Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”.
sábado, 31 de janeiro de 2026
Tradução da Imagem
Do livro “Stolen Elections - The takedown of democracies worldwide” (Páginas 33 e 34)
(De Ralph Pezzullo)
**“E depois de fazermos isso e reformarmos o sistema, devemos ter em mente que existe uma solução simples. De acordo com todo engenheiro de computação e especialista em votação que os denunciantes consultaram, a solução para o problema é o retorno às eleições manuais, consistindo em cédulas de papel, contagem manual e um relatório manual.
Por que os especialistas em computação concordam com isso? Porque eles sabem que não existe software que seja impenetrável.
Mantenham computadores, tabuladores digitais e endereços de VPN fora disso.
Máquinas de votação deveriam ser proibidas!”**
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Escândalos
Os cabas roubaram o INSS. Roubaram dos velhinhos, dos inválidos e até de crianças. Ninguém escapou. Todo mundo perdeu dinheiro. Mas, em vez de o governo ir atrás de quem roubou, preferiu o caminho mais confortável: restituir usando dinheiro de imposto. Traduzindo para o português claro: você pagou pelo roubo duas vezes: a primeira quando desviaram, a segunda quando o Estado resolveu “consertar” o problema com o seu próprio bolso.
Já o Banco Master, além de protagonista no escândalo dos consignados do INSS, simplesmente quebrou, levando junto a poupança de centenas de milhares de brasileiros, talvez milhões. Para quem tinha até 250 mil reais aplicados, o remendo chama-se Fundo Garantidor de Créditos. O fundo devolve o dinheiro, dizem. Ótimo. Só esquecem de explicar um detalhe irrelevante: esse fundo não nasce em árvore, nem brota do chão.
Ele é formado pela contribuição de todos os bancos, proporcionalmente ao tamanho de cada um. Agora sejamos adultos: você acha mesmo que os bancos vão absorver esse prejuízo em silêncio, por espírito cívico? Claro que não. A conta é repassada onde sempre foi. Nos juros mais altos, nas tarifas, no crédito mais caro, no sufoco diário do correntista.
No fim das contas, como manda a tradição nacional, tudo estoura no rabo do cidadão comum. Sempre ele. O mesmo de sempre.
Enquanto isso, o governo segue impávido, fazendo cara de paisagem, como se nada disso lhe dissesse respeito. Como se não devesse explicações. Como se não devesse satisfação. Como se não devesse, ao menos, respeito ao povo deste país.
domingo, 25 de janeiro de 2026
O AMIGO DO AMIGO DO MEU PAI
Vejo, não sem espanto, a carnificina moral a que a grande mídia nacional resolveu submeter, de uma hora para outra, o ministro Dias Toffoli. Rede Globo, Estadão et caterva parecem ter acordado subitamente para o fato de que Sua Excelência teria cometido malfeitos. A indignação, agora exibida em horário nobre e editoriais solenes, soa menos como zelo republicano e mais como amnésia seletiva revertida às pressas.
Em 11 de abril de 2019, portanto há quase sete anos, a revista Crusoé publicou a reportagem intitulada “O amigo do amigo do meu pai”, na qual descrevia, com detalhes e documentos, o envolvimento do ministro com negócios no mínimo reprováveis. Nada disso era obscuro, nada disso era novo. Ao contrário: o material era suficientemente grave para provocar uma reação institucional imediata. E provocou, ainda que da pior forma possível.
O próprio ministro, então presidente do Supremo Tribunal Federal, instaurou de ofício uma investigação, nomeando ilegalmente como relator um colega da Corte. A partir desse gesto inaugural, abriu-se a comporta para uma sucessão de aberrações jurídicas que dispensam adjetivos: inquéritos sem objeto definido, vítimas indeterminadas, investigados escolhidos a dedo e uma jurisprudência moldada ao sabor das conveniências do momento.
Desde então, assistimos à lenta, porém consistente, reescrita informal da Constituição, artigo por artigo, decisão por decisão, sempre com a anuência, registre-se, da maioria do colegiado. Criou-se um novo direito constitucional, onde o que ontem era vedado hoje é aceitável, desde que aprovado pela maioria.
Há algo mais reprovável e antiético do que um juiz julgar causa patrocinada por cônjuge, filho ou parente próximo? Havia. Hoje não há mais. Tornou-se “legal” após uma votação majoritária por 7X4. Não por força de lei, mas por imposição da maioria circunstancial.
