à Alemanha, ele não atacava o Brasil, apenas enfatizava o contraste entre uma infraestrutura sólida e uma cidade que não estava preparada para receber de 40 a 70 mil participantes.

O problema, portanto, não é o que o chanceler disse. O problema é a recusa de parte da classe política brasileira em reconhecer evidências óbvias: a COP30 foi mal planejada, desconfortável e logisticamente comprometida. Fingir patriotismo ferido não resolve nada. Encarar a realidade, sim.

A verdade não humilha o país. Negá-la, sim.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O Ateísmo Militante e a Cegueira Política


Richard Dawkins é um renomado biólogo evolutivo e um dos mais destacados defensores do ateísmo científico. Tornou-se um dos pensadores mais influentes da ciência moderna e, como professor da Universidade de Oxford, dedicou-se à defesa da educação científica, do pensamento crítico e do combate ao criacionismo e ao chamado design inteligente, teorias que buscam introduzir explicações religiosas na biologia.

Dawkins costumava dizer que, mesmo que uma estátua de Nossa Senhora ganhasse vida e, dirigindo-se a ele, afirmasse “Dawkins, eu sou Maria, mãe de Jesus Cristo”, ele ainda assim não acreditaria em Deus.

Essa frase resume com perfeição o espírito inabalável de seu ceticismo: um tipo de fé no não crer, tão forte quanto a fé religiosa que ele tanto combate.

Fazendo um paralelo com o ateísmo militante de Dawkins, podemos traçar uma analogia com o “esquerdinha renitente”, aquele da chamada “esquerda comunista, marronzista e badernenta” (royalties para Odorico Paraguaçu).

Esse tipo de indivíduo, mesmo diante das evidências mais cristalinas, mantém-se cego pela devoção ideológica.

Se o próprio Lula, num momento de “sincericídio”, resolvesse dirigir-se aos seus seguidores e confessasse que sabia e aprovara o Mensalão, que foi o chefe do Petrolão, e que promoveu o aparelhamento político do Ministério da Previdência Social para facilitar o roubo do INSS em benefício de seu partido e de seus aliados, ainda assim esses militantes não acreditariam.

Buscariam uma explicação, uma justificativa qualquer, por mais estapafúrdia que fosse, para negar a culpa de seu líder.

Assim como Dawkins permaneceria fiel ao seu ceticismo mesmo diante de um milagre, o petista fiel permaneceria devoto mesmo diante do crime.

Assim é o petista: um crente invertido, que transforma a negação em dogma e a cegueira em convicção.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Quem se lembra de Hopalong Cassidy?


"Sua carreira foi destruída quando os jornais o confundiram com um criminoso. Ele vendeu seu rancho para comprar seus filmes antigos. Essa aposta o tornou o primeiro milionário da televisão. Esta é a história de William Boyd — um homem que perdeu tudo duas vezes e voltou mais rico a cada vez.

William nasceu em 1895, filho de um trabalhador braçal em Ohio. Quando tinha sete anos, sua família se mudou para Tulsa, Oklahoma, em busca de melhores oportunidades que nunca se concretizaram. Então, quando ainda era adolescente, seus pais morreram. Aos 14 anos, William Boyd teve que abandonar a escola e se tornar o homem da família. Trabalhou como balconista de mercearia. Trabalhou como topógrafo. Trabalhou nos campos de petróleo de Oklahoma — um trabalho brutal e perigoso que envelhecia os homens precocemente. Quando chegou aos vinte e poucos anos, o cabelo de William já estava grisalho.

Em 1919, ele decidiu arriscar. Ele tinha ouvido histórias sobre Hollywood, sobre pessoas comuns se tornando estrelas, sobre uma nova indústria que estava realizando sonhos. Então, ele juntou o pouco que tinha e partiu para a Califórnia. Seu primeiro trabalho em Hollywood foi como figurante em "Why Change Your Wife?" (1920), de Cecil B. DeMille. Pagava quase nada, mas William era esperto. Gastou o dinheiro que tinha em roupas elegantes — o tipo de roupa que o fazia parecer que já pertencia àquele meio. Depois, certificou-se de se posicionar onde DeMille o notasse. Deu certo. DeMille viu algo no jovem de cabelos grisalhos e aparência marcante. Em 1926, escalou William Boyd como o protagonista romântico em "The Volga Boatman", um grande filme de estúdio.

