Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Código de Conduta
Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a proposta de criação de um Código de Conduta para os ministros do Supremo Tribunal Federal, defendida pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. À primeira vista, a iniciativa parece irretocável. Afinal, quem poderia se opor a padrões éticos claros, maior transparência e balizas comportamentais para a mais alta instância do Judiciário brasileiro?
O problema, contudo, não reside na ideia abstrata de um código. Ele está na realidade concreta em que tal instrumento seria aplicado.
O Supremo Tribunal Federal não é um órgão administrativo comum, nem uma repartição burocrática sujeita a simples manuais internos de conduta. Trata-se de um colegiado que ocupa o vértice do Poder Judiciário, cuja função essencial é guardar a Constituição Federal, zelar pelos princípios, direitos e garantias nela inscritos e assegurar que nenhum poder, inclusive o próprio Judiciário, ultrapasse os limites constitucionais.
É exatamente nesse ponto que emerge a contradição central. Se uma Corte cuja missão institucional é respeitar e fazer respeitar a Constituição demonstra, de forma recorrente, dificuldade em observá-la, cumpri-la e aplicá-la com a necessária autocontenção, como esperar que esse mesmo colegiado se submeta, com rigor e disciplina, a um Código de Conduta de natureza infraconstitucional?
A hierarquia normativa não admite ambiguidades. A Constituição ocupa o topo do sistema jurídico. Códigos, resoluções e regimentos vêm depois.
Quando o vértice é relativizado, todo o edifício normativo se fragiliza. Um Código de Conduta, por mais bem redigido que seja, não tem o condão de corrigir desvios se a própria Constituição que lhe dá fundamento, deixa de ser tratada como limite intransponível.
Sem o respeito rigoroso à norma suprema, qualquer código corre o risco de se transformar em mera peça retórica, incapaz de produzir efeitos reais. Porque, em última instância, não é a ausência de regras que compromete as instituições, mas a seletividade na observância daquelas que já existem.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Ave, Galípolo!
Justiça seja feita: Gabriel Galípolo vem se revelando um verdadeiro super-herói dos tempos modernos, desses que não usam capa, não discursam em palanques e não buscam aplauso fácil. Seu protagonismo é silencioso, técnico e, justamente por isso, raro.
Chegou ao Banco Central de mansinho, como membro da diretoria, longe dos holofotes e das paixões políticas. Com o encerramento do mandato do ex-presidente Campos Neto, acabou sendo escolhido por Lula para substituí-lo. A partir daí, muitos apostaram que o novo presidente do Banco Central seria apenas mais um elo obediente à cadeia de comando político.
Não foi o que se viu. Apesar da pressão pública e reiterada de figuras proeminentes do partido no poder, em alguns momentos, do próprio presidente que o nomeou, Galípolo tem resistido. E não apenas resistido: tem conduzido as decisões do colegiado estritamente com base em critérios técnicos, ancorado em dados, indicadores e fundamentos macroeconômicos, como manda o figurino institucional que tantos fingem respeitar, mas poucos efetivamente honram.
Agora, surgem notícias ainda mais reveladoras. Vazam informações de que, no episódio envolvendo o Banco Master, Galípolo teria sido pressionado pelo indivíduo mais poderoso da República, o ministro Alexandre de Moraes. Os desafetos do ministro, e é preciso reconhecer que Sua Excelência é particularmente hábil na arte de cultivar inimigos, o acusam de ter praticado advocacia administrativa, atuando em benefício de um cliente específico. E que cliente: o Banco Master, ligado ao escritório de advocacia de sua esposa e filhos.
Se essas pressões de fato existiram, e os veículos da grande mídia noticiam que, em um único dia, o ministro teria telefonado cinco vezes para Galípolo tratando do assunto, o desfecho fala por si. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Esse desfecho é eloquente. Ele sugere que Galípolo não cedeu à pressão ilegítima. Sugere que, mesmo diante de um dos centros de poder mais temidos do país, prevaleceu a institucionalidade, o dever funcional e a autonomia técnica. Num país em que tantos se dobram antes mesmo de serem pressionados, esse não é um detalhe menor, é um marco.