Ainda que com menos virulência, a mesma grande mídia passou a tratar com reservas o nebuloso contrato firmado pelo escritório Barci de Moraes com o liquidado Banco Master. Chegamos ao ponto, notável, quase comovente, de ler em editorial do Estadão algo que, em essência, dizia: agora que Jair Bolsonaro foi neutralizado, talvez seja o momento de o Supremo parar de agredir a Constituição. Não com essas palavras, evidentemente, mas com exatamente esse conteúdo.
Confesso que tenho refletido longamente para compreender a origem do ódio visceral que a grande mídia nacional, praticamente em bloco, nutre contra a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro. Revirando discursos, editoriais e campanhas “espontâneas”, não encontrei explicação política, moral ou institucional que se sustentasse por si só. A única explicação plausível parece ser financeira.
Durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, os gastos com publicidade oficial somaram 583 milhões de reais. Já no atual governo, entre 2023 e 2025, esse montante saltou para 2,005 bilhões de reais. Não se trata de interpretação: trata-se de números.
É legítimo, portanto, perguntar se o ódio não foi ideológico, mas orçamentário. Se a fúria não nasceu da defesa da democracia, mas da interrupção abrupta de um fluxo generoso de recursos públicos. Talvez o que se convencionou chamar de “defesa das instituições” não passe, em certos casos, de síndrome de abstinência.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Fatos do cotidiano
"O cupim é um inseto social. Vive em colônias altamente organizadas, alimenta-se de celulose, madeira e papel, e quando se instala em ambiente urbano, transforma-se em praga silenciosa, capaz de destruir móveis, estruturas e patrimônios inteiros sem alarde, sem barulho, quase sem ser notado. Seu rastro é discreto: um fino pó de madeira no chão. O estrago, porém, é profundo."
Durante dias, a porta principal do meu apartamento amanhecia com esse pozinho claro espalhado no piso próximo. Varria-se o resíduo, jogava-se no lixo, e a rotina seguia. Aos poucos, no entanto, a porta começou a apresentar pequenos buracos, como feridas abertas em seu corpo. O diagnóstico foi simples e preciso: cupim.
A primeira reação foi a mais comum, tentar um remendo. Comprei um produto que prometia exterminar o inseto. Apliquei algumas vezes. O pozinho persistiu. As feridas se multiplicaram. Ficou claro: não era solução.
O conselho foi direto e sensato: era preciso trocar a porta.
Adquiri então uma porta nova, de uma empresa especializada em venda e montagem. Paguei em duas parcelas no cartão de crédito. Uma porta bonita, branca como devem ser as portas principais, com um elegante puxador de metal. Comprada e paga, imaginei que a substituição seria imediata. Ledo engano.
Passaram-se dez dias. Enviei mensagem perguntando o que faltava para o agendamento da montagem. Silêncio. Recorri então ao amigo que havia indicado a empresa, amigo comum também do proprietário. Ele intercedeu. Finalmente alguém apareceu para medir com exatidão. Medidas conferidas, mais uma semana de espera. A porta chegou.
A largura deveria ser de 90 centímetros; veio uma de 80. Mais alguns dias, mais paciência. Substituíram por outra de 90 centímetros, mas agora com apenas dois metros de altura. A minha fora medida com dois metros e oito centímetros e meio. Nova reclamação. Nova espera. Finalmente, chegou a porta exatamente como devia ser.
Faltava apenas a montagem. Mais alguns dias que viraram semanas. Um mês e alguns dias após a compra, eis que, aleluia, a porta foi instalada. Nova, firme, íntegra. O cupim ficou para trás.
É assim também com o país. Nossa democracia vem sendo corroída, lentamente, pelo cupim da corrupção. Não faz barulho, não age à luz do dia, mas deixa resíduos diários: escândalos, desvios, privilégios, impunidade. Varremos o pó, denunciamos, reclamamos,fingimos normalidade. Enquanto isso, as estruturas apodrecem.
Existem 129 milhões de razões para que isso mude e 300 mil denúncias já foram feitas. Produtos milagrosos não funcionam. Remendos não resolvem. Não se salva uma porta infestada com verniz.
Como não podemos trocar a nação como se troca uma porta, resta-nos trocar aqueles que conduzem o nosso destino como sociedade.
Tayayá em outubro essa oportunidade. Não depende de cupins. Não depende de vendedores. Não depende de intermediários.
Depende de nós!
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Quer ser Juíz?
"Quando um juiz é flagrado em um malfeito, as autoridades o afastam do processo, o suspendem por um tempo ou, no máximo, o aposentam com salário e vantagens integrais. Coisa feia, né?"
Do ponto de vista institucional, o exposto acima não é exceção, é praticamente a regra no Brasil.
