Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”. Para adquirir qualquer livro, faça contacto através do WhatsApp (85) 9.9998.5816.
domingo, 29 de março de 2026
Coincidência ou falta de sorte?
Não é coincidência, é falta de sorte mesmo. Ou, para quem prefere uma leitura mais cética, um padrão incômodo que se repete com precisão cirúrgica toda vez que Luiz Inácio Lula da Silva assume a Presidência da República. O Brasil parece destinado a viver, a cada novo mandato petista, pelo menos um escândalo de proporções monumentais, daqueles que abalam instituições, envergonham a opinião pública e deixam um rastro de prejuízos bilionários para o contribuinte. Os escândalos menores, esses nem vale a pena listar: são rotina. O curioso é o timing. Como se a “desventura” acompanhasse o cidadão comum de Porto Alegre a Boa Vista toda vez que o mesmo nome volta ao Palácio do Planalto.
No primeiro governo Lula (2003-2006), o Mensalão explodiu em 2005 como uma bomba no coração do Congresso. Esquema de pagamento mensal de propinas a parlamentares em troca de apoio ao Executivo. Roberto Jefferson denunciou, José Dirceu caiu, o PT foi abalado, mas Lula sobreviveu politicamente e foi reeleito. O país assistiu atônito ao espetáculo de “caixa 2” institucionalizado, com malas de dinheiro e delações que revelavam o modus operandi da base aliada.
No segundo mandato (2007-2010), o Petrolão, ou o gigantesco esquema de corrupção na Petrobras revelado anos depois pela Lava Jato, ganhou corpo. Contratos superfaturados, empreiteiras pagando propina sistematicamente, diretores indicados pelo PT no comando da estatal. Bilhões desviados. Lula sempre negou saber, mas as investigações apontaram para um sistema que funcionou com eficácia impressionante durante seus governos. O escândalo se estendeu à sucessora, mas plantou raízes profundas nos anos petistas.
Agora, no terceiro governo (2023 em diante), a “falta de sorte” parece ter dobrado a aposta. Dois escândalos de envergadura internacional despontaram: a fraude no INSS (conhecida como Operação Sem Desconto ou Farra do INSS) e a orgia financeira do Banco Master.
A fraude no INSS envolveu descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização real da maioria das vítimas. Associações e sindicatos firmavam acordos com o INSS para cobrar mensalidades por “serviços” que poucos sabiam que contratavam. Estimativas falam em R$ 6,3 bilhões desviados entre 2019 e 2024, com forte aceleração nos anos de 2023 e 2024. A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal atuaram, mas o esquema ganhou fôlego com omissões, afrouxamento de regras e indicações políticas questionáveis. Relatos mencionam até ligações com figuras próximas ao governo, incluindo menções ao filho do presidente (Lulinha) e ao irmão (Frei Chico) em investigações e CPMI, o que, naturalmente, o Planalto nega ou minimiza. Milhões de idosos foram lesados. O rombo recai sobre o sistema previdenciário, que já patina com contas públicas apertadas.
Paralelamente, o Banco Master se transformou em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do Brasil. Liquidação pelo Banco Central, prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, rombo estimado em dezenas de bilhões (alguns falam em R$ 40-50 bilhões ou mais). CDBs com juros irreais, carteiras de crédito sem lastro, envolvimento com fundos de previdência de estados e municípios, créditos consignados problemáticos e tentativas de venda que levantaram suspeitas. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pode ser chamado a cobrir parte da conta, ou seja, mais uma vez o contribuinte entra no jogo. O caso respingou em instituições, políticos e até ministros do STF, gerando desconforto no governo, que tenta enquadrá-lo como “herança” ou “golpe de magnatas”, mas as investigações avançam e revelam uma teia complexa de operações questionáveis.
O que chama atenção não é apenas a escala desses escândalos, mas o padrão comportamental. Em todos os casos, a narrativa oficial é a mesma: “Não sabíamos”, “foi traição de companheiros”, “herança do governo anterior” ou “perseguição da mídia e da oposição”. Lula condena em discurso, mas o estrago já está feito. O Mensalão não derrubou o governo. O Petrolão foi digerido com anulações posteriores no Judiciário. Agora, INSS e Banco Master testam novamente a resiliência política do petismo.
Não se trata aqui de ignorar que corrupção existe em outros governos. O Brasil tem histórico longo e bipartidário de malfeitos. Temer, FHC e tantos outros tiveram seus casos. Mas o volume, a sistematicidade e o timing nos mandatos de Lula chamam a atenção até do observador mais desinteressado. É como se, ao voltar ao poder, o mesmo estilo de gestão (forte aparelhamento de estatais e órgãos públicos, alianças amplas com custo alto, tolerância seletiva com aliados), criasse terreno fértil para que esses “infortúnios” floresçam.
O contribuinte brasileiro, especialmente o aposentado que vê seu benefício minguar ou o trabalhador que banca o rombo via impostos e FGC, não pode se dar ao luxo de tratar isso como mera “falta de sorte”. São recursos públicos, dinheiro suado, que evaporam em esquemas sofisticados. Enquanto isso, o discurso oficial foca em narrativas de “luta contra a desigualdade” ou culpa externa.
Talvez não seja coincidência. Talvez seja o resultado previsível de um modelo de poder que prioriza controle político sobre transparência e eficiência. O Brasil merece instituições mais robustas, fiscalização implacável e menos “desventuras” cíclicas. Porque, no fim das contas, quem paga a conta dessa falta de sorte recorrente não é o “cidadão sortudo” do Planalto, mas o povo que tenta sobreviver entre um escândalo e outro.
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