terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Escândalos


Os cabas roubaram o INSS. Roubaram dos velhinhos, dos inválidos e até de crianças. Ninguém escapou. Todo mundo perdeu dinheiro. Mas, em vez de o governo ir atrás de quem roubou, preferiu o caminho mais confortável: restituir usando dinheiro de imposto. Traduzindo para o português claro: você pagou pelo roubo duas vezes: a primeira quando desviaram, a segunda quando o Estado resolveu “consertar” o problema com o seu próprio bolso.

Já o Banco Master, além de protagonista no escândalo dos consignados do INSS, simplesmente quebrou, levando junto a poupança de centenas de milhares de brasileiros, talvez milhões. Para quem tinha até 250 mil reais aplicados, o remendo chama-se Fundo Garantidor de Créditos. O fundo devolve o dinheiro, dizem. Ótimo. Só esquecem de explicar um detalhe irrelevante: esse fundo não nasce em árvore, nem brota do chão.

Ele é formado pela contribuição de todos os bancos, proporcionalmente ao tamanho de cada um. Agora sejamos adultos: você acha mesmo que os bancos vão absorver esse prejuízo em silêncio, por espírito cívico? Claro que não. A conta é repassada onde sempre foi. Nos juros mais altos, nas tarifas, no crédito mais caro, no sufoco diário do correntista.

No fim das contas, como manda a tradição nacional, tudo estoura no rabo do cidadão comum. Sempre ele. O mesmo de sempre.

Enquanto isso, o governo segue impávido, fazendo cara de paisagem, como se nada disso lhe dissesse respeito. Como se não devesse explicações. Como se não devesse satisfação. Como se não devesse, ao menos, respeito ao povo deste país.

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