O que normalmente acontece quando um juiz é flagrado em conduta irregular ou antiética, as sanções mais frequentes são:
• Afastamento do processo
• Disponibilidade (fica sem julgar, mas recebendo)
• Suspensão temporária
• Aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais ou integrais
Raramente há demissão pura e simples. Mais raramente ainda há responsabilização penal efetiva.
Por que isso ocorre? Isso decorre de:
• Garantias constitucionais da magistratura (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de subsídios)
• Um modelo pensado para proteger o juiz contra pressões políticas, mas que acabou gerando proteção excessiva contra punições.
O órgão responsável por julgar esses casos, o CNJ, pode aplicar sanções administrativas — mas não pode demitir juízes vitalícios. A demissão só ocorre após sentença judicial transitada em julgado, o que é raro e lento.
Por que soa “feio” (e muita gente acha injusto)? Porque, aos olhos do cidadão comum:
• Erro grave não gera consequência proporcional
• A punição parece prêmio disfarçado
• Cria-se a percepção de corporativismo
• Contrasta fortemente com o rigor aplicado a outros servidores e à população em geral
Essa discrepância corrói a confiança no Judiciário, que vive justamente de credibilidade moral.
Não é só “coisa feia”, é:
• Um problema estrutural
• Uma distorção do sistema de garantias
• Um dos pontos mais criticados por juristas, acadêmicos e pela sociedade civil
Você quer ser Juiz?
Do ponto de vista institucional, o exposto acima não é exceção, é praticamente a regra no Brasil.
O que normalmente acontece quando um juiz é flagrado em conduta irregular ou antiética, as sanções mais frequentes são:
• Afastamento do processo
• Disponibilidade (fica sem julgar, mas recebendo)
• Suspensão temporária
• Aposentadoria compulsória, com vencimentos proporcionais ou integrais
Raramente há demissão pura e simples. Mais raramente ainda há responsabilização penal efetiva.
Por que isso ocorre? Isso decorre de:
• Garantias constitucionais da magistratura (vitaliciedade, inamovibilidade, irredutibilidade de subsídios)
• Um modelo pensado para proteger o juiz contra pressões políticas, mas que acabou gerando proteção excessiva contra punições.
O órgão responsável por julgar esses casos, o CNJ, pode aplicar sanções administrativas — mas não pode demitir juízes vitalícios. A demissão só ocorre após sentença judicial transitada em julgado, o que é raro e lento.
Por que soa “feio” (e muita gente acha injusto)? Porque, aos olhos do cidadão comum:
• Erro grave não gera consequência proporcional
• A punição parece prêmio disfarçado
• Cria-se a percepção de corporativismo
• Contrasta fortemente com o rigor aplicado a outros servidores e à população em geral
Essa discrepância corrói a confiança no Judiciário, que vive justamente de credibilidade moral.
Não é só “coisa feia”, é:
• Um problema estrutural
• Uma distorção do sistema de garantias
• Um dos pontos mais criticados por juristas, acadêmicos e pela sociedade civil
Você quer ser Juiz?
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Ow salada da porra! (Ampliado e melhorado)
Relatório do INSS aponta ‘falha grave’ em mais de 250 mil contratos de consignados do Banco Master. INSS, vocês sabem, é aquele órgão onde atuava o careca que bancava uma mesada de R$ 300 mil para certo cidadão atualmente em temporada prolongada na Espanha.
Enquanto Joesley Batista se reúne com Delcy Rodríguez, que se diz presidente da Venezuela, seu advogado, detalhe pitoresco, adquire luxuoso Resort que antes pertencia aos irmãos de um certo ministro do STF. Negócio fechado não sem antes uma parte do empreendimento passar pelas mãos de um fundo ligado a Vorcaro. Sim, aquele mesmo Vorcaro que contratou uma distinta senhora advogada pela módica quantia de R$ 129 milhões.
Falando em Vorcaro, seu aparelho telefônico encontra-se apreendido pela Polícia Federal. A fuxicada de Brasília sussurra que o conteúdo do celular não é exatamente um rojão, mas algo mais próximo de uma bomba atômica.
E por falar em prejuízo, faltou contar que o fundo de previdência do Amapá (Amapá Previdência) aportou R$ 400 milhões no Banco Master, numa operação conduzida por um administrador que, segundo cochichos de Brasília, tem ligações políticas bem próximas à família de um chefe de um dos Poderes da República.
O negócio tá tão animado que, com a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, a coisa virou um circo completo: apareceu até um padre no meio da confusão, e a maior facção criminosa do Brasil, o PCC, foi citada lavando dinheiro do tráfico em fundos administrados pela própria Reag, via aqueles esquemas bilionários no setor de combustíveis.
