terça-feira, 28 de abril de 2026

A Mamãe Ursa 


Externar apreensão tem sido cada vez mais comum para muitos brasileiros ao observar o cenário político. Apesar de todos os escândalos acumulados durante os governos de Lula e do PT (Mensalão, Petrolão, Cop30, INSS, Banco Master e tantos outros), ainda existe uma parcela significativa de eleitores dispostos a votar novamente em Lula em 2026. Pesquisas recentes mostram essa intenção de voto oscilando na casa dos 35% a 40%, o que causa espanto em quem acompanha os fatos com atenção.

Um amigo, tentando explicar o fenômeno, recorreu aos números da educação brasileira: cerca de 10 milhões de analfabetos adultos (portanto, eleitores) e uma estimativa de mais 30 milhões de analfabetos funcionais. O analfabeto funcional, como se sabe, é aquele indivíduo que, embora saiba ler e escrever de forma rudimentar, falta-lhe competência para compreender, interpretar, analisar e utilizar textos de modo adequado na resolução de problemas reais da vida cotidiana.

Refutei parcialmente esse argumento. Não porque negue a gravidade do analfabetismo no Brasil, real e preocupante, mas porque a explicação não cobre toda a realidade. Conheço pessoas próximas, inteligentes, cultas e com boa formação, que não se encaixam no perfil de analfabetos funcionais. Mesmo assim, elas defendem com unhas e dentes os governos de esquerda, mesmo diante de evidências claras de corrupção e má gestão.

Essas pessoas incorporam, de forma quase instintiva, a alma da mamãe ursa (animais têm alma? A metáfora, ao menos, é poderosa), aquela figura do reino animal conhecida por lutar até a morte na defesa de seus filhotes. No caso delas, o “filhote” a ser protegido a qualquer custo parece ser a narrativa e os governos da esquerda, independentemente dos escândalos, das contradições ou dos resultados concretos.

Isso levanta uma questão que merece reflexão sincera: qual a explicação real para esse comportamento? Por que inteligência, cultura e acesso à informação não são suficientes para romper certa lealdade tribal ou emocional? O que faz pessoas racionais, em outros aspectos da vida, ativarem um modo de defesa cega semelhante ao instinto maternal mais feroz quando o assunto é política e ideologia?

Não se trata apenas de falta de informação ou de analfabetismo funcional. Parece haver algo mais profundo: uma identificação emocional forte, um senso de pertencimento identitário ou uma visão de mundo tão arraigada que transforma qualquer crítica em ameaça existencial ao “filhote” que se criou ou adotou.

Deixo aqui o ponto para reflexão: qual a explicação para que tantos, mesmo os mais capacitados intelectualmente, defendam com tamanha obstinação governos e projetos políticos marcados por sucessivos escândalos? Seria apego ideológico? Medo do desconhecido? Lealdade partidária acima da razão? Ou algo ainda mais primal, como o instinto de proteção que a natureza programou na mamãe ursa?

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