Um velho engenheiro aposentado que combate o ócio tentando escrever textos inspirados nos acontecimentos do cotidiano. Autor dos livros “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 1” , “INQUIETAÇÕES NOTURNAS, REFLEXÕES NAS MADRUGADAS” e “… E A VIDA ACONTECEU! FASE 2”.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Cúmplices do Fracasso
Há um ponto em que a divergência política deixa de ser apenas opinião e passa a se tornar responsabilidade histórica. Quando uma parcela significativa da sociedade opta por ignorar escândalos recorrentes, desorganização fiscal, desinstitucionalização de órgãos técnicos e alinhamentos internacionais questionáveis, não se trata mais de preferência ideológica, mas de uma renúncia consciente ao juízo crítico. A persistência do apoio não ocorre por falta de informação, ela ocorre apesar dela.
O fenômeno revela algo mais profundo: a substituição da análise racional por vínculos emocionais, identitários ou tribais. Para esse grupo, os fatos deixam de ser critérios de avaliação e passam a ser incômodos a serem relativizados, explicados ou simplesmente descartados. A economia pode piorar, a dívida crescer, a inflação corroer renda e a credibilidade institucional se desgastar, nada disso importa quando a política é vivida como torcida organizada, não como gestão da coisa pública.
Essa postura cobra um preço coletivo. Governos não se mantêm apenas pelo poder que exercem, mas pela permissão que recebem. Quando parte da sociedade, em um flagrante efeito manada, aceita a degradação institucional como custo aceitável para preservar um projeto de poder, ela contribui ativamente para a normalização do fracasso. Não é apenas o governante que erra; é o eleitor que abdica do papel de fiscal e passa a atuar como cúmplice passivo.
No fim, a tragédia não é apenas econômica ou política, é cívica. Uma nação não se enfraquece somente por maus governos, mas pela disposição recorrente de seus cidadãos em tolerá-los, justificá-los e, pior, repeti-los. A história é implacável com sociedades que trocam responsabilidade por lealdade cega: cedo ou tarde, a conta chega, e nunca é paga apenas por quem a ignorou.
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