E lá no Riacho Verde, progressista distrito de Várzea Alegre, vive um velhinho aposentado que teve parcela de sua aposentadoria descontada pelo Banco Master, sem jamais ter pisado em Brasília, sem saber quem é Vorcaro, Joesley ou Delcy, e muito menos onde fica o STF.
God bless America!
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Hipocrisia
"Alguns se indignam mais com a queda de um ditador do que com milhões passando fome. Se, afinal, a lógica da 'soberania' fosse absoluta, nem a derrota do nazismo seria justificável."
Em um mundo cada vez mais dominado por narrativas políticas moldadas por ideologia, conveniência e alinhamentos circunstanciais, a hipocrisia internacional deixou de ser exceção para se tornar método. Não se trata apenas de incoerências individuais ou deslizes retóricos ocasionais, mas de um padrão sistêmico que orienta discursos, decisões diplomáticas e julgamentos morais no debate global contemporâneo.
O mecanismo é conhecido: condena-se com veemência o inimigo ideológico, enquanto se relativizam, justificam ou simplesmente silenciam ações idênticas, ou até mais graves, praticadas por aliados. Princípios universais, quando existem, passam a ser aplicados de forma seletiva. A régua moral muda conforme o ator envolvido.
O caso da guerra na Ucrânia é emblemático. Em determinados círculos políticos e acadêmicos, observa-se um esforço deliberado para amenizar ou justificar a invasão russa, mesmo tratando-se de um ataque militar clássico contra um Estado soberano, democrático, com eleições reconhecidas internacionalmente e sem histórico de êxodo populacional em massa antes do conflito. A agressão é reinterpretada como “resposta geopolítica”, “provocação da OTAN” ou “conflito de esferas de influência”, como se esses argumentos tivessem o poder mágico de dissolver o direito internacional.
Paradoxalmente, os mesmos atores que relativizam tanques russos atravessando fronteiras internacionais classificam como “invasão” qualquer ação americana ou ocidental que contrarie seus alinhamentos ideológicos, ainda que em contextos radicalmente distintos. O caso da Venezuela ilustra essa distorção. Trata-se de um país submetido há mais de duas décadas a um regime autoritário, marcado por perseguição política, fraudes eleitorais recorrentes e um colapso econômico que levou mais de 8 milhões de pessoas ao exílio, um dos maiores êxodos da história recente. Ainda assim, qualquer menção a pressão internacional ou ação externa é imediatamente rotulada como imperialismo, enquanto o drama humano é convenientemente empurrado para fora do enquadramento moral.
O grau de incoerência atinge o paroxismo quando se observa a reação seletiva a intervenções pontuais. Aplaude-se, sem constrangimento, uma intervenção militar brasileira no Peru destinada ao resgate de uma ex-primeira-dama condenada a mais de 15 anos de prisão por corrupção. Nesse caso, desaparecem as palavras “violação de soberania” ou “ingerência externa”. A ação deixa de ser invasão e passa a ser “gesto humanitário”, “solidariedade regional” ou “decisão política legítima”. Curiosamente, a classificação jurídica do ato muda conforme o lado político do beneficiário.
Essa seletividade não é fruto de ingenuidade nem de desinformação. Ela é, na verdade, o núcleo de uma diplomacia enviesada, na qual afinidades ideológicas se sobrepõem a princípios que deveriam ser universais: soberania, autodeterminação dos povos, legalidade internacional, direitos humanos e responsabilidade democrática.
O resultado é um debate global profundamente empobrecido, no qual conceitos fundamentais perdem significado. “Invasão”, “golpe”, “ditadura”, “democracia” e “direitos humanos” deixam de ser categorias objetivas e passam a funcionar como instrumentos retóricos, acionados ou silenciados conforme a conveniência política do momento.
No fim, a hipocrisia internacional cobra seu preço. Ao corroer a coerência moral, ela mina a credibilidade das instituições multilaterais, desacredita o discurso dos direitos humanos e fortalece justamente aqueles que se beneficiam do caos normativo. Quando tudo é relativo, nada é condenável e o arbítrio encontra terreno fértil.
Se o mundo pretende resgatar algum sentido de ordem, justiça e legitimidade no sistema internacional, será preciso começar por algo simples, embora desconfortável: aplicar os mesmos princípios aos aliados e aos adversários. Sem isso, a diplomacia continuará sendo apenas um exercício sofisticado de cinismo, travestido de virtude.