Se assim foi, Galípolo não apenas cumpriu seu papel. Ele o elevou.
“Ave, Galípolo, morituri te salutant!”
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Com o pé esquerdo
A expressão idiomática “entrar com o pé esquerdo” significa iniciar algo de forma infeliz, azarada ou desastrosa, o oposto de “entrar com o pé direito”, associado a sorte e bons presságios. Sua origem remonta a antigas superstições, comuns a diversas culturas. O lado direito era tradicionalmente associado ao divino e ao auspicioso, como nos rituais romanos e cristãos, nos quais o “direito” simbolizava bênção e correção. Já o lado esquerdo foi historicamente ligado ao infortúnio e ao maligno, o que explica a palavra “sinistro”, derivada do latim sinister, que significa justamente “esquerdo”.
A força simbólica dessa crença atravessou línguas e séculos. Em inglês, a expressão equivalente é "get off on the wrong foot" (começar com o pé errado), carregando a mesma herança supersticiosa, com raízes medievais. Em espanhol, usa-se "empezar con el pie izquierdo", expressão consagrada na literatura: em Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, o protagonista “entra com o pé esquerdo” em suas aventuras ao confundir moinhos com gigantes logo no início da obra, um começo delirante que satiriza o idealismo equivocado. Em francês, há "mettre le pied dans le plat" (pôr o pé no prato), e em alemão, "mit dem falschen Fuß aufstehen" (levantar com o pé errado).
Na minha infância, em Várzea Alegre, quando começaram a aparecer as sandálias do tipo Havaianas, era comum que as tiras se soltassem, o que se chamava de “quebrou o cabresto”. A expressão remetia à ideia de algo que se desprende, que se solta das amarras, que “desembesta”. Pois bem: usando essa linguagem livre e simbólica, pode-se dizer que as sandálias Havaianas quebraram o cabresto neste final de ano e caminham para iniciar 2026 com o pé esquerdo.
Tudo começou com uma publicidade desastrosa, veiculada recentemente, em que a consagrada atriz Fernanda Torres abre o vídeo dizendo: “Não quero que você comece 2026 com o pé direito”. O problema é que Fernanda Torres é uma atriz sabidamente identificada com a esquerda. Poucos dias antes, ela havia participado de um ato público, em trio elétrico e com microfone em mãos, protestando contra o projeto de lei que propõe nova dosimetria para as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o episódio que parte da narrativa oficial denomina “trama golpista”.
A repercussão negativa foi intensa e imediata. Diante da enxurrada de críticas nas redes sociais, incluindo pedidos explícitos de boicote por parte de um amplo segmento da sociedade, a Havaianas decidiu retirar a campanha publicitária estrelada por Fernanda Torres de suas plataformas. Para esse público crítico, o conteúdo do vídeo possuía conotação política clara, o que motivou acusações de “politização esquerdista” da marca.
Enquanto isso, a principal concorrente agiu rapidamente. A marca Ipanema lançou um anúncio de última hora, em nítido contraste com o comercial da Havaianas. A nova campanha trouxe mulheres femininas vestindo camisas com as cores da bandeira do Brasil. O efeito foi imediato: em poucas horas, a Ipanema conquistou milhares de novos seguidores nas redes sociais, além de ampla repercussão em comentários, curtidas e compartilhamentos.
Diante desse cenário, profissionais de publicidade avaliam que a Havaianas deu um tiro no pé, e não apenas no direito. Ao que tudo indica, a marca caminha para entrar em 2026 com o pé esquerdo.
domingo, 21 de dezembro de 2025
Um exercício de futurologia
O ano é 2030. Pela primeira vez em muito tempo, a política brasileira apresenta uma inversão curiosa: o maior problema não está do lado do fracasso, mas do êxito.
À frente do Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro conclui um mandato considerado bem-sucedido até mesmo por críticos moderados. Entregou estabilidade institucional, previsibilidade econômica, redução do ruído ideológico externo e um governo sem sobressaltos graves. Jovem ainda, com capital político intacto, Flávio pleiteia legitimamente a recondução para o mandato 2030 – 2034. Nada mais natural em qualquer democracia funcional.