Quase da noite para o dia, William se tornou um ídolo dos matinês. As mulheres o adoravam. Os estúdios o queriam. No final da década de 1920, ele ganhava mais de US$ 100.000 por ano — uma quantia extraordinária para aquela época. O filho órfão de um trabalhador braçal havia se tornado uma das maiores estrelas de Hollywood. Então tudo desmoronou. Quando o som chegou aos cinemas no final da década de 1920, toda a indústria se transformou da noite para o dia. Algumas estrelas fizeram a transição. Muitas não. William Boyd se viu sem contrato e sem conseguir trabalho. Seu tipo de estrelato no cinema mudo não se traduzia para o novo meio. Ele estava falindo. Então piorou.

Em 1931, os jornais publicaram uma matéria sobre um ator chamado William Boyd sendo preso por acusações de jogos de azar, bebida e imoralidade. O problema? Era um William Boyd diferente — um ator de teatro chamado William "Stage" Boyd. Mas os jornais publicaram a foto errada. Publicaram a foto do nosso William Boyd junto com a matéria da prisão. Sua reputação foi destruída da noite para o dia. Os estúdios que já estavam relutantes em contratá-lo agora não o queriam nem chegar perto. O escândalo — totalmente falso, totalmente sem culpa dele — o seguiu por toda parte. Sua carreira não apenas estagnou. Ela morreu.

Em meados da década de 1930, William Boyd estava falido, desempregado e na lista negra de Hollywood sem ter culpa alguma. Era a segunda vez que ele perdia tudo. A maioria das pessoas teria desistido. William não. Em 1935, um produtor chamado Harry Sherman estava escalando o elenco para um faroeste de baixo orçamento baseado em histórias pulp sobre um personagem chamado "Hopalong Cassidy" — cujo nome se devia a uma claudicação causada por um antigo ferimento de bala. Não era um trabalho glamoroso. Não pagava muito dinheiro. Mas era trabalho.

William Boyd aceitou o papel. Mas ele não apenas aceitou o papel — ele o transformou. O Hopalong Cassidy original das histórias pulp era um caubói rude, que mascava tabaco e bebia muito. William decidiu fazer algo diferente. Ele transformou Hopalong Cassidy em um herói que as crianças pudessem admirar. Seu "Hoppy" não fumava. Não bebia. Não mascava tabaco. Não falava palavrões. Raramente beijava uma garota. Deixava o vilão sacar primeiro, sempre lutava limpo e representava honra e integridade.

William Boyd entendia algo que a maioria das pessoas em Hollywood não entendia: os pais queriam heróis que seus filhos pudessem admirar. Os filmes foram um enorme sucesso. De 1935 a 1943, William fez 54 filmes de Hopalong Cassidy para Harry Sherman. Cada um deles arrecadou pelo menos o dobro do custo de produção. Depois que Sherman abandonou a série, William produziu e estrelou mais 12 filmes de forma independente, de 1946 a 1948. Ele estava fazendo sucesso novamente. Estável novamente. Ele havia comprado um rancho. Estava confortável. E então ele tomou a decisão que mudaria tudo.

Em 1948, a televisão era novidade. A maioria das pessoas ainda não tinha aparelhos de TV. Ninguém sabia se esse meio experimental iria durar. Os grandes estúdios achavam que a televisão era uma moda passageira. Certamente não achavam que os antigos filmes de faroeste tivessem qualquer valor na TV. Mas William Boyd viu algo que eles não viram. Ele abordou Harry Sherman e os outros detentores dos direitos e ofereceu-se para comprar os direitos completos de todos os 66 filmes de Hopalong Cassidy. Eles acharam que ele estava louco. Quem pagaria uma boa grana por antigos filmes de faroeste de baixo orçamento? Para levantar o preço de compra — cerca de US$ 350.000 (aproximadamente US$ 4,5 milhões hoje) — William vendeu seu rancho. Ele apostou tudo o que havia reconstruído em um palpite sobre a televisão. Todos pensaram que ele tinha perdido a cabeça. Então a televisão explodiu. As emissoras de TV estavam desesperadas por conteúdo, especialmente para a programação de sábado de manhã, quando as crianças estavam em casa.

William Boyd licenciou seus filmes de Hopalong Cassidy para a NBC. Em poucos meses, "Hoppy" se tornou um dos programas mais assistidos da América. Em 1950, mais de 50 milhões de pessoas — quase um terço da população dos EUA — assistiam a Hopalong Cassidy toda semana. Mas William Boyd não parou por aí. Ele se tornou a primeira pessoa a realmente entender o que o merchandising televisivo poderia ser. Ele licenciou lancheiras, armas de brinquedo, chapéus de caubói, histórias em quadrinhos, programas de rádio e discos de Hopalong Cassidy. Tudo o que os pais compravam para seus filhos, William Boyd estampava com o rosto de Hopalong Cassidy. Em certo momento, havia mais de 2.000 produtos de Hopalong Cassidy no mercado. Os royalties jorravam.

