segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Hipocrisia 

"Alguns se indignam mais com a queda de um ditador do que com milhões passando fome. Se, afinal, a lógica da 'soberania' fosse absoluta, nem a derrota do nazismo seria justificável."

Em um mundo cada vez mais dominado por narrativas políticas moldadas por ideologia, conveniência e alinhamentos circunstanciais, a hipocrisia internacional deixou de ser exceção para se tornar método. Não se trata apenas de incoerências individuais ou deslizes retóricos ocasionais, mas de um padrão sistêmico que orienta discursos, decisões diplomáticas e julgamentos morais no debate global contemporâneo.

O mecanismo é conhecido: condena-se com veemência o inimigo ideológico, enquanto se relativizam, justificam ou simplesmente silenciam ações idênticas, ou até mais graves, praticadas por aliados. Princípios universais, quando existem, passam a ser aplicados de forma seletiva. A régua moral muda conforme o ator envolvido.

O caso da guerra na Ucrânia é emblemático. Em determinados círculos políticos e acadêmicos, observa-se um esforço deliberado para amenizar ou justificar a invasão russa, mesmo tratando-se de um ataque militar clássico contra um Estado soberano, democrático, com eleições reconhecidas internacionalmente e sem histórico de êxodo populacional em massa antes do conflito. A agressão é reinterpretada como “resposta geopolítica”, “provocação da OTAN” ou “conflito de esferas de influência”, como se esses argumentos tivessem o poder mágico de dissolver o direito internacional.

Paradoxalmente, os mesmos atores que relativizam tanques russos atravessando fronteiras internacionais classificam como “invasão” qualquer ação americana ou ocidental que contrarie seus alinhamentos ideológicos, ainda que em contextos radicalmente distintos. O caso da Venezuela ilustra essa distorção. Trata-se de um país submetido há mais de duas décadas a um regime autoritário, marcado por perseguição política, fraudes eleitorais recorrentes e um colapso econômico que levou mais de 8 milhões de pessoas ao exílio, um dos maiores êxodos da história recente. Ainda assim, qualquer menção a pressão internacional ou ação externa é imediatamente rotulada como imperialismo, enquanto o drama humano é convenientemente empurrado para fora do enquadramento moral.

O grau de incoerência atinge o paroxismo quando se observa a reação seletiva a intervenções pontuais. Aplaude-se, sem constrangimento, uma intervenção militar brasileira no Peru destinada ao resgate de uma ex-primeira-dama condenada a mais de 15 anos de prisão por corrupção. Nesse caso, desaparecem as palavras “violação de soberania” ou “ingerência externa”. A ação deixa de ser invasão e passa a ser “gesto humanitário”, “solidariedade regional” ou “decisão política legítima”. Curiosamente, a classificação jurídica do ato muda conforme o lado político do beneficiário.

Essa seletividade não é fruto de ingenuidade nem de desinformação. Ela é, na verdade, o núcleo de uma diplomacia enviesada, na qual afinidades ideológicas se sobrepõem a princípios que deveriam ser universais: soberania, autodeterminação dos povos, legalidade internacional, direitos humanos e responsabilidade democrática.

O resultado é um debate global profundamente empobrecido, no qual conceitos fundamentais perdem significado. “Invasão”, “golpe”, “ditadura”, “democracia” e “direitos humanos” deixam de ser categorias objetivas e passam a funcionar como instrumentos retóricos, acionados ou silenciados conforme a conveniência política do momento.

No fim, a hipocrisia internacional cobra seu preço. Ao corroer a coerência moral, ela mina a credibilidade das instituições multilaterais, desacredita o discurso dos direitos humanos e fortalece justamente aqueles que se beneficiam do caos normativo. Quando tudo é relativo, nada é condenável e o arbítrio encontra terreno fértil.

Se o mundo pretende resgatar algum sentido de ordem, justiça e legitimidade no sistema internacional, será preciso começar por algo simples, embora desconfortável: aplicar os mesmos princípios aos aliados e aos adversários. Sem isso, a diplomacia continuará sendo apenas um exercício sofisticado de cinismo, travestido de virtude.

domingo, 4 de janeiro de 2026

MARCO RUBIO


Em entrevista à âncora da NBC News, Kristen Welker, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou:

"O Hemisfério Ocidental é NOSSO. China, Rússia e Irã podem SAIR daqui."

Kristen Welker interrompeu-o, argumentando: "Por que os EUA precisam do petróleo venezuelano?", e Rubio prontamente respondeu: "Por que a China precisa? A Rússia? O Irã?Este é o Ocidente. É AQUI QUE VIVEMOS.

Eles NÃO vão entrar no nosso hemisfério, desestabilizar nossa região e forçar os americanos a pagar o preço. Não sob a presidência de Trump. Essa loucura ACABA aqui"

Um recado forte, direto e sem deixar nenhuma dúvida.