Mas eis que surge o dilema. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas encerra seu segundo mandato como governador com uma marca inédita: torna-se, por consenso amplo, o melhor governador da história do estado. Infraestrutura entregue, contas organizadas, segurança pública em patamar recorde, obras concluídas e um modelo de gestão que extrapola fronteiras estaduais. O Sudeste, motor econômico do país, clama por sua candidatura ao Planalto.
E é exatamente aí que nasce o problema da direita. Não se trata de um embate entre incompetência e esperança, nem de um duelo entre extremos ideológicos. O impasse é mais sofisticado e, por isso mesmo, mais difícil.
De um lado, um presidente bem avaliado, no exercício do cargo, com o argumento democrático mais forte que existe: “time que está ganhando não se mexe”. De outro, um gestor consagrado, com aura técnica, capacidade comprovada e o apoio espontâneo do maior colégio eleitoral do país, capaz de ampliar a coalizão para além da direita tradicional.
Qualquer decisão gera custo: manter Flávio e frustrar a expectativa de renovação nacional em torno de Tarcísio ou lançar Tarcísio e interromper um governo que funciona, abrindo mão da continuidade. Não é uma crise. É um luxo político, algo raro na história recente do Brasil.
A esquerda, por sua vez, não enfrenta esse tipo de angústia. Em 2030, resolve o problema de forma simples, quase burocrática: vai de Lula novamente.
Aos 86 anos, Lula retorna ao discurso já testado, às narrativas conhecidas, aos símbolos de sempre. Garantirá que ao fim do seu quarto mandato, "cada brasileiro e brasileira estará tomando café da manhã, almoçando e jantando". Não há disputa interna real, nem sucessão organizada, nem novos quadros com musculatura eleitoral suficiente. A esquerda não debate projetos de futuro, debate longevidade política. É a antítese do dilema da direita: onde há escassez de opções, não há conflito.
Isso posto, não vai falar nada sobre o Ministro Alexandre de Moraes, Mãe Dinah?
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Paris
Paris oferece uma mistura rara e irresistível. É a cidade onde os cartões-postais ganham matéria: a Torre Eiffel recortando o céu, o Louvre guardando séculos de arte, o Arco do Triunfo impondo respeito ao final da Champs-Élysées. Ao mesmo tempo, é um mergulho contínuo em cultura. Museus, arquitetura, história viva em cada esquina, da Notre-Dame ao Sacré-Cœur.
Mas Paris não é só monumento. É sabor. É o croissant ainda morno pela manhã, os queijos que desafiam qualquer dieta, os cafés que convidam à conversa sem pressa. É também o vinho, talvez os melhores do mundo, e a champanhe mais sedutora da França, bebida como se fosse parte da respiração da cidade. Some-se a isso o charme de bairros como Montmartre e Le Marais, os passeios preguiçosos às margens do Sena e as compras quase obrigatórias de cosméticos franceses. Paris agrada a todos os gostos e, curiosamente, consegue fazê-lo sem perder identidade.
Minha história com Paris atravessa o tempo. A primeira vez que ali estive foi na década de 1970; a última, já no recente ano de 2023. Vi a cidade mudar, modernizar-se, tornar-se mais diversa e, em certos aspectos, mais cautelosa. Mas vi também aquilo que parecia imutável: sua capacidade de encantar.
Tive o privilégio de viver Paris em duas viradas de ano. A chamada Cidade do Amor, ou Cidade Luz (La Ville Lumière), como preferir, revela-se de maneira única no Réveillon. Centenas de milhares de pessoas tomam a Champs-Élysées. Bebem, cantam, caminham sem rumo certo, num movimento coletivo que lembra a saída do Maracanã em dia de Fla-Flu. É festa, é catarse, é comunhão.
Nessa noite específica, algo mágico acontece: desconhecidos se beijam como velhos amigos de infância. Não há constrangimento, não há cálculo. Apenas a celebração do tempo que se encerra e do que começa. Essa é a lembrança que guardo dos meus dois Bonne Année parisienses. Pelo menos era assim.