No início da década de 1950, William Boyd ganhava mais dinheiro do que qualquer estrela de televisão na América — mais do que Milton Berle, mais do que Lucille Ball, mais do que qualquer outra pessoa. Sua renda com Hopalong Cassidy ultrapassou US$ 70 milhões ao longo de sua vida (bem mais de US$ 700 milhões em valores atuais). O filho órfão de um trabalhador braçal, que perdeu tudo duas vezes, que foi injustamente difamado e deixado na miséria aos quarenta e poucos anos, tornou-se o primeiro milionário da televisão a construir sua própria fortuna. E ele fez isso sendo dono de seu conteúdo. A decisão de William Boyd de comprar os direitos de seus filmes criou o modelo para todos os impérios do entretenimento que vieram depois. Walt Disney observou o que Boyd fez com Hopalong Cassidy e aplicou a mesma estratégia de merchandising ao Mickey Mouse. George Lucas insistiria mais tarde em possuir os direitos de merchandising de Star Wars — uma decisão que lhe rendeu bilhões — citando diretamente o exemplo de Boyd. William Boyd não apenas salvou sua própria carreira. Ele inventou o modelo de negócios moderno do entretenimento.

Mas eis o que torna sua história tão poderosa: ele poderia ter se tornado amargo. Após ser falsamente acusado, colocado na lista negra e falido em Hollywood, ele poderia ter se tornado cínico. Em vez disso, escolheu criar algo saudável. Escolheu ser um herói que valesse a pena assistir. Escolheu a integridade em vez do cinismo. Hopalong Cassidy representava os valores que William Boyd gostaria de ter visto mais em Hollywood: justiça, honra, coragem sem crueldade. Ele não apenas interpretou um personagem. Ele viveu à altura de um.

William Boyd morreu em 1972, aos 77 anos. Nessa época, Hopalong Cassidy já havia desaparecido da cultura popular — os gostos haviam mudado, os filmes de faroeste haviam caído em desuso. Mas seu impacto nunca se apagou. Toda vez que você vê um boneco de ação de Star Wars, está vendo o legado de William Boyd. Toda vez que um estúdio luta para deter os direitos de propriedade intelectual, está seguindo o caminho que ele abriu. Toda vez que um artista constrói um império com produtos licenciados, está trilhando o caminho que William Boyd abriu quando todos diziam que ele era louco por comprar seus antigos filmes de faroeste.

O adolescente órfão que trabalhava em campos de petróleo. O ídolo dos matinês que perdeu tudo quando os filmes começaram a falar. O homem inocente cuja carreira foi destruída por um erro de jornal. O caubói que apostou seu rancho na televisão e ganhou. William Boyd provou que perder tudo não é o fim da sua história — é apenas o meio. Que ser falsamente acusado não precisa definir você. Que as apostas mais visionárias parecem loucas até darem certo. E que, às vezes, criar algo bom para as crianças vale mais do que qualquer realismo cru. Ele vendeu seu rancho para comprar 66 filmes antigos de caubói. Essa aposta o tornou o primeiro milionário da televisão e mudou o entretenimento para sempre. Nada mal para o filho de um trabalhador braçal que nunca desistiu."         

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Bye bye New York!


Zohran Kwame Mamdani, tem 34 anos, nascido em Campala (capital da Uganda), é socialista, muçulmano e foi eleito prefeito de Nova Iorque na eleição municipal da última terça-feira, dia 4 de novembro. É membro do Partido Democrata, alinhado à corrente mais à esquerda, comandada pelo senador Bernie Sanders e por Kamala Harris, ex-vice-presidente e candidata a presidente derrotada por Trump em 2024.

Em 5 de novembro de 2018, escrevi o artigo "Socialismo à americana" (https://nilosergiobezerra.blogspot.com/2018/11/socialismo-americana.html), onde eu previa que o Partido Democrata seria ocupado pelos socialistas:

"Ouso dizer que nos próximos anos, no berço da democracia mais liberal do mundo, deverá nascer um forte Partido Socialista (talvez a recriação do Socialist Party of America, que cessou atividades na década de 70), ou quem sabe sejam eles os hegemônicos dentro do Partido Democrata."

Parece que eu tinha razão. O pressentimento começa a acontecer.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

De Selic, Matança e Traficantes.


Naquela terça-feira tórrida em Nárnia, o Copom anunciou: Selic a 15%. Os jornais chamaram de “decisão técnica”. Os bancos estouraram champanhe.

