segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A Lei da Causa e Efeito

Só existe uma lei infalível no Universo e você pode chamá-la como quiser: Lei da Semeadura, Lei do Retorno, Lei da Causa e Efeito, Lei do Karma, Princípio da Causalidade, Lei da Atração, Lei da Plantação, Lei da Reciprocidade… escolha o nome. Mas que ela não falha, não falha mesmo!

Como cidadão que se esforça para permanecer razoavelmente bem informado, observo a política nacional com uma mistura de interesse e crescente indignação. De um lado, um governo que, às portas do fim, não conseguiu deixar qualquer marca positiva, apenas o rastro de escândalos sucessivos, malversação de recursos públicos e tentativas patéticas de acobertar os “malfeitos” de seus próximos.

A surdina com que foram retirados bilhões de reais das já minguadas aposentadorias de nossos velhinhos ultrapassa qualquer limite de crueldade imaginável. Para completar a humilhação, o dinheiro simplesmente sumiu, quase por inteiro, e agora, por força da Justiça e do clamor público, o governo se vê obrigado a devolver o que foi desviado utilizando, veja só, recursos do Tesouro. A tradução é simples: você foi vítima de um roubo gigantesco… e ainda terá de pagar a conta com os seus impostos. É ser punido duas vezes, sem dó e sem remorso.

O desastre se aprofunda quando voltamos os olhos às estatais. Ali se instalou um rombo absolutamente injustificável, produto do consórcio fatal entre corrupção, incompetência e o velho modelo de loteamento político, fórmula que já havia sido catastrófica em períodos anteriores. O exemplo mais gritante é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: uma instituição cambaleante, que falha com o cidadão e sufoca as famílias de seus milhares de funcionários.

Enquanto o Executivo se empenha em inviabilizar o país cultivando uma corrupção endêmica, assiste-se a uma guerra silenciosa e profundamente desigual, entre o Judiciário e qualquer força que ouse fazer oposição ao governo. Quem acompanhou a campanha de 2022 e as decisões do Tribunal Superior Eleitoral assistiu, perplexo, a um enredo em que um lado operava com liberdade quase absoluta, enquanto o adversário era cerceado ou punido até por atos rotineiros.

Essa disputa assimétrica persiste. Centenas de pessoas, de todas as idades e condições sociais, foram condenadas a penas desproporcionais por um processo, no mínimo duvidoso, rotulado de “trama golpista”, que imputou à massa inteira crimes gravíssimos como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado entre outros.

Minha mãe, que Deus a tenha ao Seu lado, era uma leoa na defesa dos filhos. Se sabia que alguém havia cometido uma injustiça contra qualquer um de nós, repetia, com a convicção de quem conhecia bem o peso moral da vida: “Não se preocupe. Quando ele morrer, vai direto para a Caldeira 18 do inferno, a mais quente”. Nunca soube de onde ela tirou essa imagem, mas confesso: diante de tanta iniquidade, tamanha desfaçatez e tão profundo desprezo pelo povo nos dias atuais, começo a imaginar que haverá uma fila quilométrica rumo à tal Caldeira 18. Ninguém escapa da infalível Lei da Causa e Efeito.

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