“Os inteligentes aprendem com seus próprios erros; os sábios aprendem com os erros dos outros.”
O debate sobre tributação de altas rendas e seus efeitos na economia é antigo e recorrente em diversas partes do mundo. Nos Estados Unidos, um episódio envolvendo a governadora de Nova York, Kathy Hochul (da ala mais à esquerda do Partido Democrata), reacendeu essa discussão ao evidenciar como discurso político, comportamento econômico e mobilidade de contribuintes podem estar interligados.
Em 2022, durante o período eleitoral, Hochul adotou um tom grosseiro ao se dirigir a determinados grupos, mormente pessoas de alta renda e críticos de sua agenda política. Em um discurso que ganhou ampla repercussão, afirmou que aqueles insatisfeitos poderiam deixar o estado, mencionando a Flórida como destino (“É só pegar um ônibus e ir para a Flórida, onde é o lugar de vocês, ok? Saiam da cidade! Saiam da cidade!”).
Após sua vitória, observou-se um movimento de migração de contribuintes de alta renda para estados como Flórida e Texas, conhecidos por menor carga tributária estadual. Embora esse fenômeno tenha múltiplas causas, incluindo custo de vida, clima e oportunidades econômicas, neste caso a política fiscal é apontada como o fator determinante na decisão.
Em 2026, o discurso da governadora passou a refletir uma preocupação diferente. Diante de sinais de erosão na base tributária, Hochul fez declarações reconhecendo a importância dos contribuintes de alta renda para o financiamento de políticas públicas. Em um tom mais conciliador, chegou a sugerir iniciativas para incentivar o retorno desses indivíduos, mencionando explicitamente regiões como Palm Beach, na Flórida, onde muitos nova-iorquinos passaram a residir.
Esse contraste entre os dois momentos evidencia um ponto central no debate econômico: a sensibilidade da arrecadação à mobilidade de contribuintes de alta renda. Em sistemas onde há liberdade de deslocamento, como entre estados norte-americanos, mudanças na política fiscal podem gerar respostas rápidas por parte desse grupo.
Historicamente, esse não é um fenômeno isolado. Um dos exemplos mais citados ocorre no Reino Unido, nas décadas de 1960 e 1970, quando alíquotas de imposto de renda chegaram a níveis extremamente elevados, atingindo até 83% sobre rendimentos e, em alguns casos, até 98% sobre rendas de investimentos. Nesse período, diversos indivíduos de alta renda deixaram o país, fenômeno que ficou conhecido como “tax exile”. Entre os casos mais famosos está o da banda The Rolling Stones, que se mudou para a França em resposta à elevada carga tributária.
Os efeitos dessas políticas foram amplamente debatidos. Em alguns casos, houve perda de arrecadação devido à saída de contribuintes, além de mudanças no comportamento econômico. Posteriormente, nas décadas seguintes, o Reino Unido promoveu reformas fiscais, especialmente durante o governo de Margaret Thatcher, reduzindo alíquotas e buscando reequilibrar o sistema.
O caso de Nova York, portanto, insere-se em um contexto mais amplo e histórico, no qual governos precisam equilibrar objetivos sociais, como financiamento de programas públicos, com a necessidade de manter uma base tributária estável e competitiva. Não se trata apenas de uma questão ideológica, mas também de gestão econômica e de incentivos.
Bom dia, Paraguai!

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