E o povo? Esse comemorou… pagando juros até no fiado da bodega.

Enquanto isso, nas sombras da capital de Nárnia, o Partido dos Traficantes fazia festa. Não traficavam drogas, traficavam influência, verbas, favores e manchetes.

Cada aumento da Selic era mais um grito de alegria nos corredores forrados de tapete persa: “É a economia se fortalecendo!”, diziam, entre um uísque e outro. Mas lá fora, nas favelas e nos becos, a matança seguia — de empregos, de esperança, de futuro.

O povo sangrava em silêncio, sem saber que a verdadeira facção armada vestia terno italiano e falava em “metas de inflação”.

E assim, entre o cambalear do trabalhador e o brinde dos banqueiros, o Partido dos Traficantes seguia no poder, traficando o que há de mais valioso: - a paciência do povo brasileiro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

A arte do engodo gráfico


E não é que a rede globo conseguiu o impossível? A matemática agora se curva à militância: 53% é mostrado como se fosse menos que 42%. Um milagre estatístico digno de nota, ou melhor, de repulsa.

Em um gesto de despudor jornalístico digno de manual, inverteram o eixo do gráfico para enganar o olhar distraído. Um truque visual tosco, desses que até aluno do ensino médio notaria, mas que, vindo da “imprensa séria”, ganha ares de estratégia editorial.

Chamemos as coisas pelo nome: é engodo midiático, é manipulação grosseira, é desonestidade travestida de jornalismo.

O que o gráfico mostra não é uma linha, é um abismo, não na popularidade de Cláudio Castro, mas na credibilidade de quem o publicou.

Afinal, quando a realidade não serve à narrativa, o gráfico que se dane. Basta virar o eixo, torcer o ângulo e vender ao público a ilusão de que o governo despenca, mesmo quando os números dizem o contrário.

Que diabo de imprensa é essa?

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Uma tragédia anunciada

Rio de Janeiro, 28/10/2025. Guerra urbana entre forças policiais e facções criminosas.

O processo de ocupação das favelas do Rio de Janeiro por organizações criminosas não ocorreu de um dia para o outro. Foi o resultado de décadas de omissões, decisões políticas equivocadas e de um Estado cada vez mais ausente. O marco simbólico desse fenômeno remonta ao primeiro governo de Leonel Brizola, no início dos anos 1980. Na época, o então governador teria determinado que a polícia não “subisse o morro”, priorizando ações sociais em vez de repressivas, uma política com boas intenções no papel, mas que, na prática, abriu espaço para o florescimento de estruturas criminosas dentro das comunidades. O Estado retirou-se das áreas de risco, e o crime preencheu o vácuo de autoridade.

Nos primeiros anos, essas organizações eram essencialmente voltadas ao tráfico de drogas, com foco na maconha proveniente de países vizinhos. Ainda que o problema fosse grave, a estrutura era rudimentar e localizada. A virada do século, porém, trouxe uma nova e mais perigosa etapa. O narcotráfico se expandiu para incluir cocaína e crack, além do contrabando de armas de grosso calibre, oriundas do exterior e entrando quase livremente pelas negligenciadas fronteiras do país. As facções, que antes eram grupos dispersos, passaram a se organizar, adotar hierarquias, controlar territórios e até estabelecer “leis próprias”. O crime, antes local, se tornou uma rede nacional com ramificações no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Estado brasileiro, desatento e frequentemente leniente, não acompanhou o ritmo dessa evolução. Governos sucessivos em todas as esferas, subestimaram o poder do crime organizado. A omissão permitiu que essas facções se infiltrassem em novos setores da economia e da vida pública. Hoje, a influência dessas organizações ultrapassa os limites das favelas: elas dominam mercados paralelos de gás, combustíveis, internet, transporte alternativo, aluguel de imóveis e até processos eleitorais, especialmente em pequenas cidades do Nordeste, onde o poder público é mais vulnerável e dependente de estruturas locais.

Em tempos recentes, há indícios de que o dinheiro oriundo dessas atividades ilícitas já transita no sistema financeiro formal, misturado a investimentos aparentemente legítimos, inclusive em fundos e operações de mercado, o que demonstra o nível de sofisticação atingido. O crime organizado, antes limitado à periferia, agora tem acesso a capital, influência política e meios de lavagem de dinheiro que o colocam como um verdadeiro “Estado paralelo”.

O retrato é sombrio, mas necessário: o Brasil enfrenta um inimigo interno que já não se esconde — ele negocia, financia campanhas e dita regras onde o poder público falhou. Se nada for feito, a fronteira entre legalidade e ilegalidade continuará a se apagar.

Deus salve o Brasil!