Ontem, no entanto, li que as autoridades de Paris, pressionadas pelo temor de atentados terroristas, cancelaram as grandes celebrações de Ano-Novo. Não mais beijos na Champs-Élysées. Não mais champanhe compartilhada sob as luzes. Não mais Bonne Année coletivo.
É difícil não sentir um aperto. Paris sempre foi símbolo de liberdade, encontro, alegria pública. Ver essa tradição silenciada pela insegurança do mundo moderno soa como uma perda que vai além da cidade, é um sinal dos tempos. Tristes tempos!
Ainda assim, Paris tenta resistir. Talvez mais contida, talvez mais vigiada, mas ainda Paris. A cidade da luz pode apagar algumas lâmpadas, mas sua chama cultural, histórica e afetiva permanece acesa na memória de quem a viveu.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
A Lei da Causa e Efeito
Só existe uma lei infalível no Universo e você pode chamá-la como quiser: Lei da Semeadura, Lei do Retorno, Lei da Causa e Efeito, Lei do Karma, Princípio da Causalidade, Lei da Atração, Lei da Plantação, Lei da Reciprocidade… escolha o nome. Mas que ela não falha, não falha mesmo!
Como cidadão que se esforça para permanecer razoavelmente bem informado, observo a política nacional com uma mistura de interesse e crescente indignação. De um lado, um governo que, às portas do fim, não conseguiu deixar qualquer marca positiva, apenas o rastro de escândalos sucessivos, malversação de recursos públicos e tentativas patéticas de acobertar os “malfeitos” de seus próximos.
A surdina com que foram retirados bilhões de reais das já minguadas aposentadorias de nossos velhinhos ultrapassa qualquer limite de crueldade imaginável. Para completar a humilhação, o dinheiro simplesmente sumiu, quase por inteiro, e agora, por força da Justiça e do clamor público, o governo se vê obrigado a devolver o que foi desviado utilizando, veja só, recursos do Tesouro. A tradução é simples: você foi vítima de um roubo gigantesco… e ainda terá de pagar a conta com os seus impostos. É ser punido duas vezes, sem dó e sem remorso.
O desastre se aprofunda quando voltamos os olhos às estatais. Ali se instalou um rombo absolutamente injustificável, produto do consórcio fatal entre corrupção, incompetência e o velho modelo de loteamento político, fórmula que já havia sido catastrófica em períodos anteriores. O exemplo mais gritante é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: uma instituição cambaleante, que falha com o cidadão e sufoca as famílias de seus milhares de funcionários.
Enquanto o Executivo se empenha em inviabilizar o país cultivando uma corrupção endêmica, assiste-se a uma guerra silenciosa e profundamente desigual, entre o Judiciário e qualquer força que ouse fazer oposição ao governo. Quem acompanhou a campanha de 2022 e as decisões do Tribunal Superior Eleitoral assistiu, perplexo, a um enredo em que um lado operava com liberdade quase absoluta, enquanto o adversário era cerceado ou punido até por atos rotineiros.
Essa disputa assimétrica persiste. Centenas de pessoas, de todas as idades e condições sociais, foram condenadas a penas desproporcionais por um processo, no mínimo duvidoso, rotulado de “trama golpista”, que imputou à massa inteira crimes gravíssimos como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado entre outros.
Minha mãe, que Deus a tenha ao Seu lado, era uma leoa na defesa dos filhos. Se sabia que alguém havia cometido uma injustiça contra qualquer um de nós, repetia, com a convicção de quem conhecia bem o peso moral da vida: “Não se preocupe. Quando ele morrer, vai direto para a Caldeira 18 do inferno, a mais quente”. Nunca soube de onde ela tirou essa imagem, mas confesso: diante de tanta iniquidade, tamanha desfaçatez e tão profundo desprezo pelo povo nos dias atuais, começo a imaginar que haverá uma fila quilométrica rumo à tal Caldeira 18. Ninguém escapa da infalível Lei da Causa e Efeito.
