sexta-feira, 3 de abril de 2026

O “aviãozinho” e os 50,6% de rejeição


Para quem viu o presidente Lula brincando de aviãozinho em uma solenidade oficial na sede da Latam, em São Carlos (SP), no dia 25 de março, a cena causou mais do que simples constrangimento. Em meio a ministros, assessores e executivos, Lula recebeu uma maquete de aeronave, empolgou-se, correu pelo espaço simulando voo e até “pousou” o avião no chão, enquanto os presentes gargalhavam. O vídeo viralizou rapidamente nas redes sociais.

Muita gente desconfia que ele esteja começando um processo de demência. Aos 80 anos, à frente de um país com graves desafios econômicos, de segurança e institucionais, transformar uma agenda oficial em brincadeira infantil levanta questionamentos inevitáveis sobre sua capacidade cognitiva plena para exercer o cargo.

Nas redes sociais, os comentários foram diretos e sem filtro. Já vi frases do tipo: “Sidrônio, os caba tão dizendo que o véi parece que tá caducando!” Esse tipo de reação popular reflete um sentimento crescente de desconforto com o comportamento do presidente.

E os números não ajudam a acalmar esse cenário. Uma nova pesquisa Atlas Intel/Arko Advice, divulgada no início de abril de 2026, revela que Lula lidera o ranking de rejeição política com 50,6%. Ele é seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 24%, e por Jair Bolsonaro, com 16,3%. A pesquisa, realizada entre 16 e 23 de março com mais de 4 mil entrevistados, mostra que metade do eleitorado rejeita o atual mandatário de forma clara.

Essa alta rejeição tem impacto direto na governabilidade. Com mais da metade dos brasileiros dizendo “de jeito nenhum” votar em Lula, o governo enfrenta dificuldade crescente para aprovar pautas no Congresso, manter apoio popular e implementar reformas. A base aliada tende a ficar mais frágil, pois deputados e senadores calculam o custo eleitoral de se associar a um presidente tão rejeitado. Medidas impopulares, como aumentos de impostos ou ajustes fiscais, podem gerar ainda mais resistência nas ruas e no Parlamento.

Do outro lado, a alta resistência ao nome de Lula pode moldar as alianças da oposição de forma estratégica. Partidos de centro-direita e de direita terão mais incentivos para se unir ou, pelo menos, coordenar ações contra o governo, explorando o desgaste do petista como principal ativo eleitoral. A oposição pode se fortalecer ao destacar não apenas erros de gestão, mas também o contraste entre a imagem de um presidente “desconectado” (como no episódio do aviãozinho) e a necessidade de liderança firme para o país.

A pesquisa ainda mostra que, embora Lula mantenha um núcleo duro de apoio, a rejeição majoritária sinaliza que seu capital político está se esgotando. Momentos como o da Latam não são meros “vacilos” ou “descontração”: eles alimentam o sentimento de que o presidente já não transmite a seriedade e a lucidez que o cargo exige.

O Brasil vive um momento delicado. Uma rejeição acima de 50% combinada com dúvidas públicas sobre a capacidade cognitiva do chefe do Executivo não é algo que se resolve com memes ou minimizações. É um alerta sobre a saúde da democracia e da governabilidade no país.

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