Em um mundo cada vez mais dominado por narrativas políticas moldadas por ideologia, conveniência e alinhamentos circunstanciais, a hipocrisia internacional deixou de ser exceção para se tornar método. Não se trata apenas de incoerências individuais ou deslizes retóricos ocasionais, mas de um padrão sistêmico que orienta discursos, decisões diplomáticas e julgamentos morais no debate global contemporâneo.
O mecanismo é conhecido: condena-se com veemência o inimigo ideológico, enquanto se relativizam, justificam ou simplesmente silenciam ações idênticas, ou até mais graves, praticadas por aliados. Princípios universais, quando existem, passam a ser aplicados de forma seletiva. A régua moral muda conforme o ator envolvido.
O caso da guerra na Ucrânia é emblemático. Em determinados círculos políticos e acadêmicos, observa-se um esforço deliberado para amenizar ou justificar a invasão russa, mesmo tratando-se de um ataque militar clássico contra um Estado soberano, democrático, com eleições reconhecidas internacionalmente e sem histórico de êxodo populacional em massa antes do conflito. A agressão é reinterpretada como “resposta geopolítica”, “provocação da OTAN” ou “conflito de esferas de influência”, como se esses argumentos tivessem o poder mágico de dissolver o direito internacional.
Paradoxalmente, os mesmos atores que relativizam tanques russos atravessando fronteiras internacionais classificam como “invasão” qualquer ação americana ou ocidental que contrarie seus alinhamentos ideológicos, ainda que em contextos radicalmente distintos. O caso da Venezuela ilustra essa distorção. Trata-se de um país submetido há mais de duas décadas a um regime autoritário, marcado por perseguição política, fraudes eleitorais recorrentes e um colapso econômico que levou mais de 8 milhões de pessoas ao exílio, um dos maiores êxodos da história recente. Ainda assim, qualquer menção a pressão internacional ou ação externa é imediatamente rotulada como imperialismo, enquanto o drama humano é convenientemente empurrado para fora do enquadramento moral.
O grau de incoerência atinge o paroxismo quando se observa a reação seletiva a intervenções pontuais. Aplaude-se, sem constrangimento, uma intervenção militar brasileira no Peru destinada ao resgate de uma ex-primeira-dama condenada a mais de 15 anos de prisão por corrupção. Nesse caso, desaparecem as palavras “violação de soberania” ou “ingerência externa”. A ação deixa de ser invasão e passa a ser “gesto humanitário”, “solidariedade regional” ou “decisão política legítima”. Curiosamente, a classificação jurídica do ato muda conforme o lado político do beneficiário.
Essa seletividade não é fruto de ingenuidade nem de desinformação. Ela é, na verdade, o núcleo de uma diplomacia enviesada, na qual afinidades ideológicas se sobrepõem a princípios que deveriam ser universais: soberania, autodeterminação dos povos, legalidade internacional, direitos humanos e responsabilidade democrática.
O resultado é um debate global profundamente empobrecido, no qual conceitos fundamentais perdem significado. “Invasão”, “golpe”, “ditadura”, “democracia” e “direitos humanos” deixam de ser categorias objetivas e passam a funcionar como instrumentos retóricos, acionados ou silenciados conforme a conveniência política do momento.
No fim, a hipocrisia internacional cobra seu preço. Ao corroer a coerência moral, ela mina a credibilidade das instituições multilaterais, desacredita o discurso dos direitos humanos e fortalece justamente aqueles que se beneficiam do caos normativo. Quando tudo é relativo, nada é condenável e o arbítrio encontra terreno fértil.
Se o mundo pretende resgatar algum sentido de ordem, justiça e legitimidade no sistema internacional, será preciso começar por algo simples, embora desconfortável: aplicar os mesmos princípios aos aliados e aos adversários. Sem isso, a diplomacia continuará sendo apenas um exercício sofisticado de cinismo, travestido de virtude.
domingo, 4 de janeiro de 2026
MARCO RUBIO
Em entrevista à âncora da NBC News, Kristen Welker, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou:
"O Hemisfério Ocidental é NOSSO. China, Rússia e Irã podem SAIR daqui."
Kristen Welker interrompeu-o, argumentando: "Por que os EUA precisam do petróleo venezuelano?", e Rubio prontamente respondeu: "Por que a China precisa? A Rússia? O Irã?Este é o Ocidente. É AQUI QUE VIVEMOS.
Eles NÃO vão entrar no nosso hemisfério, desestabilizar nossa região e forçar os americanos a pagar o preço. Não sob a presidência de Trump. Essa loucura ACABA aqui"
Um recado forte, direto e sem deixar nenhuma dúvida.
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