Como cidadão que se esforça para permanecer razoavelmente bem informado, observo a política nacional com uma mistura de interesse e crescente indignação. De um lado, um governo que, às portas do fim, não conseguiu deixar qualquer marca positiva, apenas o rastro de escândalos sucessivos, malversação de recursos públicos e tentativas patéticas de acobertar os “malfeitos” de seus próximos.
A surdina com que foram retirados bilhões de reais das já minguadas aposentadorias de nossos velhinhos ultrapassa qualquer limite de crueldade imaginável. Para completar a humilhação, o dinheiro simplesmente sumiu, quase por inteiro, e agora, por força da Justiça e do clamor público, o governo se vê obrigado a devolver o que foi desviado utilizando, veja só, recursos do Tesouro. A tradução é simples: você foi vítima de um roubo gigantesco… e ainda terá de pagar a conta com os seus impostos. É ser punido duas vezes, sem dó e sem remorso.
O desastre se aprofunda quando voltamos os olhos às estatais. Ali se instalou um rombo absolutamente injustificável, produto do consórcio fatal entre corrupção, incompetência e o velho modelo de loteamento político, fórmula que já havia sido catastrófica em períodos anteriores. O exemplo mais gritante é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: uma instituição cambaleante, que falha com o cidadão e sufoca as famílias de seus milhares de funcionários.
Enquanto o Executivo se empenha em inviabilizar o país cultivando uma corrupção endêmica, assiste-se a uma guerra silenciosa e profundamente desigual, entre o Judiciário e qualquer força que ouse fazer oposição ao governo. Quem acompanhou a campanha de 2022 e as decisões do Tribunal Superior Eleitoral assistiu, perplexo, a um enredo em que um lado operava com liberdade quase absoluta, enquanto o adversário era cerceado ou punido até por atos rotineiros.
Essa disputa assimétrica persiste. Centenas de pessoas, de todas as idades e condições sociais, foram condenadas a penas desproporcionais por um processo, no mínimo duvidoso, rotulado de “trama golpista”, que imputou à massa inteira crimes gravíssimos como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado entre outros.
Minha mãe, que Deus a tenha ao Seu lado, era uma leoa na defesa dos filhos. Se sabia que alguém havia cometido uma injustiça contra qualquer um de nós, repetia, com a convicção de quem conhecia bem o peso moral da vida: “Não se preocupe. Quando ele morrer, vai direto para a Caldeira 18 do inferno, a mais quente”. Nunca soube de onde ela tirou essa imagem, mas confesso: diante de tanta iniquidade, tamanha desfaçatez e tão profundo desprezo pelo povo nos dias atuais, começo a imaginar que haverá uma fila quilométrica rumo à tal Caldeira 18. Ninguém escapa da infalível Lei da Causa e Efeito.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
Jumenta de Balaão
A expressão “jumenta de Balaão” vem da Bíblia, mais especificamente do livro de Números, capítulo 22. Tornou-se uma expressão popular para se referir a alguém considerado teimoso, obtuso ou que fala sem perceber o que está dizendo.
Balaão era um profeta contratado pelo rei Balaque para amaldiçoar o povo de Israel. No caminho, montado em sua jumenta, Balaão é parado por um anjo enviado por Deus — mas só a jumenta consegue ver o anjo. Para evitar que Balaão avançasse e fosse morto, o animal se desvia três vezes. Balaão, sem entender nada, bate na jumenta repetidamente.
Nesse momento, acontece o episódio famoso:
• Deus abre a boca da jumenta, e ela fala com Balaão, perguntando por que está sendo espancada.
• Em seguida, Balaão finalmente tem seus olhos abertos e vê o anjo.
(Eu não conhecia a expressão. Extrai-a do texto abaixo e fui pesquisar para compreendê-lo)
"O cara tomou uma facada.
Durante a fraudemia teve as suas mãos amarradas, enquanto lutava para que eu e você pudéssemos sair de casa para ganhar a vida e cultuar a Deus.
Foi massacrado por sugerir medicamentos que o tempo demonstrou serem altamente eficazes.
Virou um pária por defender o meu direito de escolher ser ou não inoculado por um experimento científico.
Foi bombardeado pela mídia prostituída 24 horas por dia, sete dias na semana.
Foi perseguido por todo o sistema controlado pelo crime organizado.
Sabotaram por meios "legais" toda a sua campanha.
Os presídios celebraram sua derrota.
O mundo woke celebrou sua derrota.
Os que gritam "Viva Hamas!" celebraram sua derrota.
Os antissemitas celebraram sua derrota.
O cara que quer ver homem em banheiro de mulher e criança celebrou sua derrota.
O cara que quer matar crianças cada vez maiores no ventre da mãe celebrou sua derrota.
O cara que odeia a tradição judaico-cristã celebrou sua derrota.
O cara que te processa por você dizer que uma mulher é uma mulher celebrou sua derrota.
Pensa bem, mané.
Olha os meus cabelos brancos.
Você acha que tô preocupado com composição política, rejeição ou pesquisa eleitoral?
Fala sério.
Tô preocupado com os meus princípios e pautas.
Se ele indicar a jumenta de Balaão eu voto nela.
Sabe por quê?
Porque ainda visto calça.
Ponto final.
Vai encher na tua página."
(Neto Curvina)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Perdemos a capacidade de nos indignar!
Talvez seja interessante memorizar o nome dos deputados em vermelho
Diante dos últimos escândalos, Banco Master, INSS e o festival de absurdos que se tornou rotina, o brasileiro médio atingiu a iluminação zen. Nada mais choca, nada mais revolta, nada mais incomoda. Se amanhã anunciarem que o Tesouro foi trocado por vale-coxinha, metade do país vai achar normal e a outra metade vai perguntar se tem desconto à vista.
Crimes contra o povo? Fraudes bilionárias? A economia popular sangrando? Tudo virou detalhe. A sociedade está tão dormente que, se o país pegasse fogo, muita gente acharia que é o “clima seco”.
Enquanto isso, decisões judiciais surgem atropelando a Constituição, o bom senso e a vontade popular como quem passa com o trator pela horta do vizinho. Vivemos, na prática, um regime de exceção gourmet, cuidadosamente embalado e servido pelo STF, que escolhe com precisão cirúrgica quais escândalos devem ser ignorados, ou até acariciados.
E o mais irônico? A nata pensante do país, jornalistas, analistas, formadores de opinião, transformou-se numa plateia de jardim de infância: bate palminha, olha para o teto e finge que não está vendo nada. O país desaba e eles preocupados com o enquadramento da câmera e com a pauta do próximo podcast.
Num cenário desses, resta apenas recorrer à sabedoria popular: “Só Jesus na causa!” E, honestamente, no ritmo em que vamos, nem Ele deve estar muito otimista...
Diante dos últimos escândalos, Banco Master, INSS e o festival de absurdos que se tornou rotina, o brasileiro médio atingiu a iluminação zen. Nada mais choca, nada mais revolta, nada mais incomoda. Se amanhã anunciarem que o Tesouro foi trocado por vale-coxinha, metade do país vai achar normal e a outra metade vai perguntar se tem desconto à vista.
Crimes contra o povo? Fraudes bilionárias? A economia popular sangrando? Tudo virou detalhe. A sociedade está tão dormente que, se o país pegasse fogo, muita gente acharia que é o “clima seco”.
Enquanto isso, decisões judiciais surgem atropelando a Constituição, o bom senso e a vontade popular como quem passa com o trator pela horta do vizinho. Vivemos, na prática, um regime de exceção gourmet, cuidadosamente embalado e servido pelo STF, que escolhe com precisão cirúrgica quais escândalos devem ser ignorados, ou até acariciados.
E o mais irônico? A nata pensante do país, jornalistas, analistas, formadores de opinião, transformou-se numa plateia de jardim de infância: bate palminha, olha para o teto e finge que não está vendo nada. O país desaba e eles preocupados com o enquadramento da câmera e com a pauta do próximo podcast.
Num cenário desses, resta apenas recorrer à sabedoria popular: “Só Jesus na causa!” E, honestamente, no ritmo em que vamos, nem Ele deve estar muito otimista...
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